

	{"id":87,"date":"2011-10-11T17:37:00","date_gmt":"2011-10-11T17:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/10\/11\/arquivoid-9122\/"},"modified":"2011-10-11T17:37:00","modified_gmt":"2011-10-11T17:37:00","slug":"arquivoid-9122","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/10\/11\/arquivoid-9122\/","title":{"rendered":"Kaddafi e OTAN: duas caras da contra-revolu\u00e7\u00e3o na L\u00edbia"},"content":{"rendered":"<p>| Silvia Santos (Executiva Nacional do PSOL)<\/p>\n<p>Finalmente, a Mil\u00edcia Popular entrou em Tr\u00edpoli tr\u00e1s duros combates. As principais cidades do pa\u00eds est\u00e3o em m\u00e3os dos rebeldes, e ainda que tropas leais a Kaddafi continuem resistindo ferozmente nas cidades de Sirte e de Bani Walid o destino do ditador est\u00e1 selado.  Sua derrota constitui um claro triunfo do levante popular e das mil\u00edcias que durante meses vem resistindo e lutando corajosamente contra o sanguin\u00e1rio ditador, o novo \u201cCal\u00edgula\u201d do norte da \u00c1frica. Soma-se assim aos triunfos dos povos vizinhos da Tun\u00edsia e Egito, que com a mesma coragem foram capazes de acabar com ditaduras de v\u00e1rias d\u00e9cadas, detonando o processo revolucion\u00e1rio nos pa\u00edses do norte da \u00c1frica. <\/p>\n<p>O imperialismo se considera o vencedor, atribuindo a queda de Kaddafi aos seus bombardeios. Com esta afirma\u00e7\u00e3o, seu objetivo pol\u00edtico \u00e9 claro: influenciar e manipular o futuro governo, hoje o CNT, quem j\u00e1 se comprometeu em respeitar os contratos com as multinacionais do petr\u00f3leo assinados na \u00e9poca com Kaddafi, se apresentando aos olhos do mundo como defensor da \u201cdemocracia\u201d. <\/p>\n<p>Mas, por outro lado, tamb\u00e9m o presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez considera que foi a OTAN quem triunfou. Seu objetivo pol\u00edtico tamb\u00e9m est\u00e1 claro: continuar apoiando e sustentando o ditador, a quem sempre defendeu.  Sob esta influencia setores de esquerda em diversas partes do mundo, com o mesmo discurso, chamam as mil\u00edcias de \u201cmercen\u00e1rios da OTAN\u201d e negam o processo revolucion\u00e1rio no norte da \u00c1frica. <\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00eamica secund\u00e1ria, pois de nosso ponto de vista, o apoio ao criminoso Kaddafi mancha definitivamente \u00e0queles que se reivindicam de esquerda ou \u201cprogressistas\u201d.<br \/>\nOS BOMBARDEIOS DA OTAN N\u00c3O TRANSFORMAM KADDAFI EM ANTIIMPERIALISTA<br \/>\nCh\u00e1vez sabe muito bem quem \u00e9 Kaddafi. Assim como sempre soube quem era Bem Al\u00ed e Mubarak, os dois ditadores derrocados pelas revoltas populares na Tun\u00edsia e no Egito que detonaram o processo chamado de \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d, que tamb\u00e9m foram apoiados pelo presidente venezuelano at\u00e9 ultimo minuto. No entanto, a interven\u00e7\u00e3o da OTAN com seus bombardeios e com sua campanha se apresentando como paladino da \u201cdemocracia\u201d, junto ao car\u00e1ter claramente pr\u00f3 imperialista da c\u00fapula do CNT, (Conselho Nacional de Transi\u00e7\u00e3o) somado a pol\u00edtica de Ch\u00e1vez, criaram confus\u00e3o em setores que se reivindicam socialistas, e por isso \u00e9 necess\u00e1rio voltar a precisar as caracter\u00edsticas do governo e do regime do coronel l\u00edbio. <\/p>\n<p>H\u00e1 quarenta anos