

	{"id":85,"date":"2011-09-29T16:12:00","date_gmt":"2011-09-29T16:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/09\/29\/arquivoid-9120\/"},"modified":"2011-09-29T16:12:00","modified_gmt":"2011-09-29T16:12:00","slug":"arquivoid-9120","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/09\/29\/arquivoid-9120\/","title":{"rendered":"Construir uma nova dire\u00e7\u00e3o pela base: Unificando as greves e coordenando as lutas"},"content":{"rendered":"<p>|<\/p>\n<p>Os ventos da Gr\u00e9cia e do Egito esquentam o Brasil<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, a rebeli\u00e3o dos oper\u00e1rios da Hidrel\u00e9trica de Jirau\/RO, principal obra do PAC, inaugurou um novo marco da luta de classes no pa\u00eds. Como efeito domin\u00f3, greves se espalharam nos canteiros envolvendo mais de 170 mil oper\u00e1rios. Em seguida foi a vez das paralisa\u00e7\u00f5es das obras no Mineir\u00e3o e Maracan\u00e3.<br \/>\nDepois aconteceram importantes greves em diversas categorias, sobretudo entre os trabalhadores em educa\u00e7\u00e3o, como em MG. O maior exemplo foi a radicalizada greve dos bombeiros do RJ, com ocupa\u00e7\u00e3o do quartel central da corpora\u00e7\u00e3o, seguida de 50 mil que protestaram em Copacabana e do acampamento em frente \u00e0 ALERJ que contou com forte apoio popular. Tamb\u00e9m tivemos ferrovi\u00e1rios de SP, Wolks do Paran\u00e1 e centenas de lutas de trabalhadores municipais, da sa\u00fade, professores, terceirizados, motoristas, setores de servi\u00e7os, oper\u00e1rios da ind\u00fastria qu\u00edmica, metal\u00fargica e aliment\u00edcia.<br \/>\nDepois de um bom tempo sem fortes lutas nos servidores federais, os t\u00e9cnicos das universidades federais, organizados na Fasubra, tiveram tr\u00eas meses em greve. Em agosto se somou o Sinasefe, que agrupa trabalhadores dos Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o. Agora iniciam greves na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em todo o Brasil e as campanhas salariais: correios, banc\u00e1rios, petroleiros, alimenta\u00e7\u00e3o, qu\u00edmicos e metal\u00fargicos. Os correios est\u00e3o em greve desde o dia 14 de setembro e os banc\u00e1rios acabaram de deflagrar greve por tempo indeterminado.<br \/>\nAo mesmo tempo, os estudantes ocuparam 7 reitorias com vit\u00f3rias em suas pautas, sobretudo na UFF, UFPR e UFSC. Houve greve estudantil na UFPR. A luta contra o aumento das passagens de \u00f4nibus foi radicalizada em Teresina, derrubando o aumento. Tamb\u00e9m aconteceram atos contra a corrup\u00e7\u00e3o e contra os super sal\u00e1rios dos pol\u00edticos no dia 7 de setembro. Na cidade de S\u00e3o Jose do Rio Preto, SP, os manifestantes conseguiram impedir o vergonhoso aumento dos vereadores.<br \/>\nEm alguma medida, as revolu\u00e7\u00f5es do Norte da \u00c1frica e as rebeli\u00f5es na Europa contra a retirada de direitos dos trabalhadores sacudiram a vida em nosso pa\u00eds. A juventude, contagiada com a irrever\u00eancia dos estudantes chilenos, come\u00e7a a apimentar as lutas de norte a sul.<\/p>\n<p>A luta surge de baixo para cima<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que muitas batalhas da base combativa ficam pela metade do caminho. Em geral a dire\u00e7\u00e3o pelega de sindicatos, da CUT, CTB, UGT ou da For\u00e7a Sindical, fazem acordos rebaixados, a portas fechadas, sem consultar os trabalhadores para favorecer patr\u00f5es e governos. Para aprovar sua pol\u00edtica, essas burocracias sindicais chegam a proibir a base de se expressar em assembl\u00e9ias, quando as mesmas existem.