

	{"id":8529,"date":"2021-08-17T16:00:20","date_gmt":"2021-08-17T16:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8529"},"modified":"2021-08-17T16:01:00","modified_gmt":"2021-08-17T16:01:00","slug":"intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit no evento \u201cTrotski em Perman\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Entre os dias 2 e 6 de agosto ocorreu o evento virtual \u201cTrotsky em Perman\u00eancia\u201d. Se trata de uma atividade vinculada ao \u201cII Encontro Internacional Leon Trotski 2020\u201d, que foi adiado em fun\u00e7\u00e3o da pandemia (<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/07\/31\/05-08-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/07\/31\/05-08-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/<\/a>)<\/p>\n<p>Mercedes Petit participou da mesa \u201cHist\u00f3ria do Trotskismo\u201d no dia 5 de agosto, junto com Jose Marques Neto, Serge Goulart e Marcio Lauria Monteiro. Uma primeira avalia\u00e7\u00e3o do evento encontra-se na edi\u00e7\u00e3o 136 do jornal Combate Socialista. Aqui disponibilizamos a interven\u00e7\u00e3o inicial da companheira Mercedes, com respostas as perguntas e considera\u00e7\u00f5es finais. O formato em v\u00eddeo est\u00e1 dispon\u00edvel na p\u00e1gina oficial do evento, em nosso canal e p\u00e1gina da CST (<a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/cstpsol\/\">https:\/\/pt-br.facebook.com\/cstpsol\/<\/a>). Boa leitura!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit, dirigente da Esquerda Socialista, da Argentina, e da UIT-QI<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Boa noite.<\/p>\n<p>Em nome da UIT-QI (Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional), da Izquierda Socialista da Argentina, da qual fa\u00e7o parte, partido irm\u00e3o da CST-PSOL, no Brasil, e em meu pr\u00f3prio nome, agrade\u00e7o a oportunidade de participar deste evento sobre \u201cTrotsky em perman\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Trotsky foi um dirigente imenso, o qual todes aqui conhecemos. Por isso, situarei, neste tema da hist\u00f3ria do trotskismo, uma refer\u00eancia m\u00ednima \u00e0s d\u00e9cadas de 20 e 30 do s\u00e9culo passado. Desde 1920-21, Lenin e Trotsky come\u00e7aram a combater a incipiente burocracia do Estado oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio e as pol\u00edticas reacion\u00e1rias que tentavam aplicar Stalin e seu setor no Partido Comunista da jovem Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em 1923-24, Trotsky, j\u00e1 sem Lenin, liderou a batalha da oposi\u00e7\u00e3o a Stalin. Ele defendia a continuidade da Revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1917, da Terceira Internacional, do marxismo e do leninismo. Contra a pol\u00edtica reacion\u00e1ria do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d e de coexist\u00eancia com o imperialismo dominante no mundo. E tamb\u00e9m pela democracia oper\u00e1ria, pela independ\u00eancia de classe e pela constru\u00e7\u00e3o dos partidos revolucion\u00e1rios contra o aparato burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Trotsky perdeu essa batalha. Por\u00e9m, nunca a abandonou e, em 1938, fundou a IV Internacional. Stalin o perseguiu desde os anos 1920, at\u00e9 que, em 1940, conseguiu assassin\u00e1-lo no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Para a IV Internacional, isso significou um golpe fatal. Ap\u00f3s a Segunda Guerra, houve uma reorganiza\u00e7\u00e3o positiva, encabe\u00e7ada por Michel Pablo e Ernest Mandel. Estes, por\u00e9m, foram caindo em pol\u00edticas equivocadas que abriram caminho a mais de 70 anos de divis\u00e3o, dispers\u00e3o e marginalidade para o movimento trotskista. Tal condu\u00e7\u00e3o foi abandonando cada vez mais o programa e as pol\u00edticas revolucion\u00e1rias da IV Internacional fundada por Trotsky. Nasceu um revisionismo oportunista diante das dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias do movimento oper\u00e1rio e de massas. Houve a capitula\u00e7\u00e3o aos partidos comunistas stalinistas, que sa\u00edram muito fortalecidos pela derrota do nazismo. Tamb\u00e9m houve a capitula\u00e7\u00e3o aos movimentos nacionalistas