

	{"id":8438,"date":"2021-07-05T21:20:06","date_gmt":"2021-07-05T21:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8438"},"modified":"2023-11-01T10:51:34","modified_gmt":"2023-11-01T13:51:34","slug":"parte-da-juventude-se-identifica-com-o-socialismo-stalin-vem-junto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/07\/05\/parte-da-juventude-se-identifica-com-o-socialismo-stalin-vem-junto\/","title":{"rendered":"Parte da juventude se identifica com o socialismo. Stalin vem junto?"},"content":{"rendered":"<p>O socialismo e a cr\u00edtica anticapitalista est\u00e3o de volta e ganhando mais espa\u00e7o. Ao inv\u00e9s do fim da hist\u00f3ria, ap\u00f3s a queda do muro o que vemos \u00e9 o reflorescer da luta de classes e do marxismo. O desenrolar da crise econ\u00f4mica mundial, aberta em 2008 e sem perspectivas de fim, se defronta com uma juventude que n\u00e3o quer viver num mundo de mis\u00e9ria, que anseia por uma nova forma de sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Assim,\u00a0 milhares de jovens se identificaram com o socialismo, ou a ideia simb\u00f3lica de socialismo, enquanto oposi\u00e7\u00e3o ao capitalismo e possibilidade de um mundo novo.<\/p>\n<p>Vivemos um novo momento para a juventude, estudantes e trabalhadores, desempregados e precarizados. Do norte ao sul do globo, a pol\u00edtica deixou de ser algo alheio \u00e0 nossa realidade: h\u00e1 anos que n\u00f3s jovens estamos ocupando as ruas do mundo todo por direitos e tomado parte de forma massiva nos processos eleitorais.<br \/>\nVem surgindo alternativas pol\u00edticas por todo o mundo que se apresentam categoricamente como de esquerda, anti-capitalistas, democratas radicais ou at\u00e9 socialistas e marxistas, e que tem sido verdadeiros fen\u00f4menos na juventude. H\u00e1 quem diga que nos dias de hoje temos socialismo ao vivo e em cores Venezuelanas, Cubanas e Chinesas. H\u00e1 quem diga que Stalin \u00e9 o\u201d pai dos povos\u201d, que se faz necess\u00e1rio resgatar o legado do \u2018grande l\u00edder sovi\u00e9tico\u2019 para melhor enfrentar o capitalismo<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 esperado que a m\u00eddia burguesa hegem\u00f4nica fa\u00e7a caricaturas em rela\u00e7\u00e3o ao socialismo, a luta de classes, e a hist\u00f3ria. No entanto, recentemente tem se processado uma reabilita\u00e7\u00e3o do Stalinismo, atribuindo-se os t\u00edtulos de \u201cComunistas\u201d ou \u201cmarxistas leninistas\u201d, a partir de setores da esquerda brasileira e mundial, do qual o PCdoB, PCB e UP s\u00e3o as maiores express\u00f5es por aqui. O presente texto \u00e9 um pontap\u00e9 inicial para a retomada do significado de socialismo e do marxismo, localizar que heran\u00e7a \u00e9 essa e qual a proximidade program\u00e1tica ou n\u00e3o com o stalinismo enquanto corrente pol\u00edtica hist\u00f3rica.<\/p>\n<h2>Do socialismo cient\u00edfico \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/h2>\n<p>Marx e Engels, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica rom\u00e2ntica do capitalismo feita pelos socialistas ut\u00f3picos &#8211; que desejavam o fim do capitalismo mas n\u00e3o apresentavam uma teoria que desse alicerces para a transforma\u00e7\u00e3o social num sentido socialista &#8211; estabeleceram as bases do socialismo cient\u00edfico, o m\u00e9todo marxista de interpreta\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o na realidade, uma filosofia da pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>Da revolta de Spartacus (rebeli\u00e3o de escravos) \u00e0 Comuna de Paris (primeira experi\u00eancia hist\u00f3rica de um Estado Oper\u00e1rio), dos quilombos formados pelo povo preto durante o Brasil col\u00f4nia \u00e0s atuais greve dos trabalhadores de aplicativos, a hist\u00f3ria da humanidade tem sido a hist\u00f3ria da luta de classes. Dominantes e dominados est\u00e3o na hist\u00f3ria de forma determinada, tendo sua express\u00e3o concreta em cada forma\u00e7\u00e3o social, como escravos, vassalos, oper\u00e1rios, senhores de escravos, burgueses etc.