<br \/>\nContra tudo isso os trabalhadores come\u00e7aram a se rebelar. Destaque tiveram algumas greves que foram espont\u00e2neas, acontecidas por assembl\u00e9ias auto convocadas e explos\u00f5es anti-burocr\u00e1ticas contra a dire\u00e7\u00e3o do sindicato, como no caso de Jirau e Santo Ant\u00f4nio. Em outros casos a base empurra a dire\u00e7\u00e3o for\u00e7ando a greve como aconteceu com os ferrovi\u00e1rios de SP. Na Fasubra a base passou por cima da dire\u00e7\u00e3o traidora. Quando parte do comando nacional suspendeu a greve, a base lotou assembl\u00e9ias nas universidades e reverteu a situa\u00e7\u00e3o mantendo a greve.<br \/>\nDessa forma e lentamente surgem novos ativistas. Vai surgindo uma nova leva de lutadores, que sem refer\u00eancia pol\u00edtica e sindical, corretamente quer que tudo se decida em assembl\u00e9ias democr\u00e1ticas, onde a base possa se expressar. Isso vai de encontro ao burocratismo imposto por muitos sindicatos. <\/p>\n<p>P\u00fablico e privado<\/p>\n<p>No setor privado as lutas conquistam altos valores de PLR (participa\u00e7\u00e3o nos lucros) e aumento real de sal\u00e1rios porque a luta se combina com o brutal lucro das empresas privadas. Os abonos v\u00e3o de 1 mil a 15 mil reais e o aumento real at\u00e9 3%. Diante das fortes greves os patr\u00f5es terminam recuando e cedendo parte das reivindica\u00e7\u00f5es, \u00e9 melhor perder os an\u00e9is que perder os dedos. Tais ganhos econ\u00f4micos estimulam novas lutas<br \/>\nNo servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 mais complicado, pois qualquer reajuste salarial ou benef\u00edcio para os trabalhadores coloca em xeque o plano do governo Dilma, de gigantesco e permanente corte de gastos sociais para destin\u00e1-lo ao pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e para incentivos \u00e0s empresas privadas e bancos. Por isso, as lutas s\u00e3o mais duras neste setor e isso se repete no \u00e2mbito estadual e municipal o que n\u00e3o tem impedido que ocorram rebeli\u00f5es como as do Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia e Amap\u00e1 que paralisaram boa parte da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Os Bombeiros, por exemplo, conseguiram apenas 5% de reajuste, no entanto, mesmo sem vit\u00f3ria econ\u00f4mica se consolidaram como uma refer\u00eancia de mobiliza\u00e7\u00e3o, numa clara vit\u00f3ria pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do movimento<\/p>\n<p>Durante mais de 20 anos, a partir das grandes lutas do ABC, a indiscutida dire\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foi a CUT. No in\u00edcio deste s\u00e9culo com a entrada de Lula no governo, a CUT se converteu em seu bra\u00e7o direito. A CUT, a For\u00e7a Sindical e a CTB, ligadas ao PT, PDT e o PC do B respectivamente, participam da Reforma Sindical e Trabalhista e das \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d da Reforma da Previd\u00eancia. Vendem direitos dos trabalhadores em troca dos milh\u00f5es do imposto sindical.<br \/>\nCom o Minist\u00e9rio do Trabalho em suas m\u00e3os \u201cfabricam\u201d sindicatos para receber mais imposto. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios dirigentes t\u00eam altos cargos no governo e nas empresas estatais ou fundos de pens\u00e3o, que gerenciam bilh\u00f5es de reais.<br \/>\nEssas burocracias, quando disputam a dire\u00e7\u00e3o de sindicatos, n\u00e3o disputam o projeto pol\u00edtico de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores contra o governo e os patr\u00f5es, disputam como gangues o controle dos fundos sindicais que obt\u00eam via repasses do governo, mas tamb\u00e9m prestigio e poder de barganha por cargos comissionados no poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>A base come\u00e7a a romper com a dire\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Com o aumento das lutas e o giro \u00e0 direita cada vez mais brutal da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria das centrais, os lutadores v\u00e3o fazendo experi\u00eancia com essas dire\u00e7\u00f5es. A burocracia sindical est\u00e1 cada vez mais distante da base, dos locais de trabalho, do cotidiano dos que dizem representar. Por isso, nas CIPAS, comiss\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o, delegacias sindicais, etc. h\u00e1 um amplo espa\u00e7o para construir novas lideran\u00e7as sindicais, que por meio de um sistem\u00e1tico trabalho de oposi\u00e7\u00e3o podem varrer os neopelegos dos sindicatos.