

	{"id":8479,"date":"2021-07-26T18:22:12","date_gmt":"2021-07-26T18:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8479"},"modified":"2021-07-26T18:22:33","modified_gmt":"2021-07-26T18:22:33","slug":"primarias-presidenciais-no-chile-um-balanco-e-as-tarefas-dos-que-lutam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/07\/26\/primarias-presidenciais-no-chile-um-balanco-e-as-tarefas-dos-que-lutam\/","title":{"rendered":"Prim\u00e1rias presidenciais no Chile: um balan\u00e7o e as tarefas dos que lutam"},"content":{"rendered":"<p><strong>Prim\u00e1rias presidenciais no Chile: um balan\u00e7o e as tarefas dos que lutam<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>por <strong>MST<\/strong>, se\u00e7\u00e3o chilena da UIT-QI<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As prim\u00e1rias presidenciais do domingo, 18 de julho, marcaram um antes e um depois para milhares de lutadoras e lutadores sociais no pa\u00eds. A derrota de Jadue se transformou em um sinal para aqueles que acreditavam que estava em jogo a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds. Contra as an\u00e1lises catastrofistas de setores da centro-esquerda e afins, como o Partido Comunista, acreditamos ser fundamental opor um balan\u00e7o a partir de uma perspectiva revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os dados e os n\u00fameros que o domingo trouxe<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Em termos de dados, as prim\u00e1rias de domingo, 18 de julho, foram as mais votadas desde que come\u00e7ou esse tipo de vota\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Superando as vota\u00e7\u00f5es de 2017, inclusive as de 2013, nesse domingo foram votar 3.143.006 pessoas. Um dado importante, somando-se que n\u00e3o participou a ex-Concerta\u00e7\u00e3o, o bloco pol\u00edtico que mais governou o pa\u00eds nos \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n<p>Desses, Aprovo Dignidade (PC-FA e outros) obteve 56% dos votos, com 1.750.889 votos. O favorito do setor, Daniel Jadue (PC) conseguiu 692.862 votos, perdendo para Gabriel Boric (FA), que recebeu 1.058.027, transformando-se no candidato mais votado de todo o processo.<\/p>\n<p>Chile Vamos (direita) obteve 43,3% dos votos, ou seja, 1.343.892 votos. Com 4 candidatos, os grandes perdedores foram os dois maiores partidos desse setor (UDI e RN) e o grande favorito Joaqu\u00edn Lav\u00edn. O ganhador foi Sebasti\u00e1n Sichel, independente que vem das fileiras da ex-Concerta\u00e7\u00e3o, que obteve 659.416 votos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perderam as expectativas em um caminho de derrotas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m das expectativas honestas de milhares de lutadores e lutadoras, essas prim\u00e1rias presidenciais n\u00e3o expressavam nenhum grande avan\u00e7o para o povo e a classe trabalhadora. \u00c9 necess\u00e1rio analisar a campanha e o programa de Jadue para explicar esse ponto.<\/p>\n<p>Partimos de seu programa de governo, centrado em reformas superficiais ao modelo econ\u00f4mico, cujo eixo n\u00e3o era outra coisa que \u201cmais impostos\u201d. Por isso, Jadue sempre foi muito enf\u00e1tico em explicar que n\u00e3o queria nacionalizar e nem estatizar a propriedade privada do grande empresariado chileno e das multinacionais. As riquezas naturais seguiriam em m\u00e3os privadas, assim como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e at\u00e9 as aposentadorias. O m\u00e1ximo que chegava era propor \u201cop\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u201d ao lado do lucro e o roubo de direitos sociais por parte dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 central, porque nem Jadue, muito menos Boric, faziam grandes questionamentos ao poder dos empres\u00e1rios. Nenhum propunha um plano de lutas a n\u00edvel nacional para impulsionar a mudan\u00e7a a partir das ruas, em um momento onde funciona a conven\u00e7\u00e3o constituinte. De fato, a declara\u00e7\u00e3o sobre a liberta\u00e7\u00e3o das e dos presos pol\u00edticos, que foi aprovada na conven\u00e7\u00e3o, escrita de punho e letra por comunistas e frente amplistas, \u00e9 absolutamente n\u00edtida em que o dito organismo n\u00e3o \u00e9 livre e nem soberano, e, por isso, o submetem totalmente aos poderes do Congresso, do Governo e da Justi\u00e7a. Ou seja, tudo aquilo que \u00e9 odiado por milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que o grande empresariado n\u00e3o tinha prefer\u00eancias entre os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, o fraco programa de Jadue e seus duplos discursos, criticando o governo, mas sem propor nenhuma sa\u00edda de luta, era t\u00e3o agrad\u00e1vel aos capitalistas como a submiss\u00e3o do domesticado Boric.