

	{"id":8763,"date":"2021-10-22T13:38:00","date_gmt":"2021-10-22T13:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8763"},"modified":"2021-11-19T14:12:57","modified_gmt":"2021-11-19T14:12:57","slug":"a-serie-maid-e-a-sobrevivencia-das-maes-solteiras-no-capitalismo-do-seculo-xxi-alguns-breves-comentarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/10\/22\/a-serie-maid-e-a-sobrevivencia-das-maes-solteiras-no-capitalismo-do-seculo-xxi-alguns-breves-comentarios\/","title":{"rendered":"A s\u00e9rie \u201cMAID\u201d e a sobreviv\u00eancia das m\u00e3es solteiras no capitalismo do s\u00e9culo XXI &#8211; alguns breves coment\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Por Liliana Maiques<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(cont\u00e9m spoilers!)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Das leituras que venho fazendo, no livro \u201cMulheres Trabalhadoras e marxismo \u2013 um debate sobre a opress\u00e3o\u201d escrito por Carmem Carrasco e Mercedes Petit e editado pela Jos\u00e9 Luis e Rosa Sundermann, me deparei com um trecho muito interessante que compartilho aqui, sobre as consequ\u00eancias da incorpora\u00e7\u00e3o da mulher ao mercado de trabalho:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEssa incorpora\u00e7\u00e3o massiva da mulher \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 escola \u00e9 pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para sua liberta\u00e7\u00e3o, mas elas pagam bem caro por isso: h\u00e1 mais mulheres assalariadas e educadas, mais advogadas, m\u00e9dicas e jornalistas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m mais mulheres desempregadas, com trabalhos prec\u00e1rios (na Europa ocupam 80% dos trabalhos em tempo parcial) e com menores sal\u00e1rios (em m\u00e9dia ganham 27% menos) enquanto se generaliza a dupla explora\u00e7\u00e3o por sua condi\u00e7\u00e3o de trabalhadoras e m\u00e3es. A conclus\u00e3o \u00e9 simples: as mulheres s\u00e3o 70% dos pobres do mundo, mesmo representando quase a metade da for\u00e7a de trabalho. A mais importante consequ\u00eancia social dessa introdu\u00e7\u00e3o massiva da mulher, em especial da m\u00e3e jovem (e na maioria dos casos, solteira), ao mundo dos assalariados, foi a dissolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia para a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, convertendo-se num luxo s\u00f3 permitido para a burguesia e algumas faixas da classe m\u00e9dia. Assim, o capitalismo cumpriu uma miss\u00e3o hist\u00f3rica: enterrar a fam\u00edlia\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA dissolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, sem qualquer alternativa estatal que a substitua \u2013 restaurantes, creches, lavanderias coletivas -, em meio \u00e0 crise da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade p\u00fablica, cria situa\u00e7\u00f5es sociais alarmantes: os filhos ficam largados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte; as m\u00e3es sozinhas devem responder pela educa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos filhos; aumentou a incid\u00eancia de gravidez entre as adolescentes, que abortam correndo risco de vida; as crian\u00e7as ficam sob os cuidados dos av\u00f3s \u2013 ou da av\u00f3 \u2013 e \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o se saiba quem \u00e9 o pai. A degenera\u00e7\u00e3o social se traduz no aumento do consumo de drogas e na viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Por indica\u00e7\u00e3o de uma amiga, fui assistir a s\u00e9rie \u201cMaid\u201d (criada, faxineira, empregada dom\u00e9stica). A s\u00e9rie \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do best-seller autobiogr\u00e1fico de Stephanie Land, de 2019 \u201cMaid: hard work, low pay and a mothers will to survive\u201d ou \u201cFaxineira: trabalho duro, sal\u00e1rio baixo e a vontade de uma m\u00e3e para sobreviver.