

	{"id":8313,"date":"2021-05-16T14:21:07","date_gmt":"2021-05-16T14:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8313"},"modified":"2021-05-16T14:45:18","modified_gmt":"2021-05-16T14:45:18","slug":"especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/","title":{"rendered":"Especial \u2013 150 anos da Comuna de Paris (1871 \u2013 2021)"},"content":{"rendered":"<p>Os artigos que agora disponibilizamos em formato eletr\u00f4nico foram originalmente publicados entre os meses de mar\u00e7o e maio no jornal Combate Socialista (edi\u00e7\u00f5es 124, 126, 128).<\/p>\n<p>A Comuna de Paris foi uma espetacular insurrei\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s de sua Guarda Nacional, gestou um governo oper\u00e1rio, uma ditadura do proletariado que durou um breve per\u00edodo.<\/p>\n<p>Conhecer essa experi\u00eancia, seus erros e acertos, \u00e9 fundamental. E isso \u00e9 ainda mais importante quando a maioria das organiza\u00e7\u00f5es da esquerda n\u00e3o aposta numa estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00f3s da CST nos inspiramos nas li\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris para seguir apostando na a\u00e7\u00e3o direta das massas, na organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, no desenvolvimento dos embri\u00f5es do poder oper\u00e1rio e popular e uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consequente.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>OS 150 ANOS DA COMUNA DE PARIS (1871-2021)<\/strong><\/p>\n<p>Parte I:\u00a0<strong>Marx, Engels, a I Internacional e o significado da Comuna de Paris<\/strong><\/p>\n<p>Por: Jo\u00e3o Santiago, Coordenador do Sintsep\/PA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO proletariado assalta os c\u00e9us&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa madrugada de 18 de mar\u00e7o de 1871, Paris acordou com o rebentamento do trov\u00e3o \u2018Vive la Commune\u2019! O que \u00e9 a Comuna, essa esfinge que tanto atormenta o esp\u00edrito burgu\u00eas\u201d.\u00a0 Assim Marx come\u00e7ava a leitura do tema da Comuna na Mensagem ao Conselho Geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, intitulado \u201cA Guerra Civil em Fran\u00e7a\u201d, em 30 de maio, dois dias ap\u00f3s o massacre dos communards.<\/p>\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central da Guarda Nacional caiu como um raio em c\u00e9u azul para a burguesia francesa:\u00a0<em>\u201c&#8230;O proletariado&#8230;compreendeu que era seu dever imperioso e seu direito absoluto tomar em m\u00e3os os seus destinos e assegurar-lhes (aos oper\u00e1rios) o triunfo conquistando o poder<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>De fato, por ordem do Comit\u00ea Central, foram convocadas elei\u00e7\u00f5es para a instaura\u00e7\u00e3o da Comuna para o dia 26 de mar\u00e7o, um domingo. Segundo Olivier-Lissagaray (combatente e historiador da Comuna), votaram 287 mil eleitores, muito mais do que a \u201cAssembleia de Vampiros\u201d \u2013 express\u00e3o de Marx &#8211; \u00a0da burguesia francesa instalada em Bordeaux em fevereiro e depois Versailles.<\/p>\n<p><strong>Composi\u00e7\u00e3o da Comuna<\/strong><\/p>\n<p>Ao todo foram eleitos 88 conselheiros, sendo 16 administradores distritais ou adjuntos liberais representantes da burguesia e 72 revolucion\u00e1rios de todos os matizes. Vinte e cinco oper\u00e1rios haviam sido eleitos, dos quais\u00a0<em>apenas 13 da Internacional<\/em>. A grande maioria, segundo Lissagaray, era composta de pequeno-burgueses, empregados, contadores, m\u00e9dicos, professores prim\u00e1rios, advogados, jornalistas. A maioria era extremamente jovem, alguns tinham no m\u00e1ximo 25 anos, como o prefeito de Policia de Paris, Raoul Rigault. Nenhuma mulher pode concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, pois foi usada a listagem do Imp\u00e9rio, e as mulheres n\u00e3o votavam na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Como foi poss\u00edvel a classe oper\u00e1ria tomar o poder em Paris?