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 ascens\u00e3o da burguesia ao poder, seja por meio de processos revolucion\u00e1rios como a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa ou transi\u00e7\u00f5es desde o andar de cima como a Inglesa, estabelece-se uma nova hegemonia no globo.\u00a0 O velho mundo do absolutismo, das monarquias e senhores feudais est\u00e1 morrendo e h\u00e1 um novo patr\u00e3o \u00e0s soltas se expandindo: o capital, valor que se valoriza desde a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, em posse dos capitalistas, estabelece a divis\u00e3o entre patr\u00f5es e os pi\u00f5es. Nas palavras do velho Marx: \u201c(&#8230;) O capital \u00e9 trabalho morto, que, como um vampiro, vive apenas da suc\u00e7\u00e3o de trabalho vivo, e vive tanto mais quanto mais trabalho vivo suga\u201d\u00b9. Toda a sua riqueza \u00e9 fruto da for\u00e7a de trabalho, e, no entanto, ao trabalhador s\u00f3 cabe uma pequena parcela: seu sal\u00e1rio. A burguesia se apropriou n\u00e3o s\u00f3 dos produtos do nosso suor, mas organizou a sociedade toda conforme seus interesses, com institui\u00e7\u00f5es, leis e ideologias que buscam lhe garantir a domina\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O lucro do capitalista depende da explora\u00e7\u00e3o do trabalhador, assim, os interesses entre as classes s\u00e3o irreconcili\u00e1veis e o nosso desenrolar hist\u00f3rico \u00e9 dependente do processo concreto entre as classes. Se n\u00e3o h\u00e1 luta, a derrota \u00e9 certa. Mas se h\u00e1, trata-se de um bra\u00e7o de guerra onde s\u00f3 o desenrolar concreto vai dizer o resultado &#8211; e h\u00e1 muito que Marx j\u00e1 alertava que os trabalhadores n\u00e3o podem ter confian\u00e7a nenhuma na burguesia, que s\u00f3 podem contar com suas pr\u00f3prias for\u00e7as, com sua organiza\u00e7\u00e3o coletiva.\u00a0 Nesse sentido, o marxismo, enquanto pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria que interv\u00e9m na realidade concreta para que a classe trabalhadora passe \u00e0 cena hist\u00f3rica como sujeito consciente dos seus interesses, teve a sua maior express\u00e3o pr\u00e1tica no processo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Para Lenin e Trotsky, dirigentes do partido bolchevique e principais lideran\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o socialista de outubro de 1917, lutar pelo socialismo sempre passou por manter o conselho de Marx: apenas confiar nas for\u00e7as da classe trabalhadora, nunca na burguesia, seja ela liberal ou reacion\u00e1ria. Esse foi um debate que atravessou os partidos oper\u00e1rios de todo o mundo, que na \u00e9poca eram chamados de Social-Democracia, estabelecendo uma divis\u00e3o entre revolucion\u00e1rios e reformistas.<\/p>\n<p>Na R\u00fassia, com o Partido Bolchevique \u00e0 frente, apoiado nos Conselhos Oper\u00e1rios (Sovietes), primou na maioria da classe trabalhadora a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios: os trabalhadores da atrasada R\u00fassia tomaram o poder. O velho Estado Czarista deu lugar ao Estado Sovi\u00e9tico e pela primeira vez na hist\u00f3ria abriu-se a possibilidade de uma organiza\u00e7\u00e3o social onde os que tudo produzem tudo decidiam conforme seus interesses de classe, por meio dos seus pr\u00f3prios organismos de poder e da democracia oper\u00e1ria, elegendo seus representantes com mandatos revog\u00e1veis a partir de cada local de trabalho.<\/p>\n<p>A URSS rompeu com a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, realizou a expropria\u00e7\u00e3o de empresas e Kulaks, tratando-se de um Estado Oper\u00e1rio, dos e pelos trabalhadores. Enfrentou a rea\u00e7\u00e3o golpista, a invas\u00e3o militar pelos pa\u00edses imperialistas e uma guerra civil prolongada at\u00e9 1921. Parecia ent\u00e3o o florescimento de um mundo novo, que era chegado ent\u00e3o o momento da revolu\u00e7\u00e3o socialista se expandir pelo mundo, uma vez que o capitalismo \u00e9 mundial.