

	{"id":8936,"date":"2021-12-13T18:53:10","date_gmt":"2021-12-13T18:53:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8936"},"modified":"2023-11-06T13:41:37","modified_gmt":"2023-11-06T16:41:37","slug":"as-internacionais-operarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/12\/13\/as-internacionais-operarias\/","title":{"rendered":"As Internacionais Oper\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<h1>Especial<\/h1>\n<h2 style=\"text-align: center;\">As Internacionais oper\u00e1rias<\/h2>\n<p>O jornal Combate Socialista publicou esse especial entre os meses de setembro e novembro (CS 134-135, 138-39 e CS 143) para analisar as Internacionais Oper\u00e1rias e mostrar o quanto a exist\u00eancia delas foi importante para unificar as lutas da classe trabalhadora em todo o mundo, para construir um programa marxista e fortalecer a batalha pela constru\u00e7\u00e3o de um partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Conforme nossos leitores acompanharam, na vers\u00e3o impressa do jornal percorremos a I, II e III internacionais. E informamos que a finaliza\u00e7\u00e3o desse especial seria feita aqui, em formato eletr\u00f4nico, com um artigo sobre a IV internacional.<\/p>\n<p>Hoje, quando muitos na esquerda abandonaram a luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional revolucion\u00e1ria e que lute pelo poder pol\u00edtico dos trabalhadores, ou prop\u00f5em \u201cfrentes amplas\u201d com a burguesia ou a \u201csombra da burguesia\u201d, este debate se faz mais do que necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><em> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13048\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1.jpg 1530w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1-300x253.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1-1024x865.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1-768x649.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/primeirainternacional_0-1-600x507.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/em><\/p>\n<h2>TEXTO 1 \u2013 A Primeira Internacional (1864-1872): \u201cA Liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores\u201d<\/h2>\n<p><em>Jo\u00e3o Santiago, da Executiva da Conlutas\/PA e Coordenador do Sintsep\/PA, e Felipe Melo, T\u00e9cnico em Educa\u00e7\u00e3o da UFPA<\/em><\/p>\n<h3>Origens da I Internacional<\/h3>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (I Internacional) foi fundada em 28 de setembro de 1864, em uma assembleia p\u00fablica, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. A Internacional surgiu de uma situa\u00e7\u00e3o objetiva, do aumento da mis\u00e9ria das massas trabalhadoras, apesar do progresso do capital e da burguesia. \u00c9 o que diz o pr\u00f3prio Manifesto Inaugural da I Internacional, redigido entre 21 e 27 de outubro do mesmo ano: \u201c\u00c9 um fato que a mis\u00e9ria das massas trabalhadoras n\u00e3o diminuiu durante o per\u00edodo de 1848 a 1864, apesar de haver sido este, pelos progressos da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio, um per\u00edodo sem precedentes nos anais da hist\u00f3ria\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Entretanto, outros fatores para o surgimento da I Internacional precisam ser analisados. Franz Mehring, contempor\u00e2neo de Marx, militante e te\u00f3rico do Partido Social-Democrata Alem\u00e3o, destaca, em primeiro lugar, que o desenvolvimento do capitalismo na Europa Continental criou \u201cuma concorr\u00eancia perigosa para os trabalhadores ingleses na forma de m\u00e3o de obra mais barata\u201d, ou seja, toda vez que tentavam lutar por melhores sal\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o das horas de trabalho, os capitalistas ingleses amea\u00e7avam importar m\u00e3o de obra mais barata da Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha e outros pa\u00edses<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Somou-se a isso a Guerra Civil Norte-americana, ao provocar a mis\u00e9ria dos tecel\u00f5es ingleses por conta da crise do algod\u00e3o, e a insurrei\u00e7\u00e3o polonesa de 1863, que fortaleceu ainda mais o internacionalismo entre os trabalhadores ingleses e franceses em defesa de uma Pol\u00f4nia livre, unida e independente. Sem contar que j\u00e1 havia ocorrido um gesto de fraternidade entre o proletariado dos dois pa\u00edses no ano de 1862, durante a Exposi\u00e7\u00e3o Mundial em Londres, um evento da burguesia europeia.<\/p>\n<p>Esses fatos fizeram com que os principais dirigentes do sindicalismo ingl\u00eas, dentre os quais Cremer, da constru\u00e7\u00e3o civil, e Oder, dos sapateiros, colocassem a quest\u00e3o pol\u00edtica e social na ordem do dia. O Manifesto do comit\u00ea de trabalhadores de Londres, dirigido por Oder, colocando a quest\u00e3o polonesa em destaque, foi enviado para os trabalhadores franceses, que, em resposta, enviaram uma delega\u00e7\u00e3o especial ao encontro organizado no dia 28 de setembro, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. O dirigente metal\u00fargico franc\u00eas, Tolain, leu a resposta dos trabalhadores franceses perante um sal\u00e3o lotado, com cerca de 2.000 participantes, dentre os quais estava Karl Marx<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>. Pela delega\u00e7\u00e3o alem\u00e3, o alfaiate Eccarius foi quem falou.<\/p>\n<p>Desse encontro, foi acatada a proposta do sindicalista Wheeler de eleger um comit\u00ea com o poder de cooptar novos membros e de escrever o estatuto de uma associa\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso internacional, que seria realizado na B\u00e9lgica no ano seguinte. Assim, nascia a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, ou I Internacional.<\/p>\n<h3>Manifesto Inaugural e Estatutos Provis\u00f3rios: \u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 conquistar o poder pol\u00edtico\u201d<\/h3>\n<p>Tanto o Manifesto Inaugural quanto o Estatuto Provis\u00f3rio foram redigidos diretamente por Marx. Aqui, queremos destacar o Estatuto Provis\u00f3rio, no qual Marx soube colocar toda sua habilidade t\u00e1tica para contemplar todos os grupos pol\u00edticos que fundaram a Internacional, como os sindicalistas ingleses, o proudhonistas, os blanquistas, os anarquistas e o pr\u00f3prio grupo ligado a Marx, remanescentes da Liga dos Comunistas.<\/p>\n<p>Marx se absteve de entrar em pol\u00eamicas desnecess\u00e1rias com esses grupos ou utilizar termos como Socialismo, Comunismo, Estatiza\u00e7\u00e3o e Centraliza\u00e7\u00e3o. Entretanto, todos esses termos foram resumidos em um s\u00f3: o poder pol\u00edtico. Ou seja, unificou todos os grupos no conte\u00fado e n\u00e3o na forma, a tal ponto de tanto o Manifesto Inaugural como os Estatutos Provis\u00f3rios serem votados pela maioria do Comit\u00ea de Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, os primeiros considerandos dos Estatutos deixam bem n\u00edtida a for\u00e7a da classe oper\u00e1ria para confiar em si mesma: \u201c<em>A liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora deve ser conquistada pela pr\u00f3pria classe trabalhadora\u201d, e que essa luta \u00e9 pela \u201caboli\u00e7\u00e3o de toda domina\u00e7\u00e3o de classe\u201d<\/em>; ou \u201c<em>que a liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da classe oper\u00e1ria \u00e9, portanto, a grande meta final a qual deve subordinar-se, como meio, todo o movimento pol\u00edtico\u201d;<\/em> ou, para deixar evidente que a luta \u00e9 internacional, nos diz <em>\u201cque a liberta\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um objetivo local nem nacional, mas um objetivo social que abarca todos os pa\u00edses em que exista a moderna sociedade&#8230;\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Por fim, voltando ao Manifesto Inaugural, Marx deixa muito mais expl\u00edcito que <em>\u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 a conquista do poder pol\u00edtico\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em> e que todas as tentativas de organizar cooperativas em n\u00edveis locais ou regionais fracassaram, apesar da boa vontade dos dirigentes socialistas.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo, discutiremos os cinco congressos da I Internacional, sua influ\u00eancia na pol\u00edtica europeia, principalmente na Comuna de Paris de 1871, e a pol\u00eamica de Marx e Engels com os anarquistas e Bakunin.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/Especial As Internacionais oper\u00e1rias O jornal Combate Socialista publicou esse especial entre os meses de setembro e novembro (CS 134-135, 138-39 e CS 143) para analisar as Internacionais Oper\u00e1rias e mostrar o quanto a exist\u00eancia delas foi importante para unificar as lutas da classe trabalhadora em todo o mundo, para construir um programa marxista e fortalecer a batalha pela constru\u00e7\u00e3o de um partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Conforme nossos leitores acompanharam, na vers\u00e3o impressa do jornal percorremos a I, II e III internacionais. E informamos que a finaliza\u00e7\u00e3o desse especial seria feita aqui, em formato eletr\u00f4nico, com um artigo sobre a IV internacional. Hoje, quando muitos na esquerda abandonaram a luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional revolucion\u00e1ria e que lute pelo poder pol\u00edtico dos trabalhadores, ou prop\u00f5em \u201cfrentes amplas\u201d com a burguesia ou a \u201csombra da burguesia\u201d, este debate se faz mais do que necess\u00e1rio. Boa leitura! TEXTO 1 \u2013 A Primeira Internacional (1864-1872): \u201cA Liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores\u201d Jo\u00e3o Santiago, da Executiva da Conlutas\/PA e Coordenador do Sintsep\/PA, e Felipe Melo, T\u00e9cnico em Educa\u00e7\u00e3o da UFPA 1. Origens da I Internacional A Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (I Internacional) foi fundada em 28 de setembro de 1864, em uma assembleia p\u00fablica, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. A Internacional surgiu de uma situa\u00e7\u00e3o objetiva, do aumento da mis\u00e9ria das massas trabalhadoras, apesar do progresso do capital e da burguesia. \u00c9 o que diz o pr\u00f3prio Manifesto Inaugural da I Internacional, redigido entre 21 e 27 de outubro do mesmo ano: \u201c\u00c9 um fato que a mis\u00e9ria das massas trabalhadoras n\u00e3o diminuiu durante o per\u00edodo de 1848 a 1864, apesar de haver sido este, pelos progressos da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio, um per\u00edodo sem precedentes nos anais da hist\u00f3ria\u201d . Entretanto, outros fatores para o surgimento da I Internacional precisam ser analisados. Franz Mehring, contempor\u00e2neo de Marx, militante e te\u00f3rico do Partido Social-Democrata Alem\u00e3o, destaca, em primeiro lugar, que o desenvolvimento do capitalismo na Europa Continental criou \u201cuma concorr\u00eancia perigosa para os trabalhadores ingleses na forma de m\u00e3o de obra mais barata\u201d, ou seja, toda vez que tentavam lutar por melhores sal\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o das horas de trabalho, os capitalistas ingleses amea\u00e7avam importar m\u00e3o de obra mais barata da Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha e outros pa\u00edses . Somou-se a isso a Guerra Civil Norte-americana, ao provocar a mis\u00e9ria dos tecel\u00f5es ingleses por conta da crise do algod\u00e3o, e a insurrei\u00e7\u00e3o polonesa de 1863, que fortaleceu ainda mais o internacionalismo entre os trabalhadores ingleses e franceses em defesa de uma Pol\u00f4nia livre, unida e independente. Sem contar que j\u00e1 havia ocorrido um gesto de fraternidade entre o proletariado dos dois pa\u00edses no ano de 1862, durante a Exposi\u00e7\u00e3o Mundial em Londres, um evento da burguesia europeia. Esses fatos fizeram com que os principais dirigentes do sindicalismo ingl\u00eas, dentre os quais Cremer, da constru\u00e7\u00e3o civil, e Oder, dos sapateiros, colocassem a quest\u00e3o pol\u00edtica e social na ordem do dia. O Manifesto do comit\u00ea de trabalhadores de Londres, dirigido por Oder, colocando a quest\u00e3o polonesa em destaque, foi enviado para os trabalhadores franceses, que, em resposta, enviaram uma delega\u00e7\u00e3o especial ao encontro organizado no dia 28 de setembro, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. O dirigente metal\u00fargico franc\u00eas, Tolain, leu a resposta dos trabalhadores franceses perante um sal\u00e3o lotado, com cerca de 2.000 participantes, dentre os quais estava Karl Marx . Pela delega\u00e7\u00e3o alem\u00e3, o alfaiate Eccarius foi quem falou. Desse encontro, foi acatada a proposta do sindicalista Wheeler de eleger um comit\u00ea com o poder de cooptar novos membros e de escrever o estatuto de uma associa\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso internacional, que seria realizado na B\u00e9lgica no ano seguinte. Assim, nascia a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, ou I Internacional. 2. Manifesto Inaugural e Estatutos Provis\u00f3rios: \u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 conquistar o poder pol\u00edtico\u201d Tanto o Manifesto Inaugural quanto o Estatuto Provis\u00f3rio foram redigidos diretamente por Marx. Aqui, queremos destacar o Estatuto Provis\u00f3rio, no qual Marx soube colocar toda sua habilidade t\u00e1tica para contemplar todos os grupos pol\u00edticos que fundaram a Internacional, como os sindicalistas ingleses, o proudhonistas, os blanquistas, os anarquistas e o pr\u00f3prio grupo ligado a Marx, remanescentes da Liga dos Comunistas. Marx se absteve de entrar em pol\u00eamicas desnecess\u00e1rias com esses grupos ou utilizar termos como Socialismo, Comunismo, Estatiza\u00e7\u00e3o e Centraliza\u00e7\u00e3o. Entretanto, todos esses termos foram resumidos em um s\u00f3: o poder pol\u00edtico. Ou seja, unificou todos os grupos no conte\u00fado e n\u00e3o na forma, a tal ponto de tanto o Manifesto Inaugural como os Estatutos Provis\u00f3rios serem votados pela maioria do Comit\u00ea de Reda\u00e7\u00e3o. Assim, os primeiros considerandos dos Estatutos deixam bem n\u00edtida a for\u00e7a da classe oper\u00e1ria para confiar em si mesma: \u201cA liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora deve ser conquistada pela pr\u00f3pria classe trabalhadora\u201d, e que essa luta \u00e9 pela \u201caboli\u00e7\u00e3o de toda domina\u00e7\u00e3o de classe\u201d; ou \u201cque a liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da classe oper\u00e1ria \u00e9, portanto, a grande meta final a qual deve subordinar-se, como meio, todo o movimento pol\u00edtico\u201d; ou, para deixar evidente que a luta \u00e9 internacional, nos diz \u201cque a liberta\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um objetivo local nem nacional, mas um objetivo social que abarca todos os pa\u00edses em que exista a moderna sociedade...\u201d Por fim, voltando ao Manifesto Inaugural, Marx deixa muito mais expl\u00edcito que \u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 a conquista do poder pol\u00edtico\u201d e que todas as tentativas de organizar cooperativas em n\u00edveis locais ou regionais fracassaram, apesar da boa vontade dos dirigentes socialistas. No pr\u00f3ximo artigo, discutiremos os cinco congressos da I Internacional, sua influ\u00eancia na pol\u00edtica europeia, principalmente na Comuna de Paris de 1871, e a pol\u00eamica de Marx e Engels com os anarquistas e Bakunin. Leia tamb\u00e9m: Mensagem Inaugural https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1864\/10\/27.htm Estatutos https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1871\/10\/24.htm ________________________________________ [1] . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, pp. 50-60. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa. [2] . Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem pp. 42-45 [3] . Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem, p\u00e1g. 21. A I INTERNACIONAL (1864-1872): SEGUNDA PARTE No artigo anterior (CS 134), narramos a funda\u00e7\u00e3o da I Internacional e seus documentos pol\u00edticos. Neste, vamos analisar a interven\u00e7\u00e3o da Internacional na luta de classes ao longo dos seis anos efetivos de sua exist\u00eancia, onde foram realizados cinco congressos: Genebra (1866), Lausanne (1867), Bruxelas (1868), Basileia (1869) e Haia (1872), al\u00e9m de duas Confer\u00eancias em Londres, em 1865 e em setembro de 1871, logo ap\u00f3s a derrota da Comuna de Paris. Por: Jo\u00e3o Santiago \u2013 CSP Conlutas e Sintsep\/PA A I Internacional e a luta de classes: apoio \u00e0s greves e solidariedade internacional Dois anos ap\u00f3s a sua funda\u00e7\u00e3o, a Internacional come\u00e7a a se fortalecer e crescer a partir do apoio \u00e0 greve dos alfaiates unificados em Londres, em 1866, onde se localizava o Conselho Geral, do qual Marx era um dos integrantes. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria dessa greve, novos membros de cinco associa\u00e7\u00f5es de alfaiates aderiram \u00e0 Internacional. No Informe do Conselho Geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT) ao IV Congresso Geral (01\/09\/1869) [1] narram-se as greves dos tecel\u00f5es de cintas e dos tintureiros de seda de Basileia, que duraram de novembro de 1868 at\u00e9 a primavera de 1869, pelas horas de descanso estabelecidas pelo costume que foram tiradas pelos patr\u00f5es. A Internacional apoiou a insurrei\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Tamb\u00e9m estouraram as greves dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil e dos impressores de Genebra. Mais uma vez, a Internacional foi acusada de estar por tr\u00e1s das greves. Na Carta aos Oper\u00e1rios da Europa e dos Estados Unidos (04\/05\/1869) [2], a Internacional denuncia as matan\u00e7as dos grevistas belgas ocorridas na sider\u00fargica Cockerril em Seraing e na mina de carv\u00e3o de Borinage-Frameries, onde 9 mineiros foram assassinados pelas tropas policiais e 20 ficaram feridos. Na Fran\u00e7a, a greve da ind\u00fastria algodoeira, que agitou o pa\u00eds em dezembro de 1868, teve como palco principal Rouen, na Normandia, e foi diretamente contra o rebaixamento de sal\u00e1rios para enviar mat\u00e9ria-prima mais barata para os capitalistas ingleses. Tamb\u00e9m estouraram greves na Fran\u00e7a nos distritos mineiros do Loire, em Lyon e em muitos outros lugares. Mas, as greves de 11 junho, dos mineiros de carv\u00e3o de Saint-\u00c9tienne, Rive-de-Grier e Firming, exigindo melhores sal\u00e1rios, foram reprimidas com crueldade. No dia 12 de junho, as minas foram ocupadas por fortes contingentes militares, que prenderam 60 mineiros e mataram quinze pessoas, entre elas duas mulheres e uma crian\u00e7a de peito, e ferindo um grande n\u00famero, perto de Ricamarie. A Internacional denunciou esse crime ao mundo e foi duramente perseguida pelo governo franc\u00eas. Na Alemanha, somou-se ao apoio \u00e0 greve dos mineiros da regi\u00e3o do Vale do Ruhr, em julho de 1872, que lutavam por 8 horas de trabalho e um aumento de sal\u00e1rio de vinte e cinco por cento. Em todos esses combates entre a burguesia e a classe oper\u00e1ria, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica de 1866\/67, a Internacional se fortalecia e cada vez mais novos contingentes se somavam, como foi o caso do maior partido oper\u00e1rio do mundo, o Socialdemocrata alem\u00e3o, criado em 1869 com base nos princ\u00edpios da Internacional, e tendo uma base de 150.000 oper\u00e1rios. Al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de se\u00e7\u00f5es na Holanda, Espanha, N\u00e1poles, \u00c1ustria, dentre outras, bem como nos Estados Unidos. Ao lado do apoio \u00e0s greves, a Internacional tamb\u00e9m teve uma pol\u00edtica internacional principista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra civil norte-americana, posicionando-se contra a escravid\u00e3o, que era defendida pelos sulistas. A luta pela independ\u00eancia da Pol\u00f4nia do jugo da R\u00fassia czarista tamb\u00e9m esteve sempre na ordem do dia da Internacional, justamente porque havia uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio\u201d dos \u201cescribas e agitadores da burguesia\u201d [3] em torno dessa quest\u00e3o. Mas, sem d\u00favida alguma, a guerra civil na Fran\u00e7a, com a instaura\u00e7\u00e3o da Comuna de Paris em mar\u00e7o de 1871, foi a mais importante interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Internacional, justamente por se instalar no cora\u00e7\u00e3o da Europa, onde a Internacional estava presente (Para esse tema, ver os n\u00fameros 124, 126 e 128 do Combate Socialista, dedicados aos 150 Anos da Comuna de Paris). Se a Comuna foi uma das grandes interven\u00e7\u00f5es da Internacional, sua derrota trouxe uma exacerba\u00e7\u00e3o da luta interna no seio da I Internacional, principalmente a luta do grupo liderado por Marx e Engels contra Bakunin e sua seita anarquista. \u00c9 disso que trataremos em seguida, numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do Combate Socialista. Leia tamb\u00e9m: 150 anos da Comuna de Paris https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/ . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas. M\u00e9xico: Fundo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, p\u00e1g.1. . Franz Mehring. Karl Marx: a hist\u00f3ria de sua vida. Editora Sundermann, 2013, p.316. . Franz Mehring, idem, pp. 317-318. . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas, idem,p\u00e1g 8. . Idem ibidem, p\u00e1g. 7. Especial AS INTERNACIONAIS OPER\u00c1RIAS Com a destrui\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio internacional ap\u00f3s os embates entre anarquistas e comunistas, Engels se preocupava com sua reorganiza\u00e7\u00e3o. Para isso, apostou na recria\u00e7\u00e3o da Internacional, cabendo a ele, ap\u00f3s a morte de Marx, a tarefa de garantir a hegemonia dos socialistas marxistas no movimento. A segunda Internacional (1889-1914) \u2013 PRIMEIRA PARTE Eloisa Mendon\u00e7a, CST Sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica obteve resultado e o Congresso em Paris, em 1889, foi um sucesso. Assim nasceu a II Internacional, com cerca de 400 delegados representando cerca de 20 pa\u00edses, entre eles: da Alemanha, Bebel, Liebknecht, Bernstein e Clara Zetkin; da R\u00fassia, Georgy Plekhanov; da B\u00e9lgica, C\u00e9sar de Paepe; da Inglaterra, Keir Hardie, entre outros. Suas principais resolu\u00e7\u00f5es apoiavam a jornada de trabalho de oito horas, a proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho das mulheres e adolescentes. Ademais, o evento convocou a primeira manifesta\u00e7\u00e3o global do 1\u00ba de Maio em apoio \u00e0s classes trabalhadoras no ano seguinte, 1890. A grosso modo, existiam quatro linhas pol\u00edticas na Segunda Internacional: 1) o Partido Socialdemocrata Alem\u00e3o (SPD). Din\u00e2mico, disciplinado e pelo progresso eleitoral. Ele cresceu constantemente nos anos 1890 e em 1905 tinha 385 mil membros e 27% do eleitorado, 2) o socialismo franc\u00eas, com correntes revolucion\u00e1rias jacobinas do s\u00e9c. XIX, correntes socialistas \u201cut\u00f3picas\u201d e o anarcossindicalismo, 3) o socialismo ingl\u00eas, com uma tradi\u00e7\u00e3o de luta oper\u00e1ria. O marxismo era defendido por algumas de suas correntes, mas era minorit\u00e1rio no partido dos trabalhadores, 4) na R\u00fassia, onde a classe oper\u00e1ria era ainda pequena e predominava a classe camponesa, o populismo ligado ao operariado defendia a ideia de que na R\u00fassia o movimento revolucion\u00e1rio seria de origem camponesa, mas Plekhanov defendia o marxismo russo, com base no inevit\u00e1vel desenvolvimento capitalista e a nascente classe oper\u00e1ria. Imperialismo e Reformismo No per\u00edodo da Segunda Internacional, o imperialismo caracterizava-se pelas contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas, competi\u00e7\u00e3o pelo mundo colonial, ou seja, pelas \u201creservas de mercado\u201d para seus capitais sobreacumulados, e pelo acesso exclusivo \u00e0s fontes de mat\u00e9rias primas dos \u201cpa\u00edses atrasados\u201d, em especial entre as velhas pot\u00eancias (Fran\u00e7a e Inglaterra, R\u00fassia, Holanda e B\u00e9lgica em menor medida) e as novas pot\u00eancias em expans\u00e3o (Alemanha e EUA). Nesse per\u00edodo, havia se desenvolvido um movimento oper\u00e1rio de massas na Europa e nos EUA, levando \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de dezenove partidos oper\u00e1rios e socialistas no continente europeu entre 1880 e 1896, al\u00e9m de importantes federa\u00e7\u00f5es nacionais de sindicatos. As mudan\u00e7as tamb\u00e9m eram geopol\u00edticas com o deslocamento do eixo econ\u00f4mico-industrial do continente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha. O principal partido era o SPD \u2013 Partido Socialdemocrata da Alemanha \u2013 fundado em 1875 na cidade de Gotha, cujo programa foi duramente criticado por Karl Marx, devido a realizar amplas concess\u00f5es \u00e0s ideias lassalleanas (da\u00ed vem o livro de Marx, Cr\u00edtica ao Programa de Gotha). Lassalle via o Estado como um meio pelo qual os trabalhadores poderiam conquistar seus interesses e at\u00e9 mesmo transformar a sociedade para criar uma economia baseada em cooperativas dirigidas por trabalhadores. A estrat\u00e9gia de Lassalle era primariamente eleitoral e reformista. A socialdemocracia alem\u00e3 \u2013 devido ao seu grau de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 assumiu naturalmente o posto de lideran\u00e7a da Segunda Internacional e, com isso, a responsabilidade de responder \u00e0s quest\u00f5es do movimento oper\u00e1rio diante de uma nova forma de capitalismo, ou seja, interpretar as mudan\u00e7as sociais, cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, as quais refletiam em todo o conjunto da sociedade no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. No interior da organiza\u00e7\u00e3o durante esse per\u00edodo, podemos identificar algumas tend\u00eancias que come\u00e7aram a ganhar for\u00e7a, s\u00e3o elas: a marxista ortodoxa, que possui a obra de Karl Kautsky inclusa, assim como a contribui\u00e7\u00e3o de August Bebel; a revisionista, que tem como principal expoente o autor Eduard Bernstein, que em seus artigos publicados no Die Neue Zeit 2 procurou rever os aspectos que considerava como superados, dogm\u00e1ticos, n\u00e3o cient\u00edficos ou amb\u00edguos do marxismo; a ala sindicalista revolucion\u00e1ria, que surgiu originalmente no \u00e2mbito do socialismo franc\u00eas; e, por \u00faltimo, a Neue Linke 3 , considerada como a esquerda que se formou nos anos de 1910-1914 dentro da socialdemocracia alem\u00e3, tendo como principal lideran\u00e7a Rosa Luxemburgo. Engels, principal refer\u00eancia te\u00f3rica do PSD, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional, e com o intuito de influir nos debates sobre o Programa do partido alem\u00e3o, que iriam acontecer em Erfurt em 1891, toma tr\u00eas medidas: a primeira, a republica\u00e7\u00e3o da Cr\u00edtica de Marx ao programa de Gotha; a segunda, uma rigorosa defesa da \u201cditadura do proletariado\u201d; e a terceira, uma cr\u00edtica ao projeto de Programa de Erfurt. Atrav\u00e9s do acompanhamento do SPD e de seus debates, Engels foi o primeiro a descrever a ascens\u00e3o de um partido de massas na hist\u00f3ria, que inclui no sistema pol\u00edtico amplas parcelas da sociedade e que aposta na via eleitoral como ferramenta para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes. Em segundo lugar, Engels foi o primeiro a identificar de forma mais n\u00edtida a correla\u00e7\u00e3o entre classes sociais e partidos pol\u00edticos. Grandes embates na II Internacional \u2013 Parte II Adolpho Tundis, Diretor do SEPE e CST RJ O reagrupamento do movimento socialista e oper\u00e1rio mundial na II Internacional teve \u00eaxitos importantes, como a cria\u00e7\u00e3o das tarefas internacionais do Dia do Trabalhador no 1\u00ba de maio (1889) e o Dia da Mulher no 8 de mar\u00e7o (1910).Ao mesmo tempo, desenvolvia-se cada vez mais o antagonismo entre as principais correntes pol\u00edticas. A consolida\u00e7\u00e3o do imperialismo e a derrocada do capitalismo, evidenciada com a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, expuseram as profundas diferen\u00e7as de estrat\u00e9gia entre as duas tend\u00eancias fundamentais do movimento oper\u00e1rio: a tend\u00eancia do reformismo dos oportunistas e a tend\u00eancia dos revolucion\u00e1rios. A II Internacional aprovou em 1912 o Manifesto da Basileia, que tinha um car\u00e1ter anti-imperialista, denunciava a prepara\u00e7\u00e3o da guerra por parte das pot\u00eancias e da burguesia e ainda apontava a tarefa fundamental do movimento socialista internacional: afirmava que a guerra &quot;provocar\u00e1 uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que dever\u00e1 ser aproveitada: n\u00e3o para atenuar a crise, n\u00e3o para defender a p\u00e1tria, mas, pelo contr\u00e1rio, para sacudir as massas, para apressar a queda do dom\u00ednio do capital&quot;. Os reformistas, no entanto, tra\u00edram as resolu\u00e7\u00f5es do Manifesto e acabaram apoiando a participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na guerra, servindo como um bra\u00e7o dos interesses das burguesias nacionais na guerra imperialista. As principais pol\u00eamicas se deram quanto \u00e0 vota\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos de guerra nos parlamentos dos pa\u00edses \u2013 os reformistas votavam pela aprova\u00e7\u00e3o dos \u201ccr\u00e9ditos de guerra\u201d \u2013 e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos governos burgueses. Lenin, em \u201cO oportunismo e a fal\u00eancia da II Internacional\u201d, procurou explicar o significado econ\u00f4mico e pol\u00edtico do oportunismo reformista, que deformava o movimento socialista internacional, evidenciado no apoio dos reformistas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra imperialista, chamado de \u201cdefensismo\u201d: \u201cEm que consiste a ess\u00eancia econ\u00f4mica do defensismo durante a guerra de 1914-1915? A burguesia de todas as grandes pot\u00eancias trava a guerra com o fim de partilhar e explorar o mundo, com o fim de oprimir os povos. Um pequeno c\u00edrculo da burocracia oper\u00e1ria, da aristocracia oper\u00e1ria e de companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos grandes lucros da burguesia. A causa de classe profunda do social-chauvinismo e do oportunismo \u00e9 a mesma: a alian\u00e7a de uma pequena camada de oper\u00e1rios privilegiados com a &quot;sua&quot; burguesia nacional contra as massas da classe oper\u00e1ria, a alian\u00e7a dos lacaios da burguesia com esta \u00faltima contra a classe por ela explorada. O conte\u00fado pol\u00edtico do oportunismo e do social-chauvinismo \u00e9 o mesmo: a colabora\u00e7\u00e3o das classes, a ren\u00fancia \u00e0 ditadura do proletariado, a ren\u00fancia \u00e0s a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a falta de confian\u00e7a no proletariado, a confian\u00e7a na burguesia.\u201d Como premia\u00e7\u00e3o \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e pela sua defesa da pilhagem imperialista, os reformistas \u201csocialistas\u201d eram elogiados por representantes da burguesia, ganhavam cargos em minist\u00e9rios de governo (Inglaterra e Fran\u00e7a) ou tinham o monop\u00f3lio da exist\u00eancia legal sem obst\u00e1culos (Alemanha e R\u00fassia). A divis\u00e3o entre as correntes reformistas e revolucion\u00e1rias era profunda nos partidos oper\u00e1rios, como o Partido Socialdemocrata alem\u00e3o. O oportunista Kautsky reconhecia a divis\u00e3o do partido em dois campos extremos. Como forma de garantir a unidade, sua proposta era a autoriza\u00e7\u00e3o de discursos parlamentares mais radicais. Kautsky queria, \u201cpor meio de alguns discursos parlamentares radicais, reconciliar as massas revolucion\u00e1rias com os oportunistas, que nada t\u00eam em comum com a revolu\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 h\u00e1 muito dirigem os sindicatos e que agora, apoiando-se na sua estreita alian\u00e7a com a burguesia e com o governo, apoderaram-se tamb\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o do partido\u201d (Lenin). Lenin fazia um duro e preciso balan\u00e7o sobre a unidade dos revolucion\u00e1rios com esses oportunistas em um mesmo partido, ao afirmar que significava \u201ca unidade com a sua pr\u00f3pria burguesia nacional, que explora outras na\u00e7\u00f5es, e a cis\u00e3o do proletariado internacional.