<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrota da Fran\u00e7a na guerra franco-prussiana, na Batalha de Sedan, em 1\u00ba de setembro de 1870, com a rendi\u00e7\u00e3o de Napole\u00e3o III e de seus generais, os oper\u00e1rios e a Guarda Nacional invadem o local onde se reunia o corpo legislativo e colocam abaixo o Imp\u00e9rio no dia 4 de setembro. Mas, o povo quer a Rep\u00fablica e obriga os deputados da esquerda a proclam\u00e1-la no Hotel de Ville. Como disse Engels, na Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 da\u00a0<em>Guerra Civil em Fran\u00e7a<\/em>, \u201cO imp\u00e9rio desmoronou como um castelo de cartas, a Rep\u00fablica foi proclamada de novo\u201d.<\/p>\n<p>O poder caiu nas m\u00e3os da burguesia e de uma \u201ccabala de advogados \u00e0 ca\u00e7a de lugares\u201d, com Thiers como seu chefe de Estado e Trochu como seu general, apossando-se do Hotel de Ville. Mas, como disse Marx, \u201ccom os verdadeiros dirigentes da classe oper\u00e1ria ainda detidos nas pris\u00f5es bonapartistas e os prussianos j\u00e1 em marcha sobre a cidade, Paris tolerou a tomada do poder, na condi\u00e7\u00e3o expressa de ser exercido com o \u00fanico prop\u00f3sito de defesa nacional\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a 28 de janeiro de 1871, esses senhores capitulam ao ex\u00e9rcito prussiano, cai a sua \u201cm\u00e1scara da impostura\u201d. S\u00e3o aceitos todos os termos da capitula\u00e7\u00e3o, inclusive eleger uma Assembleia Nacional em oito dias com o \u00fanico objetivo de decidir sobre a paz e sobre a guerra. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o monarquista, com os restos do bonapartismo, se reuniu em Bordeux, a famosa Assembleia do \u201cRurais\u201d.<\/p>\n<p>Essa burguesia (com Thiers \u00e0 cabe\u00e7a) e sua \u201cassembleia de vampiros\u201d, tendo capitulado \u00e0 Pr\u00fassia, que ocupava um ter\u00e7o do territ\u00f3rio franc\u00eas e deixava Paris isolada das prov\u00edncias, precisava agora remover do seu caminho o maior obst\u00e1culo: a Paris oper\u00e1ria armada. O pretexto para desarmar os oper\u00e1rios era de que a Artilharia da Guarda Nacional de Paris pertencia ao Estado e ao Estado tinha que ser devolvida.<\/p>\n<p>\u00c0s tr\u00eas horas da madrugada do dia 18 de mar\u00e7o, Thiers d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 guerra civil, ordenando que fossem roubados os 250 canh\u00f5es em poder da Guarda Nacional, que estavam em Montmartre (XVIII Distrito), em Belleville, no fauborg Du Temple, na Bastilha, no Hotel de Ville, na place Saint-Michel, no Luxemburgo, etc. A opera\u00e7\u00e3o \u00e9 comandada pelo General Vinoy, bonapartista e prefeito da Pol\u00edcia de Paris.<\/p>\n<p>Bem-sucedida no in\u00edcio, pelo fator surpresa, a opera\u00e7\u00e3o fracassa perante a resist\u00eancia da Guarda Nacional e a confraterniza\u00e7\u00e3o entre a linha e o povo, principalmente as mulheres, que tomaram a dianteira e \u201crodearam as metralhadoras\u201d, segundo nos conta Lissagaray. Entre elas, encontrava-se\u00a0<em>Louise Michel<\/em>, militante blanquista, que fora eleita presidente do Comit\u00ea de Vigil\u00e2ncia dos cidad\u00e3os do XVIII Distrito, Montmartre, antes da Comuna, segundo Gaston Da Costa. Dois generais que estavam \u00e0 frente da opera\u00e7\u00e3o, Lecomte e Cl\u00e9ment Thomas, foram executados pelos soldados.<\/p>\n<p>Assim, com a ocupa\u00e7\u00e3o do Hotel de Ville pelo Comit\u00ea Central da Guarda Nacional na tarde do dia 18 de mar\u00e7o,\u00a0<strong>\u201co proletariado assalta os c\u00e9us\u201d<\/strong>, na famosa frase de Marx, em carta ao Dr. Kugelmann, datada de 12 de abril de 1871.