burgueses. Pablo e Mandel abandonaram n\u00e3o s\u00f3 a luta antiburocr\u00e1tica e pela independ\u00eancia de classe, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o dos partidos revolucion\u00e1rios trotskistas. A dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional, por exemplo, teve a pol\u00edtica de fazer o entrismo no Partido Comunista franc\u00eas por 25 anos, com a falsa perspectiva de que viria a Terceira Guerra Mundial e que os partidos comunistas teriam um papel revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse contexto de fins dos anos 1940 e in\u00edcio dos anos 1950, come\u00e7ou a se formar o que viria a ser a nossa corrente. Nahuel Moreno a encabe\u00e7ou desde a Argentina, at\u00e9 1987, quando faleceu. J\u00e1 naquele momento, o revisionismo oportunista diante do peronismo j\u00e1 se expressava no trotskismo argentino. O grupo que seguia ao p\u00e9 da letra as pol\u00edticas de Pablo e Mandel apoiava o governo nacionalista burgu\u00eas do general Per\u00f3n. Ao mesmo tempo, Nahuel Moreno e um punhado de jovens trotskistas, como ele pr\u00f3prio, davam os primeiros passos para se constru\u00edrem no interior da classe oper\u00e1ria, que era majoritariamente peronista, mas com uma pol\u00edtica oposta, defendendo um programa revolucion\u00e1rio, a independ\u00eancia de classe e sem dar nenhum apoio ao governo burgu\u00eas peronista.<\/p>\n<p>O triunfo da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Bol\u00edvia, em abril de 1952, p\u00f4s em cores vivas a enfermidade do revisionismo oportunista de Pablo e Mandel, que afetava a IV Internacional sem Trotsky. A insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria deu lugar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da Central Oper\u00e1ria Boliviana, a COB, \u00e0s mil\u00edcias armadas e a um vigoroso duplo poder oper\u00e1rio e campon\u00eas. Formou-se um governo nacionalista burgu\u00eas, conduzido por Paz Estenssoro, que foi apoiado pela dire\u00e7\u00e3o da COB. Seu dirigente m\u00e1ximo, Juan Lechin, assumiu a vice-presid\u00eancia. Ocorreu, ent\u00e3o, uma colossal trai\u00e7\u00e3o por parte de Pablo e Mandel. O trotskismo boliviano, o POR, era muito forte desde os anos 1940 e, em 1952, codirigia a COB. O POR aplicou a pol\u00edtica criminosa de Pablo e Mandel, apoiando o novo governo burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Nahuel Moreno, desde a Argentina, recha\u00e7ou totalmente essa capitula\u00e7\u00e3o ao governo e levantou a pol\u00edtica de que a central oper\u00e1ria, a COB, tomasse o poder. Todes sabemos o que ocorreu na Bol\u00edvia e a grande oportunidade que o trotskismo perdeu. Essa trai\u00e7\u00e3o e outros fatos deram lugar \u00e0 divis\u00e3o da IV Internacional. Desgra\u00e7adamente, seguiram se perdendo oportunidades de crescimento em distintos pa\u00edses, como na Fran\u00e7a e na Inglaterra, onde o trotskismo tinha um certo peso. Tamb\u00e9m no Ceil\u00e3o, onde o Lanka Sama Samaja Party era muito forte, apoiou-se, nos anos 1960, um governo burgu\u00eas e o trotskismo foi desaparecendo. O pr\u00f3prio Pablo se afastou, para se transformar em um assessor do governo argelino de Ben Bella, quando triunfou a luta contra o imperialismo franc\u00eas.<\/p>\n<p>No ano de 1963, houve uma reunifica\u00e7\u00e3o da maior parte das for\u00e7as trotskistas. Moreno e nossa corrente logo ingressamos, um ano depois, em 1964, e de forma cr\u00edtica. Por que? Ingressamos porque definimos como um fato positivo que o trotskismo se reunificava em torno do apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e de Cuba Socialista. Mas \u00e9ramos cr\u00edticos, porque ao mesmo tempo existia um grande aspecto negativo, perigoso. Moreno alertava que a reunifica\u00e7\u00e3o se assentava na capitula\u00e7\u00e3o ao oportunismo e ao castrismo. Alguns grupos trotskistas importantes n\u00e3o ingressaram naquela IV Internacional (Secretariado Unificado). Denunciavam o revisionismo, mas a partir de um enfoque igualmente equivocado, sect\u00e1rio, ao recha\u00e7ar o car\u00e1ter socialista de Cuba, apesar de que a revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia avan\u00e7ado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com a burguesia e o imperialismo e \u00e0s expropria\u00e7\u00f5es. O alerta de Moreno, desgra\u00e7adamente, foi se cumprindo, agravando a crise e a divis\u00e3o do movimento trotskista. Darei dois exemplos.