iniciou-se como um regime nacionalista burgu\u00eas, parte do nacionalismo \u00e1rabe a \u00e9poca encabe\u00e7ado pelo eg\u00edpcio Gamal A. Nasser. Nacionalizou o petr\u00f3leo e teve confrontos reais com o imperialismo. No entanto, pelo car\u00e1ter burgu\u00eas e ditatorial de seu regime, voltou a se aproximar do imperialismo at\u00e9 virar, no m\u00ednimo nos \u00faltimos 10 ou 15 anos, um fiel capacho dos interesses europeus e ianques. Enquanto vendia petr\u00f3leo aos diversos pa\u00edses imperialistas, abriu as portas para a Repsol, British Petroleum, a Total, a Eni, assim como assinou bilion\u00e1rios contratos com empreiteiras europ\u00e9ias. Assim cai o principal argumento de Ch\u00e1vez, pois a interven\u00e7\u00e3o da OTAN n\u00e3o foi \u201cpara controlar o petr\u00f3leo\u201d visto que j\u00e1 o controlava.   <\/p>\n<p>Mas Kaddafi colaborou tamb\u00e9m politicamente, somando-se \u00e0 luta \u201cantiterrorista\u201d e entregando ao Reino Unido os nomes dos nacionalistas irlandeses que tinham treinado na L\u00edbia; aos EUA todas as informa\u00e7\u00f5es sobre os l\u00edbios suspeitos de participar junto a Bin Laden, e tornou-se guardi\u00e3o dos campos de concentra\u00e7\u00e3o onde internaram milhares de africanos que buscavam entrar na Europa. Foi assim c\u00famplice da pol\u00edtica migrat\u00f3ria da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, verdugo dos imigrantes africanos, sendo que foram fartamente denunciadas as torturas nos centros de deten\u00e7\u00e3o l\u00edbios financiados por Berlusconi da It\u00e1lia. Essa pr\u00e1tica de exterm\u00ednio assinada com a Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia como \u201cAgenda de coopera\u00e7\u00e3o para fluxos migrat\u00f3rios\u201d significaram 50 milh\u00f5es de euros para os cofres de Kaddafi!<br \/>\nFica insustent\u00e1vel o argumento que os bombardeios da OTAN foram contra um l\u00edder nacionalista que defendia a na\u00e7\u00e3o L\u00edbia!<br \/>\nParcelas da vanguarda \u00e1rabe, que viam com expectativa o presidente Ch\u00e1vez e o consideravam um potencial aliado, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o correta que Ch\u00e1vez est\u00e1 do outro lado, do lado da contra revolu\u00e7\u00e3o, pois sustenta Kaddafi. Infelizmente, setores da esquerda latino americana, ainda relutam em tirar esta conclus\u00e3o. Tamb\u00e9m, alguns que reconhecem o papel nefasto de Ch\u00e1vez, fazem verdadeiro \u201cmalabarismo\u201d pol\u00edtico dividindo a pol\u00edtica interna do Presidente venezuelano da externa: enquanto criticam seu compromisso com os ditadores africanos, continuam sustentando seu governo nas terras de Simon Bol\u00edvar! <\/p>\n<p>OS PROTAGONISTAS DO LEVANTE LIBIO<br \/>\nO levante espont\u00e2neo das massas l\u00edbias que come\u00e7ou pac\u00edfico teve que responder \u00e0 feroz repress\u00e3o desencadeada pelo regime de Kaddafi. Ao inv\u00e9s de amedrontar, levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das Mil\u00edcias rebeldes, que se armaram com armas capturadas assaltando delegacias ou quart\u00e9is e das que receberam dos militares passados do lado do povo. Ao que tudo indica, n\u00e3o tem mando unificado, sendo que seus jovens combatentes come\u00e7aram se reunindo nos povoados ou Barrios e partiam para a guerra com as armas conseguidas. A jornalista Maite Rico, na sua nota de El Pa\u00eds\/Espanha de 27\/08 afirma: \u201co poder civil n\u00e3o termina de controlar as quase cinq\u00fcenta mil\u00edcias nascidas ao calor da revolta de fevereiro\u201d. E Patrick Cockburn, em no jornal P\u00e1gina 12\/Argentina descreve que \u201csetores camponeses tribais, como os oprimidos bereber\u00e9s obtiveram poder na guerra reunindo a mil\u00edcia mais efetiva em combate\u201d.  