<\/p>\n<h2>A URSS e o movimento Comunista depois da morte de Lenin<\/h2>\n<p>Com a tomada do poder na R\u00fassia se abre uma \u00e9poca hist\u00f3rica revolucion\u00e1ria, com levantamentos massivos dos trabalhadores nas col\u00f4nias e nos ber\u00e7os do imperialismo. Em 1919 foi fundada a Internacional Comunista, conclamando a constru\u00e7\u00e3o de partidos comunistas no mundo todo, pela uni\u00e3o de todos os trabalhadores e povos oprimidos do mundo contra o capitalismo. Os bolcheviques se esfor\u00e7aram para agregar todos os revolucion\u00e1rios do mundo, com base em um programa revolucion\u00e1rio comum, porque entendiam que a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o russa s\u00f3 seria poss\u00edvel com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o na Europa e sua consequente expans\u00e3o por todo o globo. <strong>Nenhum<\/strong> dos dirigentes da IC ou do partido Bolchevique estabeleceu como uma possibilidade o triunfo do socialismo contando apenas com a R\u00fassia isolada.<\/p>\n<p>Como foi dito, a R\u00fassia era um pa\u00eds atrasado que foi \u201cobrigado a avan\u00e7ar por saltos\u201d frente a ascens\u00e3o do imperialismo e a mundializa\u00e7\u00e3o do capitalismo. No entanto, os progn\u00f3sticos estabelecidos no I e II congressos da IC n\u00e3o se concretizaram, a revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 e Italiana foram derrotadas, a URSS estava isolada e cercada pelos pa\u00edses capitalistas. Esses fatos objetivos se deram ao mesmo tempo em que se processava uma expans\u00e3o brutal do aparelho de Estado da URSS, ocorrendo a conforma\u00e7\u00e3o de uma casta burocr\u00e1tica extensa que se desvinculou da realidade vivida pela maioria dos trabalhadores, gozando de privil\u00e9gios financeiros e materiais e poder para manobras no interior do Estado. A \u00faltima batalha que Lenin deu em vida foi contra a burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado Sovi\u00e9tico, de forma que lhe preocupava muito as propor\u00e7\u00f5es que o aparelho estatal vinha tomando e a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica que inserisse os trabalhadores nas decis\u00f5es pol\u00edticas. Ao inv\u00e9s de governar desde os soviets, cada vez mais se governava apoiando-se no aparelho de estado emergente.<\/p>\n<p>Nos parece que o retrocesso sofrido pela revolu\u00e7\u00e3o mundial ap\u00f3s derrotas decisivas na Europa, como a Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3, Italiana, e a derrota de outras experi\u00eancias de Estado Oper\u00e1rio que n\u00e3o conseguiram se manter no poder como na Hungria, Bav\u00e1ria, e o aprofundamento da burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado Sovi\u00e9tico, e a conforma\u00e7\u00e3o de uma burocracia a parte da classe trabalhadora, aliadas \u00e0 morte da maior lideran\u00e7a reconhecida dos trabalhadores russos e do partido bolchevique, Lenin, s\u00e3o as bases objetivas e subjetivas para o curso que se seguiu.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Lenin, Stalin, velho bolchevique que interv\u00e9m no movimento oper\u00e1rio durante a ilegalidade e que cumpria papel sobretudo organizativo no partido Bolchevique, se tornou o novo Comiss\u00e1rio Geral,\u00a0 buscando estabelecer uma hegemonia na m\u00e1quina estatal. Bukharin, te\u00f3rico do partido bolchevique e membro da sua dire\u00e7\u00e3o foi quem lan\u00e7ou uma ideia at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita: o socialismo num s\u00f3 pa\u00eds. Tal elabora\u00e7\u00e3o passava n\u00e3o s\u00f3 por abandonar a batalha para o avan\u00e7o do socialismo em outros pa\u00edses, mas tamb\u00e9m de orientar a pol\u00edtica nacional de cada partido comunista conforme as rela\u00e7\u00f5es entre Estados do Estado sovi\u00e9tico &#8211; abandonando a pol\u00edtica desde a realidade concreta e determinada de cada pa\u00eds e a interven\u00e7\u00e3o na luta de classes. Stalin, ao lado de Zinoviev e Kamenev estabeleceu uma maioria no partido bolchevique e na IC, abra\u00e7ando a elabora\u00e7\u00e3o do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds e consolidando essa pol\u00edtica a partir do V\u00ba Congresso da IC(1924).