<\/p>\n<p>Primeiro: em fins dos anos 1960, Mandel e o Secretariado Unificado deram a orienta\u00e7\u00e3o, totalmente equivocada, de apoiar o putchismo guerrilheiro na Am\u00e9rica Latina, o que qualificamos como o \u201cdesvio guerrilheirista\u201d, de capitula\u00e7\u00e3o ao castrismo, e que significou um importante retrocesso e a perda de quadros trotskistas. Moreno a recha\u00e7ou, mantendo-se fiel \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de partidos trotskistas na Argentina, com o PRT (La Verdad), e depois com o PST, bem vinculados ao movimento oper\u00e1rio e seus m\u00e9todos de luta.<\/p>\n<p>Segundo: Em 1979, na Nicar\u00e1gua, na luta contra Somoza, que era dirigida pelo sandinismo, Moreno impulsionou a forma\u00e7\u00e3o de uma brigada para participar na luta armada, mas de forma independente, a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Combateram na Frente Sul e tomaram a cidade de Bluefields, no litoral atl\u00e2ntico, sem dar apoio pol\u00edtico ao sandinismo. Em julho de 1979, caiu Somoza e se formou o governo encabe\u00e7ado por Daniel Ortega, o atual ditador, e Violeta Chamorro. Mandel apoiou esse governo burgu\u00eas e apoiou o chamado de Fidel Castro para que n\u00e3o se expropriasse a burguesia na Nicar\u00e1gua, para n\u00e3o fazer de Nicar\u00e1gua uma nova Cuba. Ou seja, n\u00e3o avan\u00e7ar ao socialismo. Em agosto, pouco depois, o governo de Ortega reprimiu a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar, a expulsou e entregou \u00e0 pol\u00edcia panamenha. Diante disso, Mandel e a IV Internacional do Secretariado Unificado romperam os princ\u00edpios mais elementares da classe trabalhadora e dos revolucion\u00e1rios, apoiando a repress\u00e3o por parte do governo burgu\u00eas sandinista aos trotskistas da Brigada.<\/p>\n<p>Moreno e nossa corrente, frente a semelhante capitula\u00e7\u00e3o, nos retiramos definitivamente da IV Internacional do Secretariado Unificado para seguir impulsionando a constru\u00e7\u00e3o dos partidos trotskistas internacionalistas em distintos pa\u00edses. Desde ent\u00e3o, chamamos \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional sobre bases principistas, n\u00e3o apoiando governos burgueses e sem capitular \u00e0s dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o revolucion\u00e1rias, ainda que tenham dirigido revolu\u00e7\u00f5es triunfantes.<\/p>\n<p>Entendemos o estudo e a discuss\u00e3o sobre a hist\u00f3ria como uma ferramenta para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas revolucion\u00e1rias corretas. O debate que apresentamos em rela\u00e7\u00e3o ao movimento trotskista desde o p\u00f3s-guerra \u00e9 atual, segue no s\u00e9culo XXI. Darei tr\u00eas exemplos.<\/p>\n<p>Primeiro. No Brasil, setores importantes do mandelismo deram seu apoio pol\u00edtico ao governo burgu\u00eas de Lula e do PT, quando ganhou em 2002. Um de seus dirigentes, Miguel Rossetto, se somou como ministro para o Desenvolvimento Agr\u00e1rio. Os morenistas tamb\u00e9m estivemos dentro do PT durante muitos anos, mas nos construindo com uma pol\u00edtica distinta daquela de sua dire\u00e7\u00e3o, com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e de independ\u00eancia de classe. Poucos meses depois do governo de Lula assumir, nosso companheiro Baba, que ent\u00e3o era deputado federal pelo PT e dirigente da CST, junto com Helo\u00edsa Helena e Luciana Genro, chamou a enfrentar Lula e a lutar contra a sua reforma da previd\u00eancia social. Foram expulsos do PT e assim surgiu o PSOL no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo. Na Venezuela, surgiu o chavismo, que abriu uma grande confus\u00e3o na esquerda. Chav\u00e9z dizia que estava construindo o \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d, enquanto entregava o petr\u00f3leo e a minera\u00e7\u00e3o \u00e0s multinacionais, em um capitalismo de empresas mistas. Era um governo burgu\u00eas de concilia\u00e7\u00e3o de classes, de duplo discurso, que acabou no atual desastre esfomeador e repressivo de Maduro.