A OTAN, quem sempre se negou a armar \u00e0s mil\u00edcias  cumpriu um papel secund\u00e1rio na libera\u00e7\u00e3o de Tr\u00edpoli. Explica o jornalista Miguel Lamas\/Correspond\u00eancia Internacional: \u201cOs ataques da OTAN n\u00e3o podem explicar a queda da capital, cidade de dois milh\u00f5es de habitantes onde estavam concentradas as tropas de elite do regime. Somente a interven\u00e7\u00e3o da mil\u00edcia popular e uma deser\u00e7\u00e3o massiva das tropas kaddafistas desmoralizadas explicam a queda de Tr\u00edpoli. Militarmente a campanha de bombardeios por si s\u00f3 n\u00e3o pode quebrar a defesa terrestre de uma grande cidade, a menos que demolisse a cidade completa. Isso foi o que aconteceu em 2004 em Faluya (Iraque), cidade que foi demolida pelos bombardeios \u201c&#8230; \u201cAinda assim foi necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as terrestres e o combate casa a casa para derrotar a defesa da resist\u00eancia\u201d!<\/p>\n<p>Por sua vez, o escritor e ensa\u00edsta Santiago Alba Rico, em entrevista publicada no site Rebelion, cita a Angelo Del Boca, historiados do colonialismo italiano e bi\u00f3grafo de Kaddafi pra mostrar a import\u00e2ncia da batalha do povo da cidade de Gebel Nafusa: \u201cFoi decisivo&#8230; em que pese \u00e0 falta de armas pesadas os rebeldes de Gebel nos \u00faltimos dias puderam capturar armas pesadas, tanques, etc. para entrar na capital l\u00edbia. As rebeli\u00f5es sempre come\u00e7aram no Gebel, tamb\u00e9m durante a presen\u00e7a italiana. Quando os italianos desembarcaram em Tr\u00edpoli em outubro de 1911 n\u00e3o foram os turcos os que resistiram, mas os montanheses de Gebel que baixaram a cavalo dos morros e massacraram 550 soldados italianos&#8230; Os jovens rebeldes de hoje pertencem \u00e0s mesmas fam\u00edlias dos rebeldes de cem anos atr\u00e1s..\u201d<\/p>\n<p>A espontaneidade e o car\u00e1ter popular e massivo da rebeli\u00e3o tamb\u00e9m se evidenciam na composi\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea da mil\u00edcia onde se misturaram os jovens abrumados pelo desemprego e a mis\u00e9ria do pa\u00eds, com militares desertores da primeira hora de Bengasi, com islamitas que se somaram depois; oportunistas do regime kaddafistas que pularam do barco e com liberais pr\u00f3 ocidentais.  <\/p>\n<p>Setores da esquerda que acusam as mil\u00edcias de \u201cmercen\u00e1rios da OTAN\u201d alem de expressar um profundo desprezo pelo povo l\u00edbio se negam a enxergar o processo como ele \u00e9, com suas contradi\u00e7\u00f5es.  No site \u201cAMAUTA\u201d numa nota de Gilbert Achcar afirma: \u201cMuitas brigadas rebeldes se converteram em mil\u00edcias, algumas das quais se negam a obedecer \u00e1s ordens ou colaborar com aqueles que ocupavam cargos militares ou de seguran\u00e7a no regime de Kaddafi e que mudaram de bando para se unir com a rebeli\u00e3o. Alguns l\u00edderes rebeldes chamaram a purgar os leais do regime de Kaddafi das futuras for\u00e7as de seguran\u00e7a dando prioridade a aqueles que lutaram contra o ditador\u201c.