<br \/>\nPor outro lado, muitos sindicatos combativos e honestos que s\u00e3o filiados a essas centrais come\u00e7am a tomar dist\u00e2ncia dos seus dirigentes e se unir aos setores de esquerda que encampam a luta com mais afinco e sem compromissos com os patr\u00f5es e o governo. Um exemplo disso s\u00e3o os sindicatos dirigidos pela Articula\u00e7\u00e3o Sindical na Fasubra que votaram pela continuidade da greve contra a ordem dos seus \u201cdirigentes\u201d sindicais. O F\u00f3rum de Luta constru\u00eddo no Vale do Para\u00edba com sindicatos da Unidos pra Lutar, sindicatos cutistas e entidades independentes \u00e9 outro exemplo.<br \/>\nNa \u00faltima assembl\u00e9ia dos professores de SP, (APEOESP\/CUT) \u201cBebel\u201d, presidenta do sindicato, disse que a proposta do governo \u201c\u00e9 um bom come\u00e7o\u201d e prop\u00f4s de fato o fim da campanha salarial. Por\u00e9m, dois ter\u00e7os da assembl\u00e9ia votaram a favor da luta e da realiza\u00e7\u00e3o de nova assembl\u00e9ia. Com medo da base \u201cBebel\u201d chamou a pol\u00edcia para conter os manifestantes e teve que se retirar escoltada pela PM. Diante do fato, a oposi\u00e7\u00e3o se unificou e lan\u00e7ou manifesto ratificando a convocat\u00f3ria de nova assembl\u00e9ia e a respeitar o que a base votou.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o caminho a seguir?<\/p>\n<p>            A din\u00e2mica ser\u00e1 de que mais e maiores lutas ocorram. Para que sejam vitoriosas \u00e9 necess\u00e1rio o esfor\u00e7o de apoiar, se solidarizar e unificar as lutas dos trabalhadores, dos setores populares e as campanhas salariais deste semestre, independente de quem dirija ou a que Central perten\u00e7am os setores mobilizados.<br \/>\nDevemos construir e apoiar todos os f\u00f3runs de luta que seja poss\u00edvel, unificando todos os que queiram lutar contra o governo e contra os patr\u00f5es. Apoiar tamb\u00e9m as lutas populares contra a corrup\u00e7\u00e3o, por saneamento b\u00e1sico, por pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas, seguran\u00e7a p\u00fablica, por moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte p\u00fablico de qualidade e reforma agr\u00e1ria.<br \/>\nFortalecendo o campo dos trabalhadores e do povo pobre para enfrentar e derrotar a pol\u00edtica do governo, de escravizar o povo para enriquecer banqueiros, empres\u00e1rios e pol\u00edticos corruptos. O triunfo das lutas e a unidade com novos lutadores e sindicatos que se distanciem das dire\u00e7\u00f5es tradicionais, podem nos levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova ferramenta de luta para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A CSP \u2013 Conlutas \u00e9 alternativa?<\/p>\n<p>Depois da explos\u00e3o do CONCLAT e o fracasso da tentativa de repactua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as que constru\u00edram o congresso, predominou a dispers\u00e3o do sindicalismo classista. O maior setor do CONCLAT se agrupou ao redor da CSP-CONLUTAS. Queremos dialogar com muitos companheiros e dirigentes sindicais lutadores que procuraram nesse agrupamento uma alternativa frente ao fracasso da unifica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tamb\u00e9m fizemos parte da CONLUTAS, desde o in\u00edcio,  apostando que seria uma alternativa. Mas, nem antes nem agora h\u00e1 fatos que indiquem um avan\u00e7o nesse caminho.