

	{"id":8800,"date":"2021-11-03T19:56:35","date_gmt":"2021-11-03T19:56:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8800"},"modified":"2021-11-03T19:57:24","modified_gmt":"2021-11-03T19:57:24","slug":"fazer-deste-20-de-novembro-um-dia-de-luta-contra-o-racismo-e-pelo-fora-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/11\/03\/fazer-deste-20-de-novembro-um-dia-de-luta-contra-o-racismo-e-pelo-fora-bolsonaro\/","title":{"rendered":"FAZER DESTE 20 DE NOVEMBRO UM DIA DE LUTA CONTRA O RACISMO E PELO FORA BOLSONARO!"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luiz Eduardo Rodrigues, CST Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas acompanhamos alguns fatos contradit\u00f3rios. Ao mesmo tempo em que comemoramos, no dia 14\/10, a condena\u00e7\u00e3o de oito dos doze militares do Ex\u00e9rcito envolvidos nos assassinatos do m\u00fasico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo em abril de 2019, e no dia 15\/10 a den\u00fancia contra dois policiais civis pela morte de uma das 28 v\u00edtimas da Chacina do Jacarezinho de maio deste ano, investiga\u00e7\u00f5es mostraram que a rede de lojas Zara, em cuja filial de Fortaleza a delegada negra Ana Paula Barroso foi impedida de entrar h\u00e1 alguns dias atr\u00e1s, supostamente porque estava com\u00a0 a m\u00e1scara abaixada enquanto tomava sorvete \u2013 possui um \u201cc\u00f3digo de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, que orienta os seus trabalhadores a seguir pessoas consideradas \u201csuspeitas\u201d pelas unidades de suas lojas, sobretudo pessoas negras e vestidas de maneira mais simples. J\u00e1 no dia 20\/10, Gabriel Hoytil Ara\u00fajo, jovem negro e trabalhador de apenas 19 anos, foi assassinado por homens da Pol\u00edcia Civil, no Morro do Piolho, em S\u00e3o Paulo. A vers\u00e3o oficial difundida pela Pol\u00edcia n\u00e3o foge ao clich\u00ea do roteiro que tende a acompanhar as justificativas do Estado sempre que crimes como esse ganham alguma repercuss\u00e3o: teriam reagido a uma amea\u00e7a de Gabriel que, segundo os policiais, estaria armado com um rev\u00f3lver e traficando. No relato das testemunhas, a arma se transforma em uma marmita, que, segundo a m\u00e3e, Gabriel sequer teria chegado a comer, enquanto tirava um tempo para o almo\u00e7o entre as vendas de garrafas de \u00e1gua mineral nas sinaleiras da cidade.<\/p>\n<p>Todos esses casos expressam uma realidade que n\u00e3o pode ser perdida de vista: embora alcancemos vit\u00f3rias importantes, como o reconhecimento da responsabilidade do Estado e dos seus agentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o e ao exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o preta e pobre do pa\u00eds, e a responsabiliza\u00e7\u00e3o de empresas capitalistas que reproduzem a ideologia racista atrav\u00e9s do ass\u00e9dio e a discrimina\u00e7\u00e3o a negras e negros (como tamb\u00e9m se expressou de maneira tr\u00e1gica no caso do assassinato de Jo\u00e3o Alberto no Carrefour de Porto Alegre em novembro do ano passado ou no epis\u00f3dio da tortura e assassinato de Yan e Bruno Barros no Atakarejo em Salvador pelo furto de um peda\u00e7o de carne), o fato \u00e9 que o racismo segue fazendo um incont\u00e1vel n\u00famero de v\u00edtimas an\u00f4nimas todos os dias no Brasil.<\/p>\n<p>Como provou a rebeli\u00e3o antirracista do ano passado, ap\u00f3s o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, e as importantes manifesta\u00e7\u00f5es dirigidas pelo Movimento Negro aqui no pa\u00eds, exigindo justi\u00e7a para Jo\u00e3o Alberto, pelas v\u00edtimas do Jacarezinho, Kathlen, entre outros casos, somente a mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas \u00e9 capaz de arrancar alguma justi\u00e7a e de garantir a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos culpados. Ainda assim, seguimos sendo v\u00edtimas de outro tipo de exterm\u00ednio, igualmente racista, que \u00e9 