\u201d A ruptura deveria ser parte da estrat\u00e9gia, mas n\u00e3o tinha necessariamente suas condi\u00e7\u00f5es preparadas: \u201cIsso n\u00e3o significa que a ruptura com os oportunistas \u00e9 imediatamente poss\u00edvel em toda a parte, significa apenas que ela amadureceu historicamente, que ela \u00e9 necess\u00e1ria e inevit\u00e1vel para a luta revolucion\u00e1ria do proletariado, que a hist\u00f3ria, que conduziu do capitalismo &quot;pac\u00edfico&quot; ao capitalismo imperialista, preparou essa ruptura\u201d. Em 1915, a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios de confiar na a\u00e7\u00e3o das massas e incentivar a luta da classe trabalhadora demonstrou-se correta quando, como consequ\u00eancia da guerra, a efervesc\u00eancia revolucion\u00e1ria, as greves e protestos explodiram na R\u00fassia, It\u00e1lia e Inglaterra. Ap\u00f3s 25 anos do in\u00edcio da II Internacional, o oportunismo reformista mais que amadureceu: passou definitivamente para o campo da burguesia. As tarefas apontadas por Lenin, de amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de massas e desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o internacional dos revolucion\u00e1rios, permanecem atuais. Leia tamb\u00e9m Oportunismo e fal\u00eancia da II Internacional https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/01\/falencia.htm Especial As internacionais oper\u00e1rias Nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, importantes acontecimentos marcaram a hist\u00f3ria da humanidade e, em particular, do movimento oper\u00e1rio. Em primeiro lugar, a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial e o apoio das se\u00e7\u00f5es da II Internacional \u00e0s burguesias imperialistas de seus pa\u00edses (ver o \u00faltimo texto deste especial, no CS n\u00b0 139); posteriormente, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de outubro de 1917, primeira revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria vitoriosa e que expropriou a burguesia naquele pa\u00eds. A III Internacional \u2013 Da funda\u00e7\u00e3o \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate Foi sob o impacto desses dois processos, a capitula\u00e7\u00e3o oportunista da II Internacional e o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, que, em mar\u00e7o de 1919, foi fundada a III Internacional. A Internacional Comunista (IC), como foi chamada, tinha o objetivo expl\u00edcito de ser a dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista em todo o mundo. Nesse sentido, aos moldes do Partido Bolchevique, organizava-se enquanto um partido revolucion\u00e1rio internacional, com se\u00e7\u00f5es em cada pa\u00eds, o que consiste um avan\u00e7o qualitativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s internacionais oper\u00e1rias que a precederam. A hist\u00f3ria da Internacional Comunista pode ser dividida em dois per\u00edodos: de sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 1922\/23, per\u00edodo em que se realizaram os quatro primeiros congressos da IC; a partir dessa data at\u00e9 a sua dissolu\u00e7\u00e3o, em 1943, quando esteve sob o controle da burocracia stalinista. A Internacional Comunista revolucion\u00e1ria Em sua primeira fase, a IC foi conduzida e impulsionada pelo Partido Bolchevique de Lenin e Trotsky. Trata-se do per\u00edodo em que a IC constituiu um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio internacional, organizando se\u00e7\u00f5es, intervindo na luta de classes e lutando pela revolu\u00e7\u00e3o socialista em cada pa\u00eds do mundo, como parte da revolu\u00e7\u00e3o mundial. Os quatro primeiros congressos da IC, realizados anualmente, aprovaram importantes resolu\u00e7\u00f5es nesse sentido. Al\u00e9m de quest\u00f5es organizativas e de crit\u00e9rios para a ades\u00e3o de novas se\u00e7\u00f5es, estabeleceram como objetivo a tomada do poder pelo proletariado e a organiza\u00e7\u00e3o de governos sovi\u00e9ticos; orientaram a atua\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos comunistas dentro dos sindicatos e nas elei\u00e7\u00f5es burguesas; aprovaram um programa de luta para as mulheres, a juventude e os povos oprimidos; e, respondendo a uma mudan\u00e7a na conjuntura internacional, combateram o ultraesquerdismo de alguns partidos e aprovaram a t\u00e1tica da frente \u00fanica oper\u00e1ria. Nesses primeiros anos, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, a IC lan\u00e7ou as bases para um programa revolucion\u00e1rio, mas este n\u00e3o p\u00f4de ser concretizado devido \u00e0 guinada de curso do per\u00edodo seguinte. A degenera\u00e7\u00e3o sob controle stalinista Alguns fatores ajudam a entender a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC. Primeiramente, o isolamento da URSS ap\u00f3s a derrota da onda revolucion\u00e1ria do p\u00f3s-guerra, derrota na qual foi fundamental o papel da dire\u00e7\u00e3o do PC alem\u00e3o e de Zinoviev e Stalin, j\u00e1 \u00e0 frente da IC. Al\u00e9m disso, a morte de Lenin, em 1924, abriu caminho para que Stalin isolasse Trotsky e impusesse sua pol\u00edtica ao PC sovi\u00e9tico. Logo as pr\u00e1ticas e a pol\u00edtica aplicadas ao partido sovi\u00e9tico foram estendidas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da IC. Desde ent\u00e3o, a IC deixou de ter um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, tornando-se um \u00f3rg\u00e3o de defesa dos interesses da burocracia stalinista. Em termos te\u00f3ricos, foi imposta a teoria do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, um revisionismo do marxismo \u2013 e da pr\u00f3pria base fundacional da IC \u2013 que considerava ser poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS sem considerar o curso da revolu\u00e7\u00e3o europeia. A partir disso, sua trajet\u00f3ria foi marcada por uma s\u00e9rie de equ\u00edvocos, desvios e trai\u00e7\u00f5es. Exemplos s\u00e3o a pol\u00edtica ultraesquerdista do \u201cterceiro per\u00edodo\u201d, que ignorou o perigo fascista e levou ao esmagamento da classe oper\u00e1ria alem\u00e3, ou a pol\u00edtica das \u201cfrentes populares\u201d, que, a partir do VII Congresso da IC, em 1935, levou \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de governos em comum com a burguesia em diversos pa\u00edses. O pre\u00e7o dessas trai\u00e7\u00f5es foi pago pela classe trabalhadora mundial, pois a IC passou a atuar como um instrumento da contrarrevolu\u00e7\u00e3o e conduziu \u00e0 derrota diversas revolu\u00e7\u00f5es. Em 1943, levando o \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, Stalin dissolveu a IC, como um gesto de boa vontade \u00e0s burguesias imperialistas. O legado dessa internacional, por\u00e9m, permanece vivo para os revolucion\u00e1rios em todo o mundo, seja no programa defendido em seus primeiros quatro congressos ou na luta de Trotsky, desde a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, contra a sua degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e contrarrevolucion\u00e1ria. (acompanhe em cstpsol,com o artigo sobre a IV Internacional) Leia tamb\u00e9m III internacional uma escola de estrat\u00e9gia revolucionaria: https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/07\/26\/iii-internacional-uma-escola-de-estrategia-revolucionaria\/ A IV internacional Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate No \u00faltimo texto, vimos que a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Europa, ocasionando o isolamento da classe trabalhadora da URSS, e da morte de Lenin, a Internacional Comunista iniciou um curso de degenera\u00e7\u00e3o. Esse curso foi conduzido por Stalin e pela burocracia sovi\u00e9tica, impondo ao movimento oper\u00e1rio uma sucess\u00e3o de erros e desvios pol\u00edticos e resultando no abandono do internacionalismo e da pr\u00f3pria perspectiva revolucion\u00e1ria por parte da IC (Internacional Comunista). Isso, por\u00e9m, n\u00e3o foi feito sem que houvesse resist\u00eancia. A luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC, ligada diretamente \u00e0 luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique e da pr\u00f3pria URSS, foi dirigida por Leon Trotsky enquanto ele esteve vivo. Consistindo em resgatar os princ\u00edpios presentes nos quatro primeiros congressos da IC, essa tarefa passou por diferentes momentos e culminou na organiza\u00e7\u00e3o de uma nova Internacional, em 1938: a IV Internacional. A organiza\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda As primeiras batalhas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o foram realizadas ainda no interior do Partido Comunista da URSS e da IC. Em 1923, foi fundada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, compreendendo, al\u00e9m de Trotsky, antigas lideran\u00e7as do partido bolchevique; j\u00e1 em 1926, organizou-se a \u201cOposi\u00e7\u00e3o Unificada\u201d, conferindo um maior alcance para as atividades dos militantes oposicionistas de esquerda. Nesse per\u00edodo, houve dois momentos cruciais no enfrentamento \u00e0 pol\u00edtica stalinista para a IC. Primeiro, na den\u00fancia da alian\u00e7a do PC brit\u00e2nico com os trabalhistas (reformistas), alian\u00e7a que n\u00e3o foi rompida mesmo ap\u00f3s estes \u00faltimos terem tra\u00eddo uma greve geral dos trabalhadores, em 1926; depois, na cr\u00edtica \u00e0 submiss\u00e3o dos comunistas chineses \u00e0 burguesia nacionalista daquele pa\u00eds, fato que impediu o desenvolvimento de organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas por parte dos trabalhadores e levou \u00e0 derrota da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de 1927 (ver livro que acabamos de lan\u00e7ar: China \u2013 da Revolu\u00e7\u00e3o a Restaura\u00e7\u00e3o). Ap\u00f3s press\u00e3o do aparato stalinista, ainda em 1927, algumas lideran\u00e7as da Oposi\u00e7\u00e3o Unificada, como Kamenev e Zinoviev, capitularam e \u201creconheceram os erros\u201d de suas cr\u00edticas \u00e0 IC, o que levou ao fim da experi\u00eancia unificada [1]. Apesar da capitula\u00e7\u00e3o de parte dos oposicionistas, Trotsky e seus companheiros n\u00e3o abandonaram a necess\u00e1ria luta dentro da IC. Stalin, ent\u00e3o, aumentou a repress\u00e3o em busca de exterminar a oposi\u00e7\u00e3o, culminando com a expuls\u00e3o e o ex\u00edlio de Trotsky. Nesse per\u00edodo, come\u00e7ou a ser organizada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional, a partir do exterior, principalmente por militantes exilados. Foram muitas as dificuldades encontradas por esses militantes. Basta lembrar que eles estavam sujeitos a uma dupla repress\u00e3o: tanto por parte dos governos capitalistas dos pa\u00edses em que se encontravam, quanto pelo aparato stalinista [2]. O rompimento com a IC e a continua\u00e7\u00e3o da luta contra a burocracia A ascens\u00e3o de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, marcou uma mudan\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o de Trotsky e seus companheiros. No in\u00edcio dos anos 1930, Stalin e a IC haviam adotado uma linha ultra-esquerdista (denominada \u201cterceiro per\u00edodo\u201d) e afirmavam que haveria um iminente ascenso revolucion\u00e1rio. Assim, se recusavam a fazer qualquer tipo de acordo com os partidos reformistas. Na Alemanha, mesmo diante da amea\u00e7a real que era o nazismo, os stalinistas concentravam seus esfor\u00e7os em combater a social-democracia, definida como \u201cirm\u00e3 g\u00eamea\u201d do fascismo. Trotsky combateu essa linha, defendendo que se formasse uma \u201cfrente \u00fanica\u201d com os partidos oper\u00e1rios reformistas. Essa frente n\u00e3o poderia indicar qualquer recuo do programa revolucion\u00e1rio ou o abandono de princ\u00edpios; seria um acordo pontual, visando uma a\u00e7\u00e3o concreta: derrotar os fascistas [3]. Como podemos perceber, a linha stalinista adotada pelo PC alem\u00e3o facilitou o trabalho de Hitler. Diante desse epis\u00f3dio, os militantes da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda avaliaram que a IC estava falida. O objetivo de regenerar aquela Internacional foi abandonado, colocando-se a tarefa de continuar a luta contra a burocracia stalinista por fora dessa organiza\u00e7\u00e3o. A funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional A necessidade de construir uma nova Internacional n\u00e3o foi um consenso entre os militantes que eram pr\u00f3ximos ao movimento trotskista. Havia setores que apontavam para o contexto hist\u00f3rico vivido naquele momento, no qual se observava um enorme retrocesso do movimento revolucion\u00e1rio, dizendo, assim, que n\u00e3o era poss\u00edvel criar uma Internacional \u201cartificialmente\u201d, sem uma grande vit\u00f3ria do proletariado internacional. De fato, a etapa hist\u00f3rica iniciada em 1923, a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o europeia, e que se estendeu at\u00e9 1943 foi marcada por grandes derrotas para a classe trabalhadora. Durante esses 20 anos ocorreram, por exemplo, a consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo dentro da URSS e a ascens\u00e3o do fascismo na It\u00e1lia e na Alemanha. Por\u00e9m, essa caracteriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era contradit\u00f3ria com a possibilidade de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional; ao contr\u00e1rio, afirmava a sua necessidade. Como disse Trotsky, a nova organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha o seu surgimento marcado por um \u201cgrande acontecimento\u201d que era a ascens\u00e3o de Hitler e a trai\u00e7\u00e3o das velhas dire\u00e7\u00f5es, que haviam permitido esse fato. Portanto, era a maior derrota j\u00e1 sofrida pela classe trabalhadora em toda a hist\u00f3ria que se colocava como base de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Segundo Nahuel Moreno, esse \u201cfoi o maior acerto de Trotsky e do nosso movimento mundial\u201d, postulando a unifica\u00e7\u00e3o dos militantes revolucion\u00e1rios em torno de um programa pol\u00edtico para enfrentar os ataques contrarrevolucion\u00e1rios e se preparar para o posterior ascenso do movimento de massas [4]. A constru\u00e7\u00e3o de um partido e de um programa capazes de responder ao ascenso revolucion\u00e1rio que os militantes trotskistas vislumbravam ganhava ainda mais import\u00e2ncia devido ao car\u00e1ter das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do movimento de massas. A pol\u00edtica traidora apresentada pelas velhas dire\u00e7\u00f5es social-democrata e stalinista, que j\u00e1 haviam abandonado a perspectiva da luta de classes, colocava para a IV Internacional a tarefa de disputar a lideran\u00e7a desses movimentos para que pudessem apresentar uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria. Em outras palavras, o que se apresentava era o problema da crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado: por um lado, estavam presentes as condi\u00e7\u00f5es objetivas para o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o socialista; por outro, n\u00e3o havia uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de conduzir essa tarefa. Essa contradi\u00e7\u00e3o foi resumida por Trotsky, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, ao afirmar que \u201ca crise hist\u00f3rica da humanidade se reduz \u00e0 crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d [5]. A IV Internacional depois de Trotsky Em 1940, por\u00e9m, Trotsky foi assassinato no M\u00e9xico a mando de Stalin. Isso representou um grande golpe para a IV Internacional, fundada apenas dois anos antes. N\u00e3o bastasse perder o seu principal dirigente, a organiza\u00e7\u00e3o se viu mergulhada em uma conjuntura muito complexa, marcada pela Segunda Guerra Mundial. O conjunto desses fatores fez com que surgissem dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o, praticamente acabando com os v\u00ednculos entre as diferentes se\u00e7\u00f5es da Internacional. Com o fim da guerra, outros problemas surgiram, ligados mais diretamente ao car\u00e1ter do grupo que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Na Europa, por exemplo, Pierre Frank, Michel Pablo e Ernest Mandel formavam uma dire\u00e7\u00e3o inexperiente e que n\u00e3o tinha uma origem na classe oper\u00e1ria. A partir de 1945, com o fim da guerra, abriu-se uma nova etapa hist\u00f3rica. O mundo vivenciou 30 anos de um enorme avan\u00e7o revolucion\u00e1rio, por exemplo, com a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia no Leste europeu e, mais tarde, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Por sua vez, diante desse contexto, os novos dirigentes da IV Internacional demonstraram uma debilidade pol\u00edtica para dar as respostas que a conjuntura exigia [6]. Ao contr\u00e1rio do que Trotsky imaginava, o ascenso revolucion\u00e1rio que se sucedeu \u00e0 Segunda Guerra n\u00e3o foram conduzidos por uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consciente, formada por partidos semelhantes ao Partido Bolchevique. Ao contr\u00e1rio, tais processos tiveram \u00e0 sua frente dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas, reformistas ou stalinistas, que os conduziram n\u00e3o porque desejavam ver uma revolu\u00e7\u00e3o triunfante, mas sim porque n\u00e3o puderam conter a for\u00e7a daquela onda revolucion\u00e1ria p\u00f3s-guerra. Os dirigentes trotskistas, impressionados com esse fato, n\u00e3o conseguiram compreender a din\u00e2mica daqueles fen\u00f4menos, o