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo, detalharemos as principais realiza\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris, como a supress\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo povo armado, bem como seus erros apontados por Marx na \u201cGuerra Civil em Fran\u00e7a\u201d, principalmente n\u00e3o ter marchado imediatamente para Versailles e ter destru\u00eddo todo o poder da burguesia liberal-monarquista; tamb\u00e9m veremos as limita\u00e7\u00f5es dos seus dirigentes, em sua maioria blanquistas e proudhonistas, respons\u00e1veis pelos principais decretos da Comuna, bem como o papel da Internacional.<\/p>\n<p>Pelos seus feitos, Marx dir\u00e1 que \u201co verdadeiro segredo da Comuna era esse: ela era\u00a0<em>essencialmente um governo da classe oper\u00e1ria<\/em>\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parte II &#8211; As realiza\u00e7\u00f5es da Comuna e os erros dos seus dirigentes pol\u00edticos, segundo Marx e Engels <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Santiago, Dirigente do SINTSEP-PA <\/strong><\/p>\n<p>A Comuna de Paris se manteve no poder por 72 dias, de 18 de mar\u00e7o a 28 de maio de 1871. Como vimos no artigo anterior (CS n\u00ba 124), a burguesia liberal-monarquista, encabe\u00e7ada por Thiers, tentou desde o in\u00edcio quebrar o primeiro governo oper\u00e1rio da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas o que a Comuna fez de t\u00e3o extraordin\u00e1rio, que causou tanto horror \u00e0 burguesia francesa a ponto dela partir para a rea\u00e7\u00e3o e aniquilar, com a ajuda do Imp\u00e9rio Alem\u00e3o, a primeira tentativa de governo oper\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>As medidas de classe implementadas pela Comuna<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro decreto da Comuna, de 30 de mar\u00e7o, foi a <em>supress\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente<\/em> e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo povo armado, instituindo, na pr\u00e1tica, o poder armado de 300.000 guardas nacionais, em sua ampla maioria oper\u00e1rios e pequeno-burgueses. Era um golpe mortal na principal institui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas, as for\u00e7as armadas reacion\u00e1rias e o velho ex\u00e9rcito imperial. A Comuna se tornou um poder operante, executivo e legislativo ao mesmo tempo; os funcion\u00e1rios de todos os ramos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, desde os membros da Comuna at\u00e9 os de baixo, teriam que exercer sua fun\u00e7\u00e3o em troca de sal\u00e1rios de oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Dentre outras medidas promovidas pela Comuna, destacaram-se: isen\u00e7\u00e3o de todos os pagamentos de alugu\u00e9is de casas de outubro de 1870 at\u00e9 abril (30 de mar\u00e7o); a confirma\u00e7\u00e3o de todos os estrangeiros eleitos para a Comuna; a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado e a aboli\u00e7\u00e3o de todos os pagamentos para fins religiosos; transforma\u00e7\u00e3o de todos os bens eclesi\u00e1sticos em propriedade nacional (2 de abril); a institui\u00e7\u00e3o do ensino laico, obrigat\u00f3rio e gratuito; exclus\u00e3o de todos os s\u00edmbolos religiosos (imagens, dogmas, ora\u00e7\u00f5es) das escolas; decreto destinado \u00e0 deten\u00e7\u00e3o de ref\u00e9ns, face \u00e0s execu\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de combatentes da Comuna pelas tropas de Versalhes; queima p\u00fablica da guilhotina, em 6 de abril; derrubada da Coluna de Vend\u00f4me, erguida por Napole\u00e3o depois da guerra de 1809 (executado a 16 de maio); aboli\u00e7\u00e3o do trabalho noturno dos padeiros (20 de abril); supress\u00e3o da casa de penhores, que eram uma explora\u00e7\u00e3o privada dos oper\u00e1rios (30 de abril).