<\/p>\n<p>Distintos grupos trotskistas, entre os quais os seguidores de Mandel, apoiaram o governo burgu\u00eas encabe\u00e7ado por Ch\u00e1vez e o seu falso discurso de \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d. Enquanto isso, o morenismo da UIT-QI constru\u00eda um partido trotskista na Venezuela, o PSL (Partido Socialismo e Liberdade), encabe\u00e7ado por dirigentes oper\u00e1rios, como Orlando Chirino e Jos\u00e9 Bodas. Sem cair no sectarismo diante das e dos trabalhadores chavistas, defendia a independ\u00eancia de classe e apoiava as lutas oper\u00e1rias. Tanto \u00e9 que tr\u00eas companheiros nossos, dirigentes sindicais e pol\u00edticos, foram assassinados em 2008 por capangas do chavismo. Hoje, o PSL segue denunciando o falso socialismo de Maduro, de empresas mistas e ajustes ao povo, e defendendo um verdadeiro socialismo.<\/p>\n<p>Terceiro. Na Fran\u00e7a, a condu\u00e7\u00e3o mandelista dilapidou o que foi a constru\u00e7\u00e3o durante d\u00e9cadas da LCR, orgulho de sua corrente. Abandonou o programa revolucion\u00e1rio tradicional e o substituiu por um programa totalmente difuso, ou seguiu diretamente sem nenhum programa, apagando explicitamente de seus objetivos a ditadura do proletariado, isto \u00e9, o governo oper\u00e1rio e popular. Abandonou a constru\u00e7\u00e3o daquele partido trotskista para lan\u00e7ar o NPA, Novo Partido Anticapitalista, uma organiza\u00e7\u00e3o ampla, de tend\u00eancias permanentes, voltada \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, que vive de crise em crise e vem retrocedendo.<\/p>\n<p>De nossa parte, quisemos aqui apresentar alguns tra\u00e7os de nossa vis\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do movimento trotskista e os debates atuais. Com a CST\/PSOL, do Brasil, a Izquierda Socialista, na Argentina, e tamb\u00e9m em outros pa\u00edses, seguimos construindo a corrente do morenismo, agora com a UIT-QI. Por exemplo, na Argentina, conseguimos formar uma Frente de Esquerda, a FIT-U, fundada h\u00e1 10 anos pela Izquierda Socialista junto a outros partidos trotskistas, como o PTS e o Partido Obrero. Com um programa revolucion\u00e1rio e m\u00e9todos de consenso e rotatividade das bancadas, com o qual conseguimos deputados nacionais e provinciais, e vereadores. E impulsionamos juntos uma unidade no movimento sindical, para impulsionar as lutas contra a burocracia, o Plen\u00e1rio Sindical Combativo.<\/p>\n<p>Cremos que o legado de Trotsky, assim como os ensinamentos positivos e negativos da hist\u00f3ria do movimento trotskista, alguns dos quais resumimos aqui, nos indicam um caminho. Por isso, chamamos a unir os revolucion\u00e1rios, em primeiro lugar, aos trotskistas, com um programa de independ\u00eancia de classe, de nenhum apoio aos governos burgueses, nenhum apoio \u00e0s dire\u00e7\u00f5es reformistas e burocr\u00e1ticas, construindo partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds, na perspectica da reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e pelo triunfo dos governos oper\u00e1rios e populares e de um verdadeiro socialismo em todo o mundo.<\/p>\n<p>Muito obrigada.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Respostas \u00e0s perguntas e encerramento<\/p>\n<p>Perguntaram se Nahuel Moreno teve alguma rela\u00e7\u00e3o com M\u00e1rio Pedrosa, fundador do trotskismo no Brasil e que esteve em 1938 na Fran\u00e7a, na reuni\u00e3o que fundou a IV Internacional, com o pseud\u00f4nimo de Lebrun. Acredito que n\u00e3o. Moreno participou do congresso mundial de 1948 e apresentou textos com outros dirigentes, por exemplo, com o ingl\u00eas Bill Hunter, mas nunca houve men\u00e7\u00e3o de que tenha feito algo em comum com Pedrosa, se \u00e9 que ele tamb\u00e9m esteve nesse congresso.<\/p>\n<p>A partir de algumas coisas que apareceram nos coment\u00e1rios, como \u201cperguntas\u201d ou supostas cita\u00e7\u00f5es, houve um participante que reivindicou que n\u00e3o fa\u00e7amos caricaturas. N\u00e3o caiamos em falsifica\u00e7\u00f5es, ainda mais em um debate como este, que foi t\u00e3o respeitoso e s\u00e9rio, e com o pouco tempo de que dispomos. Essa coisa de Moreno ser \u201cetapista\u201d, isso de jogar nos coment\u00e1rios cita\u00e7\u00f5es tiradas de contexto, s\u00e3o falsifica\u00e7\u00f5es, caricaturas, algo habitual em correntes que, em vez de expressar e defender suas posi\u00e7\u00f5es e polemizar honestamente, se dedicam a mentir sobre os outros.