fruto direto da pol\u00edtica econ\u00f4mica ultraliberal e antipopular do governo Bolsonaro e de seu Ministro da Economia Paulo Guedes. A alta no pre\u00e7o dos alimentos, dos combust\u00edveis, do g\u00e1s de cozinha, e o desemprego e a informalidade que n\u00e3o param de aumentar, s\u00e3o uma receita perfeita para produzir cada vez mais mortos pela fome e pelo apetite desmedido de lucro da burguesia e de seus agentes no Governo, que lucram bilh\u00f5es em para\u00edsos fiscais no exterior enquanto o povo luta para sobrevier a um inferno di\u00e1rio aqui dentro. Por isso, \u00e9 fundamental unir as demandas por justi\u00e7a pelas v\u00edtimas da viol\u00eancia racista, pelo fim da impunidade aos crimes cometidos pelas pol\u00edcias e Ex\u00e9rcito nas favelas e comunidades, contra o genoc\u00eddio do povo negro, com a luta geral pelo Fora Bolsonaro e pela derrota dessa pol\u00edtica criminosa. O pr\u00f3ximo dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, deve ser parte desse processo.<\/p>\n<p><strong>VIVA ZUMBI!<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 50 anos, na noite de 20 de novembro de 1971, os membros do rec\u00e9m-criado Grupo Palmares de Porto Alegre, reuniram-se no Clube Social Negro Marc\u00edlio Dias em um ato de protesto \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do 13 de maio como data-s\u00edmbolo da emancipa\u00e7\u00e3o do Povo Negro no Brasil. O dia para a realiza\u00e7\u00e3o da atividade n\u00e3o foi escolhido por acaso. Lembra a morte do l\u00edder negro Zumbi dos Palmares, assassinado pelas for\u00e7as do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas durante a debela do Quilombo dos Palmares, no ano de 1695. A op\u00e7\u00e3o pelo 20 de novembro como data de celebra\u00e7\u00e3o da identidade negra brasileira, sua luta pela liberta\u00e7\u00e3o (ao inv\u00e9s do 13 de maio), e com ela a recorda\u00e7\u00e3o do legado de figuras como Zumbi, Dandara, entre outras que surgiram ao longo dos anos, significa a reivindica\u00e7\u00e3o dessa heran\u00e7a de combatividade contra a viol\u00eancia do Estado e da burguesia, em suas diversas express\u00f5es. Como nos mostrou o soci\u00f3logo negro Cl\u00f3vis Moura, os Quilombos foram uma das mais importantes ferramentas de resist\u00eancia e de luta da negritude contra o sistema escravista, e uma forma de organiza\u00e7\u00e3o que se contrapunha \u00e0 sociedade colonial da \u00e9poca, compondo uma rede que agregava tanto negras e negros escravizados em fuga, quanto libertos e mesmo ind\u00edgenas e brancos pobres e marginalizados.<\/p>\n<p><strong>\u201cLivres do a\u00e7oite da senzala, presos na mis\u00e9ria da favela\u201d <\/strong><\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, sem d\u00favida, foi uma vit\u00f3ria fundamental do povo negro, que n\u00e3o deve ser diminu\u00edda. Por\u00e9m, o que se seguiu imediatamente ap\u00f3s a assinatura da \u201cLei \u00c1urea\u201d foi a exclus\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho e, mais tarde, das pr\u00f3prias cidades, sendo praticamente escorra\u00e7ada para zonas prec\u00e1rias que hoje constituem as favelas em grandes cidades como o Rio de Janeiro, carentes durante muito tempo de qualquer assist\u00eancia b\u00e1sica e alvo preferido da viol\u00eancia do Estado. Mais do que servir como mero objeto de estudo hist\u00f3rico, portanto, o legado de Zumbi, Dandara e tantas outras lideran\u00e7as devem inspirar as lutas atuais contra o genoc\u00eddio do povo negro e o regime de explora\u00e7\u00e3o do capitalismo. A unidade entre toda a classe trabalhadora e os oprimidos por esse sistema \u00e9 fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa dos de baixo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Luiz Eduardo Rodrigues, CST Rio Grande do Sul Nas \u00faltimas semanas acompanhamos alguns fatos contradit\u00f3rios. 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