

	{"id":84,"date":"2011-09-29T15:19:00","date_gmt":"2011-09-29T15:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/09\/29\/arquivoid-9119\/"},"modified":"2011-09-29T15:19:00","modified_gmt":"2011-09-29T15:19:00","slug":"arquivoid-9119","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/09\/29\/arquivoid-9119\/","title":{"rendered":"Uma proposta que leva o PSOL a seguir o caminho de capitula\u00e7\u00e3o do PT"},"content":{"rendered":"<p>Polemica com o documento apresentado por Milton Temer, Martiniano, Jefferson, Janira e outros compan | Silvia Santos (Executiva Nacional PSOL\/CST)<\/p>\n<p>Numerosos textos foram apresentados neste terceiro pr\u00e9-congresso do PSOL. Todos eles apresentam vis\u00f5es da realidade, propostas, balan\u00e7os, e todos eles devem ser discutidos. No entanto, h\u00e1 um texto que, do nosso ponto de vista, merece especial aten\u00e7\u00e3o: \u00e9 o encabe\u00e7ado pelos companheiros Milton Temer, Martiniano, Jefferson, Jos\u00e9 Luis Fevereiro e Janira, que aborda a estrat\u00e9gia do Partido e nesse novo marco proposto \u00e9 que localiza as tarefas da conjuntura. Com bastante clareza os companheiros nos apresentam uma proposta que, caso o partido venha adotar, significar\u00e1 o abandono do programa e do Projeto do PSOL, como partido socialista independente, de luta e de classe, para se converter numa caricatura tr\u00e1gica do PT. Por esta raz\u00e3o, \u00e9 que fazemos um chamado aos militantes do partido a acompanhar este debate e a combater suas propostas, ratificando os objetivos fundamentais pelos quais fundamos o PSOL.<\/p>\n<p>1\u2013 A crise mundial e a sua din\u00e2mica. <\/br><\/p>\n<p>Corretamente, o texto parte da crise da economia mundial capitalista e nesse marco coloca os processos do norte da \u00c1frica, Europa, etc. definindo que nos encontramos em um novo momento hist\u00f3rico que gera expectativas para os socialistas, pois permitir\u00e1 disputar projetos em melhores condi\u00e7\u00f5es.  No entanto, expressa uma vis\u00e3o unilateral, centrada no aspecto econ\u00f4mico da crise, menosprezando a luta de classes e a a\u00e7\u00e3o do movimento de massas. Em nenhum momento destaca o conjunto dos elementos que definem a situa\u00e7\u00e3o mundial: a crise econ\u00f4mica estrutural que se aprofunda \u2013 a crise pol\u00edtica dos projetos burgueses\/imperialistas e reformistas e um fort\u00edssimo ascenso de massas centrado nos pa\u00edses do norte da \u00c1frica e na Europa, mas com reflexos dispares no mundo inteiro. A definimos como uma crise da hegemonia imperialista, uma de cujas express\u00f5es militares \u00e9 a derrota sofrida no Iraque e no Afeganist\u00e3o.  Ou estar\u00edamos frente \u00e0 mesma situa\u00e7\u00e3o mundial se a coaliz\u00e3o imperialista tivesse triunfado nesses pa\u00edses refor\u00e7ando seu dom\u00ednio na regi\u00e3o?<\/p>\n<p>No entanto, os companheiros colocam o acento nos elementos econ\u00f4micos da crise, minimizando as a\u00e7\u00f5es do movimento para depois centrar nos \u201cCuidado, n\u00e3o simplificar, n\u00e3o exagerar!\u201d; criticam o \u201cotimismo vulgar\u201d de n\u00e3o sabemos quem, criticam supostos profetas que esperam a crise revolucion\u00e1ria, para definir a continua\u00e7\u00e3o que os avan\u00e7os concretos \u201cs\u00e3o bem limitados\u201d, visto que \u201cna Tun\u00edsia e no Egito os agentes do regime anterior continuam hegem\u00f4nicos no poder real\u201d. Minimizam assim a fant\u00e1stica rebeli\u00e3o, revolta ou revolu\u00e7\u00e3o popular que sacode aquela regi\u00e3o, que derrubou ditaduras de d\u00e9cadas, agentes prediletos do imperialismo, com uma heroicidade sem limites. Processos que conquistaram para as massas o direito de lutar, de atuar, de se organizar, de falar, e isso para as massas s\u00e3o avan\u00e7os qualitativos, pois derrubaram a barreira que significava nada menos que a morte nas m\u00e3os desses regimes sanguin\u00e1rios. Que a burguesia e os donos do capital n\u00e3o abandonam a cena pacificamente? Mas \u00e9 claro! Que os militares sobre tudo da alta patente s\u00e3o seus agentes? Tamb\u00e9m est\u00e1 claro! Que o imperialismo tenta influir e influi em todos estes processos? Est\u00e1 claro tamb\u00e9m, pois esse \u00e9 o seu papel. E ignor\u00e1-lo pode nos levar a graves erros de todo tipo. <\/p>\n<p>Mas o que devemos discutir \u00e9 o papel da esquerda, daqueles que se reivindicam socialistas quando se est\u00e1 frente a processos dessa magnitude. E, sobretudo, devemos aprofundar na L\u00edbia e na S\u00edria, uma vez que o texto dos companheiros em nenhum momento defende a queda pelas m\u00e3os do povo das sanguin\u00e1rias ditaduras de Kaddafi e Assad.  Pelo contr\u00e1rio, confunde as multid\u00f5es que na S\u00edria arriscam sua vida nas ruas contra a ditadura com \u201cprovocadores armados pela monarquia Saudita\u201d, restando desta forma toda legitimidade a gigantesca onda popular que luta dia ap\u00f3s dia para derrubar o tirano. N\u00e3o podemos nos confundir! A luta do povo s\u00edrio e l\u00edbio \u00e9 leg\u00edtima, \u00e9 parte do ascenso que sacode a regi\u00e3o, e enfrenta ditaduras pr\u00f3-imperialistas at\u00e9 o tutano! Se o PSOL existisse nesses pa\u00edses o que faria? Estaria nas ruas junto com o povo S\u00edrio chamando a derrubar Assad? Estaria na L\u00edbia com as mil\u00edcias rebeldes tentando derrubar Kaddafi? Ou com o argumento que a monarquia saudita e a OTAN buscam capitalizar, e que os dirigentes do CNT s\u00e3o pr\u00f3-imperialistas nos alinhar\u00edamos na