<\/p>\n<p>Nada disso passou sem resist\u00eancia. Frente a esse cen\u00e1rio, 46 velhos bolcheviques lan\u00e7aram uma carta \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do partido bolchevique, exigindo pol\u00edticas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o da coletiviza\u00e7\u00e3o da economia. Defendiam que a NEP (Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica) que estabelecia cr\u00e9dito e espa\u00e7o para uma interven\u00e7\u00e3o limitada da burguesia na economia, implementada ainda na \u00e9poca de L\u00eanin para lidar com os cacos econ\u00f4micos que veio a ser a URSS frente a guerra civ\u00edl, vinha tomando contornos perigosos: era preciso ter como eixo os produtores rurais pobres e n\u00e3o os grandes latifundi\u00e1rios, dado a necessidade concreta de enfrentar a escassez. Defenderam o internacionalismo revolucion\u00e1rio, se apoiando nos 4 primeiros congressos da IC. Em 1923, Trotsky organiza a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, lutando pela retomada da democracia oper\u00e1ria e do debate no interior do partido, defendendo o poder dos sovietes contra a m\u00e1quina estatal e a necessidade de a classe trabalhadora intervir para impedir a burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado Oper\u00e1rio. Em 1926, contra Stalin-Bukharin, Trotsky, ao lado de Zinoviev (ent\u00e3o presidente da Internacional Comunista) e Kamenev formam uma oposi\u00e7\u00e3o unificada, ap\u00f3s os dois \u00faltimos verificarem que os rumos assumidos pela burocratiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizia respeito apenas \u00e0 diferen\u00e7as t\u00e1ticas; tiveram que verificar na pr\u00f3pria pele as manobras que vinham sendo operadas por Stalin para que n\u00e3o existisse debate ou democracia no partido para assumirem uma posi\u00e7\u00e3o consequente em travar uma luta para defender o Estado Oper\u00e1rio, o partido bolchevique e o marxismo.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 h\u00e1 muito o partido bolchevique e o Estado Sovi\u00e9tico n\u00e3o eram mais os mesmos. Ap\u00f3s a tomada do poder, os velhos bolcheviques eram minoria absoluta no partido. O \u201crecrutamento Lenin\u201d \u00e9 emblem\u00e1tico como exemplo das manobras operadas por Stalin para se estabelecer como maioria: milhares de novos recrutados no partido, sem crit\u00e9rios militantes como at\u00e9 ent\u00e3o era estabelecido pelos bolcheviques, sendo uma base de apoio fundamental para a ala majorit\u00e1ria, al\u00e9m, \u00e9 claro, das nomea\u00e7\u00f5es e distribui\u00e7\u00f5es de cargos ilimitados do qual ele detinha poder. A atua\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o unificada, ainda que de curta dura\u00e7\u00e3o, foi centrada nos locais de trabalho e bairros, fazendo plen\u00e1rias e assembl\u00e9ias, distribuindo panfletos e buscando unificar a velha guarda dos bolcheviques numa plataforma program\u00e1tica comum, intervindo n\u00e3o apenas na URSS, mas tamb\u00e9m nos partidos comunistas e na luta de classes de outros pa\u00edses.<\/p>\n<h2>Marxismo e Stalinismo<\/h2>\n<p>Seguindo a linha da Internacional Comunista, o Partido Comunista da China se absteve de ter uma interven\u00e7\u00e3o nos processos revolucion\u00e1rios chineses com uma posi\u00e7\u00e3o de classe, se diluindo no partido da burguesia nacional, o Koumitang (KMT). Tal pol\u00edtica foi desastrosa, uma vez que significou que os comunistas atuaram na China como ala esquerda da burguesia, levando o movimento oper\u00e1rio a n\u00e3o ter uma pol\u00edtica de ruptura mas de subservi\u00eancia, apoiando o militar, \u201cgeneral\u00edssimo\u201d, Chiang Kai-Shek como seu dirigente leg\u00edtimo.<br \/>\nDurante o ascen\u00e7o revolucion\u00e1rio de 1926, enquanto Kai Shek\u00a0\u00a0 \u201cdesarma as mil\u00edcias oper\u00e1rias de Cant\u00e3o, det\u00e9m v\u00e1rios dirigentes comunistas e exclui os comunistas da dire\u00e7\u00e3o do KMT\u201d\u00b2, recebe tamb\u00e9m a nomea\u00e7\u00e3o de \u201cpresidente de honra\u201d&#8230; da Internacional Comunista!! N\u00e3o atoa, seria o mesmo Kai Shek, desde o KMT, que em 1927 conduziria o massacre de Xangai e da insurrei\u00e7\u00e3o de Cant\u00e3o. A derrota da classe oper\u00e1ria Chinesa durante esse per\u00edodo definitivamente n\u00e3o caiu do c\u00e9u.