<\/p>\n<p>Digo apenas que somos a \u00fanica corrente do trotskismo que temos tranquilidade de dizer que nos constru\u00edmos lutando contra a capitula\u00e7\u00e3o de outros trotskistas \u00e0 burguesia. A esses expectadores que caluniam no chat, lhes digo: voltem a olhar para o v\u00eddeo com minha interven\u00e7\u00e3o. Bol\u00edvia, em 1952; Nicar\u00e1gua, em 1979. Trotskistas apoiando governos burgueses, em vez de desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista. Menos \u201cetapistas\u201d do que n\u00f3s? Por favor! Falam de \u201cMoreno etapista\u201d, quando ele foi o \u00fanico que disse que a COB devia tomar o poder, o \u00fanico que fez uma brigada para participar na luta contra Somoza e os sandinistas a expulsaram porque queriam seguir aprofundando a revolu\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 \u201cetapismo\u201d?<\/p>\n<p>E no s\u00e9culo XXI, volto ao governo de Ch\u00e1vez. Muitos grupos trotskistas apoiaram o falso socialismo do s\u00e9culo XXI, de Ch\u00e1vez, que desembocou em Maduro. Sim, companheires, essa \u00e9 nossa trajet\u00f3ria: a independ\u00eancia de classe, a luta sem tr\u00e9gua contra a capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia e \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes, que destruiu o trotskismo.<\/p>\n<p>Sobre unir os revolucion\u00e1rios, no final de minha interven\u00e7\u00e3o lhes dizia que chamamos aos revolucion\u00e1rios, em primeiro lugar aos trotskistas, a nos unirmos com um programa de independ\u00eancia de classe, de n\u00e3o apoio aos governos burgueses, n\u00e3o apoio \u00e0s dire\u00e7\u00f5es reformistas e burocr\u00e1ticas, construindo os partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds, na perspectiva da reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional e pelo triunfo de governos oper\u00e1rios e populares e de um verdadeiro socialismo em todo o mundo.<\/p>\n<p>Ainda que seja uma experi\u00eancia muito mais parcial, volto a mencionar o que viemos conseguindo com a FITU, h\u00e1 10 anos, na Argentina. A FITU, com suas limita\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma unidade de revolucion\u00e1rios trotskistas, que se constr\u00f3i chamando \u00e0 luta pelo governo oper\u00e1rio e popular e pelo socialismo, \u00e0 independ\u00eancia de classe, \u00e0 luta contra o governo seja peronista ou outra variante patronal, contra todos os governos burgueses, junto com consignas mais imediatas para os trabalhadores, como o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida, o aumento salarial, o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e, agora, a luta por vacinas. Ent\u00e3o, consideramos esse um passo extremamente positivo.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, queria me referir ao tema t\u00e3o importante de Cuba, que foi mencionado pelos demais participantes e perguntado nos coment\u00e1rios. N\u00f3s nos solidarizamos com o povo cubano que saiu \u00e0s ruas em Havana e outras cidades em rep\u00fadio \u00e0 desigualdade na qual vivem. Acreditamos que est\u00e3o realizando protestos leg\u00edtimos e, por isso, chamamos a solidariedade internacional com eles. \u00c9 evidente, como sempre, que seguimos repudiando o embargo ianque e as manobras e utiliza\u00e7\u00f5es dos protestos por parte da direita cubana em Miami. Por\u00e9m, recha\u00e7amos a repress\u00e3o por parte do governo do Partido Comunista de Cuba. Por isso, pedimos: liberdade total para Frank Garc\u00eda e outros lutadores detidos! Basta de repress\u00e3o aos protestos do povo.