trincheira dos ditadores? Da nossa parte, repudiamos Kaddafi e sua sanguin\u00e1ria, truculenta, assassina e pr\u00f3-imperialista ditadura, da mesma forma que rejeitamos a inger\u00eancia da OTAN e de qualquer interven\u00e7\u00e3o imperialista, que, montados na fragilidade pol\u00edtica dos rebeldes e na confus\u00e3o de setores da esquerda, procuram aparecer como salvadores e democratas aos olhos dos povos da regi\u00e3o e das massas do mundo. Quando na realidade os diversos imperialismos foram apoiadores e benefici\u00e1rios desse regime, que abandonaram uma vez que viram a inevitabilidade de sua derrubada, e interv\u00eam precisamente para evitar que seja o povo em armas que cumpra a tarefa, pois isso sim faria perigar seus interesses! <\/p>\n<p>N\u00e3o duvidamos que o centro da pol\u00edtica imperialista agora para L\u00edbia \u00e9 a \u201cdemocracia\u201d: buscar \u201cnormalizar\u201d o mais rapidamente a situa\u00e7\u00e3o, dando o canal da institucionalidade burguesa para desmontar o poderoso ascenso de luta do movimento de massas. Afinal, este foi o caminho escolhido pelo imperialismo e as burguesias nacionais para desmobilizar e desmontar as situa\u00e7\u00f5es explosivas da luta de classes, uma vez derrotada sua pol\u00edtica repressiva no terreno militar. Por esta via, cooptaram partidos e dire\u00e7\u00f5es no mundo inteiro e recuperaram o controle da situa\u00e7\u00e3o, como foi o caso da Nicar\u00e1gua. O que nem com a utiliza\u00e7\u00e3o da guerrilha contrarrevolucion\u00e1ria conseguiram, conquistaram atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es!  Para isso, na L\u00edbia, tanto os dirigentes do CNT, quanto o imperialismo, centrar\u00e3o numa tarefa crucial do ponto de vista dos interesses burgueses: o desarmamento do povo armado, o fim das mil\u00edcias. Os socialistas, no entanto, devemos ser os maiores defensores de que se mantenham as mil\u00edcias, contra toda tentativa de desmont\u00e1-las, pois somente dessa forma poder\u00e3o continuar a mobiliza\u00e7\u00e3o pelo real poder do povo, pela democratiza\u00e7\u00e3o verdadeira para a maioria da popula\u00e7\u00e3o explorada, e pelas medidas econ\u00f4micas de ruptura imprescind\u00edveis para melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e\/ou desempregada. <\/p>\n<p>Mas a vis\u00e3o dos companheiros, que chamam de \u201creflexiva\u201d \u00e9 globalmente equivocada. O texto define que \u00e9 na Europa onde existem maiores possibilidades de construir uma alternativa de massas anticapitalista. Para a continua\u00e7\u00e3o alertar que quando h\u00e1 crise, mas n\u00e3o existem refer\u00eancias de massas alternativas \u00e0 esquerda, todo termina em triunfo da direita, do fascismo e da xenofobia, colocando como exemplo a crise de 29 e o triunfo do nazismo na Alemanha.  Ou seja, para os companheiros as crises s\u00e3o perigosas, e esta que estamos atravessando particularmente \u00e9 mais ainda, pois ao n\u00e3o existir uma esquerda socialista mundial forte o mais prov\u00e1vel \u00e9 que descambe para a direita! <\/p>\n<p>A este racioc\u00ednio respondemos, em primeiro lugar, que sempre que h\u00e1 crise se abre a oportunidade de disputar por super\u00e1-la tanto do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores e do povo como do ponto de vista do capital; ao contr\u00e1rio quando n\u00e3o h\u00e1 crise e prima a estabilidade, o crescimento econ\u00f4mico e o controle pol\u00edtico os socialistas tem que privilegiar tarefas de ac\u00famulo e de maior peso na propaganda. A crise \u00e9, portanto uma oportunidade, pois o capital tem dificuldades de resolv\u00ea-la da forma tradicional.  Tamb\u00e9m, que sempre que h\u00e1 crise econ\u00f4mica, social, e ascenso das lutas, existe polariza\u00e7\u00e3o social entre direita e esquerda, os dois se postulando para resolv\u00ea-la. Estranho seria se n\u00e3o existisse. Finalmente, a exist\u00eancia de alternativas socialistas de massas n\u00e3o \u00e9 garantia do triunfo, pode ser derrotada tamb\u00e9m, pois isso depender\u00e1 da luta de classes e de uma pol\u00edtica correta. Neste sentido, os companheiros esquecem que na crise da d\u00e9cada de 30 na Alemanha, a socialdemocracia e o partido comunista, nessa ordem, eram fort\u00edssimos, com peso de massas. Mas infelizmente, a pol\u00edtica do Partido Comunista da URSS, na \u00e9poca j\u00e1 controlada pela burocracia stalinista, teve pol\u00edticas que ajudaram o triunfo do nazismo, pois durante um per\u00edodo definiram que o inimigo principal a enfrentar era a SD e n\u00e3o o nazismo que avan\u00e7ava, e posteriormente, quando St\u00e1lin fez um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o secreto com Hitler confiando em que este o respeitaria!  <\/p>\n<p>Os companheiros, argumentando que a situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 desfavor\u00e1vel, t\u00eam colocado em plen\u00e1ria que hoje \u201ch\u00e1 menos socialistas no mundo\u201d. Da nossa parte, afirmamos: \u00c9 verdade, h\u00e1 menos pessoas que acreditam nos chamados partidos socialistas e nos falsos comunistas. A raz\u00e3o disto \u00e9 que est\u00e3o sentindo na pele as trai\u00e7\u00f5es e a aplica\u00e7\u00e3o dos ajustes neoliberais aplicados pelos governos chamados socialistas na Gr\u00e9cia, em Portugal, Espanha, ou Fran\u00e7a na \u00e9poca. Porque suportaram o ajuste por parte do trabalhismo ingl\u00eas, e porque n\u00e3o enxergam no governo Putin, herdeiro do \u201ccomunismo\u201d russo, nem nos ditadores capitalistas chineses do partido comunista alternativas que possam favorecer os trabalhadores e os povos. At\u00e9 na Bol\u00edvia, onde sucessivas insurrei\u00e7\u00f5es levaram um campon\u00eas ao governo, que se declara socialista, este est\u00e1 descumprindo todos os compromissos de defesa da na\u00e7\u00e3o, dos recursos naturais, dos \u00edndios e da natureza. A Constitui\u00e7\u00e3o reformada atrav\u00e9s de uma Assembl\u00e9ia foi mudada pelo pacto assinado por Evo Morales com a direita fascista de Santa Cruz, acabando com a possibilidade de reforma agr\u00e1ria nas terras do latif\u00fandio e preservando o interesse das multinacionais do petr\u00f3leo, por press\u00e3o direta de Lula e da Petrobr\u00e1s. Nestes dias estamos acompanhando um duro confronto, visto que comunidades ind\u00edgenas e camponesas enfrentam Evo, pois este, como parte do IIRSA (Integra\u00e7\u00e3o da Infraestrutura Regional Sul Americana) est\u00e1 construindo uma rodovia que atravessa montanhas, vales, rios, florestas, acabando com comunidades ind\u00edgenas e terras que deveriam ser protegidas. Tudo realizado pela empreiteira OAS, com cr\u00e9ditos do BNDES e inaugurado por Lula. Enquanto isso, os ind\u00edgenas e camponeses que com suas fam\u00edlias iniciaram uma longa marcha at\u00e9 a capital, s\u00e3o chamados de agentes da direita e reprimidos com pol\u00edcia e tropa de choque do partido de governo. Como desta forma v\u00e3o continuar acreditando naqueles que se dizem \u201csocialistas\u201d?<\/p>\n<p>Mas por sua vez, a experi\u00eancia concreta est\u00e1 aproximando cada vez mais setores de massas a aspectos fundamentais do verdadeiro programa socialista: est\u00e3o aprendendo que n\u00e3o podem mais confiar nos parlamentos e cada vez mais devem apostar na sua a\u00e7\u00e3o direta; na Gr\u00e9cia  v\u00e3o \u00e0s ruas com cartazes que dizem:  \u201cN\u00e3o a um mundo de banqueiros e patr\u00f5es\u201d, e \u201csim a um mundo de democracia direta e justi\u00e7a popular\u201d. Chegam \u00e0 conclus\u00e3o que esta democracia do capital \u00e9 falsa e est\u00e1 a servi\u00e7o dos donos do poder econ\u00f4mico; come\u00e7am a defender o n\u00e3o pagamento das d\u00edvidas que est\u00e3o afundando seus pa\u00edses e fundamentalmente as economias populares e rejeitam os pol\u00edticos, pois a \u00fanica pol\u00edtica que conhecem \u00e9 a \u201cpol\u00edtica de neg\u00f3cios\u201d, seja dos capitalistas ou de falsos socialistas e comunistas.  <\/p>\n<p>No entanto, a vis\u00e3o do texto que estamos discutindo leva a uma l\u00f3gica pol\u00edtica que se apresenta posteriormente com clareza, no programa e nas tarefas.<\/p>\n<p>Da nossa parte, afirmamos que as revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que triunfaram nos pa\u00edses do norte da \u00c1frica, s\u00e3o triunfos poderosos que mudaram a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que precisamente a burguesia e o imperialismo tentam reverter. Mas no marco da crise da economia mundial, ao n\u00e3o haver espa\u00e7o para concess\u00f5es de tipo econ\u00f4micas, e tamb\u00e9m n\u00e3o haver espa\u00e7o para regredir \u00e0 novas\/velhas ditaduras, a disputa continuar\u00e1 aberta por outros caminhos e reivindica\u00e7\u00f5es. Continuar\u00e3o as tarefas democr\u00e1ticas pendentes como a puni\u00e7\u00e3o aos assassinos do regime deposto, e a amplia\u00e7\u00e3o dos direitos da popula\u00e7\u00e3o, mas combinadas com as demandas econ\u00f4micas e de defesa do n\u00edvel de vida dos povos.  Isto ajudar\u00e1 a fazer a experi\u00eancia com a falsa democracia que tentar\u00e3o impor os que est\u00e3o no poder seja militares ou civis, ajudando a esclarecer quais s\u00e3os as tarefas a cumprir para solu\u00e7\u00f5es de fundo aos dram\u00e1ticos problemas dos trabalhadores, da juventude e do povo explorado e pobre. Nesse processo, sem d\u00favida que existe maior espa\u00e7o para o fortalecimento de uma alternativa de esquerda e de massas, uma alternativa verdadeiramente socialista. <\/p>\n<p>2 \u2013 As revolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX e a concep\u00e7\u00e3o do Estado<\/br><\/p>\n<p>Os companheiros, na sua interpreta\u00e7\u00e3o do fracasso das revolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX, definem que o que fracassou foi em primeiro lugar a ditadura do proletariado, em segundo lugar o terror (a viol\u00eancia) e finalmente as expropria\u00e7\u00f5es, que se foram importantes na R\u00fassia e em Cuba, hoje \u201cprovocariam um banho de sangue sem precedentes\u201d. Por isso, a proposta do texto, chamada de novo socialismo do s\u00e9culo XXI \u00e9 clara: Com base num amplo processo de negocia\u00e7\u00e3o social se trata de disputar a hegemonia com eixo na democracia e na liberdade, lutando contra as adversidades durante um longo per\u00edodo hist\u00f3rico at\u00e9 derrotar a hegemonia ideol\u00f3gica das classes dominantes. Sendo que, de acordo com os autores, as propostas erradas da maior parte da esquerda mundial podem contribuir para que o impasse se prolongue favorecendo sa\u00eddas reacion\u00e1rias e finalmente o triunfo da barb\u00e1rie.