

	{"id":8278,"date":"2021-05-07T19:32:03","date_gmt":"2021-05-07T19:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8278"},"modified":"2021-05-07T19:32:03","modified_gmt":"2021-05-07T19:32:03","slug":"solidariedade-com-a-rebeliao-popular-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/05\/07\/solidariedade-com-a-rebeliao-popular-na-colombia\/","title":{"rendered":"Solidariedade com a rebeli\u00e3o popular na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p>Na Col\u00f4mbia, desde o dia 28 de abril, se iniciou uma rebeli\u00e3o popular de centenas de milhares de membros da classe trabalhadora, ind\u00edgenas, camponeses, negros e negras, jovens e mulheres contra uma reforma tribut\u00e1ria e um pacota\u00e7o econ\u00f4mico antipopular. O governo de Iv\u00e1n Duque se viu obrigado a \u201cretirar\u201d a dita reforma. Depois desse primeiro triunfo, organiza\u00e7\u00f5es convocantes anunciaram que a paralisa\u00e7\u00e3o continua at\u00e9 a retirada de todo o pacota\u00e7o, pelo fim da repress\u00e3o e pelo Fora Duque.<\/p>\n<p>No dia 28 de abril, o Comando Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o, integrado pelas tr\u00eas centrais sindicais (CUT, CTC e CGT) e pela Fecode (Federa\u00e7\u00e3o de docentes), convocou uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional, \u00e0 qual tamb\u00e9m se somaram organiza\u00e7\u00f5es estudantis, a Minga ind\u00edgena e organiza\u00e7\u00f5es de diversas comunidades rurais e urbanas.<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o transbordou o limite das dire\u00e7\u00f5es e se estendeu depois do dia 28 de abril. Se expressou nas principais cidades do pa\u00eds atrav\u00e9s de massivas mobiliza\u00e7\u00f5es. O epicentro foi a cidade de Cali, capital de Valle del Cauca, onde os protestos foram particularmente massivos e a paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase total, com bloqueios de ruas e estradas para as \u00e1reas circundantes. Na ter\u00e7a-feira, dia 4 de maio, as mobiliza\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00f5es e bloqueios de ruas e estradas em Cali, Bogot\u00e1 e nas principais cidades seguiam.<\/p>\n<p>Diante da gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o, o governo direitista de Iv\u00e1n Duque tentou, primeiramente, reprimi-la com uma violenta interven\u00e7\u00e3o militar, especialmente na cidade de Cali, onde organiza\u00e7\u00f5es denunciaram o assassinato de 30 manifestantes, e h\u00e1 centenas de feridos e presos. No entanto, isso n\u00e3o foi capaz de tirar os manifestantes das ruas, nem em Cali e nem nas outras cidades.<\/p>\n<p>Depois de 4 dias de protestos massivos, o governo teve que retroceder e solicitou ao Parlamento que n\u00e3o votasse o projeto de lei de reforma tribut\u00e1ria que havia sido apresentados poucos dias atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Um pacota\u00e7o de fome<\/strong><\/p>\n<p>O pacota\u00e7o econ\u00f4mico de fome apresentado tinha o objetivo de fazer com que o povo pagasse pela crise econ\u00f4mica e pela d\u00edvida externa. Inclu\u00eda uma reforma tribut\u00e1ria ou fiscal com aumento de impostos ao pequeno comerciante e camponeses, impostos sobre a \u00e1gua, eletricidade e at\u00e9 servi\u00e7os funer\u00e1rios no valor de 19%; imposto (IVA) sobre produtos da cesta b\u00e1sica familiar, al\u00e9m de uma reforma trabalhista facilitando a terceiriza\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o do trabalhador; uma reforma sanit\u00e1ria com mais privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e uma reforma da previd\u00eancia. O pr\u00f3prio governo Duque havia tornado p\u00fablico que 73% das arrecada\u00e7\u00f5es vinham de pessoas f\u00edsicas e apenas 27% das empresas, em um pa\u00eds onde o setor financeiro, no ano de 2020, pagou apenas 1,9% de impostos sobre suas atividades milion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Agora, o governo afirma a retirada da reforma tribut\u00e1ria, que era a principal demanda (ainda que n\u00e3o a \u00fanica) da paralisa\u00e7\u00e3o. Em seguida, o Ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, renunciou. Tudo isso foi um triunfo direto da imensa mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 anos, o governo de Duque continua com a expropria\u00e7\u00e3o a ferro e fogo das terras dos camponeses e ind\u00edgenas, entregando-as aos latifundi\u00e1rios e as fontes h\u00eddricas, os recursos naturais e minerais \u00e0s multinacionais imperialistas.<\/p>\n<p>Duque \u00e9 homem de Alvaro Uribe (presidente do pa\u00eds de 2002 a 2010), que encabe\u00e7ou a mais forte repress\u00e3o paramilitar ilegal contra o movimento de massas.<\/p>\n<p>Em 2019 j\u00e1 havia ocorrido grandes protestos contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica pr\u00f3-empresarial e pr\u00f3-imperialista do governo de Duque e de seu Ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla.<\/p>\n<p><strong>A mobiliza\u00e7\u00e3o debilitou Duque<\/strong><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o Colectivos Unidos, simpatizante da UIT-QI na Col\u00f4mbia, impulsionou e fez parte dessa grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Em recente declara\u00e7\u00e3o, afirma: \u201cO Presidente Duque e todos os seus funcion\u00e1rios, que at\u00e9 esta semana falavam grosso pelo r\u00e1dio e televis\u00e3o, hoje escondem suas caras para n\u00e3o sofrerem um linchamento p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Partidos capitalistas e reformistas parlamentares, como o antigo Partido Liberal, o Partido de la U e Mudan\u00e7a Radical, manifestaram sua oposi\u00e7\u00e3o a certos aspectos do projeto de reforma tribut\u00e1ria. Enquanto isso, a Igreja e associa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas patronais ofereceram seus \u201cbons of\u00edcios\u201d para promover um \u201cdi\u00e1logo nacional\u201d com as \u201cfor\u00e7as vivas\u201d. Ainda que, no fundo, tenham apoiado o ajuste antipopular, agora tratam, evidentemente, de frear a mobiliza\u00e7\u00e3o popular com esse tal \u201cdi\u00e1logo\u201d.<\/p>\n<p><strong>A luta continua e enfrenta a brutal repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do governo ter recuado na reforma tribut\u00e1ria, grande parte do povo trabalhador e da juventude n\u00e3o acredita nem em Duque e nem nos partidos do Parlamento, e, por isso, voltam para as ruas mesmo ap\u00f3s a retirada da reforma tribut\u00e1ria. O triunfo fortaleceu a rebeli\u00e3o e enfrenta as for\u00e7as repressivas de Duque nas ruas. O plano de militariza\u00e7\u00e3o est\u00e1 fracassando e a mobiliza\u00e7\u00e3o popular n\u00e3o se deteve, apesar da repress\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>No domingo, 2 de maio, se difundiu esta declara\u00e7\u00e3o em Cali: \u201cN\u00f3s, das organiza\u00e7\u00f5es sociais, estudantis, sindicais, ind\u00edgenas, populares, de mulheres, dos bairros [&#8230;] reconhecemos que ganhamos uma primeira batalha diante da decis\u00e3o do governo de retirar a Reforma Tribut\u00e1ria, mas afirmamos que N\u00c3O teremos ganhado a luta at\u00e9 que se retire TODO o Pacota\u00e7o de Duque, o que inclui a Reforma Trabalhista, a Reforma da Sa\u00fade e a Reforma da Previd\u00eancia; at\u00e9 que seja feita justi\u00e7a pelas pessoas assassinadas, feridas e detidas [&#8230;] e, sobretudo, at\u00e9 que Duque renuncie. At\u00e9 que todas nossas demandas sejam atendidas, a PARALISA\u00c7\u00c3O n\u00e3o cessar\u00e1 sobre Cali e sobre o Valle del Cauca\u201d.<\/p>\n<p>O Comando Nacional de Paralisa\u00e7\u00e3o (CUT, CTC, CGT e Fecode), por sua vez, depois da retirada da reforma tribut\u00e1ria, declarou: \u201cCom este an\u00fancio do governo n\u00e3o se det\u00e9m a mobiliza\u00e7\u00e3o, as pessoas nas ruas est\u00e3o pedindo muito mais que este an\u00fancio da retirada do projeto\u201d. E convocam uma nova paralisa\u00e7\u00e3o e grande mobiliza\u00e7\u00e3o desde a quarta-feira, dia 5 de maio.<\/p>\n<p>Para a continuidade da luta s\u00e3o necess\u00e1rias tanto as Assembleias Populares, como as que convocam em Cali, como um Encontro Nacional com participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de todas as organiza\u00e7\u00f5es em luta, representantes dos bloqueios e das assembleias populares para debater um plano de demandas e as medidas de luta para derrotar o governo e seus ataques.<\/p>\n<p>O importantes \u00e9 que a luta segue em todo o pa\u00eds, agora reivindicando a elimina\u00e7\u00e3o total do pacote econ\u00f4mico e que Duque seja derrubado. Tamb\u00e9m se exige o fim da repress\u00e3o, o fim da militariza\u00e7\u00e3o das cidades, a dissolu\u00e7\u00e3o da odiada pol\u00edcia, o Esmad, liberdade para os detidos e puni\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis dos crimes repressivos.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da UIT-QI, nos solidarizamos com o povo colombiano e chamamos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o internacional, com protestos em frente \u00e0s embaixadas e consulados do mundo. Chamamos o apoio e solidariedade internacional para que triunfe a grande rebeli\u00e3o popular do povo colombiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<\/strong><\/p>\n<p><strong>4 de maio de 2021<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Col\u00f4mbia, desde o dia 28 de abril, se iniciou uma rebeli\u00e3o popular de centenas de milhares de membros da classe trabalhadora, ind\u00edgenas, camponeses, negros e negras, jovens e mulheres contra uma reforma tribut\u00e1ria e um pacota\u00e7o econ\u00f4mico antipopular. 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