

	{"id":8339,"date":"2021-05-20T19:47:24","date_gmt":"2021-05-20T19:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8339"},"modified":"2021-05-20T19:47:48","modified_gmt":"2021-05-20T19:47:48","slug":"entrevista-com-joao-pascoal-dirigente-do-mas-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/05\/20\/entrevista-com-joao-pascoal-dirigente-do-mas-de-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista com Joao Pascoal, dirigente do MAS de Portugal"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201c<\/em>temos organizado os trabalhadores em reuni\u00f5es plen\u00e1rias e contesta\u00e7\u00e3o de rua, nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de pandemia\u201d<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, os banc\u00e1rios do Santander Totta de Portugal colocaram em marcha um movimento pelos seus direitos. Enfrentam a gan\u00e2ncia do sistema financeiro e lutam contra as \u201crescis\u00f5es por m\u00fatuo acordo\u201d, semelhante aos Planos de Demiss\u00e3o \u201cVolunt\u00e1ria\u201d ou \u201creestrutura\u00e7\u00f5es\u201d que ocorrem no Brasil. \u00c0 frente desse combate, est\u00e3o os trotskistas do MAS (Movimento Alternativa Socialista), um partido socialista e revolucion\u00e1rio que impulsiona uma corrente sindical classista denominada MUDAR, com presen\u00e7a nos principais bancos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para conhecer mais essa experi\u00eancia, entrevistamos Jo\u00e3o Pascoal, trabalhador do banco Santander Totta, recentemente eleito para Coordenar a Comiss\u00e3o Nacional de Trabalhadores do Banco. Trata-se de um organismo de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, cuja origem remonta \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 1974 e que ent\u00e3o funcionavam como \u00f3rg\u00e3os de duplo poder dos trabalhadores nas empresas. D\u00e9cadas de rea\u00e7\u00e3o burguesa esvaziaram o poder que esses organismos tinham, mas nunca conseguiram destru\u00ed-los, sendo organismos eleitos diretamente por todos os trabalhadores da empresa.<\/p>\n<p>O companheiro \u00e9 um dirigente trotskista com uma longa trajet\u00f3ria, iniciada no movimento secundarista ainda antes da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, integrando a Alian\u00e7a Socialista da Juventude e, posteriormente, o Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores, que ent\u00e3o editava o jornal Combate Socialista. Confira a entrevista:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Combate Socialista: O que significa esse processo de \u201crescis\u00e3o por m\u00fatuo acordo\u201d (RMA\u2019s) do banco Santander?<\/p>\n<p>Joao Pascoal: O setor banc\u00e1rio em Portugal e Espanha \u00e9 maioritariamente dirigido pelos grupos financeiros do Estado Espanhol. Para continuarem a refor\u00e7ar o seu poder mundial e aumentar a taxa de lucro, no agravar da crise p\u00f3s-pandemia, querem reduzir dr\u00e1stica e rapidamente os seus custos com estrutura e trabalhadores, aumentando os ritmos de trabalho ao mesmo tempo que querem despedir dezenas de milhares de banc\u00e1rios. Em Portugal, o Santander quer, para j\u00e1, reduzir cerca de 1000 trabalhadores e dissimula esse despedimento pressionando os trabalhadores a \u2018voluntariamente\u2019 despedirem-se.<\/p>\n<p>CS: Como se posicionaram os dirigentes sindicais majorit\u00e1rios e a Comiss\u00e3o de Trabalhadores em rela\u00e7\u00e3o a esse ataque?