<br \/>\nA pol\u00edtica do PSTU, setor majorit\u00e1rio da CSP-CONLUTAS, de privilegiar o controle de um aparato e de constru\u00e7\u00e3o de seu projeto como partido quebrou o CONCLAT. O problema \u00e9 que esse mesmo crit\u00e9rio \u00e9 transferido diariamente para a luta de classes, onde sempre privilegiam o controle e a legaliza\u00e7\u00e3o de seu aparato. Isto mostra os limites deste projeto, que a nosso modo de ver, n\u00e3o serve para formar uma nova dire\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, classista, independente, que unifique os lutadores contra o governo e a patronal. Vejamos alguns exemplos:<\/p>\n<p>a)   Comiss\u00e3o Tripartite em Jirau<\/p>\n<p>Na greve de Jirau as centrais sindicais governistas foram contra a luta. Mas como a rebeli\u00e3o foi grande o governo Dilma chamou as centrais para, em nome dos grevistas, negociarem em uma \u201cmesa de enrola\u00e7\u00e3o\u201d chamada de Comiss\u00e3o Tripartite com governo e patr\u00f5es.  A vaidade e a pol\u00edtica de se afirmar como central fez a CSP-Conlutas ir correndo participar dessa Comiss\u00e3o sem representar um \u00fanico pe\u00e3o nos canteiros de obras de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, gesto que arrancou elogios na imprensa dos pelegos dirigentes da CUT e da For\u00e7a Sindical. A Conlutas n\u00e3o denunciou o car\u00e1ter da reuni\u00e3o e sequer exigiu a presen\u00e7a de uma comiss\u00e3o de trabalhadores das obras para negociar suas demandas e com esse gesto ajudou o governo a aplicar a reforma sindical, onde as centrais sindicais negociam em nome dos sindicatos de base e dos trabalhadores em luta.<br \/>\nO resultado disso foi a demiss\u00e3o de 4 mil trabalhadores, dentre eles as principais lideran\u00e7as das greves. O mais escandaloso \u00e9 que utilizaram essas reuni\u00f5es tamb\u00e9m para conversar com o Minist\u00e9rio de Trabalho sobre a legaliza\u00e7\u00e3o de sua central. Assim n\u00e3o se constr\u00f3i uma nova central, pelo menos n\u00e3o a favor dos trabalhadores!<\/p>\n<p>b)  Greve das Universidades<\/p>\n<p>A greve da Fasubra que durou mais de 3 meses, n\u00e3o contou com o apoio de fato da Conlutas. A Conlutas n\u00e3o transformou essa greve no centro de sua atividade. N\u00e3o fez esfor\u00e7o para unificar os professores com os t\u00e9cnicos e estudantes das universidades. A unidade da comunidade universit\u00e1ria teria encurralado o governo. Foram pouqu\u00edssimos os dirigentes nacionais do Andes (professores) e da Anel (estudantes) filiados \u00e0 Conlutas que participaram ativamente das atividades cotidianas e nacionais da greve.<br \/>\nCom 2 meses enfrentando os pelegos dirigentes da TRIBO, que queriam acabar com a luta e ap\u00f3s a criminaliza\u00e7\u00e3o da greve pela via judicial, o Comando de Greve da Fasubra solicitou apoio para a marcha dos t\u00e9cnicos \u00e0 Bras\u00edlia dia 9 de agosto no sentido de abrir negocia\u00e7\u00e3o com o governo federal. A CSP-Conlutas atuou contra a marcha e teve como centro contrapor outra marcha marcada para dia 24 de agosto.<br \/>\nA marcha do dia 24\/08 foi seu centro pol\u00edtico, organizativo e financeiro durante v\u00e1rios meses, por\u00e9m n\u00e3o esteve a servi\u00e7o do fortalecimento e do triunfo das duas greves nacionais do momento: FASUBRA e SINASEFE. A marcha n\u00e3o refletiu as campanhas salariais do segundo semestre e n\u00e3o denunciou a corrup\u00e7\u00e3o. Era uma marcha sem eixo, onde cada um procurou alguma negocia\u00e7\u00e3o com o governo. O centro da CSP-CONLUTAS era aparecer como negociadora, visando garantir sua legaliza\u00e7\u00e3o. Os maiores triunfos da marcha, divulgado pelo PSTU, foram as reuni\u00f5es com Gilberto Carvalho (secret\u00e1rio geral da presid\u00eancia da rep\u00fablica), Haddad (Ministro da Educa\u00e7\u00e3o) e com Marco Maia (Presidente da C\u00e2mara dos Deputados).