<br \/>\nMas, da nossa parte perguntamos aos companheiros: qual o significado da formula\u00e7\u00e3o ditadura do proletariado? Por acaso a horrorosa ditadura contra o proletariado que imp\u00f4s a burocracia estalinista nos pa\u00edses do chamado \u201csocialismo real\u201d? <\/p>\n<p>Pois bem, a proposta dos marxistas n\u00e3o \u00e9 outra que o governo dos trabalhadores, dos camponeses e dos setores populares, que dever\u00e1 se impor derrotando a viol\u00eancia da classe dominante, e dever\u00e1 reprimir os levantes contrarrevolucion\u00e1rios das classes dominantes derrotadas que jamais renunciaram nem renunciar\u00e3o aos seus privil\u00e9gios atrav\u00e9s de nenhuma \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d como nos prop\u00f5em os companheiros. N\u00e3o tem classe nem setor mais pac\u00edfico que os trabalhadores, o povo e os socialistas, assim como n\u00e3o tem classe mais agressiva e violenta que a capitalista, que continua provocando banhos de sangue para se manter no poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O \u201csocialismo real\u201d fracassou n\u00e3o por excesso de expropria\u00e7\u00e3o, mas por burocratismo, por usar o controle da nova economia expropriada para usufruir privil\u00e9gios particulares monstruosos, para finalmente, abandon\u00e1-la para se converter em donos das empresas, das terras, etc. como vemos hoje na R\u00fassia, no leste europeu, no Vietn\u00e3 ou na China, e como tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo infelizmente em Cuba.  <\/p>\n<p>N\u00e3o fracassou por ter utilizado a viol\u00eancia ou o terror. O problema \u00e9 que a viol\u00eancia foi utilizada contra o povo, contra a vanguarda que fez a revolu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o por acaso a burocracia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica massacrou o comit\u00ea central do Partido Bolchevique, fez os \u201cProcessos de Moscou\u201d e mandou para a morte e os campos de concentra\u00e7\u00e3o milhares e milh\u00f5es de opositores e lutadores. Enquanto utilizou a viol\u00eancia contra o povo, a quem negou a liberdade, outorgou mais liberdade para os capitalistas, com quem fez pactos e acordos, a quem outorgou o direito de entrar e explorar como tamb\u00e9m acontece hoje em Cuba, aonde os capitais estrangeiros v\u00e3o como abutres para lucrar com o turismo, o petr\u00f3leo e as riquezas da ilha.  A necessidade da insurrei\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria para responder a viol\u00eancia da burguesia constitui o ABC do marxismo, e por esta raz\u00e3o afirmamos que a proposta dos companheiros \u00e9 uma proposta de ruptura com o marxismo, com o socialismo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>O PSOL tem a obriga\u00e7\u00e3o de abrir o debate sobre a concep\u00e7\u00e3o marxista acerca do Estado, quest\u00e3o crucial que ainda estabelece claras divis\u00f5es entre revolucion\u00e1rios e oportunistas. Quando L\u00eanin escreveu O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o, em agosto de 1917 partiu de Engels e da sua obra \u201cA origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado\u201d: O Estado \u00e9 o produto e a manifesta\u00e7\u00e3o do antagonismo inconcili\u00e1vel das classes, e polemizando com os ide\u00f3logos burgueses e pequeno burgueses que interpretam o Estado como um \u201c\u00f3rg\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o de classes\u201d definiu de forma precisa: \u201cO Estado \u00e9 sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que se torna, por isso mesmo, politicamente dominante, o que lhe possibilita novos meios para explorar a classe dominada\u201d. <\/p>\n<p>Um dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos do Estado burgu\u00eas que define L\u00eanin \u00e9 que n\u00e3o pode ser reformado nas suas caracter\u00edsticas centrais. Por esta raz\u00e3o, para acabar com a explora\u00e7\u00e3o e iniciar o caminho do socialismo, \u00e9 preciso quebr\u00e1-lo por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o violenta, categoricamente defendida em todo o pensamento marxista. <\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de 1848 na Fran\u00e7a confirmou o que no Manifesto Comunista formularam Marx e Engels: O Estado que os trabalhadores precisam transitoriamente, \u00e9 o estado dos trabalhadores organizados como classe dominante para quebrar a resist\u00eancia dos exploradores, minoria da sociedade, e acabar com a explora\u00e7\u00e3o. A Comuna de Paris, em 1871 apresentou de forma categ\u00f3rica quais institui\u00e7\u00f5es e de que tipo substituiriam o Estado burgu\u00eas.  Como por exemplo: substitui\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente pelo povo armado; conselheiros ou deputados revog\u00e1veis a qualquer momento, sal\u00e1rio dos funcion\u00e1rios, policias, deputados, etc. n\u00e3o poderia ser superior ao de um oper\u00e1rio. Ju\u00edzes eleitos e revog\u00e1veis; igreja deixou de ser financiada pelo Estado; a comuna legisla e executa acabando assim com o \u201cparlamentarismo\u201d dos pol\u00edticos profissionais, dos \u201csocialistas de neg\u00f3cios\u201d, entre as mais importantes. <\/p>\n<p>Qual \u00e9 o car\u00e1ter da \u201cdemocracia\u201d e da \u201cliberdade\u201d que nos apresentam os companheiros e que prop\u00f5em como eixo program\u00e1tico para o partido? Por acaso a Democracia venezuelana, apresentada como a m\u00e1xima express\u00e3o da democracia em algumas oportunidades? Claro que se a comparamos com o regime de Kaddafi ou com a ditadura chinesa, existe democracia formal no pa\u00eds de Ch\u00e1vez, o povo vota, houve uma Assembl\u00e9ia Constituinte que acabou com o senado e imp\u00f4s a C\u00e2mara \u00danica, o que \u00e9 muito positivo e superior \u00e0 democracia que impera na maioria dos pa\u00edses.  E tamb\u00e9m houve plebiscitos.  Mas isso n\u00e3o significa que seja o \u201cmodelo\u201d a seguir!  