<\/p>\n<p>JP: As dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos maiorit\u00e1rios, dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas do PS e PSD\u00a0 (o PCP, na banca \u00e9 minorit\u00e1rio) apesar de terem subscrito um comunicado comum por nossa iniciativa, rapidamente se afastaram da luta e acabaram por facilitar a politica de RMA\u2019s, negociando a possibilidade dos despedidos poderem usufruir dos servi\u00e7os de sa\u00fade dos sindicatos, em vez de lutarem pela manuten\u00e7\u00e3o do emprego. Pela nossa parte, como dirigentes da Comiss\u00e3o de Trabalhadores, temos recusado as RMA\u2019s, e organizado e mobilizado os trabalhadores em reuni\u00f5es plen\u00e1rias e contesta\u00e7\u00e3o de rua, nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de pandemia e teletrabalho.<\/p>\n<p>CS: Conte-nos sobre o desenvolvimento da corrente classista MUDAR entre os banc\u00e1rios?<\/p>\n<p>JP: A corrente sindical MUDAR surge em 2003, como alternativa ao sindicalismo burocr\u00e1tico, quer das correntes burguesas quer do estalinismo. Iniciou com peso no principal sindicato dos banc\u00e1rios em Portugal (o SBSI com cerca de 40.000 s\u00f3cios), tendo crescido dos 18% iniciais at\u00e9 ao 30% dos votos nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es sindicais. Entretanto tamb\u00e9m nos constru\u00edmos nos outros sindicatos dos Banc\u00e1rios (Norte do pa\u00eds). Nos principais bancos temos presen\u00e7a e somos a maioria da Comiss\u00e3o de Trabalhadores no Banco Santander Totta.<\/p>\n<p>CS: Qual a atitude do atual governo portugu\u00eas em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores banc\u00e1rios?<\/p>\n<p>JP: O governo portugu\u00eas, agora do Partido Socialista, mas no passado tamb\u00e9m da direita PSD\/CDS, sempre se submeteu aos interesses dos banqueiros e com eles colaborou permitindo grandes roubos dos v\u00e1rios grupos financeiros e capitalistas que j\u00e1 atingiram 25.000 milh\u00f5es de euros, desde 2008. Quem tem pago esses buracos financeiros tem sido o dinheiro p\u00fablico que sai dos impostos pagos pelos trabalhadores e pelo povo. Os trabalhadores banc\u00e1rios s\u00e3o, desde 2008, muito prejudicados por esta cumplicidade governamental com os banqueiros, tendo havido grande redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel salarial e milhares de despedimentos nos bancos \u2018falidos\u2019\/ajudados pelo governo, como o BPN, BCP, BPI, e principalmente o BES\/Grupo Esp\u00edrito Santo que era o principal grupo capitalista e financeiro portugu\u00eas.<\/p>\n<p>CS: deixe uma mensagem aos leitores de nosso jornal<\/p>\n<p>JP: Queria expressar o agradecimento pela oportunidade desta entrevista e assinalar a import\u00e2ncia de lutarmos pela constru\u00e7\u00e3o de alternativa pol\u00edtica e sindical combativa, nacional e internacional, para que a luta dos trabalhadores possa ser vitoriosa. As diferentes pr\u00e1ticas sindicais relacionam-se sempre com projetos para a sociedade, e os que querem uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade, com o fim da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o capitalista, s\u00e3o os que est\u00e3o em melhor posi\u00e7\u00e3o para travarem uma luta democr\u00e1tica e permanente a favor dos direitos dos trabalhadores e por isso s\u00e3o tamb\u00e9m os que melhor podem dirigir com \u00eaxito as lutas da classe trabalhadora. O desafio que fica \u00e9 se o vamos conseguir fazer.<\/p>\n<p>(Publicado originalmente no Jornal Combate Socialista 127)<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja tamb\u00e9m a <a href=\"https:\/\/m.facebook.com\/story.php?story_fbid=2973101796306704&amp;id=100008207370109\">repercuss\u00e3o em Portugal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201ctemos organizado os trabalhadores em reuni\u00f5es plen\u00e1rias e contesta\u00e7\u00e3o de rua, nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de pandemia\u201d Nas \u00faltimas semanas, os banc\u00e1rios do Santander Totta de Portugal colocaram em marcha um movimento pelos seus direitos. 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