<\/p>\n<p>No\u00a0 e VI\u00ba congresso da IC (1928) \u00e9 deliberada uma pol\u00edtica que iguala o fascismo e os reformistas da social democracia, teoria conhecida como \u201csocial-fascismo\u201d. Essa pol\u00edtica, com Stalin \u00e0 frente, vai ser respons\u00e1vel pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de nenhuma unidade entre os comunistas e sociais democratas na Alemanha, deixando o espa\u00e7o aberto para a ascens\u00e3o do nazismo e uma derrota hist\u00f3rica dos trabalhadores alem\u00e3es e do mundo todo. No terreno social, na URSS, h\u00e1 retrocessos brutais: o aborto volta \u00e0 ser criminalizado, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de oposi\u00e7\u00e3o, protestos ou greves.<\/p>\n<p>Em 1934 se estabelece os Processos de Moscou, tribunais para julgar \u201ctraidores\u201d do socialismo.\u00a0 Hoje em dia h\u00e1 quem brinque que \u201cStalin matou foi pouco\u201d mas se esquece que os Processos de Moscou n\u00e3o serviram para julgar contra-revolucion\u00e1rios que tomaram parte na contra-revolu\u00e7\u00e3o mas sim boa parte dos dirigentes da revolu\u00e7\u00e3o russa. Toda uma gera\u00e7\u00e3o de velhos bolcheviques que militaram a vida ao lado de Lenin e seguiram defendendo seu legado desde a oposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o calados \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 1935, no VII\u00ba Congresso da IC, se decidiu pela pol\u00edtica da \u201cfrente popular\u201d. A partir da\u00ed a pol\u00edtica que os partidos comunista tocam \u00e9 de conforma\u00e7\u00e3o de governos em comum com a burguesia, dando um giro de 180\u00ba do sectarismo absoluto que iguala a social democracia e o fascismo ao oportunismo que considera as burguesias nacionais como aliadas frente o imperialismo. Ao inv\u00e9s da luta de classes\u00a0 e a batalha pela tomada do poder pelos trabalhadores estabelece-se a concilia\u00e7\u00e3o de classes, sendo o imperialismo colocado como grande inimigo e as burguesias nacionais como \u201cprogressistas\u201d.<\/p>\n<p>Frente a tudo isso, temos que tirar conclus\u00f5es. O stalinismo definitivamente n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno hist\u00f3rico individual, apenas personalista como diz a cr\u00edtica liberal, mas est\u00e1 muito bem fincado em bases concretas e pol\u00edticas concretas: o aparato do partido e do estado, desde a burocracia enquanto sujeito social, com privil\u00e9gios materiais e com interesses alheios aos da classe trabalhadora, a pol\u00edtica do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds, o \u201csocial-fascismo\u201d e a frente popular, com um dirigente absoluto e hegem\u00f4nico que articula tal interven\u00e7\u00e3o: Stalin. O papel hist\u00f3rico que cumpriu o stalinismo foi de sabotar a luta independente da classe trabalhadora frente seu inimigo hist\u00f3rico: a burguesia, chegando a se aliar de forma expl\u00edcita com nossos algozes em governos comuns.<\/p>\n<p>Agora, n\u00e3o \u00e9 verdade que Stalin seja continuidade do marxismo ou do leninismo. Ainda que tenha surgido do partido bolchevique, esse \u00e9 o \u00fanico v\u00ednculo que se pode estabelecer entre Stalin e o marxismo ou bolchevismo &#8211; um v\u00ednculo formal, dado que na pr\u00e1tica abandonou os princ\u00edpios do marxismo, sem independ\u00eancia de classe, internacionalismo e sem democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade que o socialismo e a experi\u00eancia sovi\u00e9tica sejam uma e s\u00f3 coisa, que a hist\u00f3ria como se deu seja um fatalismo que voltar\u00e1 a se repetir. N\u00e3o h\u00e1 nada pr\u00e9-determinado na hist\u00f3ria: a luta de classes, em todas suas dimens\u00f5es, \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o constante. Na URSS houve um Estado Oper\u00e1rio que se degenerou, passando a ser um Estado Oper\u00e1rio Burocratizado. N\u00e3o havia mais burguesia, a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o havia tido fim, mas n\u00e3o existia democracia oper\u00e1ria. \u00c9 nesse sentido que Trotsky vai defender a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na URSS, que se derrube a casta burocr\u00e1tica e que os trabalhadores governem com sua democracia.