<\/p>\n<p>Por sua vez, a jornalista Shashank Bengali em Real News Network de 14\/04 afirma que \u201c&#8230; os l\u00edbios sentem realmente que este levante tem um car\u00e1ter aut\u00f3ctone. Desejam receber apoio exterior em forma de armas e reconhecimento do governo de oposi\u00e7\u00e3o l\u00edbio e n\u00e3o desejam que a rebeli\u00e3o seja controlada por alguma for\u00e7a estrangeira&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Assim, se equivocam mais uma vez aqueles setores que, desde uma posi\u00e7\u00e3o de suposto antiimperialismo, tentam deslegitimar a revolta popular manipulando a realidade e acusando os rebeldes de mon\u00e1rquicos por levantar a bandeira com a estrela e a meia lua! No seu esquematismo e cumplicidade com o regime sanguin\u00e1rio de Kaddafi, n\u00e3o querem ver que a bandeira verde criada por Kaddafi era a bandeira da ditadura, e que os mon\u00e1rquicos s\u00e3o absolutamente minorit\u00e1rios na L\u00edbia. \u201cEla n\u00e3o foi express\u00e3o de uma volta ao passado nem nostalgia do ex. rei Idriss, mas uma clara rejei\u00e7\u00e3o ao regime desp\u00f3tico\u201d assinala o escritor Santiago Alba Rico na sua nota supracitada.<\/p>\n<p>A OTAN INTEVEIO PARA IMPEDIR UM LEG\u00cdTIMO TRIUNFO DAS MILICIAS POPULARES<br \/>\nSempre afirmamos que o imperialismo n\u00e3o interveio como defensor da democracia para se livrar de Kaddafi. Este foi seu aliado fiel e \u00fatil a seus fins contra-revolucion\u00e1rios, como demonstramos neste texto. O papel de Kaddafi por outro lado, est\u00e1 fartamente documentado e constitui um fato que ningu\u00e9m minimamente s\u00e9rio e objetivo pode negar.  Mas s\u00e3o muitas as vozes autorizadas que afirmam que efetivamente, a interven\u00e7\u00e3o da OTAN teve como objetivo impedir um triunfo claro da revolu\u00e7\u00e3o popular na L\u00edbia.<\/p>\n<p>\u201cA posi\u00e7\u00e3o dos EUA e da OTAN \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o flagrante contra a revolu\u00e7\u00e3o popular na L\u00edbia e uma tentativa de manter as for\u00e7as de Kaddafi em atividade at\u00e9 que consigam controlar o CNT e tal vez tamb\u00e9m algumas lideran\u00e7as rebeldes. Somente assim derrubar\u00e3o Kaddafi, enquanto conspiram contra o povo, a revolu\u00e7\u00e3o e o futuro da L\u00edbia\u201d declarou Munir Shafiq, antigo dirigente de uma corrente mao\u00edsta de Al Fatah e coordenador do Congresso Isl\u00e2mico Nacionalista a Aljazeera.net em 04\/0702011.  Desde as fileiras rebeldes, Abu Bakr Al Faryani, porta voz do Conselho Revolucion\u00e1rio de Sirte, afirmou ao jornal liban\u00eas Al-Ajbar em 02 de Junho: \u201cA pr\u00f3pria OTAN avan\u00e7a lentamente em suas opera\u00e7\u00f5es militares contra as brigadas de Kaddafi a fim de mant\u00ea-lo durante mais tempo no poder e incrementar deste modo o pre\u00e7o que obrigar\u00e3o \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o a pagar \u00e0s potencias mundiais e as grandes empresas que est\u00e3o por tr\u00e1s\u201d.  