que resultou em graves erros. Um exemplo disso pode ser visto no chamado \u201centrismo sui generis\u201d, t\u00e1tica defendida por Pablo e Mandel no III Congresso da IV Internacional. Realizado em 1951, momento em que as dire\u00e7\u00f5es stalinistas se fortaleciam conjunturalmente na onda do ascenso revolucion\u00e1rio, essa t\u00e1tica partia da previs\u00e3o de que tal ascenso tornaria os conflitos entre a URSS e o imperialismo cada vez mais agudos, culminando em uma nova guerra mundial. Em meio a isso, as dire\u00e7\u00f5es oportunistas se veriam obrigadas a evolu\u00edrem at\u00e9 posi\u00e7\u00f5es objetivamente revolucion\u00e1rias. Dessa forma, para Pablo e Mandel, o papel dos trotskistas seria ingressar nessas organiza\u00e7\u00f5es oportunistas, fossem stalinistas ou pequeno-burguesas, n\u00e3o por um curto per\u00edodo, para ganhar um setor desses partidos, mas por entenderem que tais partidos dirigiriam os pr\u00f3ximos processos revolucion\u00e1rios. Na pr\u00e1tica, essa pol\u00edtica votada pela maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional abria m\u00e3o da tarefa de construir partidos trotskistas e revolucion\u00e1rios. Um ano depois, explodiu uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Bol\u00edvia, onde a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional tinha influ\u00eancia de massas. Em 1951, houve uma vit\u00f3ria eleitoral do Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR), um movimento nacionalista burgu\u00eas, e uma tentativa de golpe militar para impedir a sua posse. Uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foi organizada para impedir esse golpe, com a forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas e de uma Central Oper\u00e1ria Boliviana, uma verdadeira situa\u00e7\u00e3o de duplo poder. Em vez de impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es e a tomada do poder, o POR (se\u00e7\u00e3o trotskista), influenciado pela pol\u00edtica de Pablo e Mandel, defendeu a forma\u00e7\u00e3o de um governo em comum com os nacionalistas burgueses, entregando, na pr\u00e1tica, o poder ao MNR. Neste contexto ocorreu a divis\u00e3o da Internacional trotskista e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Internacional, composto, entre outros, pelas se\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos (o SWP), Inglaterra e pelo partido argentino ligado a Nahuel Moreno. Em 1963, houve a reunifica\u00e7\u00e3o da maioria dos grupos trotskistas em torno do apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, de 1959, formando-se o Secretariado Unificado (SU). Apesar de considerar que a reunifica\u00e7\u00e3o tinha aspectos positivos, Moreno alertava para os perigos da capitula\u00e7\u00e3o ao castrismo. Tais riscos se concretizaram, em primeiro lugar, quando Mandel e o SU adotaram a t\u00e1tica da guerrilha, m\u00e9todo que havia triunfado em Cuba, como uma estrat\u00e9gia a ser aplicada de forma generalizada (algo que foi questionado, dentre outros, por dirigentes do SWP e do PRT Argentino). Depois, em 1979, na ocasi\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua, os partidos ligados a Moreno organizaram a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar e enviaram combatentes para aquele pa\u00eds. Ap\u00f3s o triunfo dos sandinistas, os combatentes da Brigada seguiram defendendo a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, sendo perseguidos pelo novo governo. Mandel e o SU se mantiveram ao lado desse setor nacionalista burgu\u00eas, apoiando a expuls\u00e3o dos militantes trotskistas e sua entrega \u00e0 pol\u00edcia do Panam\u00e1. Uma quebra de princ\u00edpios revolucion\u00e1rios que levou a um novo rompimento da IV Internacional. A atualidade da constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional Os exemplos citados acima, das revolu\u00e7\u00f5es inseridas no ascenso mundial do movimento de massas ap\u00f3s a Segunda Guerra, assim como as lutas que se desenvolvem nos dias de hoje nos mostram que a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o, tarefa a qual a IV Internacional se prop\u00f4s em sua funda\u00e7\u00e3o, ainda segue de p\u00e9. Os processos revolucion\u00e1rios que aconteceram desde 1945, seja na China ou em Cuba, por exemplo, mostraram os limites das dire\u00e7\u00f5es reformistas e oportunistas: ao n\u00e3o avan\u00e7arem na mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e na defesa do car\u00e1ter internacional das revolu\u00e7\u00f5es, confinaram esses processos nos limites dos seus pa\u00edses, o que levou ao seu retrocesso. Infelizmente, o movimento trotskista, dirigido principalmente por Pablo e Mandel, n\u00e3o buscaram a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o alternativa. Ainda hoje, quando a classe trabalhadora mostra a sua disposi\u00e7\u00e3o para lutar em diversos lugares do mundo, vemos que esses levantes esbarram no limite das suas dire\u00e7\u00f5es. Setores reformistas e oportunistas que aplicam a pol\u00edtica da concilia\u00e7\u00e3o de classes atuam para frear a luta dos trabalhadores. Isso deixa n\u00edtido o peso da falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e como \u00e9 urgente a tarefa da sua constru\u00e7\u00e3o. Assim, segue atual a batalha travada por aqueles e aquelas que constru\u00edram cada uma das Internacionais oper\u00e1rias, a tarefa de construir partidos revolucion\u00e1rios que lutem por governos dos trabalhadores em cada pa\u00eds e em todo o mundo. \u00c9 nesse sentido que, hoje, fazemos o chamado pela unidade dos revolucion\u00e1rios e pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Notas: [1] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o Unificada Internacional de 1923 a 1928. Hist\u00f3ria da Internacional Comunista, 1919-1943. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2007. [2] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional de 1928 a 1933. Idem. [3] Atualmente, chamamos esse tipo de acordo pontual para a\u00e7\u00f5es concretas de \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d. [4] Nahuel Moreno. Teses para atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: CS Editora, 1992. [5] Leon Trotsky. Programa de Transi\u00e7\u00e3o [1938]. https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap01.htm#1 [6] Sobre os erros da pol\u00edtica da maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional ap\u00f3s a Segunda Guerra, mencionados nos par\u00e1grafos seguintes, ver: Nahuel Moreno. O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2008; e Mercedes Petit. Interven\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit no Evento &quot;Trotsky em Perman\u00eancia&quot;. https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/05\/22\/o-debate-sobre-a-revolucao-permanente-e-nahuel-moreno\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/09\/06\/nicaragua-40-anos-apos-a-queda-de-somoza-outra-ditadura-2\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/06\/23\/especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/08\/28\/a-quarta-internacional-e-o-movimento-trotskista-sem-trotsky\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/02\/06\/lancamento-livro-a-brigada-simon-bolivar-10-02\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/02\/13-08-lancamento-china-da-revolucao-a-restauracao-capitalista\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/90-anos-da-liga-comunista-do-brasil\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/\"><strong>Mensagem Inaugural<\/strong><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/Especial As Internacionais oper\u00e1rias O jornal Combate Socialista publicou esse especial entre os meses de setembro e novembro (CS 134-135, 138-39 e CS 143) para analisar as Internacionais Oper\u00e1rias e mostrar o quanto a exist\u00eancia delas foi importante para unificar as lutas da classe trabalhadora em todo o mundo, para construir um programa marxista e fortalecer a batalha pela constru\u00e7\u00e3o de um partido mundial da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Conforme nossos leitores acompanharam, na vers\u00e3o impressa do jornal percorremos a I, II e III internacionais. E informamos que a finaliza\u00e7\u00e3o desse especial seria feita aqui, em formato eletr\u00f4nico, com um artigo sobre a IV internacional. Hoje, quando muitos na esquerda abandonaram a luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional revolucion\u00e1ria e que lute pelo poder pol\u00edtico dos trabalhadores, ou prop\u00f5em \u201cfrentes amplas\u201d com a burguesia ou a \u201csombra da burguesia\u201d, este debate se faz mais do que necess\u00e1rio. Boa leitura! TEXTO 1 \u2013 A Primeira Internacional (1864-1872): \u201cA Liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores\u201d Jo\u00e3o Santiago, da Executiva da Conlutas\/PA e Coordenador do Sintsep\/PA, e Felipe Melo, T\u00e9cnico em Educa\u00e7\u00e3o da UFPA 1. Origens da I Internacional A Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (I Internacional) foi fundada em 28 de setembro de 1864, em uma assembleia p\u00fablica, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. A Internacional surgiu de uma situa\u00e7\u00e3o objetiva, do aumento da mis\u00e9ria das massas trabalhadoras, apesar do progresso do capital e da burguesia. \u00c9 o que diz o pr\u00f3prio Manifesto Inaugural da I Internacional, redigido entre 21 e 27 de outubro do mesmo ano: \u201c\u00c9 um fato que a mis\u00e9ria das massas trabalhadoras n\u00e3o diminuiu durante o per\u00edodo de 1848 a 1864, apesar de haver sido este, pelos progressos da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio, um per\u00edodo sem precedentes nos anais da hist\u00f3ria\u201d . Entretanto, outros fatores para o surgimento da I Internacional precisam ser analisados. Franz Mehring, contempor\u00e2neo de Marx, militante e te\u00f3rico do Partido Social-Democrata Alem\u00e3o, destaca, em primeiro lugar, que o desenvolvimento do capitalismo na Europa Continental criou \u201cuma concorr\u00eancia perigosa para os trabalhadores ingleses na forma de m\u00e3o de obra mais barata\u201d, ou seja, toda vez que tentavam lutar por melhores sal\u00e1rios e redu\u00e7\u00e3o das horas de trabalho, os capitalistas ingleses amea\u00e7avam importar m\u00e3o de obra mais barata da Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Alemanha e outros pa\u00edses . Somou-se a isso a Guerra Civil Norte-americana, ao provocar a mis\u00e9ria dos tecel\u00f5es ingleses por conta da crise do algod\u00e3o, e a insurrei\u00e7\u00e3o polonesa de 1863, que fortaleceu ainda mais o internacionalismo entre os trabalhadores ingleses e franceses em defesa de uma Pol\u00f4nia livre, unida e independente. Sem contar que j\u00e1 havia ocorrido um gesto de fraternidade entre o proletariado dos dois pa\u00edses no ano de 1862, durante a Exposi\u00e7\u00e3o Mundial em Londres, um evento da burguesia europeia. Esses fatos fizeram com que os principais dirigentes do sindicalismo ingl\u00eas, dentre os quais Cremer, da constru\u00e7\u00e3o civil, e Oder, dos sapateiros, colocassem a quest\u00e3o pol\u00edtica e social na ordem do dia. O Manifesto do comit\u00ea de trabalhadores de Londres, dirigido por Oder, colocando a quest\u00e3o polonesa em destaque, foi enviado para os trabalhadores franceses, que, em resposta, enviaram uma delega\u00e7\u00e3o especial ao encontro organizado no dia 28 de setembro, no St. Martin\u2019s Hall, em Londres. O dirigente metal\u00fargico franc\u00eas, Tolain, leu a resposta dos trabalhadores franceses perante um sal\u00e3o lotado, com cerca de 2.000 participantes, dentre os quais estava Karl Marx . Pela delega\u00e7\u00e3o alem\u00e3, o alfaiate Eccarius foi quem falou. Desse encontro, foi acatada a proposta do sindicalista Wheeler de eleger um comit\u00ea com o poder de cooptar novos membros e de escrever o estatuto de uma associa\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um congresso internacional, que seria realizado na B\u00e9lgica no ano seguinte. Assim, nascia a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, ou I Internacional. 2. Manifesto Inaugural e Estatutos Provis\u00f3rios: \u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 conquistar o poder pol\u00edtico\u201d Tanto o Manifesto Inaugural quanto o Estatuto Provis\u00f3rio foram redigidos diretamente por Marx. Aqui, queremos destacar o Estatuto Provis\u00f3rio, no qual Marx soube colocar toda sua habilidade t\u00e1tica para contemplar todos os grupos pol\u00edticos que fundaram a Internacional, como os sindicalistas ingleses, o proudhonistas, os blanquistas, os anarquistas e o pr\u00f3prio grupo ligado a Marx, remanescentes da Liga dos Comunistas. Marx se absteve de entrar em pol\u00eamicas desnecess\u00e1rias com esses grupos ou utilizar termos como Socialismo, Comunismo, Estatiza\u00e7\u00e3o e Centraliza\u00e7\u00e3o. Entretanto, todos esses termos foram resumidos em um s\u00f3: o poder pol\u00edtico. Ou seja, unificou todos os grupos no conte\u00fado e n\u00e3o na forma, a tal ponto de tanto o Manifesto Inaugural como os Estatutos Provis\u00f3rios serem votados pela maioria do Comit\u00ea de Reda\u00e7\u00e3o. Assim, os primeiros considerandos dos Estatutos deixam bem n\u00edtida a for\u00e7a da classe oper\u00e1ria para confiar em si mesma: \u201cA liberta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora deve ser conquistada pela pr\u00f3pria classe trabalhadora\u201d, e que essa luta \u00e9 pela \u201caboli\u00e7\u00e3o de toda domina\u00e7\u00e3o de classe\u201d; ou \u201cque a liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da classe oper\u00e1ria \u00e9, portanto, a grande meta final a qual deve subordinar-se, como meio, todo o movimento pol\u00edtico\u201d; ou, para deixar evidente que a luta \u00e9 internacional, nos diz \u201cque a liberta\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um objetivo local nem nacional, mas um objetivo social que abarca todos os pa\u00edses em que exista a moderna sociedade...\u201d Por fim, voltando ao Manifesto Inaugural, Marx deixa muito mais expl\u00edcito que \u201co grande dever das classes trabalhadoras \u00e9 a conquista do poder pol\u00edtico\u201d e que todas as tentativas de organizar cooperativas em n\u00edveis locais ou regionais fracassaram, apesar da boa vontade dos dirigentes socialistas. No pr\u00f3ximo artigo, discutiremos os cinco congressos da I Internacional, sua influ\u00eancia na pol\u00edtica europeia, principalmente na Comuna de Paris de 1871, e a pol\u00eamica de Marx e Engels com os anarquistas e Bakunin. Leia tamb\u00e9m: Mensagem Inaugural https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1864\/10\/27.htm Estatutos https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1871\/10\/24.htm ________________________________________ [1] . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, pp. 50-60. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa. [2] . Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem pp. 42-45 [3] . Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem, p\u00e1g. 21. A I INTERNACIONAL (1864-1872): SEGUNDA PARTE No artigo anterior (CS 134), narramos a funda\u00e7\u00e3o da I Internacional e seus documentos pol\u00edticos. Neste, vamos analisar a interven\u00e7\u00e3o da Internacional na luta de classes ao longo dos seis anos efetivos de sua exist\u00eancia, onde foram realizados cinco congressos: Genebra (1866), Lausanne (1867), Bruxelas (1868), Basileia (1869) e Haia (1872), al\u00e9m de duas Confer\u00eancias em Londres, em 1865 e em setembro de 1871, logo ap\u00f3s a derrota da Comuna de Paris. Por: Jo\u00e3o Santiago \u2013 CSP Conlutas e Sintsep\/PA A I Internacional e a luta de classes: apoio \u00e0s greves e solidariedade internacional Dois anos ap\u00f3s a sua funda\u00e7\u00e3o, a Internacional come\u00e7a a se fortalecer e crescer a partir do apoio \u00e0 greve dos alfaiates unificados em Londres, em 1866, onde se localizava o Conselho Geral, do qual Marx era um dos integrantes. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria dessa greve, novos membros de cinco associa\u00e7\u00f5es de alfaiates aderiram \u00e0 Internacional. No Informe do Conselho Geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT) ao IV Congresso Geral (01\/09\/1869) [1] narram-se as greves dos tecel\u00f5es de cintas e dos tintureiros de seda de Basileia, que duraram de novembro de 1868 at\u00e9 a primavera de 1869, pelas horas de descanso estabelecidas pelo costume que foram tiradas pelos patr\u00f5es. A Internacional apoiou a insurrei\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Tamb\u00e9m estouraram as greves dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil e dos impressores de Genebra. Mais uma vez, a Internacional foi acusada de estar por tr\u00e1s das greves. Na Carta aos Oper\u00e1rios da Europa e dos Estados Unidos (04\/05\/1869) [2], a Internacional denuncia as matan\u00e7as dos grevistas belgas ocorridas na sider\u00fargica Cockerril em Seraing e na mina de carv\u00e3o de Borinage-Frameries, onde 9 mineiros foram assassinados pelas tropas policiais e 20 ficaram feridos. Na Fran\u00e7a, a greve da ind\u00fastria algodoeira, que agitou o pa\u00eds em dezembro de 1868, teve como palco principal Rouen, na Normandia, e foi diretamente contra o rebaixamento de sal\u00e1rios para enviar mat\u00e9ria-prima mais barata para os capitalistas ingleses. Tamb\u00e9m estouraram greves na Fran\u00e7a nos distritos mineiros do Loire, em Lyon e em muitos outros lugares. Mas, as greves de 11 junho, dos mineiros de carv\u00e3o de Saint-\u00c9tienne, Rive-de-Grier e Firming, exigindo melhores sal\u00e1rios, foram reprimidas com crueldade. No dia 12 de junho, as minas foram ocupadas por fortes contingentes militares, que prenderam 60 mineiros e mataram quinze pessoas, entre elas duas mulheres e uma crian\u00e7a de peito, e ferindo um grande n\u00famero, perto de Ricamarie. A Internacional denunciou esse crime ao mundo e foi duramente perseguida pelo governo franc\u00eas. Na Alemanha, somou-se ao apoio \u00e0 greve dos mineiros da regi\u00e3o do Vale do Ruhr, em julho de 1872, que lutavam por 8 horas de trabalho e um aumento de sal\u00e1rio de vinte e cinco por cento. Em todos esses combates entre a burguesia e a classe oper\u00e1ria, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica de 1866\/67, a Internacional se fortalecia e cada vez mais novos contingentes se somavam, como foi o caso do maior partido oper\u00e1rio do mundo, o Socialdemocrata alem\u00e3o, criado em 1869 com base nos princ\u00edpios da Internacional, e tendo uma base de 150.000 oper\u00e1rios. Al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de se\u00e7\u00f5es na Holanda, Espanha, N\u00e1poles, \u00c1ustria, dentre outras, bem como nos Estados Unidos. Ao lado do apoio \u00e0s greves, a Internacional tamb\u00e9m teve uma pol\u00edtica internacional principista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra civil norte-americana, posicionando-se contra a escravid\u00e3o, que era defendida pelos sulistas. A luta pela independ\u00eancia da Pol\u00f4nia do jugo da R\u00fassia czarista tamb\u00e9m esteve sempre na ordem do dia da Internacional, justamente porque havia uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio\u201d dos \u201cescribas e agitadores da burguesia\u201d [3] em torno dessa quest\u00e3o. Mas, sem d\u00favida alguma, a guerra civil na Fran\u00e7a, com a instaura\u00e7\u00e3o da Comuna de Paris em mar\u00e7o de 1871, foi a mais importante interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Internacional, justamente por se instalar no cora\u00e7\u00e3o da Europa, onde a Internacional estava presente (Para esse tema, ver os n\u00fameros 124, 126 e 128 do Combate Socialista, dedicados aos 150 Anos da Comuna de Paris). Se a Comuna foi uma das grandes interven\u00e7\u00f5es da Internacional, sua derrota trouxe uma exacerba\u00e7\u00e3o da luta interna no seio da I Internacional, principalmente a luta do grupo liderado por Marx e Engels contra Bakunin e sua seita anarquista. \u00c9 disso que trataremos em seguida, numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do Combate Socialista. Leia tamb\u00e9m: 150 anos da Comuna de Paris https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/ . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas. M\u00e9xico: Fundo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, p\u00e1g.1. . Franz Mehring. Karl Marx: a hist\u00f3ria de sua vida. Editora Sundermann, 2013, p.316. . Franz Mehring, idem, pp. 317-318. . Carlos Marx, Federico Engels. La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas, idem,p\u00e1g 8. . Idem ibidem, p\u00e1g. 7. Especial AS INTERNACIONAIS OPER\u00c1RIAS Com a destrui\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio internacional ap\u00f3s os embates entre anarquistas e comunistas, Engels se preocupava com sua reorganiza\u00e7\u00e3o. Para isso, apostou na recria\u00e7\u00e3o da Internacional, cabendo a ele, ap\u00f3s a morte de Marx, a tarefa de garantir a hegemonia dos socialistas marxistas no movimento. A segunda Internacional (1889-1914) \u2013 PRIMEIRA PARTE Eloisa Mendon\u00e7a, CST Sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica obteve resultado e o Congresso em Paris, em 1889, foi um sucesso. Assim nasceu a II Internacional, com cerca de 400 delegados representando cerca de 20 pa\u00edses, entre eles: da Alemanha, Bebel, Liebknecht, Bernstein e Clara Zetkin; da R\u00fassia, Georgy Plekhanov; da B\u00e9lgica, C\u00e9sar de Paepe; da Inglaterra, Keir Hardie, entre outros. Suas principais resolu\u00e7\u00f5es apoiavam a jornada de trabalho de oito horas, a proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho das mulheres e adolescentes. Ademais, o evento convocou a primeira manifesta\u00e7\u00e3o global do 1\u00ba de Maio em apoio \u00e0s classes trabalhadoras no ano seguinte, 1890. A grosso modo, existiam quatro linhas pol\u00edticas na Segunda Internacional: 1) o Partido Socialdemocrata Alem\u00e3o (SPD). Din\u00e2mico, disciplinado e pelo progresso eleitoral. Ele cresceu constantemente nos anos 1890 e em 1905 tinha 385 mil membros e 27% do eleitorado, 2) o socialismo franc\u00eas, com correntes revolucion\u00e1rias jacobinas do s\u00e9c. XIX, correntes socialistas \u201cut\u00f3picas\u201d e o anarcossindicalismo, 3) o socialismo ingl\u00eas, com uma tradi\u00e7\u00e3o de luta oper\u00e1ria. O marxismo era defendido por algumas de suas correntes, mas era minorit\u00e1rio no partido dos trabalhadores, 4) na R\u00fassia, onde a classe oper\u00e1ria era ainda pequena e predominava a classe camponesa, o populismo ligado ao operariado defendia a ideia de que na R\u00fassia o movimento revolucion\u00e1rio seria de origem camponesa, mas Plekhanov defendia o marxismo russo, com base no inevit\u00e1vel desenvolvimento capitalista e a nascente classe oper\u00e1ria. Imperialismo e Reformismo No per\u00edodo da Segunda Internacional, o imperialismo caracterizava-se pelas contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas, competi\u00e7\u00e3o pelo mundo colonial, ou seja, pelas \u201creservas de mercado\u201d para seus capitais sobreacumulados, e pelo acesso exclusivo \u00e0s fontes de mat\u00e9rias primas dos \u201cpa\u00edses atrasados\u201d, em especial entre as velhas pot\u00eancias (Fran\u00e7a e Inglaterra, R\u00fassia, Holanda e B\u00e9lgica em menor medida) e as novas pot\u00eancias em expans\u00e3o (Alemanha e EUA). Nesse per\u00edodo, havia se desenvolvido um movimento oper\u00e1rio de massas na Europa e nos EUA, levando \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de dezenove partidos oper\u00e1rios e socialistas no continente europeu entre 1880 e 1896, al\u00e9m de importantes federa\u00e7\u00f5es nacionais de sindicatos. As mudan\u00e7as tamb\u00e9m eram geopol\u00edticas com o deslocamento do eixo econ\u00f4mico-industrial do continente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha. O principal partido era o SPD \u2013 Partido Socialdemocrata da Alemanha \u2013 fundado em 1875 na cidade de Gotha, cujo programa foi duramente criticado por Karl Marx, devido a realizar amplas concess\u00f5es \u00e0s ideias lassalleanas (da\u00ed vem o livro de Marx, Cr\u00edtica ao Programa de Gotha). Lassalle via o Estado como um meio pelo qual os trabalhadores poderiam conquistar seus interesses e at\u00e9 mesmo transformar a sociedade para criar uma economia baseada em cooperativas dirigidas por trabalhadores. A estrat\u00e9gia de Lassalle era primariamente eleitoral e reformista. A socialdemocracia alem\u00e3 \u2013 devido ao seu grau de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 assumiu naturalmente o posto de lideran\u00e7a da Segunda Internacional e, com isso, a responsabilidade de responder \u00e0s quest\u00f5es do movimento oper\u00e1rio diante de uma nova forma de capitalismo, ou seja, interpretar as mudan\u00e7as sociais, cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, as quais refletiam em todo o conjunto da sociedade no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. No interior da organiza\u00e7\u00e3o durante esse per\u00edodo, podemos identificar algumas tend\u00eancias que come\u00e7aram a ganhar for\u00e7a, s\u00e3o elas: a marxista ortodoxa, que possui a obra de Karl Kautsky inclusa, assim como a contribui\u00e7\u00e3o de August Bebel; a revisionista, que tem como principal expoente o autor Eduard Bernstein, que em seus artigos publicados no Die Neue Zeit 2 procurou rever os aspectos que considerava como superados, dogm\u00e1ticos, n\u00e3o cient\u00edficos ou amb\u00edguos do marxismo; a ala sindicalista revolucion\u00e1ria, que surgiu originalmente no \u00e2mbito do socialismo franc\u00eas; e, por \u00faltimo, a Neue Linke 3 , considerada como a esquerda que se formou nos anos de 1910-1914 dentro da socialdemocracia alem\u00e3, tendo como principal lideran\u00e7a Rosa Luxemburgo. Engels, principal refer\u00eancia te\u00f3rica do PSD, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional, e com o intuito de influir nos debates sobre o Programa do partido alem\u00e3o, que iriam acontecer em Erfurt em 1891, toma tr\u00eas medidas: a primeira, a republica\u00e7\u00e3o da Cr\u00edtica de Marx ao programa de Gotha; a segunda, uma rigorosa defesa da \u201cditadura do proletariado\u201d; e a terceira, uma cr\u00edtica ao projeto de Programa de Erfurt. Atrav\u00e9s do acompanhamento do SPD e de seus debates, Engels foi o primeiro a descrever a ascens\u00e3o de um partido de massas na hist\u00f3ria, que inclui no sistema pol\u00edtico amplas parcelas da sociedade e que aposta na via eleitoral como ferramenta para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes. Em segundo lugar, Engels foi o primeiro a identificar de forma mais n\u00edtida a correla\u00e7\u00e3o entre classes sociais e partidos pol\u00edticos. Grandes embates na II Internacional \u2013 Parte II Adolpho Tundis, Diretor do SEPE e CST RJ O reagrupamento do movimento socialista e oper\u00e1rio mundial na II Internacional teve \u00eaxitos importantes, como a cria\u00e7\u00e3o das tarefas internacionais do Dia do Trabalhador no 1\u00ba de maio (1889) e o Dia da Mulher no 8 de mar\u00e7o (1910).Ao mesmo tempo, desenvolvia-se cada vez mais o antagonismo entre as principais correntes pol\u00edticas. A consolida\u00e7\u00e3o do imperialismo e a derrocada do capitalismo, evidenciada com a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, expuseram as profundas diferen\u00e7as de estrat\u00e9gia entre as duas tend\u00eancias fundamentais do movimento oper\u00e1rio: a tend\u00eancia do reformismo dos oportunistas e a tend\u00eancia dos revolucion\u00e1rios. A II Internacional aprovou em 1912 o Manifesto da Basileia, que tinha um car\u00e1ter anti-imperialista, denunciava a prepara\u00e7\u00e3o da guerra por parte das pot\u00eancias e da burguesia e ainda apontava a tarefa fundamental do movimento socialista internacional: afirmava que a guerra &quot;provocar\u00e1 uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que dever\u00e1 ser aproveitada: n\u00e3o para atenuar a crise, n\u00e3o para defender a p\u00e1tria, mas, pelo contr\u00e1rio, para sacudir as massas, para apressar a queda do dom\u00ednio do capital&quot;. Os reformistas, no entanto, tra\u00edram as resolu\u00e7\u00f5es do Manifesto e acabaram apoiando a participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na guerra, servindo como um bra\u00e7o dos interesses das burguesias nacionais na guerra imperialista. As principais pol\u00eamicas se deram quanto \u00e0 vota\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos de guerra nos parlamentos dos pa\u00edses \u2013 os reformistas votavam pela aprova\u00e7\u00e3o dos \u201ccr\u00e9ditos de guerra\u201d \u2013 e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos governos burgueses. Lenin, em \u201cO oportunismo e a fal\u00eancia da II Internacional\u201d, procurou explicar o significado econ\u00f4mico e pol\u00edtico do oportunismo reformista, que deformava o movimento socialista internacional, evidenciado no apoio dos reformistas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra imperialista, chamado de \u201cdefensismo\u201d: \u201cEm que consiste a ess\u00eancia econ\u00f4mica do defensismo durante a guerra de 1914-1915? A burguesia de todas as grandes pot\u00eancias trava a guerra com o fim de partilhar e explorar o mundo, com o fim de oprimir os povos. Um pequeno c\u00edrculo da burocracia oper\u00e1ria, da aristocracia oper\u00e1ria e de companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos grandes lucros da burguesia. A causa de classe profunda do social-chauvinismo e do oportunismo \u00e9 a mesma: a alian\u00e7a de uma pequena camada de oper\u00e1rios privilegiados com a &quot;sua&quot; burguesia nacional contra as massas da classe oper\u00e1ria, a alian\u00e7a dos lacaios da burguesia com esta \u00faltima contra a classe por ela explorada. O conte\u00fado pol\u00edtico do oportunismo e do social-chauvinismo \u00e9 o mesmo: a colabora\u00e7\u00e3o das classes, a ren\u00fancia \u00e0 ditadura do proletariado, a ren\u00fancia \u00e0s a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a falta de confian\u00e7a no proletariado, a confian\u00e7a na burguesia.\u201d Como premia\u00e7\u00e3o \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e pela sua defesa da pilhagem imperialista, os reformistas \u201csocialistas\u201d eram elogiados por representantes da burguesia, ganhavam cargos em minist\u00e9rios de governo (Inglaterra e Fran\u00e7a) ou tinham o monop\u00f3lio da exist\u00eancia legal sem obst\u00e1culos (Alemanha e R\u00fassia). A divis\u00e3o entre as correntes reformistas e revolucion\u00e1rias era profunda nos partidos oper\u00e1rios, como o Partido Socialdemocrata alem\u00e3o. O oportunista Kautsky reconhecia a divis\u00e3o do partido em dois campos extremos. Como forma de garantir a unidade, sua proposta era a autoriza\u00e7\u00e3o de discursos parlamentares mais radicais. Kautsky queria, \u201cpor meio de alguns discursos parlamentares radicais, reconciliar as massas revolucion\u00e1rias com os oportunistas, que nada t\u00eam em comum com a revolu\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 h\u00e1 muito dirigem os sindicatos e que agora, apoiando-se na sua estreita alian\u00e7a com a burguesia e com o governo, apoderaram-se tamb\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o do partido\u201d (Lenin). Lenin fazia um duro e preciso balan\u00e7o sobre a unidade dos revolucion\u00e1rios com esses oportunistas em um mesmo partido, ao afirmar que significava \u201ca unidade com a sua pr\u00f3pria burguesia nacional, que explora outras na\u00e7\u00f5es, e a cis\u00e3o do proletariado internacional.