<\/p>\n<p>c)      Acordo ANDES (CSP-Conlutas) e Governo Federal        <\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do ANDES assinou acordo com o governo sem discuss\u00e3o suficiente na base da categoria, com isso isolou ainda mais a greve da FASUBRA e dividiu a greve do SINASEFE.<br \/>\nEsse acordo mostrou o quanto errada \u00e9 a pol\u00edtica da Conlutas que em vez do movimento e da luta tem privilegiado de forma sistem\u00e1tica a pol\u00edtica de acordos e pactos para viabilizar sua legaliza\u00e7\u00e3o como projeto.<br \/>\nEm nota \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o Nacional do ANDES-SN, o SINDUFAP (se\u00e7\u00e3o do ANDES no Amap\u00e1) corretamente afirma: \u201cPerdemos o momento mais importante dos \u00faltimos anos para a constru\u00e7\u00e3o de uma greve forte e vitoriosa com conquistas para os docentes e a educa\u00e7\u00e3o brasileira&#8230; N\u00e3o bastasse a fragilidade que se imp\u00f5e a partir da perda de apoio tanto popular como da base aliada, que aumenta suas exig\u00eancias para alinhar vota\u00e7\u00f5es, um surto de greves, ocupa\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00f5es e outros atos das mais diferentes ordens e categorias trabalhistas v\u00eam eclodindo internacional e nacionalmente. No \u00e2mbito educacional o governo ficaria em uma situa\u00e7\u00e3o muito desconfort\u00e1vel se SINASEFE, FASUBRA e ANDES-SN estivessem todos em greve. Seria uma greve geral da educa\u00e7\u00e3o com uma repercuss\u00e3o consider\u00e1vel e, com certeza, uma condi\u00e7\u00e3o que o Governo Federal gostaria de evitar principalmente em um momento que congestiona a m\u00eddia com a campanha sobre a expans\u00e3o de universidades e institutos federais. A greve conjunta denunciaria que a propalada expans\u00e3o ocorre \u00e0 custa do sucateamento das institui\u00e7\u00f5es e do aviltamento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Ap\u00f3s o acordo assinado e sendo conhecedores das condi\u00e7\u00f5es em que estamos vivendo no sistema federal de ensino, assistir essas campanhas na m\u00eddia chega a ser ultrajante.\u201d<\/p>\n<p>d) A campanha salarial do Metro de SP<br \/>\nEm SP, estava nas m\u00e3os do sindicato dos metrovi\u00e1rios, dirigido pela CONLUTAS, a unifica\u00e7\u00e3o com ferrovi\u00e1rios e rodovi\u00e1rios do ABC. Por\u00e9m, a campanha foi extremadamente corporativa, embora tenha conseguido conquistas, n\u00e3o fizeram esfor\u00e7os para coordenar a greve do setor de transporte da principal cidade do pa\u00eds. Desconheceram o pedido dos ferrovi\u00e1rios de n\u00e3o fechar acordo isolado para poder unificar o movimento e o fecharam antes de acabar da greve ferrovi\u00e1ria.<br \/>\nA dire\u00e7\u00e3o dos metrovi\u00e1rios argumentou que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para a greve. Por\u00e9m, qual o problema em adiar o fechamento do acordo para ajudar os ferrovi\u00e1rios? Ou fazer uma paralisa\u00e7\u00e3o \u201csimb\u00f3lica\u201d de 5 minutos em apoio \u00e0s greves das demais categorias do transporte no cora\u00e7\u00e3o financeiro do pa\u00eds? Em todas as lutas o mais necess\u00e1rio \u00e9 a unifica\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>e) o f\u00f3rum de luta de SJC<\/p>\n<p>No vale do Para\u00edba, h\u00e1 um processo de fortalecimento do sindicalismo combativo que j\u00e1 dura h\u00e1 v\u00e1rios anos. Nos \u00faltimos meses, com o aumento das lutas, foi organizado um f\u00f3rum unificado que agrupa todos os lutadores. O sindicato dos Metal\u00fargicos, da CONLUTAS, foi o \u00fanico da regi\u00e3o que se retirou da iniciativa, deixando claro que n\u00e3o querem coordenar as mobiliza\u00e7\u00f5es. Seu interesse \u00e9 unicamente se auto-construir, por isso s\u00f3 aceitam estar em espa\u00e7os que controlem ou tenham a predomin\u00e2ncia de seu agrupamento. <\/p>\n<p>Box: Governo forte ou governo fraco?