<\/p>\n<p>O marxismo tem seus herdeiros naqueles que mant\u00eam uma pol\u00edtica de classe, tal como estabeleceu a elabora\u00e7\u00e3o de Marx e os quatro primeiros congressos da IC. Nesse sentido, o stalinismo, enquanto corrente pol\u00edtica e hist\u00f3rica, foi um c\u00e2ncer que germinou e cresceu no interior do Estado Oper\u00e1rio, n\u00e3o sendo amputado \u00e0 tempo. Nesse sentido, Trotsky foi o dirigente mais consequente na luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e na defesa do marxismo. Somos herdeiros de Marx, Engels, Trotsky e L\u00eanin e por isso temos bem claro: nosso inimigo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a classe dominante, mas tamb\u00e9m seus agentes no nosso meio, os dirigentes traidores, reformistas e burocratas, e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ter confian\u00e7a nas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as. Por isso, afirmamos que, uma sociedade socialista onde passemos do reino da necessidade \u00e0 liberdade, da anarquia da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o ao planejamento planificado, que realize a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia e coletiviza\u00e7\u00e3o da riqueza, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se for feita pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. O desafio \u00e9 gigante e por isso achamos que quem quer mudar o mundo precisa se organizar coletivamente. Convidamos voc\u00ea para conhecer mais a CST-PSOL, corrente trotskista da Unidade Internacional dos Trabalhadores, e estar ombro a ombro com companheiras e companheiros que organizam a luta concreta nos seus locais de trabalho, estudo e moradia.\u00a0 Batalhar por uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para a classe trabalhadora mundial, munir-se da heran\u00e7a do marxismo revolucion\u00e1rio, esse \u00e9 o desafio aos que querem o socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>BROU\u00c9, Pierre.<em> Hist\u00f3ria da Internacional Comunista 1919-1943 Ascens\u00e3o e queda. <\/em>S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2007.<\/p>\n<p>BROU\u00c9, Pierre.<em> Hist\u00f3ria da Internacional Comunista 1919-1943 Da atividade pol\u00edtica \u00e0 atividade policial e anexos.<\/em> S\u00e3o Paulo, Sundermann, 2007.<\/p>\n<p>LOUREIRO, Isabel. A Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3, 1918-1923. S\u00e3o Paulo, Editora UNESP, 2005.<\/p>\n<p>TROTSKY, Leon. As <em>li\u00e7\u00f5es de Outubro<\/em>, dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/formacao-teorica\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/formacao-teorica\/<\/a>&gt;<\/p>\n<p>TROTSKY, Leon. Estalinismo e Bolchevismo, dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/formacao-teorica\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/formacao-teorica\/<\/a>&gt;<\/p>\n<p><em>Los Cuatro primeros congresos de la Internacional Comunista, primera parte<\/em>. Buenos Aires, pasado y Presente, 1973.<\/p>\n<p><em>Los Cuatro primeros congresos de la Internacional Comunista, segunda parte<\/em>, Buenos Aires, Pasado y Presente, 1973<\/p>\n<p><em>V Congreso de la Internacional Comunista, 17 de junio &#8211; 8 de julio de 1924, primera parte<\/em>. Buenos Aires, Pasado y Presente, 1975.<\/p>\n<p><em>V Congreso de la Internacional Comunista, 17 de junio &#8211; 8 de julio de 1924, segunda parte<\/em>. Buenos Aires, Pasado y Presente, 1975.<\/p>\n<p><em>VI Congreso de la Internacional Comunista, primera parte<\/em>. M\u00e9xico, Pasado y Presente, 1977.<\/p>\n<p><em>VI Congreso de la Internacional Comunista, segunda parte<\/em>. M\u00e9xico, Pasado y Presente, 1978.<\/p>\n<p><em>VII Congreso de la Internacional Comunista<\/em>, <em>Fascismo, democracia y frente popular<\/em>.\u00a0 M\u00e9xico, Pasado y Presente, 1984.<\/p>\n<p>\u00b9 MARX, Karl. <em>O capita<\/em>l, Livro I. p. 307. S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2013.<\/p>\n<p>\u00b2 COGGIOLA, Osvaldo. <em>A revolu\u00e7\u00e3o chinesa<\/em>, p. 24, S\u00e3o Paulo, Ed. Moderna, 1986.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O socialismo e a cr\u00edtica anticapitalista est\u00e3o de volta e ganhando mais espa\u00e7o. Ao inv\u00e9s do fim da hist\u00f3ria, ap\u00f3s a queda do muro o que vemos \u00e9 o reflorescer da luta de classes e do marxismo. 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