\u201d<\/p>\n<p>Eu achei que era uma s\u00e9rie sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica. E \u00e9, mas n\u00e3o principalmente. O foco \u00e9 a saga de Alexandra (protagonista) para ter acesso aos benef\u00edcios estatais (pol\u00edticas p\u00fablicas de sobreviv\u00eancia) para conseguir se separar de Sean, pai da pequena Maddy. Ela estava desempregada e essa condi\u00e7\u00e3o, da falta de autonomia financeira, se encontra com a condi\u00e7\u00e3o de Sean, alc\u00f3olatra e abusivo. Os dois jovens, de 25 anos frustrados nos seus sonhos, s\u00f3 possuem sua for\u00e7a de trabalho para sobreviver.<\/p>\n<p>Alex, depois de mais um pico do ciclo de viol\u00eancia de Sean, resolve sair de casa com Maggye, no meio da noite. Com medo, com menos de U$ 50 no bolso, Alex n\u00e3o tem para onde ir. Ela tem um carro, que \u00e9 onde passa a noite com a filha, dentro de um parque. A partir da\u00ed come\u00e7a sua saga por moradia. Mas a burocracia estatal, que serve como empecilho para que ela tenha acesso aos meios de sobreviv\u00eancia, exige emprego para lhe dar moradia. Ela, sem forma\u00e7\u00e3o para melhores coloca\u00e7\u00f5es, vai trabalhar em uma terceirizada de faxina, onde ela praticamente paga para trabalhar. A gasolina para chegar na casa das clientes, o material de limpeza, comida, tudo por sua conta. Sem benef\u00edcio algum. N\u00e3o pode atrasar, sen\u00e3o, rua. O que a empresa lhe oferece? Um sub-cliente (j\u00e1 que a terceirizada fica com parte do pagamento) e o aspirador de p\u00f3 \u2013 que precisa ser devolvido todos os dias. \u00c9 aquela esp\u00e9cie de \u201cempregador\u201d que s\u00f3 fica com os b\u00f4nus do neg\u00f3cio. Os riscos, ficam todos com os que trabalham. Coisas do capitalismo do s\u00e9culo XXI. Se o cliente n\u00e3o gostar do servi\u00e7o, quem fica sem receber \u00e9 quem limpou. Terceiriza\u00e7\u00e3o. Tem quem defenda. Deve ser porque nunca precisou ser t\u00e3o explorado.<\/p>\n<p>As vezes a hist\u00f3ria lembra um filme do Costa Gavras, quando ela sequestra o cachorro da cliente para receber m\u00edseros U$ 37,50 (pre\u00e7o da faxina) que n\u00e3o recebeu porque a cliente \u00e9 preciosista e cruel. Situa\u00e7\u00f5es de desespero, de quem conta os centavos para viver. O desfecho do epis\u00f3dio \u00e9 melhor do que poderia ter sido. A cliente \u00e9 a da casa em que Alex desmaia de fome no meio da faxina.<\/p>\n<p>Alex tem uma filha de 2 anos, que n\u00e3o tem com quem ficar. A m\u00e3e de Alex n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de cuidar de si, j\u00e1 que tem problemas de confus\u00e3o mental \u2013 que se agravam com o tempo. O pai, alco\u00f3latra e violento. Quando era casado com sua m\u00e3e e, atualmente, com a madrasta de Alex. Um momento dos mais marcantes \u00e9 quando o pai de Alex se recusa a testemunhar a favor da filha, porque \u00e9 o \u00fanico que presenciou um dos momentos de viol\u00eancia de Sean. Ela perde a guarda de Maggye por uma semana. Ele se recusa porque, como \u00e9 violento com suas mulheres, \u00e9 c\u00famplice da viol\u00eancia de Sean e n\u00e3o \u00e9 capaz de apoiar a filha. Mulheres n\u00e3o podem contar com homens. Homens se apoiam. \u00c9 compreens\u00edvel, embora n\u00e3o mais aceit\u00e1vel sob qualquer hip\u00f3tese, que situa\u00e7\u00f5es como a de Alex se perpetuem. Como sair dessa situa\u00e7\u00e3o se nem seu pai, em um momento t\u00e3o decisivo, te apoia?<\/p>\n<p>O surto violento de Sean quase machuca Maggye e apesar disso, logo que ela sai de casa, o primeiro movimento de Sean \u00e9 se aproveitar da fragilidade social de Alex e tirar sua guarda. N\u00e3o para ficar com a filha, mas para deix\u00e1-la com a av\u00f3. E, principalmente, longe da m\u00e3e. Alex encontra mil dificuldades para ver a filha, para conviver com ela, porque n\u00e3o tem moradia, n\u00e3o tem emprego e porque n\u00e3o tem com quem deix\u00e1-la.