<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dos maiores problemas do pa\u00eds. \u00c9 atrav\u00e9s dela que escoam rios de dinheiro que deixam de ser investidos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os p\u00fablicos para a popula\u00e7\u00e3o pobre. A \u201cfaxina\u201d de Dilma n\u00e3o passou de puro jogo de cena porque o governo n\u00e3o pode se auto-investigar. \u201cQuanto mais se mexe mais fede\u201d. Debaixo do tapete t\u00eam petistas de v\u00e1rias patentes e todo tipo de governistas. Um novo componente nas lutas \u00e9 que elas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 sindicais, o povo trabalhador come\u00e7a a perceber que dinheiro existe para reajustar sal\u00e1rio e melhorar a vida. \u00c9 o que demonstram as mobiliza\u00e7\u00f5es de 7 de setembro contra a corrup\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos-SP, etc.<br \/>\nPara um sindicalista \u00e9 muito importante saber se o governo est\u00e1 forte ou fraco, se o patr\u00e3o manda mesmo ou os trabalhadores est\u00e3o na ofensiva. Se a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 boa para a nossa classe podemos lutar e triunfar, se estamos derrotados uma boa negocia\u00e7\u00e3o pode ser a melhor sa\u00edda. Dirigentes da Conlutas, assim como de outros agrupamentos sindicais, tem afirmado que o governo est\u00e1 forte, que Dilma est\u00e1 com a popularidade elevada n\u00e3o vendo que h\u00e1 um amplo setor que est\u00e1 insatisfeito com o governo.<br \/>\n            Esse erro de an\u00e1lise tem levado muitos setores, mesmo que de forma leg\u00edtima, a fazerem campanhas meramente de propaganda como os 10% do PIB para educa\u00e7\u00e3o, etc. Por isso sua pol\u00edtica e palavras de ordem est\u00e3o centradas na exig\u00eancia do governo: \u201cDilma, queremos educa\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d \u201cDilma, quero o que \u00e9 meu\u201d. Como se estiv\u00e9ssemos diante de um governo fort\u00edssimo, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. Desde a queda de Palocci j\u00e1 ca\u00edram 5 ministros. Para n\u00f3s fica claro que este \u00e9 um governo muito mais fraco que o anterior.<br \/>\n            Outro argumento falacioso \u00e9 que o pa\u00eds est\u00e1 crescendo, coisa que n\u00e3o \u00e9 real. O Brasil crescer\u00e1 menos que em 2010, apenas 3,5% este ano e a ind\u00fastria s\u00f3 aumentar\u00e1 2,5%. E o que prima n\u00e3o \u00e9 o crescimento, mas a crise mundial e o ajuste.  Por isso a Conlutas adotou a mesma bandeira que a For\u00e7a Sindical, \u201cagora queremos o que \u00e9 nosso\u201d. O que muda n\u00e3o \u00e9 que o Brasil cresceu muito, o que muda \u00e9 que tem corte, arrocho, infla\u00e7\u00e3o, e o trabalhador est\u00e1 cansado de ser escravizado por Dilma e pelos empres\u00e1rios e est\u00e1 reagindo com greves radicalizadas.<br \/>\n            Por fim, algumas correntes da Intersindical dizem que h\u00e1 mais lutas, mas que n\u00e3o mudou muita coisa e por essa via justificam campanhas parecidas. Tamb\u00e9m a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria do PSOL, onde uma parte de nossos sindicalistas \u00e9 filiada, esfor\u00e7a-se por apresentar uma sa\u00edda eleitoral, focada na atua\u00e7\u00e3o parlamentar. Trata-se de uma linha errada, pois \u00e9 a luta direta que est\u00e1 mudando a conjuntura, \u00e9 a crise do governo e a mobiliza\u00e7\u00e3o que explica, por exemplo, a queda do prefeito de Campinas\/SP.