Acaso n\u00e3o \u00e9 conhecida a feroz criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas e das greves que existe no pa\u00eds, com dirigentes oper\u00e1rios, ind\u00edgenas e camponeses presos, perseguidos e assassinados? N\u00e3o \u00e9 publicamente conhecida a entrega que fez Ch\u00e1vez ao regime do colombiano Santos do lutador social colombiano Joaquin Perez Becerra, assim como de outros guerrilheiros das FARC e da ELN? Que exemplo de democracia \u00e9 essa que ap\u00f3ia Kaddafi, Assad, apoiou Mubarak e Bem Ali, ap\u00f3ia a ditadura capitalista chinesa e manda fazer cursos aos seus burocratas sindicais junto aos sindicalistas (pelegos e patronais) do PC chin\u00eas? N\u00e3o por acaso o limite das mudan\u00e7as chavistas, em nome do \u201cSocialismo de s\u00e9culo XXI\u201d s\u00e3o mantendo a ordem capitalista e os estado burgu\u00eas, que continua mantendo sua ess\u00eancia: ser o \u00f3rg\u00e3o de opress\u00e3o da classe capitalista. <\/p>\n<p>Mais uma vez reafirmamos que o socialismo com liberdade que defendemos significa a liberdade como nunca teve o povo e todos os explorados para derrotar a inevit\u00e1vel rea\u00e7\u00e3o capitalista imperialista e para poder sim acabar com a propriedade privada e a explora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Finalmente, n\u00e3o vemos nenhuma possibilidade de derrotar a hegemonia ideol\u00f3gica das classes dominantes se n\u00e3o se mudam as condi\u00e7\u00f5es materiais de vida do movimento de massas. Ou acaso o socialista deveu trabalhar para contar com os meios materiais e financeiros que nos possibilitem enfrentar em igualdade de condi\u00e7\u00f5es a imprensa e toda a m\u00eddia da burguesia; seus aparelhos ideol\u00f3gicos como a educa\u00e7\u00e3o, as diversas igrejas; a ind\u00fastria cultural; suas institui\u00e7\u00f5es de poder etc.? Pois se for assim, n\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 um trabalho que durar\u00e1 muitos anos, como ser\u00e1 diretamente imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>A \u201chegemonia\u201d que podemos conquistar os socialistas \u00e9 a hegemonia dentro dos trabalhadores e dos setores explorados, no movimento de massas, propondo-lhes nossa pol\u00edtica, para enfrentar os patr\u00f5es e o governo, para derrotar as diversas burocracias sindicais e pol\u00edticas, em uma palavra para derrotar o aparelho fundamental que contribui para formar sua falsa consci\u00eancia: os burocratas sindicais traidores, os dirigentes vendidos, os partidos reformistas e traidores, como em nosso pa\u00eds \u00e9 o PT. Assim como batalhamos contra a dire\u00e7\u00e3o da CUT e da FS e propomos outro programa e formas de organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1ticas onde as bases devem decidir; ou como batalhamos no movimento estudantil propondo derrotar o PCdoB conformando uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda que deve apresentar alternativas program\u00e1ticas e de formas de luta. E como batalhamos e devemos continuar batalhando no pa\u00eds, para derrotar a pol\u00edtica de explora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria do PT, buscando tirar da influ\u00eancia deste partido a maioria do povo, sem deixar de combater a falsa oposi\u00e7\u00e3o da velha e derrotada direita.   A batalha ent\u00e3o \u00e9 essencialmente pol\u00edtica, atrav\u00e9s de nosso programa e de nossa vincula\u00e7\u00e3o direta com o movimento de massas. <\/p>\n<p>Mas, os que poder\u00e3o transformar a sociedade, os trabalhadores, populares, os jovens, os desempregados, os camponeses o far\u00e3o sem abandonar seus preconceitos religiosos, seu machismo, seus preconceitos culturais ou de sexo, tabus familiares, etc. todas falsas consci\u00eancias com que educa o capitalismo para manter sua \u201chegemonia\u201d.  Falsas consci\u00eancias que desaparecer\u00e3o sim em um processo mais evolutivo, quando deixe de existir a base material atual, e os povos possam ter livre acesso \u00e0 cultura, a um n\u00edvel de vida decente com satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades b\u00e1sicas, sem necessidade do trabalho brutal, extenso, mal pago e alienante para finalizar depois afogando suas m\u00e1goas na cacha\u00e7a, na igreja ou batendo na esposa e nos filhos. <\/p>\n<p>O papel do partido socialista e revolucion\u00e1rio \u00e9 insubstitu\u00edvel n\u00e3o por combater durante d\u00e9cadas a hegemonia burguesa desde o parlamento, mas porque dever\u00e1 ser capaz, atrav\u00e9s da luta, de sua a\u00e7\u00e3o e de suas propostas, de convencer o movimento a abra\u00e7ar seu programa e sua pol\u00edtica.  Utilizando o parlamento a servi\u00e7o desta tarefa estrat\u00e9gica, para o qual pode e deve cumprir um papel muito importante.   <\/p>\n<p>O problema fundamental do texto \u00e9 que nos prop\u00f5e deixar de propor aos trabalhadores tr\u00eas pontos fundamentais da estrat\u00e9gia socialista: 1 \u2013 que somente atrav\u00e9s de seu pr\u00f3prio governo poder\u00e3o acabar com a mis\u00e9ria, as guerras, a explora\u00e7\u00e3o. 2 \u2013 que para isso vai ter que ter muita luta e organiza\u00e7\u00e3o, pois a burguesia jamais se deixou nem se deixar\u00e1 tirar o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico sem lutar de forma violenta. 3 \u2013 que deveremos expropriar as grandes empresas, bancos, multinacionais, agroneg\u00f3cio, empreiteiras, para que funcionem sob controle dos trabalhadores e usu\u00e1rios, e que dessa forma organizaremos a economia de baixo para cima, pois enquanto n\u00e3o fa\u00e7amos isso, n\u00e3o solucionaremos nenhum dos problemas que existem.  <\/p>\n<p>Infelizmente os companheiros substituem estes tr\u00eas aspectos pela \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d e a luta pac\u00edfica parlamentar, centrada na institucionalidade, na \u201cgest\u00e3o\u201d do Estado burgu\u00eas, e atrav\u00e9s de uma luta de d\u00e9cadas para disputar a hegemonia ideol\u00f3gica da burguesia sobre o movimento de massas.<\/p>\n<p>3 \u2013 Um Brasil mais inst\u00e1vel<\/br><\/p>\n<p>Quando o texto dos companheiros aborda a pol\u00edtica nacional, o faz dentro desta vis\u00e3o e dentro destas propostas, que ficam mais claras uma vez que as baixam \u00e0  terra.<\/p>\n<p>Na mesma vis\u00e3o derrotista da realidade mundial, apresentam o governo Dilma de forma imut\u00e1vel, mais forte ainda que o governo Lula, fortalecido inclusive pela \u201cfaxina\u201d. Definem o regime como est\u00e1vel, blindado e favorecido pela crise mundial, prevendo desde agora que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as se manter\u00e1 at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de 2014.  Pelo qual nos prop\u00f5em assumir o Programa Democr\u00e1tico e Popular abandonado pelo PT, e preparar desde j\u00e1 uma f\u00f3rmula presidencial para conquistar um governo com \u201cparticipa\u00e7\u00e3o popular que tire os instrumentos do poder das m\u00e3os do grande capital\u201d, sendo que esta tarefa que definem como democr\u00e1tica, ser\u00e1 realizada pela via eleitoral e de forma negociada. Da\u00ed que prop\u00f5e tamb\u00e9m ampliar as alian\u00e7as a setores do PT, PCdoB, PDT, PSB, PV e PPS, chegando finalmente a Marina Silva. Esta por sua vez, \u00e9 definida n\u00e3o pelo seu programa que eles mesmos reconhecem como conservador e continuista, mas pela sua imagem frente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Vejamos se esta \u00e9 a realidade. A nove meses de ser eleita, a sucessora de Lula perdeu nada menos que cinco ministros, quatro dos quais por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ca\u00edram pelo \u00edmpeto anticorrup\u00e7\u00e3o da \u201cfaxina\u201d da presidente, mas porque as den\u00fancias na imprensa fizeram insustent\u00e1vel sua situa\u00e7\u00e3o. A nova presidente que se elegeu somente por ser indicada por Lula e n\u00e3o por m\u00e9ritos pr\u00f3prios, enfrentou desde fevereiro a maior onda de greve come\u00e7ada com Jirau e as greves que pipocaram no pa\u00eds inteiro nos canteiros de obras do PAC; ferrovi\u00e1rios de SP, bombeiros, servidores p\u00fablicos federais, estaduais e municipais, rodovi\u00e1rios e policiais, seguida agora pelas de correios e banc\u00e1rios, constru\u00e7\u00e3o civil dos est\u00e1dios das Obras do Maracan\u00e3 e do Mineir\u00e3o. Tanto que na sua viagem a MG pra inaugurar o rel\u00f3gio que marcou os mil dias para o come\u00e7o da copa de 2014 foi recebida pelos grevistas da constru\u00e7\u00e3o civil com faixas da greve; pelos grevistas dos correios e por professores que se encadearam para protestar e que j\u00e1 est\u00e3o no terceiro m\u00eas de greve! Todo um recorde! Por sua vez, a juventude estudantil saiu \u00e0 luta contra o aumento das tarifas de \u00f4nibus no PI e ES sendo que no m\u00eas de setembro foram ocupadas as reitorias de numerosas universidades exigindo verbas para educa\u00e7\u00e3o e para solucionar os problemas concretos de falta de professores, salas de aula, RU etc. E no dia 7 de Setembro, a Presidente teve que enfrentar a maior manifesta\u00e7\u00e3o contra a corrup\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, convocada espontaneamente por setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 assim porque o Brasil n\u00e3o est\u00e1 blindado frente \u00e0 crise mundial, e aplica a mesma receita que manda o figurino do capital: ajustes contra o povo! Por isso cortou 50 bilh\u00f5es do or\u00e7amento; por isso privatiza os hospitais universit\u00e1rios e os aeroportos; por isso aumentaram as tarifas de transporte, energia, e servi\u00e7os em geral enquanto aumenta tamb\u00e9m o pre\u00e7o dos alimentos; por isso congelaram praticamente o sal\u00e1rio dos servidores p\u00fablicos e deram um p\u00edfio aumento no sal\u00e1rio m\u00ednimo; por isso se acentua a crise da sa\u00fade publica, por isso enquanto aumenta a infla\u00e7\u00e3o, a perspectiva do pa\u00eds \u00e9 crescer menos e n\u00e3o mais, e ter menos emprego e n\u00e3o mais, e que haver\u00e1 menos sal\u00e1rio e n\u00e3o mais, ao contr\u00e1rio do progn\u00f3stico dos companheiros no seu texto. Todos estes elementos s\u00e3o a base fundamental da instabilidade social, das lutas que aumentam e do enfraquecimento da presidente, que n\u00e3o tem nem o carisma, nem a trajet\u00f3ria, nem a habilidade que tinha o presidente Lula para lidar com estas situa\u00e7\u00f5es. Em s\u00edntese: temos que preparar o PSOL para mais greves como a dos bombeiros; para explos\u00f5es espont\u00e2neas como as de Jirau; para greves longas como a dos professores; para marchas e atos contra a corrup\u00e7\u00e3o como em Bras\u00edlia; para mais ocupa\u00e7\u00f5es e lutas nas universidades. Preparar o partido com pol\u00edtica, propostas, instrumentos como panfletos, cartazes, e a presen\u00e7a constante de nossos parlamentares como foi no Rio com os bombeiros onde Marcelo e Janira cumpriram um excelente papel. <\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que devemos nos preparar para as elei\u00e7\u00f5es de 2012, processo que deve estar subordinado e \u00e0 servi\u00e7o