<\/p>\n<p><strong>Os erros da Comuna e de seus dirigentes<\/strong><\/p>\n<p>A Comuna cometeu ao menos dois erros crassos diante da burguesia francesa. O primeiro foi n\u00e3o ter marchado imediatamente para Versalhes, que se encontrava completamente desguarnecida depois da capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha, que imp\u00f4s um ex\u00e9rcito regular de apenas 30.000 soldados, enquanto a Guarda Nacional tinha homens e armas suficientes para liquidar a rea\u00e7\u00e3o burguesa em Versalhes. Em vez disso, o Comit\u00ea Central, perdeu dez dias organizando elei\u00e7\u00f5es, onde a pr\u00f3pria burguesia e o partido da ordem participaram \u2013 elei\u00e7\u00f5es essas que poderiam muito bem ser feitas ap\u00f3s a liquida\u00e7\u00e3o de Versalhes.<\/p>\n<p>O segundo erro foi n\u00e3o ter expropriado o Banco da Fran\u00e7a. Engels diria que o Banco nas m\u00e3os da Comuna\u00a0 \u201cvalia mais do que dez mil ref\u00e9ns\u201d e que n\u00e3o dava para entender \u201co sagrado respeito com que se ficou reverenciosamente parado \u00e0s portas do Banco de Fran\u00e7a\u201d (Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra Civil em Fran\u00e7a). O controle do Banco da Fran\u00e7a significava uma press\u00e3o sobre toda a burguesia francesa, sobre o governo de Versalhes e no interesse da paz com a Comuna. Segundo Olivier-Lissagaray, em sua <em>Hist\u00f3ria da Comuna de 1871<\/em>, a Comuna tinha quase 3 bilh\u00f5es de francos \u00e0 m\u00e3o para garantir a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os erros da Comuna foram os erros de seus dirigentes, cuja maioria, segundo Engels (Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra Civil em Fran\u00e7a), era composta pelos blanquistas \u2013 ligados ao socialista franc\u00eas Auguste Blanqui \u2013, que n\u00e3o tinham uma liga\u00e7\u00e3o direta com os oper\u00e1rios e defendiam a tomada do poder apenas por uma vanguarda armada; e, em minoria, pelos membros da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, predominando os seguidores de Proudhon, de car\u00e1ter pequeno-burgu\u00eas. Os companheiros ligados a Marx e Engels eram minoria entre os membros da Internacional, como Leo Frankel, o alem\u00e3o que se tornou Ministro do Trabalho da Comuna.<\/p>\n<p>Independente dos acertos gerais da Comuna, que destacamos, esses erros, fruto da pol\u00edtica moderada dos dirigentes, foram cruciais para a sua derrota. Desde o dia 3 de abril, Thiers e seu ex\u00e9rcito fizeram incurs\u00f5es sobre Paris, capturando e fuzilando os communards. A burguesia escravocrata quis vingar com sangue a ousadia dos oper\u00e1rios que capturaram Paris. Contou com a ajuda valiosa da burguesia alem\u00e3, representada por Bismarck, que devolveu cerca de 100 mil prisioneiros de guerra para que o governo de Thiers ajudasse a derrotar a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na \u201csemana sangrenta\u201d, na \u00faltima semana de maio de 1871, a burguesia foi para o ataque final contra os revolucion\u00e1rios parisienses. Foi um banho de sangue. As execu\u00e7\u00f5es continuaram depois e o massacre contabilizou mais de 30 mil mortos. \u201cO povo de Paris morre entusiasticamente pela Comuna em n\u00fameros n\u00e3o igualados em qualquer batalha conhecida da hist\u00f3ria\u2026 As mulheres de Paris d\u00e3o jubilosamente as suas vidas nas barricadas e nos lugares de execu\u00e7\u00e3o\u201d, dir\u00e1 Marx em A Guerra Civil em Fran\u00e7a. Os que n\u00e3o foram fuzilados, foram presos ou deportados para a Nova Caled\u00f4nia, totalizando cerca de 13.500, dos quais 157 mulheres e 6 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Apesar dos erros de sua dire\u00e7\u00e3o, Engels dir\u00e1 que a Comuna \u201cfoi a ditadura do proletariado\u201d em seus 72 dias de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo III: As Li\u00e7\u00f5es da Comuna: A Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a necessidade do partido revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Santigo, Dirigente do SINTSEP_PA e da CST<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, quando muitos partidos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas abandonaram a luta pelo poder pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria, como o castrismo, o stalinismo, o PT e suas novas variantes como o chavismo na Venezuela ou quando novas organiza\u00e7\u00f5es horizontalistas e figuras p\u00fablicas n\u00e3o reconhecem mais a necessidade de um partido da classe oper\u00e1ria, como Pablo Iglesias na Espanha, vemos como os revolucion\u00e1rios russos aprenderam com os erros da Comuna e viram no partido uma quest\u00e3o chave para a tomada do poder.