\u201d A ruptura deveria ser parte da estrat\u00e9gia, mas n\u00e3o tinha necessariamente suas condi\u00e7\u00f5es preparadas: \u201cIsso n\u00e3o significa que a ruptura com os oportunistas \u00e9 imediatamente poss\u00edvel em toda a parte, significa apenas que ela amadureceu historicamente, que ela \u00e9 necess\u00e1ria e inevit\u00e1vel para a luta revolucion\u00e1ria do proletariado, que a hist\u00f3ria, que conduziu do capitalismo &quot;pac\u00edfico&quot; ao capitalismo imperialista, preparou essa ruptura\u201d. Em 1915, a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios de confiar na a\u00e7\u00e3o das massas e incentivar a luta da classe trabalhadora demonstrou-se correta quando, como consequ\u00eancia da guerra, a efervesc\u00eancia revolucion\u00e1ria, as greves e protestos explodiram na R\u00fassia, It\u00e1lia e Inglaterra. Ap\u00f3s 25 anos do in\u00edcio da II Internacional, o oportunismo reformista mais que amadureceu: passou definitivamente para o campo da burguesia. As tarefas apontadas por Lenin, de amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de massas e desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o internacional dos revolucion\u00e1rios, permanecem atuais. Leia tamb\u00e9m Oportunismo e fal\u00eancia da II Internacional https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/01\/falencia.htm Especial As internacionais oper\u00e1rias Nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, importantes acontecimentos marcaram a hist\u00f3ria da humanidade e, em particular, do movimento oper\u00e1rio. Em primeiro lugar, a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial e o apoio das se\u00e7\u00f5es da II Internacional \u00e0s burguesias imperialistas de seus pa\u00edses (ver o \u00faltimo texto deste especial, no CS n\u00b0 139); posteriormente, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de outubro de 1917, primeira revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria vitoriosa e que expropriou a burguesia naquele pa\u00eds. A III Internacional \u2013 Da funda\u00e7\u00e3o \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate Foi sob o impacto desses dois processos, a capitula\u00e7\u00e3o oportunista da II Internacional e o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, que, em mar\u00e7o de 1919, foi fundada a III Internacional. A Internacional Comunista (IC), como foi chamada, tinha o objetivo expl\u00edcito de ser a dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista em todo o mundo. Nesse sentido, aos moldes do Partido Bolchevique, organizava-se enquanto um partido revolucion\u00e1rio internacional, com se\u00e7\u00f5es em cada pa\u00eds, o que consiste um avan\u00e7o qualitativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s internacionais oper\u00e1rias que a precederam. A hist\u00f3ria da Internacional Comunista pode ser dividida em dois per\u00edodos: de sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 1922\/23, per\u00edodo em que se realizaram os quatro primeiros congressos da IC; a partir dessa data at\u00e9 a sua dissolu\u00e7\u00e3o, em 1943, quando esteve sob o controle da burocracia stalinista. A Internacional Comunista revolucion\u00e1ria Em sua primeira fase, a IC foi conduzida e impulsionada pelo Partido Bolchevique de Lenin e Trotsky. Trata-se do per\u00edodo em que a IC constituiu um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio internacional, organizando se\u00e7\u00f5es, intervindo na luta de classes e lutando pela revolu\u00e7\u00e3o socialista em cada pa\u00eds do mundo, como parte da revolu\u00e7\u00e3o mundial. Os quatro primeiros congressos da IC, realizados anualmente, aprovaram importantes resolu\u00e7\u00f5es nesse sentido. Al\u00e9m de quest\u00f5es organizativas e de crit\u00e9rios para a ades\u00e3o de novas se\u00e7\u00f5es, estabeleceram como objetivo a tomada do poder pelo proletariado e a organiza\u00e7\u00e3o de governos sovi\u00e9ticos; orientaram a atua\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos comunistas dentro dos sindicatos e nas elei\u00e7\u00f5es burguesas; aprovaram um programa de luta para as mulheres, a juventude e os povos oprimidos; e, respondendo a uma mudan\u00e7a na conjuntura internacional, combateram o ultraesquerdismo de alguns partidos e aprovaram a t\u00e1tica da frente \u00fanica oper\u00e1ria. Nesses primeiros anos, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, a IC lan\u00e7ou as bases para um programa revolucion\u00e1rio, mas este n\u00e3o p\u00f4de ser concretizado devido \u00e0 guinada de curso do per\u00edodo seguinte. A degenera\u00e7\u00e3o sob controle stalinista Alguns fatores ajudam a entender a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC. Primeiramente, o isolamento da URSS ap\u00f3s a derrota da onda revolucion\u00e1ria do p\u00f3s-guerra, derrota na qual foi fundamental o papel da dire\u00e7\u00e3o do PC alem\u00e3o e de Zinoviev e Stalin, j\u00e1 \u00e0 frente da IC. Al\u00e9m disso, a morte de Lenin, em 1924, abriu caminho para que Stalin isolasse Trotsky e impusesse sua pol\u00edtica ao PC sovi\u00e9tico. Logo as pr\u00e1ticas e a pol\u00edtica aplicadas ao partido sovi\u00e9tico foram estendidas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da IC. Desde ent\u00e3o, a IC deixou de ter um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, tornando-se um \u00f3rg\u00e3o de defesa dos interesses da burocracia stalinista. Em termos te\u00f3ricos, foi imposta a teoria do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, um revisionismo do marxismo \u2013 e da pr\u00f3pria base fundacional da IC \u2013 que considerava ser poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS sem considerar o curso da revolu\u00e7\u00e3o europeia. A partir disso, sua trajet\u00f3ria foi marcada por uma s\u00e9rie de equ\u00edvocos, desvios e trai\u00e7\u00f5es. Exemplos s\u00e3o a pol\u00edtica ultraesquerdista do \u201cterceiro per\u00edodo\u201d, que ignorou o perigo fascista e levou ao esmagamento da classe oper\u00e1ria alem\u00e3, ou a pol\u00edtica das \u201cfrentes populares\u201d, que, a partir do VII Congresso da IC, em 1935, levou \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de governos em comum com a burguesia em diversos pa\u00edses. O pre\u00e7o dessas trai\u00e7\u00f5es foi pago pela classe trabalhadora mundial, pois a IC passou a atuar como um instrumento da contrarrevolu\u00e7\u00e3o e conduziu \u00e0 derrota diversas revolu\u00e7\u00f5es. Em 1943, levando o \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, Stalin dissolveu a IC, como um gesto de boa vontade \u00e0s burguesias imperialistas. O legado dessa internacional, por\u00e9m, permanece vivo para os revolucion\u00e1rios em todo o mundo, seja no programa defendido em seus primeiros quatro congressos ou na luta de Trotsky, desde a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, contra a sua degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e contrarrevolucion\u00e1ria. (acompanhe em cstpsol,com o artigo sobre a IV Internacional) Leia tamb\u00e9m III internacional uma escola de estrat\u00e9gia revolucionaria: https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/07\/26\/iii-internacional-uma-escola-de-estrategia-revolucionaria\/ A IV internacional Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate No \u00faltimo texto, vimos que a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Europa, ocasionando o isolamento da classe trabalhadora da URSS, e da morte de Lenin, a Internacional Comunista iniciou um curso de degenera\u00e7\u00e3o. Esse curso foi conduzido por Stalin e pela burocracia sovi\u00e9tica, impondo ao movimento oper\u00e1rio uma sucess\u00e3o de erros e desvios pol\u00edticos e resultando no abandono do internacionalismo e da pr\u00f3pria perspectiva revolucion\u00e1ria por parte da IC (Internacional Comunista). Isso, por\u00e9m, n\u00e3o foi feito sem que houvesse resist\u00eancia. A luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC, ligada diretamente \u00e0 luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique e da pr\u00f3pria URSS, foi dirigida por Leon Trotsky enquanto ele esteve vivo. Consistindo em resgatar os princ\u00edpios presentes nos quatro primeiros congressos da IC, essa tarefa passou por diferentes momentos e culminou na organiza\u00e7\u00e3o de uma nova Internacional, em 1938: a IV Internacional. A organiza\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda As primeiras batalhas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o foram realizadas ainda no interior do Partido Comunista da URSS e da IC. Em 1923, foi fundada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, compreendendo, al\u00e9m de Trotsky, antigas lideran\u00e7as do partido bolchevique; j\u00e1 em 1926, organizou-se a \u201cOposi\u00e7\u00e3o Unificada\u201d, conferindo um maior alcance para as atividades dos militantes oposicionistas de esquerda. Nesse per\u00edodo, houve dois momentos cruciais no enfrentamento \u00e0 pol\u00edtica stalinista para a IC. Primeiro, na den\u00fancia da alian\u00e7a do PC brit\u00e2nico com os trabalhistas (reformistas), alian\u00e7a que n\u00e3o foi rompida mesmo ap\u00f3s estes \u00faltimos terem tra\u00eddo uma greve geral dos trabalhadores, em 1926; depois, na cr\u00edtica \u00e0 submiss\u00e3o dos comunistas chineses \u00e0 burguesia nacionalista daquele pa\u00eds, fato que impediu o desenvolvimento de organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas por parte dos trabalhadores e levou \u00e0 derrota da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de 1927 (ver livro que acabamos de lan\u00e7ar: China \u2013 da Revolu\u00e7\u00e3o a Restaura\u00e7\u00e3o). Ap\u00f3s press\u00e3o do aparato stalinista, ainda em 1927, algumas lideran\u00e7as da Oposi\u00e7\u00e3o Unificada, como Kamenev e Zinoviev, capitularam e \u201creconheceram os erros\u201d de suas cr\u00edticas \u00e0 IC, o que levou ao fim da experi\u00eancia unificada [1]. Apesar da capitula\u00e7\u00e3o de parte dos oposicionistas, Trotsky e seus companheiros n\u00e3o abandonaram a necess\u00e1ria luta dentro da IC. Stalin, ent\u00e3o, aumentou a repress\u00e3o em busca de exterminar a oposi\u00e7\u00e3o, culminando com a expuls\u00e3o e o ex\u00edlio de Trotsky. Nesse per\u00edodo, come\u00e7ou a ser organizada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional, a partir do exterior, principalmente por militantes exilados. Foram muitas as dificuldades encontradas por esses militantes. Basta lembrar que eles estavam sujeitos a uma dupla repress\u00e3o: tanto por parte dos governos capitalistas dos pa\u00edses em que se encontravam, quanto pelo aparato stalinista [2]. O rompimento com a IC e a continua\u00e7\u00e3o da luta contra a burocracia A ascens\u00e3o de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, marcou uma mudan\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o de Trotsky e seus companheiros. No in\u00edcio dos anos 1930, Stalin e a IC haviam adotado uma linha ultra-esquerdista (denominada \u201cterceiro per\u00edodo\u201d) e afirmavam que haveria um iminente ascenso revolucion\u00e1rio. Assim, se recusavam a fazer qualquer tipo de acordo com os partidos reformistas. Na Alemanha, mesmo diante da amea\u00e7a real que era o nazismo, os stalinistas concentravam seus esfor\u00e7os em combater a social-democracia, definida como \u201cirm\u00e3 g\u00eamea\u201d do fascismo. Trotsky combateu essa linha, defendendo que se formasse uma \u201cfrente \u00fanica\u201d com os partidos oper\u00e1rios reformistas. Essa frente n\u00e3o poderia indicar qualquer recuo do programa revolucion\u00e1rio ou o abandono de princ\u00edpios; seria um acordo pontual, visando uma a\u00e7\u00e3o concreta: derrotar os fascistas [3]. Como podemos perceber, a linha stalinista adotada pelo PC alem\u00e3o facilitou o trabalho de Hitler. Diante desse epis\u00f3dio, os militantes da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda avaliaram que a IC estava falida. O objetivo de regenerar aquela Internacional foi abandonado, colocando-se a tarefa de continuar a luta contra a burocracia stalinista por fora dessa organiza\u00e7\u00e3o. A funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional A necessidade de construir uma nova Internacional n\u00e3o foi um consenso entre os militantes que eram pr\u00f3ximos ao movimento trotskista. Havia setores que apontavam para o contexto hist\u00f3rico vivido naquele momento, no qual se observava um enorme retrocesso do movimento revolucion\u00e1rio, dizendo, assim, que n\u00e3o era poss\u00edvel criar uma Internacional \u201cartificialmente\u201d, sem uma grande vit\u00f3ria do proletariado internacional. De fato, a etapa hist\u00f3rica iniciada em 1923, a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o europeia, e que se estendeu at\u00e9 1943 foi marcada por grandes derrotas para a classe trabalhadora. Durante esses 20 anos ocorreram, por exemplo, a consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo dentro da URSS e a ascens\u00e3o do fascismo na It\u00e1lia e na Alemanha. Por\u00e9m, essa caracteriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era contradit\u00f3ria com a possibilidade de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional; ao contr\u00e1rio, afirmava a sua necessidade. Como disse Trotsky, a nova organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha o seu surgimento marcado por um \u201cgrande acontecimento\u201d que era a ascens\u00e3o de Hitler e a trai\u00e7\u00e3o das velhas dire\u00e7\u00f5es, que haviam permitido esse fato. Portanto, era a maior derrota j\u00e1 sofrida pela classe trabalhadora em toda a hist\u00f3ria que se colocava como base de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Segundo Nahuel Moreno, esse \u201cfoi o maior acerto de Trotsky e do nosso movimento mundial\u201d, postulando a unifica\u00e7\u00e3o dos militantes revolucion\u00e1rios em torno de um programa pol\u00edtico para enfrentar os ataques contrarrevolucion\u00e1rios e se preparar para o posterior ascenso do movimento de massas [4]. A constru\u00e7\u00e3o de um partido e de um programa capazes de responder ao ascenso revolucion\u00e1rio que os militantes trotskistas vislumbravam ganhava ainda mais import\u00e2ncia devido ao car\u00e1ter das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do movimento de massas. A pol\u00edtica traidora apresentada pelas velhas dire\u00e7\u00f5es social-democrata e stalinista, que j\u00e1 haviam abandonado a perspectiva da luta de classes, colocava para a IV Internacional a tarefa de disputar a lideran\u00e7a desses movimentos para que pudessem apresentar uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria. Em outras palavras, o que se apresentava era o problema da crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado: por um lado, estavam presentes as condi\u00e7\u00f5es objetivas para o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o socialista; por outro, n\u00e3o havia uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de conduzir essa tarefa. Essa contradi\u00e7\u00e3o foi resumida por Trotsky, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, ao afirmar que \u201ca crise hist\u00f3rica da humanidade se reduz \u00e0 crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d [5]. A IV Internacional depois de Trotsky Em 1940, por\u00e9m, Trotsky foi assassinato no M\u00e9xico a mando de Stalin. Isso representou um grande golpe para a IV Internacional, fundada apenas dois anos antes. N\u00e3o bastasse perder o seu principal dirigente, a organiza\u00e7\u00e3o se viu mergulhada em uma conjuntura muito complexa, marcada pela Segunda Guerra Mundial. O conjunto desses fatores fez com que surgissem dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o, praticamente acabando com os v\u00ednculos entre as diferentes se\u00e7\u00f5es da Internacional. Com o fim da guerra, outros problemas surgiram, ligados mais diretamente ao car\u00e1ter do grupo que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Na Europa, por exemplo, Pierre Frank, Michel Pablo e Ernest Mandel formavam uma dire\u00e7\u00e3o inexperiente e que n\u00e3o tinha uma origem na classe oper\u00e1ria. A partir de 1945, com o fim da guerra, abriu-se uma nova etapa hist\u00f3rica. O mundo vivenciou 30 anos de um enorme avan\u00e7o revolucion\u00e1rio, por exemplo, com a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia no Leste europeu e, mais tarde, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Por sua vez, diante desse contexto, os novos dirigentes da IV Internacional demonstraram uma debilidade pol\u00edtica para dar as respostas que a conjuntura exigia [6]. Ao contr\u00e1rio do que Trotsky imaginava, o ascenso revolucion\u00e1rio que se sucedeu \u00e0 Segunda Guerra n\u00e3o foram conduzidos por uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consciente, formada por partidos semelhantes ao Partido Bolchevique. Ao contr\u00e1rio, tais processos tiveram \u00e0 sua frente dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas, reformistas ou stalinistas, que os conduziram n\u00e3o porque desejavam ver uma revolu\u00e7\u00e3o triunfante, mas sim porque n\u00e3o puderam conter a for\u00e7a daquela onda revolucion\u00e1ria p\u00f3s-guerra. Os dirigentes trotskistas, impressionados com esse fato, n\u00e3o conseguiram compreender a din\u00e2mica daqueles fen\u00f4menos, o que resultou em graves erros. Um exemplo disso pode ser visto no chamado \u201centrismo sui generis\u201d, t\u00e1tica defendida por Pablo e Mandel no III Congresso da IV Internacional. Realizado em 1951, momento em que as dire\u00e7\u00f5es stalinistas se fortaleciam conjunturalmente na onda do ascenso revolucion\u00e1rio, essa t\u00e1tica partia da previs\u00e3o de que tal ascenso tornaria os conflitos entre a URSS e o imperialismo cada vez mais agudos, culminando em uma nova guerra mundial. Em meio a isso, as dire\u00e7\u00f5es oportunistas se veriam obrigadas a evolu\u00edrem at\u00e9 posi\u00e7\u00f5es objetivamente revolucion\u00e1rias. Dessa forma, para Pablo e Mandel, o papel dos trotskistas seria ingressar nessas organiza\u00e7\u00f5es oportunistas, fossem stalinistas ou pequeno-burguesas, n\u00e3o por um curto per\u00edodo, para ganhar um