de nossos objetivos estrat\u00e9gicos, para fortalecer as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram; para convencer o povo que deve confiar cada vez mais nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as e na sua a\u00e7\u00e3o, para ajudar a derrotar a pol\u00edtica econ\u00f4mica de FHC\/Lula\/Dilma\/PMDB e toda sua base aliada. E nossas propostas, longe de se limitar aos problemas democr\u00e1ticos ou a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, que tem imensa import\u00e2ncia, dever\u00e1 apresentar medidas econ\u00f4micas alternativas para sair da crise: a auditoria e o fim do pagamento das d\u00edvidas \u2013 estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro e dos setores fundamentais da economia \u2013 reajuste salarial de acordo com a infla\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rio m\u00ednimo de acordo com as necessidades populares \u2013 reforma agr\u00e1ria e urbana; nenhuma verba para a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o privadas, aumento para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade publica, entre outros. E, sobretudo, orientando o partido a participar cada vez mais ativamente nas lutas e na resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular. <\/p>\n<p>Mas os companheiros nos apresentam o caminho inverso, que n\u00e3o por acaso \u00e9 o mesmo que seguiu o PT, com a diferen\u00e7a que o PT e Lula ganharam prest\u00edgio e reconhecimento dirigindo todo o movimento oper\u00e1rio e de massas do pa\u00eds, enquanto que o PSOL \u00e9 ainda um pequen\u00edssimo partido que est\u00e1 dando seus primeiros passos, com fr\u00e1gil inser\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica no movimento e com pouca milit\u00e2ncia organizada.  <\/p>\n<p>4 &#8211; O Programa Democr\u00e1tico e Popular (PDP), o Programa do PSOL e as alian\u00e7as para 2012<\/br><\/p>\n<p>O PDP n\u00e3o terminou por acaso no giro ao neoliberalismo. \u00c9 evidente que grande parte de suas propostas, sobretudo dos primeiros anos do PT, eram muito positivas. Nosso questionamento dele n\u00e3o \u00e9 por tal ou qual medida, que s\u00e3o discut\u00edveis, mas porque o PDP se apoiava fundamentalmente na l\u00f3gica institucional e eleitoral para alcan\u00e7ar o poder e fazer as mudan\u00e7as prometidas. Para essa l\u00f3gica, era inevit\u00e1vel que devia ir se rebaixando o programa, como o fez o PT, e nessa l\u00f3gica se compreende a amplia\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as que come\u00e7ou com o PSB e o PCdoB para terminar hoje com o PMDB como vice! <\/p>\n<p>Mudando assim a estrat\u00e9gia do PSOL os companheiros nos prop\u00f5e um novo programa baseado n\u00e3o na luta, mas na \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d. Oposto pelo v\u00e9rtice ao que diz nosso programa:  <\/p>\n<p> \u201cAssim, a defesa do socialismo com liberdade e democracia deve ser encarada como uma perspectiva estrat\u00e9gica e de princ\u00edpios. N\u00e3o podemos prever as condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias que efetivar\u00e3o uma ruptura sist\u00eamica. Mas como militantes conscientes que querem resgatar a esperan\u00e7a de dias melhores, sustentamos que uma sociedade radicalmente diferente, somente pode ser constru\u00edda no est\u00edmulo \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores e de todos os movimentos sociais. [&#8230;] Uma alternativa global para o pa\u00eds deve ser constru\u00edda via um intenso processo de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e somente pode ser conquistada com um enfrentamento revolucion\u00e1rio contra a ordem capitalista estabelecida.\u201d(Programa do PSOL)<br \/>\nTamb\u00e9m nosso programa \u00e9 categ\u00f3rico ao definir que as reformas como a agr\u00e1ria, a tribut\u00e1ria que taxe o grande capital, a reforma urbana e a conquista de melhores sal\u00e1rios, emprego e o fim da corrup\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o se realizam plenamente nos par\u00e2metros do sistema capitalista\u201d.<br \/>\nComo tamb\u00e9m nosso programa \u00e9 categ\u00f3rico quando recha\u00e7a a concilia\u00e7\u00e3o de classes: \u201c3) Recha\u00e7ar a concilia\u00e7\u00e3o de classes e apoiar as lutas dos trabalhadores. Nossa base program\u00e1tica n\u00e3o pode deixar de se pautar num principio: o resgate da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores e exclu\u00eddos. N\u00e3o estamos formando um novo partido para estimular a concilia\u00e7\u00e3o de classes. Nossas alian\u00e7as para construir um projeto alternativo t\u00eam que ser as que busquem soldar a unidade entre todos os setores do povo trabalhador \u2013 todos os trabalhadores, os que est\u00e3o desempregados, com os movimentos populares, com os trabalhadores do campo, sem-terra, pequenos agricultores, com as classes m\u00e9dias urbanas, nas profiss\u00f5es liberais, na academia, nos setores formadores de opini\u00e3o, cada vez mais dilapidadas pelo capital financeiro, como vimos recentemente no caso argentino. S\u00e3o estas alian\u00e7as que v\u00e3o permitir a constru\u00e7\u00e3o da auto-organiza\u00e7\u00e3o independente e do poder alternativo popular, para al\u00e9m dos limites da ordem capitalista. Por isso, nosso partido rejeita os governos comuns com a classe dominante.