<\/p>\n<p><strong>L\u00eanin e as Li\u00e7\u00f5es da Comuna para a Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/strong><\/p>\n<p>As Li\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris tiveram uma transcend\u00eancia mundial e chegaram at\u00e9 os revolucion\u00e1rios russos, principalmente L\u00eanin e Trotsky, os dois principais dirigentes da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. \u00a0L\u00eanin deu uma import\u00e2ncia capital aos ensinamentos da Comuna, chegando a dizer que \u201cA causa da comuna \u00e9 a causa da revolu\u00e7\u00e3o social, \u00e9 a causa da completa emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos trabalhadores, \u00e9 a causa do proletariado mundial\u201d (<em>Em Mem\u00f3ria da Comuna<\/em>, 28\/04\/1911). \u00a0No pref\u00e1cio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o russa das Cartas de Marx a Kugelmann (1907), onde destaca as duas cartas de Marx sobre a Comuna de Paris (12 e 17 de abril de 1871), L\u00eanin critica duramente Plekanov, o socialdemocrata que introduziu o marxismo na R\u00fassia, quando este critica os oper\u00e1rios russos que pegaram em armas em 1905, durante a primeira revolu\u00e7\u00e3o russa, alegando que fora um erro. Quando este tenta se comparar com Marx, ao citar que Marx havia prevenido os oper\u00e1rios parisienses a n\u00e3o tomar o poder, L\u00eanin foi muito mais duro na cr\u00edtica, ao dizer que Marx n\u00e3o pregou aos\u00a0<em>communards<\/em>\u00a0o serm\u00e3o do filisteu presun\u00e7oso de Plekanov mas, ao contr\u00e1rio, louvou a iniciativa hist\u00f3rica das massas parisienses na carta de 12 de abril de 1871: \u201cque elasticidade, que iniciativa hist\u00f3rica, que capacidade de sacrif\u00edcio desses parisienses. A hist\u00f3ria n\u00e3o conhece exemplo semelhante de tal grandeza\u201d.<\/p>\n<p>Ao concluir esse pref\u00e1cio e j\u00e1 prevendo uma segunda revolu\u00e7\u00e3o russa, L\u00eanin disse \u201cA classe oper\u00e1ria da R\u00fassia j\u00e1 provou e provar\u00e1 muitas vezes ainda que \u00e9 capaz de \u2018assaltar o c\u00e9u\u2019\u201d.\u00a0 Mas \u00e9 em\u00a0<em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, escrito \u00e0s v\u00e9speras da revolu\u00e7\u00e3o de outubro (agosto, 1917), que L\u00eanin dedicou uma an\u00e1lise maior \u00e0 grande obra da Comuna de Paris, polemizando com os reformistas e oportunistas russos e alem\u00e3es, acerca da necessidade de a revolu\u00e7\u00e3o russa dar o mesmo destino ao Estado burgu\u00eas, que come\u00e7asse a quebr\u00e1-lo desde o in\u00edcio. Ele deu como primeiro exemplo a supress\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente e substitui\u00e7\u00e3o deste pelo povo armado; a supress\u00e3o do parlamento burgu\u00eas e n\u00e3o a \u201cocupa\u00e7\u00e3o de seus espa\u00e7os\u201d como queriam os reformistas de todas as matizes, unificando os poderes executivo e legislativo; o mandato revog\u00e1vel dos funcion\u00e1rios do Estado e o sal\u00e1rio igual ao de um oper\u00e1rio, tudo isso com o objetivo da destrui\u00e7\u00e3o do \u201cestado parasita\u201d da burguesia.<\/p>\n<p>Mas a grande li\u00e7\u00e3o que L\u00eanin tirou da Comuna de Paris foi a de que sem um partido centralizado, de combate, para a luta, o proletariado sempre ser\u00e1 esmagado pela burguesia. Desde\u00a0<em>O Que fazer<\/em>? (1903), L\u00eanin estava convicto da necessidade de um partido revolucion\u00e1rio para a tomada do poder. E trabalhou todos os anos seguintes para a constru\u00e7\u00e3o dessa ferramenta de luta.