<br \/>\nA nova conjuntura que vivemos ser\u00e1 marcada por novas explos\u00f5es ao estilo da que ocorreu em Jirau, de novas greves massivas como a dos bombeiros, de novas rebeli\u00f5es como a de Teresina, de novos ativistas anti-burocr\u00e1ticos como os da base da FASUBRA.<\/p>\n<p>Todo apoio aos estudantes que lutam contra o governo e os tubar\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>As rebeli\u00f5es que percorrem o mundo: \u00c1frica, Oriente M\u00e9dio e Europa, t\u00eam um componente de juventude que dinamiza o movimento. Come\u00e7ou no Egito com a Pra\u00e7a Tahir, seguiu com os indignados na Espanha, a revolta dos imigrantes na Inglaterra, com os jovens na primeira linha da triunfante guerra na L\u00edbia e agora com o levante dos estudantes no Chile.<br \/>\nA transmiss\u00e3o da TV ao vivo, a internet, as redes sociais e os celulares s\u00e3o novas armas que nas m\u00e3os da juventude rebelde incrementam e impulsionam a mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas. Foi assim na marcha da liberdade, no Fora Micarla em Natal, nos atos do 7 de setembro&#8230;<br \/>\nA juventude do coletivo \u201cVamos \u00e0 Luta\u201d participa ativamente da greve nas universidades e nas ocupa\u00e7\u00f5es de reitorias, como no caso da UFF (Niter\u00f3i\/RJ) que terminou com todas as reivindica\u00e7\u00f5es dos estudantes atendidas. Mas do que nunca a campanha pelos 10% do PIB e os comit\u00eas que est\u00e3o sendo formados devem ser espa\u00e7os para a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o meramente de propaganda. Devem ser espa\u00e7os para coordenar as novas ocupa\u00e7\u00f5es e greves estudantis.<\/p>\n<p>Unidos pra Lutar\t<\/p>\n<p>Somos uma Associa\u00e7\u00e3o de Sindicatos Independentes, oposi\u00e7\u00f5es e movimentos populares que lutam para construir uma nova dire\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora, com democracia, luta e autonomia.<br \/>\nN\u00e3o se trata de construir uma central a qualquer pre\u00e7o, tarefa estrat\u00e9gica que n\u00e3o abandonamos. Mas, o esfor\u00e7o por construir uma ferramenta unit\u00e1ria e classista foi abortado no CONCLAT devido \u00e0 pol\u00edtica hegemonista do PSTU que, al\u00e9m de impor sua concep\u00e7\u00e3o de estrutura e funcionamento, para ser maioria na central, rompeu totalmente com o classismo, impondo a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes da ANEL, que \u00e9 um movimento policlassista..<br \/>\nSomos contra qualquer acordo que sirva essencialmente para turbinar o projeto de um partido pol\u00edtico; por isso tamb\u00e9m somos contra a constru\u00e7\u00e3o de uma central do PSOL, mesmo que muitos militantes da UNIDOS sejam filiados a esse partido.<br \/>\nN\u00e3o pretendemos construir uma central sindical a partir da Unidos pra Lutar. Simplesmente nos constitu\u00edmos como Associa\u00e7\u00e3o para ajudar a fortalecer um p\u00f3lo unit\u00e1rio que aglutine sindicatos e lutadores em meio da trai\u00e7\u00e3o das grandes centrais sindicais e da dispers\u00e3o da esquerda. Achamos que, desta forma, ajudaremos na constru\u00e7\u00e3o de uma nova dire\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>UNIDOS PARA LUTAR &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Sindicatos Independentes<br \/>\nCom autonomia, democracia e luta<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Os ventos da Gr\u00e9cia e do Egito esquentam o Brasil Em mar\u00e7o, a rebeli\u00e3o dos oper\u00e1rios da Hidrel\u00e9trica de Jirau\/RO, principal obra do PAC, inaugurou um novo marco da luta de classes no pa\u00eds. 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