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie levanta in\u00fameros debates sobre a condi\u00e7\u00e3o da mulher. Um dos mais importantes \u00e9 que n\u00e3o se cria uma crian\u00e7a sozinha. N\u00e3o em um mundo capitalista em crise, que super explora a m\u00e3o de obra de tal maneira, que para sobreviver \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar por muitas horas. \u00c9 incompat\u00edvel oferecer estabilidade e rotina para uma crian\u00e7a se voc\u00ea tem que trabalhar em mil lugares todos os dias. Voc\u00ea precisa de suporte para dar conta. Precisa de creche. Na s\u00e9rie, a creche que Alex pode pagar confunde sua filha na hora da entrega, porque a perderam horas atr\u00e1s. Ela estava escondida em um arm\u00e1rio. Como uma m\u00e3e trabalha tranquila se deixa sua filha em uma creche onde ela fica sumida o dia inteiro? N\u00e3o h\u00e1 qualquer est\u00edmulo pedag\u00f3gico e o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 mais do que um dep\u00f3sito de crian\u00e7as, que ficam jogadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Uma boa creche, custa muito caro para uma mulher trabalhadora. A cada dia o que \u00e9 p\u00fablico, usado por quem n\u00e3o tem recursos para pagar um servi\u00e7o melhor, em qualidade prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um aspecto importante \u00e9 o isolamento de Alex. Ela n\u00e3o tem amigos, n\u00e3o conta com suporte da fam\u00edlia, n\u00e3o tem vida pr\u00f3pria. A fal\u00e1cia vendida pela monogamia, de que a sua rela\u00e7\u00e3o afetivo-er\u00f3tica vai lhe suprir tudo, \u00e9 t\u00e3o cruel que s\u00f3 \u00e9 compreendida quando come\u00e7a a ruir. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel para o abuso de Sean. Se ela n\u00e3o tem para onde ir, ela passa a ter um destino certo: voltar para ele. E a exist\u00eancia de Maggye e os cuidados que ela demanda, funcionam como uma grande bola de ferro, que a seguram pela responsabilidade de um teto e comida para a filha. Sean se aproveita disso para exercitar toda sorte de viol\u00eancias psicol\u00f3gicas. E mesmo Alex acredita que n\u00e3o deve denunci\u00e1-lo porque ele nunca a espancou. Embora ela tenha feridas profundas, as marcas n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis a olho nu. E ela n\u00e3o se sente merecedora da aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, porque acha que sua viol\u00eancia \u00e9 \u201cmenos grave\u201d que de outras.<\/p>\n<p>Uma outra quest\u00e3o que surge da condi\u00e7\u00e3o de Alex: a aus\u00eancia de autonomia financeira a deixa extremamente vulner\u00e1vel. Num ato de desespero, ela sai no meio da noite para fugir do homem violento com quem divide a cama. Mas sem dinheiro, sem emprego, sem suporte, por quanto tempo ela pode sustentar uma vida sem viol\u00eancia?<\/p>\n<p>E a\u00ed podemos voltar ao livro de novo. Se a gente j\u00e1 passou mais de 50 anos repetindo que o socialismo n\u00e3o acaba com a desigualdade de g\u00eanero como num passe de m\u00e1gica, por outro lado j\u00e1 passou da hora de reafirmarmos que o centro da autonomia das mulheres \u00e9 a quest\u00e3o econ\u00f4mica. Sem ela, n\u00e3o h\u00e1 como sair definitivamente do ciclo de viol\u00eancia. E fico pensando, com a fal\u00eancia da Nova Rep\u00fablica e com a fal\u00e1cia do Estado de bem-estar social, que nosso eixo de luta feminista precisa focar na destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e n\u00e3o para tentar melhorar suas migalhas, cada vez mais escassas e cada vez para menos pessoas. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o devemos lan\u00e7ar m\u00e3o dos mecanismos das redes de atendimento \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia, e de responsabilizar o Estado por segurar essa pemba. Mas hoje (dia 10 de outubro) \u00e9 dia nacional de luta contra a viol\u00eancia sexista. E n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o refletir, em perspectiva hist\u00f3rica, sobre o que foi feito, por uma gera\u00e7\u00e3o inteira, al\u00e9m de cobrar que o Estado resolvesse a quest\u00e3o. Um Estado a servi\u00e7o do capital? \u00c9 intr\u00ednseco que n\u00e3o resolva e que se agudize a condi\u00e7\u00e3o das mulheres que lutam contra aquilo que as aprisiona: a explora\u00e7\u00e3o de classe que sofrem, que as destituem de autonomia e a encerram na pris\u00e3o chamada amor que as mutilam e as matam. Ou tomamos a tarefa para n\u00f3s, em auto-organiza\u00e7\u00e3o, de destruir a base do que nos oprime, como mulher e como classe, ou de nada servir\u00e3o os louv\u00e1veis esfor\u00e7os de anos de luta para melhorar o que j\u00e1 faliu faz tempo. Ou que nunca deu certo.<\/p>\n<p>Com a proximidade do Dia Internacional de combate \u00e0 viol\u00eancia sexista, ficam algumas reflex\u00f5es sobre nossa condi\u00e7\u00e3o: segundo o IBGE, s\u00e3o 11 milh\u00f5es de m\u00e3es solteiras no Brasil. S\u00e3o mulheres respons\u00e1veis por cuidar dos filhos, conciliar trabalho e sustento financeiro da fam\u00edlia. 63% das casas brasileiras chefiadas por mulheres est\u00e3o abaixo da linha de pobreza. E no per\u00edodo da pandemia, a situa\u00e7\u00e3o das pessoas mais pobres se agudizou. 45% das empregadas dom\u00e9sticas (diaristas e mensalistas) foram dispensadas, sem nenhum aporte social do Estado. Como as mulheres pobres podem viver sem viol\u00eancia enquanto perdura sua explora\u00e7\u00e3o de classe? Na periferia do mundo, de onde falamos, o Estado falido e mergulhado em crise econ\u00f4mica crescente, tem condi\u00e7\u00f5es de interromper essa viol\u00eancia e recuperar as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia das mulheres m\u00e3es solteiras? O que faremos nos pr\u00f3ximos 20 anos para tirar as mulheres da condi\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia em que vivem?<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o se altera substancialmente a vida das mulheres \u2013 e sua condi\u00e7\u00e3o de classe, sem enfrentar as pol\u00edticas que as encarceram nas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. O fim da submiss\u00e3o financeira das mulheres n\u00e3o se dar\u00e1 no capitalismo, em crise profunda. \u00c9 preciso garantir a auto-organiza\u00e7\u00e3o das mulheres para lutarem pelos seus direitos, para exigirem dos governos que garantam as pol\u00edticas p\u00fablicas que lhes d\u00ea suporte m\u00ednimo para sa\u00edrem da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e depend\u00eancia. Auto-organiza\u00e7\u00e3o porque os homens de nossa classe tamb\u00e9m s\u00e3o violentos e abusivos. E nossa condi\u00e7\u00e3o comum de classe n\u00e3o os impede de nos oprimir enquanto mulheres. Para uma vida sem desemprego, sem viol\u00eancia, \u00e9 preciso ir ainda mais fundo. \u00c9 preciso lutar por uma outra sociedade, livre da pris\u00e3o do dinheiro e do poder que o acompanha. Uma sociedade socialista. N\u00e3o \u00e9 utopia. \u00c9 perspectiva estrat\u00e9gica. E \u00e9 preciso lutar para mant\u00ea-la em nosso horizonte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Liliana Maiques &nbsp; &nbsp; (cont\u00e9m spoilers!) &nbsp; &nbsp; Das leituras que venho fazendo, no livro \u201cMulheres Trabalhadoras e marxismo \u2013 um debate sobre a opress\u00e3o\u201d escrito por Carmem Carrasco e Mercedes Petit e editado pela Jos\u00e9 Luis e Rosa Sundermann, me deparei com um<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[790,55],"tags":[876],"class_list":["post-8763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-mulheres","tag-direito-das-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8763\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}