<\/p>\n<p>Porque n\u00f3s tamb\u00e9m recha\u00e7amos a pol\u00edtica do governo cubano de restaurar o capitalismo, com as empresas mistas, com as multinacionais do turismo, da minera\u00e7\u00e3o e do tabaco. S\u00e3o as multinacionais capitalistas imperialista da Espanha, do Canad\u00e1, do Reino Unido, entre outras. Inclusive, multinacionais do Brasil. Repudiamos que os trabalhadores em Cuba tenham sal\u00e1rios de fome, de 10 ou 20 d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Recha\u00e7amos que em Cuba existam lojas para os ricos, para os que possuem d\u00f3lares, e onde, a\u00ed sim, n\u00e3o h\u00e1 desabastecimento, n\u00e3o h\u00e1 problemas. Lojas para os militares, para os funcion\u00e1rios do governo, enquanto que os mercados para os pobres, que s\u00e3o a ampla maioria do povo cubano, t\u00eam sempre desabastecimento. E quando h\u00e1 produtos, muitos n\u00e3o podem compr\u00e1-los porque seu pouco dinheiro se acaba nos primeiros dias do m\u00eas. Pela primeira vez em muitos anos, o povo cubano saiu \u00e0s ruas contra a fome, contra a mis\u00e9ria e tamb\u00e9m reivindica o direito de protestar. Em Cuba, est\u00e1 proibido fazer greves, est\u00e1 proibido manifestar-se. Reitero, ent\u00e3o, que apoiamos essas mobiliza\u00e7\u00f5es do povo cubano e lutamos para que Cuba volte ao caminho de Che e do socialismo com democracia.<\/p>\n<p>Muito brevemente, sobre a Nicar\u00e1gua, poder\u00edamos dizer que o ditador Daniel Ortega seria a express\u00e3o centro-americana do ditador venezuelano, Maduro. Esses governos capitalistas de duplo discurso, que se disfar\u00e7am de esquerdistas para reprimir e esfomear de forma cada vez mais feroz o seu pr\u00f3prio povo. Nenhum dos dois possui nada de progressivo, nada de esquerda, nada de socialistas. Por isso, apoiamos e reivindicamos a mobiliza\u00e7\u00e3o contra Maduro por parte do povo venezuelano, em 2017. Por isso, constru\u00edmos um partido revolucion\u00e1rio trotskista na Venezuela, o PSL. Por isso, jamais apoiamos Ch\u00e1vez, ainda que busquemos dialogar e que lutemos junto com os trabalhadores e trabalhadoras chavistas, como lhes dizia anteriormente.<\/p>\n<p>E, por isso, assim como nos solidarizamos com o povo cubano, que saiu \u00e0s ruas pela sua situa\u00e7\u00e3o de fome, nos solidarizamos com o povo nicaraguense, que protesta contra a ditadura de Ortega e de sua esposa.<\/p>\n<p>Bom, seria \u00f3timo seguir desenvolvendo a partir de outras perguntas, mas o tempo acabou. Agrade\u00e7o muit\u00edssimo pela participa\u00e7\u00e3o neste evento \u201cTrotsky em perman\u00eancia\u201d, pela troca fraterna com Jos\u00e9 e Serge, pela excelente coordena\u00e7\u00e3o do Marcio. Muit\u00edssimo obrigada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alguns textos de Moreno, vinculados \u00e0 hist\u00f3ria do trotskismo e \u00e0 perman\u00eancia de Trotsky, podem ser vistos em <a href=\"http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/\">www.nahuelmoreno.org<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Leia tamb\u00e9m, de Mercedes Petit:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/21\/mais-um-aniversario-do-assassinato-de-leon-trotsky\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/21\/mais-um-aniversario-do-assassinato-de-leon-trotsky\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/05\/11\/o-que-e-o-socialismo\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/05\/11\/o-que-e-o-socialismo\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/06\/04\/o-que-e-o-socialismo-parte-2\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/06\/04\/o-que-e-o-socialismo-parte-2\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/dl\/Nahuel%20Moreno\/Conceitos%20Pol%C3%ADticos%20B%C3%A1sicos.pdf\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/dl\/Nahuel%20Moreno\/Conceitos%20Pol%C3%ADticos%20B%C3%A1sicos.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 2 e 6 de agosto ocorreu o evento virtual \u201cTrotsky em Perman\u00eancia\u201d. Se trata de uma atividade vinculada ao \u201cII Encontro Internacional Leon Trotski 2020\u201d, que foi adiado em fun\u00e7\u00e3o da pandemia (https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/07\/31\/05-08-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/) Mercedes Petit participou da mesa \u201cHist\u00f3ria do Trotskismo\u201d no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-8529","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-debates-socialistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}