setor desses partidos, mas por entenderem que tais partidos dirigiriam os pr\u00f3ximos processos revolucion\u00e1rios. Na pr\u00e1tica, essa pol\u00edtica votada pela maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional abria m\u00e3o da tarefa de construir partidos trotskistas e revolucion\u00e1rios. Um ano depois, explodiu uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Bol\u00edvia, onde a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional tinha influ\u00eancia de massas. Em 1951, houve uma vit\u00f3ria eleitoral do Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR), um movimento nacionalista burgu\u00eas, e uma tentativa de golpe militar para impedir a sua posse. Uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foi organizada para impedir esse golpe, com a forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas e de uma Central Oper\u00e1ria Boliviana, uma verdadeira situa\u00e7\u00e3o de duplo poder. Em vez de impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es e a tomada do poder, o POR (se\u00e7\u00e3o trotskista), influenciado pela pol\u00edtica de Pablo e Mandel, defendeu a forma\u00e7\u00e3o de um governo em comum com os nacionalistas burgueses, entregando, na pr\u00e1tica, o poder ao MNR. Neste contexto ocorreu a divis\u00e3o da Internacional trotskista e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Internacional, composto, entre outros, pelas se\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos (o SWP), Inglaterra e pelo partido argentino ligado a Nahuel Moreno. Em 1963, houve a reunifica\u00e7\u00e3o da maioria dos grupos trotskistas em torno do apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, de 1959, formando-se o Secretariado Unificado (SU). Apesar de considerar que a reunifica\u00e7\u00e3o tinha aspectos positivos, Moreno alertava para os perigos da capitula\u00e7\u00e3o ao castrismo. Tais riscos se concretizaram, em primeiro lugar, quando Mandel e o SU adotaram a t\u00e1tica da guerrilha, m\u00e9todo que havia triunfado em Cuba, como uma estrat\u00e9gia a ser aplicada de forma generalizada (algo que foi questionado, dentre outros, por dirigentes do SWP e do PRT Argentino). Depois, em 1979, na ocasi\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua, os partidos ligados a Moreno organizaram a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar e enviaram combatentes para aquele pa\u00eds. Ap\u00f3s o triunfo dos sandinistas, os combatentes da Brigada seguiram defendendo a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, sendo perseguidos pelo novo governo. Mandel e o SU se mantiveram ao lado desse setor nacionalista burgu\u00eas, apoiando a expuls\u00e3o dos militantes trotskistas e sua entrega \u00e0 pol\u00edcia do Panam\u00e1. Uma quebra de princ\u00edpios revolucion\u00e1rios que levou a um novo rompimento da IV Internacional. A atualidade da constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional Os exemplos citados acima, das revolu\u00e7\u00f5es inseridas no ascenso mundial do movimento de massas ap\u00f3s a Segunda Guerra, assim como as lutas que se desenvolvem nos dias de hoje nos mostram que a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o, tarefa a qual a IV Internacional se prop\u00f4s em sua funda\u00e7\u00e3o, ainda segue de p\u00e9. Os processos revolucion\u00e1rios que aconteceram desde 1945, seja na China ou em Cuba, por exemplo, mostraram os limites das dire\u00e7\u00f5es reformistas e oportunistas: ao n\u00e3o avan\u00e7arem na mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e na defesa do car\u00e1ter internacional das revolu\u00e7\u00f5es, confinaram esses processos nos limites dos seus pa\u00edses, o que levou ao seu retrocesso. Infelizmente, o movimento trotskista, dirigido principalmente por Pablo e Mandel, n\u00e3o buscaram a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o alternativa. Ainda hoje, quando a classe trabalhadora mostra a sua disposi\u00e7\u00e3o para lutar em diversos lugares do mundo, vemos que esses levantes esbarram no limite das suas dire\u00e7\u00f5es. Setores reformistas e oportunistas que aplicam a pol\u00edtica da concilia\u00e7\u00e3o de classes atuam para frear a luta dos trabalhadores. Isso deixa n\u00edtido o peso da falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e como \u00e9 urgente a tarefa da sua constru\u00e7\u00e3o. Assim, segue atual a batalha travada por aqueles e aquelas que constru\u00edram cada uma das Internacionais oper\u00e1rias, a tarefa de construir partidos revolucion\u00e1rios que lutem por governos dos trabalhadores em cada pa\u00eds e em todo o mundo. \u00c9 nesse sentido que, hoje, fazemos o chamado pela unidade dos revolucion\u00e1rios e pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Notas: [1] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o Unificada Internacional de 1923 a 1928. Hist\u00f3ria da Internacional Comunista, 1919-1943. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2007. [2] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional de 1928 a 1933. Idem. [3] Atualmente, chamamos esse tipo de acordo pontual para a\u00e7\u00f5es concretas de \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d. [4] Nahuel Moreno. Teses para atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: CS Editora, 1992. [5] Leon Trotsky. Programa de Transi\u00e7\u00e3o [1938]. https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap01.htm#1 [6] Sobre os erros da pol\u00edtica da maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional ap\u00f3s a Segunda Guerra, mencionados nos par\u00e1grafos seguintes, ver: Nahuel Moreno. O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2008; e Mercedes Petit. Interven\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit no Evento &quot;Trotsky em Perman\u00eancia&quot;. https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/05\/22\/o-debate-sobre-a-revolucao-permanente-e-nahuel-moreno\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/09\/06\/nicaragua-40-anos-apos-a-queda-de-somoza-outra-ditadura-2\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/06\/23\/especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2020\/08\/28\/a-quarta-internacional-e-o-movimento-trotskista-sem-trotsky\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/02\/06\/lancamento-livro-a-brigada-simon-bolivar-10-02\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/02\/13-08-lancamento-china-da-revolucao-a-restauracao-capitalista\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/90-anos-da-liga-comunista-do-brasil\/ https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/\"><strong>Estatutos<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__ednref1\">[1]<\/a>\u00a0. Carlos Marx, Federico Engels.\u00a0<em>La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas<\/em>. M\u00e9xico: Fondo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, pp. 50-60. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__ednref2\">[2]<\/a>\u00a0. Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem pp. 42-45<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__ednref3\">[3]<\/a>\u00a0. Carlos Marx, Federico Engels, idem ibidem, p\u00e1g. 21.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">A I INTERNACIONAL (1864-1872): SEGUNDA PARTE<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8937\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels.jpg 500w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/marxengels-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No artigo anterior (CS 134), narramos a funda\u00e7\u00e3o da I Internacional e seus documentos pol\u00edticos. Neste, vamos analisar a interven\u00e7\u00e3o da Internacional na luta de classes ao longo dos seis anos efetivos de sua exist\u00eancia, onde foram realizados cinco congressos:\u00a0\u00a0Genebra (1866),\u00a0Lausanne (1867),\u00a0Bruxelas (1868),\u00a0Basileia (1869) e Haia (1872), al\u00e9m de duas Confer\u00eancias em Londres, em 1865 e em setembro de 1871, logo ap\u00f3s a derrota da Comuna de Paris.<\/p>\n<p><em>Por: Jo\u00e3o Santiago \u2013 CSP Conlutas e Sintsep\/PA<\/em><\/p>\n<h2>A I Internacional e a luta de classes: apoio \u00e0s greves e solidariedade internacional<\/h2>\n<p>Dois anos ap\u00f3s a sua funda\u00e7\u00e3o, a Internacional come\u00e7a a se fortalecer e crescer a partir do apoio \u00e0 greve dos alfaiates unificados em Londres, em 1866, onde se localizava o Conselho Geral, do qual Marx era um dos integrantes. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria dessa greve, novos membros de cinco associa\u00e7\u00f5es de alfaiates aderiram \u00e0 Internacional. No\u00a0<em>Informe do Conselho Geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT) ao IV Congresso\u00a0<\/em>Geral (01\/09\/1869) <a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__edn1\">[1]<\/a>\u00a0narram-se as greves dos tecel\u00f5es de cintas e dos tintureiros de seda de Basileia, que duraram de novembro de 1868 at\u00e9 a primavera de 1869, pelas horas de descanso estabelecidas pelo costume que foram tiradas pelos patr\u00f5es. A Internacional apoiou a insurrei\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Tamb\u00e9m estouraram as greves dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil e dos impressores de Genebra. Mais uma vez, a Internacional foi acusada de estar por tr\u00e1s das greves.<\/p>\n<p>Na\u00a0<em>Carta aos Oper\u00e1rios da Europa e dos Estados Unidos\u00a0<\/em>(04\/05\/1869) <a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__edn2\">[2]<\/a>, a Internacional denuncia as matan\u00e7as dos grevistas belgas ocorridas na sider\u00fargica Cockerril em Seraing e na mina de carv\u00e3o de Borinage-Frameries, onde 9 mineiros foram assassinados pelas tropas policiais e 20 ficaram feridos. Na Fran\u00e7a, a greve da ind\u00fastria algodoeira, que agitou o pa\u00eds em dezembro de 1868, teve como palco principal Rouen, na Normandia, e foi diretamente contra o rebaixamento de sal\u00e1rios para enviar mat\u00e9ria-prima mais barata para os capitalistas ingleses. Tamb\u00e9m estouraram greves na Fran\u00e7a nos distritos mineiros do Loire, em Lyon e em muitos outros lugares. Mas, as greves de 11 junho, dos mineiros de carv\u00e3o de Saint-\u00c9tienne, Rive-de-Grier e Firming, exigindo melhores sal\u00e1rios, foram reprimidas com crueldade. No dia 12 de junho, as minas foram ocupadas por fortes contingentes militares, que prenderam 60 mineiros e mataram quinze pessoas, entre elas duas mulheres e uma crian\u00e7a de peito, e ferindo um grande n\u00famero, perto de Ricamarie. A Internacional denunciou esse crime ao mundo e foi duramente perseguida pelo governo franc\u00eas. Na Alemanha, somou-se ao apoio \u00e0 greve dos mineiros da regi\u00e3o do Vale do Ruhr, em julho de 1872, que lutavam por 8 horas de trabalho e um aumento de sal\u00e1rio de vinte e cinco por cento.<\/p>\n<p>Em todos esses combates entre a burguesia e a classe oper\u00e1ria, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica de 1866\/67, a Internacional se fortalecia e cada vez mais novos contingentes se somavam, como foi o caso do maior partido oper\u00e1rio do mundo, o Socialdemocrata alem\u00e3o, criado em 1869 com base nos princ\u00edpios da Internacional, e tendo uma base de 150.000 oper\u00e1rios. Al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de se\u00e7\u00f5es na Holanda, Espanha, N\u00e1poles, \u00c1ustria, dentre outras, bem como nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ao lado do apoio \u00e0s greves, a Internacional tamb\u00e9m teve uma pol\u00edtica internacional principista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra civil norte-americana, posicionando-se contra a\u00a0escravid\u00e3o, que era defendida pelos sulistas. A luta pela independ\u00eancia da Pol\u00f4nia do jugo da R\u00fassia czarista tamb\u00e9m esteve sempre na ordem do dia da Internacional, justamente porque havia uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio\u201d dos \u201cescribas e agitadores da burguesia\u201d <a href=\"https:\/\/outlook.live.com\/mail\/0\/inbox\/id\/AQMkADAwATY3ZmYAZS05NzcAZi04OWIzLTAwAi0wMAoARgAAA8CdLWqml%2FBLksg%2BRtzfkFIHAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEAAAIBDAAAAH52z%2FJr1otAjhyUxLpXjAEABK1sgE0AAAA%3D#x__edn3\">[3]<\/a>\u00a0em torno dessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, sem d\u00favida alguma, a guerra civil na Fran\u00e7a, com a instaura\u00e7\u00e3o da Comuna de Paris em mar\u00e7o de 1871, foi a mais importante interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Internacional, justamente por se instalar no cora\u00e7\u00e3o da Europa, onde a Internacional estava presente (Para esse tema, ver os n\u00fameros 124, 126 e 128 do Combate Socialista, dedicados aos 150 Anos da Comuna de Paris).<\/p>\n<p>Se a Comuna foi uma das grandes interven\u00e7\u00f5es da Internacional, sua derrota trouxe uma exacerba\u00e7\u00e3o da luta interna no seio da I Internacional, principalmente a luta do grupo liderado por Marx e Engels contra Bakunin e sua seita anarquista. \u00c9 disso que trataremos em seguida, numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do Combate Socialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"nMGiNal5Zf\"><p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/\">Especial \u2013 150 anos da Comuna de Paris (1871 \u2013 2021)<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Especial \u2013 150 anos da Comuna de Paris (1871 \u2013 2021)&#8221; &#8212; CST-UIT\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/embed\/#?secret=hQNGg9lvcJ#?secret=nMGiNal5Zf\" data-secret=\"nMGiNal5Zf\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p>[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . Carlos Marx, Federico Engels. <em>La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas<\/em>. M\u00e9xico: Fundo de Cultura Econ\u00f4mica, 1988, p\u00e1g.1.[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . Franz Mehring. <em>Karl Marx: a hist\u00f3ria de sua vida<\/em>. Editora Sundermann, 2013, p.316.<br \/>\n[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . Franz Mehring, idem, pp. 317-318.<br \/>\n[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . Carlos Marx, Federico Engels. <em>La Internacional: Documentos, art\u00edculos y cartas<\/em>, idem,p\u00e1g 8.<br \/>\n[1]\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . Idem ibidem, p\u00e1g. 7.<\/p>\n<h1>Especial<\/h1>\n<h2 style=\"text-align: center;\">AS INTERNACIONAIS OPER\u00c1RIAS<\/h2>\n<p>Com a destrui\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio internacional ap\u00f3s os embates entre anarquistas e comunistas, Engels se preocupava com sua reorganiza\u00e7\u00e3o. Para isso, apostou na recria\u00e7\u00e3o da Internacional, cabendo a ele, ap\u00f3s a morte de Marx, a tarefa de garantir a hegemonia dos socialistas marxistas no movimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8940 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-681x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-681x1024.jpg 681w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-768x1155.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-33x50.jpg 33w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor-600x902.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/ii-internacional-jornal-cor.jpg 862w\" sizes=\"auto, (max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">A segunda Internacional (1889-1914) \u2013 PRIMEIRA PARTE<\/h2>\n<p><em>Eloisa Mendon\u00e7a, CST<\/em><\/p>\n<p>Sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica obteve resultado e o Congresso em Paris, em 1889, foi um sucesso. Assim nasceu a II Internacional, com cerca de 400 delegados representando cerca de 20 pa\u00edses, entre eles: \u00a0da Alemanha, Bebel, Liebknecht, Bernstein e Clara Zetkin; da R\u00fassia, Georgy Plekhanov; da B\u00e9lgica, C\u00e9sar de Paepe; da Inglaterra, Keir Hardie, entre outros. Suas principais resolu\u00e7\u00f5es apoiavam a jornada de trabalho de oito horas, a proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho das mulheres e adolescentes. Ademais, o evento convocou a primeira manifesta\u00e7\u00e3o global do 1\u00ba de Maio em apoio \u00e0s classes trabalhadoras no ano seguinte, 1890.