Por sua vez, The Economist, (16\/06) desde Londres estampou: \u201cOs governos ocidentais tem a esperan\u00e7a que os rebeldes n\u00e3o conquistem Tr\u00edpoli&#8230; Com o risco que significaria que deram seu merecido castigo aos leais a Kaddafi que achassem no caminho. Preferem que o regime imploda desde dentro\u201d. O jornalista Tom Dale comentou a respeito: \u201cPorque as potencias ocidentais preferem um golpe por parte do c\u00edrculo \u00edntimo de Kaddafi \u00e0 vit\u00f3ria do ex\u00e9rcito rebelde? Pois o golpe palaciano comportaria um acordo negociado entre os elementos do antigo regime que ainda sustentam Kaddafi e a dire\u00e7\u00e3o rebelde que, por sua vez, abrange muitas antigas personalidades do regime. Os governos ocidentais querem estabilidade e influ\u00eancia, e para eles as figuras do antigo regime, fora a fam\u00edlia Kaddafi, s\u00e3o a melhor garantia neste sentido\u201d.<\/p>\n<p>Desta forma, enfraquecendo as mil\u00edcias, negociando com o CNT e mantendo at\u00e9 ultimo momento canais com a ditadura, a interven\u00e7\u00e3o imperialista buscou se legitimar frente ao mundo como defensor da democracia enquanto fortalecia seu papel de \u00e1rbitro que lhe assegurasse o controle e a influ\u00eancia na nova L\u00edbia p\u00f3s ditadura. <\/p>\n<p>O imperialismo e o CNT t\u00eam como primordial objetivo desarmar os rebeldes<\/p>\n<p>Se tivesse querido apoiar a luta pela democracia, o imperialismo teria entregado armas aos rebeldes, coisa que sempre evitaram e que por outra parte, a c\u00fapula do CNT nunca solicitou. Encabe\u00e7ado por Mustaf\u00e1 Abdel Yalil quem fora ministro da Justi\u00e7a de Kaddafi at\u00e9 come\u00e7os da rebeli\u00e3o e pelo primeiro ministro Mahmud Yibril, economista formado nos EUA e respons\u00e1vel pelo Conselho de Desenvolvimento da ditadura entre 2007 e 2011, que promoveu a abertura econ\u00f4mica da L\u00edbia, o Conselho Nacional de Transi\u00e7\u00e3o cumpre um papel claramente pr\u00f3 imperialista.  Tanto, que n\u00e3o somente comprometeram-se a n\u00e3o quebrar nenhum dos contratos assinados por Kaddafi com o imperialismo como insistem em que n\u00e3o deve haver repres\u00e1lias contra as figuras do antigo regime. Isto tem a ver com que declararam que convocar\u00e3o as for\u00e7as de seguran\u00e7a para garantir a reconstru\u00e7\u00e3o e da seguran\u00e7a do pa\u00eds. Ou seja, v\u00e3o a apelar ao ex\u00e9rcito e \u00e0 pol\u00edcia do ditador para garantir a seguran\u00e7a na L\u00edbia liberada de Kaddafi!<\/p>\n<p>Os EUA e a Europa defenderam at\u00e9 o fim o ditador, da mesma forma como fizeram com Mubarak e Bem Al. Mas quando viram que estes j\u00e1 n\u00e3o mais eram capazes de garantir estabilidade necess\u00e1ria aos seus interesses, os abandonaram. Na nova situa\u00e7\u00e3o, sua estrat\u00e9gia \u00e9 outra: apostar na democracia controlada pactuando com velho-novos agentes, para volver \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior de livre explora\u00e7\u00e3o das riquezas fundamentalmente petrol\u00edferas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas, alguns setores da esquerda que consideram a queda de Kaddafi como um triunfo da OTAN na L\u00edbia, tal vez a seu desgosto aceitam que no Egito e na Tun\u00edsia houve um levante que derrocou a ditadura. No entanto, n\u00e3o existe uma diferen\u00e7a qualitativa nos governos e regimes que se impuseram, ao menos pelo momento naqueles dois pa\u00edses, onde setores militares e burgueses pr\u00f3 imperialistas mant\u00eam um consider\u00e1vel poder.  A diferen\u00e7a do seu comportamento, ent\u00e3o, \u00e9 que estes setores da esquerda consideram definitivamente Kaddafi como um governante popular e antiimperialista!