<\/p>\n<p><strong>Trotsky, as li\u00e7\u00f5es da Comuna e o papel do partido revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Trotsky, em plena guerra civil, na obra <em>Terrorismo e Comunismo: o anti Kautsky<\/em>, de maio de 1929, analisou a Comuna no cap\u00edtulo 5,\u00a0<em>A Comuna de Paris e a R\u00fassia dos Sovietes<\/em>\u201d. O objetivo do cap\u00edtulo era responder \u00e0s compara\u00e7\u00f5es oportunistas de Kautsky entre a Comuna e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa para mostrar que para Kautsky \u201cas qualidades predominantes da Comuna \u00e9 justamente onde vemos as suas infelicidades e equ\u00edvocos\u201d (Terrorismo e Comunismo: o anti Kautsky; editora Saga, RJ, 1969, p.71).<\/p>\n<p>Trotsky n\u00e3o nega que a Comuna foi o primeiro \u201censaio hist\u00f3rico&#8230;de domina\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria&#8230;a aurora, embora p\u00e1lida, da primeira Rep\u00fablica prolet\u00e1ria\u201d. \u00a0Disse, por exemplo, que os\u00a0 partidos socialistas da Comuna n\u00e3o estavam preparados para a revolu\u00e7\u00e3o e que ela os pegou desprevenidos, e que quando estavam no poder n\u00e3o souberam utilizar todas as estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas necess\u00e1rias para quebrar a domina\u00e7\u00e3o burguesa. Ao contr\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de outubro e novembro, que foi minuciosamente preparada pelo partido bolchevique.<\/p>\n<p>Trotsky disse que por tr\u00e1s dos revolucion\u00e1rios russos havia a heroica Comuna de Paris, \u201cde cujo esmagamento deduzir\u00edamos que a miss\u00e3o dos revolucion\u00e1rios \u00e9 prever os acontecimentos e se preparar para receb\u00ea-los\u201d (p.75). Uma outra compara\u00e7\u00e3o importante que Trotsky faz \u00e9 que o proletariado de Petrogrado, que tomou o poder em outubro de 1917, \u00e9 inteiramente concentrado e n\u00e3o passou pelas tradi\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas dos oper\u00e1rios parisienses; os oper\u00e1rios russos n\u00e3o passaram, como os franceses, pela larga escola da democracia e do parlamentarismo. Foram chamados direto para as lutas revolucion\u00e1rias, acaudilhados por um partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em maio de 1922, por ocasi\u00e3o do 50\u00ba anivers\u00e1rio da Comuna de Paris, Trotsky reafirmou que a quest\u00e3o do partido foi o fator-chave que faltou aos revolucion\u00e1rios parisienses. \u201cSomente com a ajuda do partido, que se apoia em toda sua hist\u00f3ria passada, que prev\u00ea teoricamente a dire\u00e7\u00e3o que os acontecimentos seguir\u00e3o; que prev\u00ea suas etapas e define as linhas de a\u00e7\u00e3o precisas, pode o proletariado se libertar da necessidade de recome\u00e7ar constantemente sua hist\u00f3ria: suas d\u00favidas, sua indecis\u00e3o, seus erros.\u00a0O proletariado de Paris carecia de tal partido&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m, Leon Trotsky <a href=\"https:\/\/www.mas.org.pt\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1969:licoes-da-comuna-de-paris&amp;catid=113:mundo&amp;Itemid=554\">Li\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artigos que agora disponibilizamos em formato eletr\u00f4nico foram originalmente publicados entre os meses de mar\u00e7o e maio no jornal Combate Socialista (edi\u00e7\u00f5es 124, 126, 128). A Comuna de Paris foi uma espetacular insurrei\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s de sua Guarda Nacional, gestou um governo oper\u00e1rio, uma<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8317,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,1],"tags":[],"class_list":["post-8313","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8313\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}