\u201d<\/p>\n<p>Mais uma vez, o texto dos companheiros nos prop\u00f5e um caminho inverso: rebaixando nosso programa, nos prop\u00f5em que o centro deve ser a luta institucional; o fundamental n\u00e3o \u00e9 a luta e a a\u00e7\u00e3o direta, mas a negocia\u00e7\u00e3o (o que significa a concilia\u00e7\u00e3o, pois ao negociar tem que se considerar os interesses do interlocutor) e a pol\u00edtica de alian\u00e7as est\u00e1 subordinada a esta estrat\u00e9gia negociadora. Da\u00ed a proposta de ampliar as alian\u00e7as para partidos da base governista, formulada como setores do PT, do PCdoB, do PSB, e at\u00e9 com setores vinculados tradicionalmente a antiga direita tucana, como o PV e o PPS.  H\u00e1 companheiros que consideram vitoriosa a t\u00e1tica do senador Randolfe de se aliar com o corrupto PTB para conquistar sua vaga. Sem ver que caso se insista nessa dire\u00e7\u00e3o, o PSOL definir\u00e1 o caminho inevit\u00e1vel da sua degenera\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Destes objetivos se deriva o crit\u00e9rio de partido que prop\u00f5em: j\u00e1 n\u00e3o contam mais os militantes, mas os filiados, que pelo simples fatos de assinar uma ficha, passam a ter o poder de definir programa, estrat\u00e9gia, t\u00e1tica e dire\u00e7\u00e3o. E com o argumento de um partido amplo, e de n\u00e3o sermos sect\u00e1rios, abandonam por completo o elementar de um partido que se reivindica socialista: que deve haver compromisso com os interesses da classe trabalhadora e com o programa do partido para poder ter direitos e sobre tudo para ser express\u00e3o publica dele.  <\/p>\n<p>At\u00e9 o PT no seu Manifesto inicial defendia que: \u201cQueremos um partido amplo e aberto a todos aqueles comprometidos com a causa dos trabalhadores e com seu programa\u201d.  <\/p>\n<p>Ouvimos com surpresa at\u00e9 a proposta de nos aliar com Wagner Montes para garantir a elei\u00e7\u00e3o de Marcelo Freixo para a Prefeitura do Rio! Entendemos que no nosso trabalho parlamentar \u00e9 l\u00edcito e necess\u00e1rio buscar apoios para nossos projetos e propostas. Nesse sentido, fazer acordos at\u00e9 com parlamentares da extrema direita \u00e9 licito, em torno de aspectos pontuais que possam ajudar o povo. Por exemplo, tivemos acordos pontuais com Clarissa Garotinho para apoiar a luta dos bombeiros. Outra coisa e nos aliar para governar, apresentando estas figuras como parte do projeto dos socialistas, legitimando este ou outros bandidos que fazem a tradicional \u201cpol\u00edtica de neg\u00f3cios\u201d. E n\u00e3o passa pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m nos aliar com a filha de Garotinho para disputar o governo do Rio.<br \/>\nCom Marcelo Freixo, temos a possibilidade de disputar a Prefeitura do Rio, o que ser\u00e1 o maior desafio de todo o partido em 2012. Mas \u00e9 errado tentar nos aliar com Gabeira pensando nos votos, sem ver que n\u00e3o temos nada em comum com ele. N\u00e3o por acaso foi criticado ferozmente pelo candidato do PSOL ao governo do Estado, corretamente o acusando de ser o \u201cex Gabeira\u201d uma vez que era aliado dos tucanos. Vamos dizer agora que Gabeira mudou de novo? Ou \u00e9 um setor do PSOL que est\u00e1 mudando? <\/p>\n<p>Se ca\u00edmos na vala comum dos \u201cneg\u00f3cios\u201d buscando alian\u00e7as em troca de financiamento ou segundos na TV entraremos inevitavelmente na l\u00f3gica do capital iniciando o caminho de nossa derrota como alternativa.  <\/p>\n<p>Infelizmente, os companheiros, sem nenhuma discuss\u00e3o no partido, j\u00e1 est\u00e3o aplicando sua pol\u00edtica. Por isso, fomos surpresos pela imprensa ao saber que os membros do DN Edilson (PE) Martiniano (GO) e Jefferson (RJ) reuniram em Bras\u00edlia com Marina Silva no ato de lan\u00e7amento de seu movimento por uma \u201cnova pol\u00edtica\u201d em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua candidatura presidencial em 2014, sendo que a imprensa noticia que Helo\u00edsa Helena a autorizou a utilizar seu nome em apoio.<br \/>\nAssim, os companheiros que defendem a \u201cdemocracia\u201d como crit\u00e9rio estrat\u00e9gico no texto, ignoram a democracia partid\u00e1ria, pois comprometem o PSOL publicamente num projeto alheio, que jamais discutimos nem votamos em nenhum f\u00f3rum. Pelo contr\u00e1rio, nos \u00fanicos f\u00f3runs leg\u00edtimos do partido que houve, em 2010 foi rejeitado o apoio \u00e0 sua candidatura. Ratificamos que nossa tarefa n\u00e3o \u00e9 colaborar com as falsas ilus\u00f5es de setores das massas que acham Marina lutadora, honesta e ambientalista consequente. Pois sem julgar seu car\u00e1ter como individuo, seu projeto est\u00e1 longe de defender o \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel com responsabilidade social\u201d, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defender o meio ambiente aliada com as multinacionais que o destroem ou defendendo a pol\u00edtica econ\u00f4mica de FHC e Lula, como tantas vezes repetiu. <\/p>\n<p>Pelas raz\u00f5es expostas, consideramos que o debate central \u00e9 a defesa do PSOL na sua estrat\u00e9gia e programa. N\u00e3o fizemos o PSOL para defender o Programa Democr\u00e1tico e Popular, nem legenda para Marina e muito menos para ser caricatura do PT.<\/br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Polemica com o documento apresentado por Milton Temer, Martiniano, Jefferson, Janira e outros compan | Silvia Santos (Executiva Nacional PSOL\/CST) Numerosos textos foram apresentados neste terceiro pr\u00e9-congresso do PSOL. Todos eles apresentam vis\u00f5es da realidade, propostas, balan\u00e7os, e todos eles devem ser discutidos. No entanto,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-84","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}