<\/p>\n<p>O futuro assim n\u00e3o est\u00e1 ainda definido, pois estes triunfos populares tonificam as lutas que n\u00e3o param na S\u00edria, Bahrein ou Arg\u00e9lia, e que influenciaram os jovens e trabalhadores na Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia ou no Reino Unido, e chegaram at\u00e9 Wall Street evidenciando a for\u00e7a do processo revolucion\u00e1rio do norte da \u00c1frica. <\/p>\n<p>O destino da revolu\u00e7\u00e3o na L\u00edbia est\u00e1 nas m\u00e3os da mil\u00edcia e das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que adotar\u00e3o e do desenvolvimento do conjunto do processo ao menos nos pa\u00edses da regi\u00e3o. Assim como tamb\u00e9m, o \u00eaxito da empreitada imperialista se baseia no desarmamento das mesmas. <\/p>\n<p>De tal forma, que a \u00fanica pol\u00edtica verdadeiramente de esquerda passa por defender as mil\u00edcias armadas e os comit\u00eas populares, o fim da interven\u00e7\u00e3o militar imperialista, a constitui\u00e7\u00e3o de um governo das mil\u00edcias e dos setores populares que derrotaram a ditadura e a convocat\u00f3ria de uma Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte soberana que defina democraticamente os rumos do pa\u00eds.<br \/>\nA maneira de conclus\u00e3o: N\u00e3o triunfou o socialismo, mas s\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es exemplares!<\/p>\n<p>Infelizmente, existe um racioc\u00ednio esquem\u00e1tico em setores da esquerda que n\u00e3o reconhecem revolu\u00e7\u00f5es se elas n\u00e3o s\u00e3o dirigidas por socialistas. Mas os ditadores do Egito, Tun\u00edsia e L\u00edbia n\u00e3o ca\u00edram por algum complot imperialista nem por reformas planejadas desde o poder, mas pela irrup\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea dos povos cansados de despotismo, repress\u00e3o e fome.  N\u00e3o triunfou o socialismo, mas mudou dramaticamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na regi\u00e3o, onde o povo foi capaz de derrubar ferozes ditaduras agentes do imperialismo, desestabilizando assim o conjunto de ditaduras no norte de \u00c1frica e no Oriente M\u00e9dio e o controle imperial que se enfraqueceu ainda mais isolando o enclave racista de Israel. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual se abriram melhores condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas socialistas.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez, por sua vez, continua sustentando sua vis\u00e3o conspiradora e apoiando os tiranos da regi\u00e3o. Em 01 de Outubro pediu a deus pela vida de seu \u201camigo\u201d Kaddafi e reiterou sua solidariedade com o chacal da S\u00edria, o Presidente Bashar Al Assad, atribuindo os levantes a mercen\u00e1rios infiltrados pelos Estados Unidos na S\u00edria e na L\u00edbia para provocar uma invas\u00e3o externa.  Acompanhar este racioc\u00ednio n\u00e3o faz mais que enfraquecer os setores que se reivindicam da esquerda, que ao inv\u00e9s de se fortalecer e alegrar quando as massas se levantam, negam seu car\u00e1ter espont\u00e2neo e leg\u00edtimo para defender cru\u00e9is ditadores que disparam contra o povo, acabando de vez com princ\u00edpios elementares da esquerda socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Silvia Santos (Executiva Nacional do PSOL) Finalmente, a Mil\u00edcia Popular entrou em Tr\u00edpoli tr\u00e1s duros combates. 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