<\/p>\n<p>Muito lutadores e lutadoras honestos esqueceram que o Partido Comunista, de Jadue, sempre submeteu o movimento sindical e estudantil aos interesses do empresariado e, inclusive, governaram como fan\u00e1ticos bacheletistas no governo da Nova Maioria. O que elas e eles, infelizmente, esqueceram \u00e9 muito bem lembrado pelo empresariado.<\/p>\n<p>Nunca esteve em jogo os interesses dos empres\u00e1rios e das multinacionais nessas elei\u00e7\u00f5es, nem estava em jogo o surgimento de um governo que iria se opor ao poder patronal no pa\u00eds. Nem pelo programa de Jadue, nem por sua campanha nessas prim\u00e1rias e, menos ainda, pela hist\u00f3ria de trai\u00e7\u00f5es do PC seria leg\u00edtimo supor algo assim. Entendemos o entusiasmo daqueles que acreditaram ver um caminho a favor do povo, t\u00e3o somente porque o candidato se dizia comunista. No entanto, devemos ser honestos: nada indicava que se tratava de um PC diferente daquele que muitas lutadoras e lutadores v\u00eam repudiando h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A verdadeira sa\u00edda passa por organizar uma candidatura desde baixo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O PC \u00e9 parte dos partidos dos 30 anos, governou junto com a ex-Concerta\u00e7\u00e3o e sempre chamou a votar por esses governos. Junto \u00e0 direita, essa tran\u00e7a tem estrangulado o povo e a classe trabalhadora em uma situa\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel de desigualdade social e abusos. A rebeli\u00e3o popular abriu uma brecha de descontentamento e recha\u00e7o massivo a esses partidos, com especial eixo contra a direita-Concerta\u00e7\u00e3o. Esse foi um dos saltos mais espetaculares na consci\u00eancia de milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Frente Ampla e Boric n\u00e3o somente n\u00e3o s\u00e3o nada novo, mas s\u00e3o uma frente a servi\u00e7o dos empres\u00e1rios e dos velhos partidos corruptos. Super\u00e1-los \u00e9 a principal tarefa que estava posta, n\u00e3o s\u00f3 agora que perdeu Jadue, mas desde antes. Sobretudo hoje, que, para muitos, \u00e9 evidente que Boric n\u00e3o \u00e9 alternativa. O que ocorre \u00e9 que agora essa tarefa toma um car\u00e1ter de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Como MST, acreditamos que \u00e9 fundamental lev\u00e1-la a cabo, em um cen\u00e1rio ainda mais prop\u00edcio que antes, onde estava colocado que o PC e Jadue dirigiriam todo o impulso de luta para os caminhos institucionais geradores de derrotas para os quais trabalham. Hoje, diferentemente, esse perigo foi dissolvido, ao mesmo tempo em que revela as profundas debilidades que devemos resolver.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental iniciar uma coordena\u00e7\u00e3o nacional imediata, convocada pela Lista do Povo e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais, para definir um programa e uma candidatura independente, que expresse as demandas mais sentidas da rebeli\u00e3o popular de 2019. No nosso entendimento, com um firme car\u00e1ter anticapitalista e que defenda que o Chile e o mundo devem ser governados pela classe trabalhadora e os povos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prim\u00e1rias presidenciais no Chile: um balan\u00e7o e as tarefas dos que lutam \u00a0 por MST, se\u00e7\u00e3o chilena da UIT-QI \u00a0 As prim\u00e1rias presidenciais do domingo, 18 de julho, marcaram um antes e um depois para milhares de lutadoras e lutadores sociais no pa\u00eds. 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