<\/p>\n<p>A grosso modo, existiam quatro linhas pol\u00edticas na Segunda Internacional: 1) o Partido Socialdemocrata Alem\u00e3o (SPD). Din\u00e2mico, disciplinado e pelo progresso eleitoral. Ele cresceu constantemente nos anos 1890 e em 1905 tinha 385 mil membros e 27% do eleitorado, 2) o socialismo franc\u00eas, com correntes revolucion\u00e1rias jacobinas do s\u00e9c. XIX, correntes socialistas \u201cut\u00f3picas\u201d e o anarcossindicalismo, 3) o socialismo ingl\u00eas, com uma tradi\u00e7\u00e3o de luta oper\u00e1ria. O marxismo era defendido por algumas de suas correntes, mas era minorit\u00e1rio no partido dos trabalhadores, 4) na R\u00fassia, onde a classe oper\u00e1ria era ainda pequena e predominava a classe camponesa, o populismo ligado ao operariado defendia a ideia de que na R\u00fassia o movimento revolucion\u00e1rio seria de origem camponesa, mas Plekhanov defendia o marxismo russo, com base no inevit\u00e1vel desenvolvimento capitalista e a nascente classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<h3>Imperialismo e Reformismo<\/h3>\n<p>No per\u00edodo da Segunda Internacional, o imperialismo caracterizava-se pelas contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas, competi\u00e7\u00e3o pelo mundo colonial, ou seja, pelas \u201creservas de mercado\u201d para seus capitais sobreacumulados, e pelo acesso exclusivo \u00e0s fontes de mat\u00e9rias primas dos \u201cpa\u00edses atrasados\u201d, em especial entre as velhas pot\u00eancias (Fran\u00e7a e Inglaterra, R\u00fassia, Holanda e B\u00e9lgica em menor medida) e as novas pot\u00eancias em expans\u00e3o (Alemanha e EUA).\u00a0 Nesse per\u00edodo, havia se desenvolvido um movimento oper\u00e1rio de massas na Europa e nos EUA,\u00a0levando \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de\u00a0dezenove partidos oper\u00e1rios e socialistas no continente europeu entre 1880 e 1896, al\u00e9m de importantes federa\u00e7\u00f5es nacionais de sindicatos.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as tamb\u00e9m eram geopol\u00edticas com o deslocamento do eixo econ\u00f4mico-industrial do continente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha. O principal partido era o SPD \u2013 Partido Socialdemocrata da Alemanha \u2013 fundado em 1875 na cidade de Gotha, cujo programa foi duramente criticado por Karl Marx, devido a realizar amplas concess\u00f5es \u00e0s ideias lassalleanas (da\u00ed vem o livro de Marx, Cr\u00edtica ao Programa de Gotha).\u00a0Lassalle via o Estado como um meio pelo qual os trabalhadores poderiam conquistar seus interesses e at\u00e9 mesmo transformar a sociedade para criar uma economia baseada em cooperativas dirigidas por trabalhadores. A estrat\u00e9gia de Lassalle era primariamente eleitoral e reformista.<\/p>\n<p>A socialdemocracia alem\u00e3 \u2013 devido ao seu grau de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 assumiu naturalmente o posto de lideran\u00e7a da Segunda Internacional e, com isso, a responsabilidade de responder \u00e0s quest\u00f5es do movimento oper\u00e1rio diante de uma nova forma de capitalismo, ou seja, interpretar as mudan\u00e7as sociais, cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, as quais refletiam em todo o conjunto da sociedade no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. No interior da organiza\u00e7\u00e3o durante esse per\u00edodo, podemos identificar algumas tend\u00eancias que come\u00e7aram a ganhar for\u00e7a, s\u00e3o elas: a marxista ortodoxa, que possui a obra de Karl Kautsky inclusa, assim como a contribui\u00e7\u00e3o de August Bebel; a revisionista, que tem como principal expoente o autor Eduard Bernstein, que em seus artigos publicados no Die Neue Zeit 2 procurou rever os aspectos que considerava como superados, dogm\u00e1ticos, n\u00e3o cient\u00edficos ou amb\u00edguos do marxismo; a ala sindicalista revolucion\u00e1ria, que surgiu originalmente no \u00e2mbito do socialismo franc\u00eas; e, por \u00faltimo, a Neue Linke 3 , considerada como a esquerda que se formou nos anos de 1910-1914 dentro da socialdemocracia alem\u00e3, tendo como principal lideran\u00e7a Rosa Luxemburgo.<\/p>\n<p>Engels, principal refer\u00eancia te\u00f3rica do PSD, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional, e com o intuito de influir nos debates sobre o Programa do partido alem\u00e3o, que iriam acontecer em Erfurt em 1891, toma tr\u00eas medidas: a primeira, a republica\u00e7\u00e3o da Cr\u00edtica de Marx ao programa de Gotha; a segunda, uma rigorosa defesa da \u201cditadura do proletariado\u201d; e a terceira, uma cr\u00edtica ao projeto de Programa de Erfurt.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do acompanhamento do SPD e de seus debates, Engels foi o primeiro a descrever a ascens\u00e3o de um partido de massas na hist\u00f3ria, que inclui no sistema pol\u00edtico amplas parcelas da sociedade e que aposta na via eleitoral como ferramenta para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes.\u00a0Em segundo lugar, Engels foi o primeiro a identificar de forma mais n\u00edtida a correla\u00e7\u00e3o entre classes sociais e partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Grandes embates na II Internacional \u2013 Parte II<\/h2>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong>Adolpho Tundis, Diretor do SEPE e CST RJ<\/em><\/p>\n<p>O reagrupamento do movimento socialista e oper\u00e1rio mundial na II Internacional teve \u00eaxitos importantes, como a cria\u00e7\u00e3o das tarefas internacionais do Dia do Trabalhador no 1\u00ba de maio (1889) e o Dia da Mulher no 8 de mar\u00e7o (1910).Ao mesmo tempo, desenvolvia-se cada vez mais o antagonismo entre as principais correntes pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o do imperialismo e a derrocada do capitalismo, evidenciada com a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, expuseram as profundas diferen\u00e7as de estrat\u00e9gia entre as duas tend\u00eancias fundamentais do movimento oper\u00e1rio: a tend\u00eancia do reformismo dos oportunistas e a tend\u00eancia dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A II Internacional aprovou em 1912 o Manifesto da Basileia, que tinha um car\u00e1ter anti-imperialista, denunciava a prepara\u00e7\u00e3o da guerra por parte das pot\u00eancias e da burguesia e ainda apontava a tarefa fundamental do movimento socialista internacional: afirmava que a guerra &#8220;provocar\u00e1 uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que dever\u00e1 ser aproveitada: n\u00e3o para atenuar a crise, n\u00e3o para defender a p\u00e1tria, mas, pelo contr\u00e1rio, para sacudir as massas, para apressar a queda do dom\u00ednio do capital&#8221;.<\/p>\n<p>Os reformistas, no entanto, tra\u00edram as resolu\u00e7\u00f5es do Manifesto e acabaram apoiando a participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses na guerra, servindo como um bra\u00e7o dos interesses das burguesias nacionais na guerra imperialista. As principais pol\u00eamicas se deram quanto \u00e0 vota\u00e7\u00e3o dos or\u00e7amentos de guerra nos parlamentos dos pa\u00edses \u2013 os reformistas votavam pela aprova\u00e7\u00e3o dos \u201ccr\u00e9ditos de guerra\u201d \u2013 e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos governos burgueses.<\/p>\n<p>Lenin, em \u201cO oportunismo e a fal\u00eancia da II Internacional\u201d, procurou explicar o significado econ\u00f4mico e pol\u00edtico do oportunismo reformista, que deformava o movimento socialista internacional, evidenciado no apoio dos reformistas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra imperialista, chamado de \u201cdefensismo\u201d:<\/p>\n<p><em>\u201cEm que consiste a ess\u00eancia econ\u00f4mica do defensismo durante a guerra de 1914-1915? A burguesia de todas as grandes pot\u00eancias trava a guerra com o fim de partilhar e explorar o mundo, com o fim de oprimir os povos. Um pequeno c\u00edrculo da burocracia oper\u00e1ria, da aristocracia oper\u00e1ria e de companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos grandes lucros da burguesia. A causa de classe profunda do social-chauvinismo e do oportunismo\u00a0\u00e9 a mesma: a alian\u00e7a de uma pequena camada de oper\u00e1rios privilegiados com a &#8220;sua&#8221; burguesia nacional contra as massas da classe oper\u00e1ria, a alian\u00e7a dos lacaios da burguesia com esta \u00faltima contra a classe por ela explorada.<\/em><\/p>\n<p><em>O conte\u00fado pol\u00edtico do oportunismo\u00a0e do social-chauvinismo \u00e9 o mesmo: a colabora\u00e7\u00e3o das classes, a ren\u00fancia \u00e0 ditadura do proletariado, a ren\u00fancia \u00e0s a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a falta de confian\u00e7a no proletariado, a confian\u00e7a na burguesia.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Como premia\u00e7\u00e3o \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e pela sua defesa da pilhagem imperialista, os reformistas \u201csocialistas\u201d eram elogiados por representantes da burguesia, ganhavam cargos em minist\u00e9rios de governo (Inglaterra e Fran\u00e7a) ou tinham o monop\u00f3lio da exist\u00eancia legal sem obst\u00e1culos (Alemanha e R\u00fassia).<\/p>\n<p>A divis\u00e3o entre as correntes reformistas e revolucion\u00e1rias era profunda nos partidos oper\u00e1rios, como o Partido Socialdemocrata alem\u00e3o. O oportunista Kautsky reconhecia a divis\u00e3o do partido em dois campos extremos. Como forma de garantir a unidade, sua proposta era a autoriza\u00e7\u00e3o de discursos parlamentares mais radicais. Kautsky queria, \u201cpor meio de alguns discursos parlamentares radicais, reconciliar as massas revolucion\u00e1rias com os oportunistas, que nada t\u00eam em comum com a revolu\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 h\u00e1 muito dirigem os sindicatos e que agora, apoiando-se na sua estreita alian\u00e7a com a burguesia e com o governo, apoderaram-se tamb\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o do partido\u201d (Lenin).<\/p>\n<p>Lenin fazia um duro e preciso balan\u00e7o sobre a unidade dos revolucion\u00e1rios com esses oportunistas em um mesmo partido, ao afirmar que significava \u201ca unidade com a sua pr\u00f3pria burguesia nacional, que explora outras na\u00e7\u00f5es, e a cis\u00e3o do proletariado internacional.\u201d<\/p>\n<p>A ruptura deveria ser parte da estrat\u00e9gia, mas n\u00e3o tinha necessariamente suas condi\u00e7\u00f5es preparadas: \u201cIsso n\u00e3o significa que a ruptura com os oportunistas \u00e9 imediatamente poss\u00edvel em toda a parte, significa apenas que ela amadureceu historicamente, que ela \u00e9 necess\u00e1ria e inevit\u00e1vel para a luta revolucion\u00e1ria do proletariado, que a hist\u00f3ria, que conduziu do capitalismo &#8220;pac\u00edfico&#8221; ao capitalismo imperialista, preparou essa ruptura\u201d.<\/p>\n<p>Em 1915, a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios de confiar na a\u00e7\u00e3o das massas e incentivar a luta da classe trabalhadora demonstrou-se correta quando, como consequ\u00eancia da guerra, a efervesc\u00eancia revolucion\u00e1ria, as greves e protestos explodiram na R\u00fassia, It\u00e1lia e Inglaterra.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 25 anos do in\u00edcio da II Internacional, o oportunismo reformista mais que amadureceu: passou definitivamente para o campo da burguesia. As tarefas apontadas por Lenin, de amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de massas e desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o internacional dos revolucion\u00e1rios, permanecem atuais.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1916\/01\/falencia.htm\">Oportunismo e fal\u00eancia da II Internacional<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h1>Especial<\/h1>\n<h2 style=\"text-align: center;\">As internacionais oper\u00e1rias<\/h2>\n<p>Nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, importantes acontecimentos marcaram a hist\u00f3ria da humanidade e, em particular, do movimento oper\u00e1rio. Em primeiro lugar, a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial e o apoio das se\u00e7\u00f5es da II Internacional \u00e0s burguesias imperialistas de seus pa\u00edses (ver o \u00faltimo texto deste especial, no CS n\u00b0 139); posteriormente, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de outubro de 1917, primeira revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria vitoriosa e que expropriou a burguesia naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8941 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional.jpg 604w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional-50x39.jpg 50w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iii-internacional-600x467.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">A III Internacional \u2013 Da funda\u00e7\u00e3o \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista<\/h2>\n<p><em>Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate<\/em><\/p>\n<p>Foi sob o impacto desses dois processos, a capitula\u00e7\u00e3o oportunista da II Internacional e o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o socialista na R\u00fassia, que, em mar\u00e7o de 1919, foi fundada a III Internacional. A Internacional Comunista (IC), como foi chamada, tinha o objetivo expl\u00edcito de ser a dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista em todo o mundo. Nesse sentido, aos moldes do Partido Bolchevique, organizava-se enquanto um partido revolucion\u00e1rio internacional, com se\u00e7\u00f5es em cada pa\u00eds, o que consiste um avan\u00e7o qualitativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s internacionais oper\u00e1rias que a precederam.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Internacional Comunista pode ser dividida em dois per\u00edodos: de sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 1922\/23, per\u00edodo em que se realizaram os quatro primeiros congressos da IC; a partir dessa data at\u00e9 a sua dissolu\u00e7\u00e3o, em 1943, quando esteve sob o controle da burocracia stalinista.<\/p>\n<h3>A Internacional Comunista revolucion\u00e1ria<\/h3>\n<p>Em sua primeira fase, a IC foi conduzida e impulsionada pelo Partido Bolchevique de Lenin e Trotsky. Trata-se do per\u00edodo em que a IC constituiu um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio internacional, organizando se\u00e7\u00f5es, intervindo na luta de classes e lutando pela revolu\u00e7\u00e3o socialista em cada pa\u00eds do mundo, como parte da revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Os quatro primeiros congressos da IC, realizados anualmente, aprovaram importantes resolu\u00e7\u00f5es nesse sentido. Al\u00e9m de quest\u00f5es organizativas e de crit\u00e9rios para a ades\u00e3o de novas se\u00e7\u00f5es, estabeleceram como objetivo a tomada do poder pelo proletariado e a organiza\u00e7\u00e3o de governos sovi\u00e9ticos; orientaram a atua\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos comunistas dentro dos sindicatos e nas elei\u00e7\u00f5es burguesas; aprovaram um programa de luta para as mulheres, a juventude e os povos oprimidos; e, respondendo a uma mudan\u00e7a na conjuntura internacional, combateram o ultraesquerdismo de alguns partidos e aprovaram a t\u00e1tica da frente \u00fanica oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesses primeiros anos, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, a IC lan\u00e7ou as bases para um programa revolucion\u00e1rio, mas este n\u00e3o p\u00f4de ser concretizado devido \u00e0 guinada de curso do per\u00edodo seguinte.<\/p>\n<h3>A degenera\u00e7\u00e3o sob controle stalinista<\/h3>\n<p>Alguns fatores ajudam a entender a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC. Primeiramente, o isolamento da URSS ap\u00f3s a derrota da onda revolucion\u00e1ria do p\u00f3s-guerra, derrota na qual foi fundamental o papel da dire\u00e7\u00e3o do PC alem\u00e3o e de Zinoviev e Stalin, j\u00e1 \u00e0 frente da IC. Al\u00e9m disso, a morte de Lenin, em 1924, abriu caminho para que Stalin isolasse Trotsky e impusesse sua pol\u00edtica ao PC sovi\u00e9tico. Logo as pr\u00e1ticas e a pol\u00edtica aplicadas ao partido sovi\u00e9tico foram estendidas \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da IC.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a IC deixou de ter um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, tornando-se um \u00f3rg\u00e3o de defesa dos interesses da burocracia stalinista. Em termos te\u00f3ricos, foi imposta a teoria do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, um revisionismo do marxismo \u2013 e da pr\u00f3pria base fundacional da IC \u2013 que considerava ser poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS sem considerar o curso da revolu\u00e7\u00e3o europeia. A partir disso, sua trajet\u00f3ria foi marcada por uma s\u00e9rie de equ\u00edvocos, desvios e trai\u00e7\u00f5es. Exemplos s\u00e3o a pol\u00edtica ultraesquerdista do \u201cterceiro per\u00edodo\u201d, que ignorou o perigo fascista e levou ao esmagamento da classe oper\u00e1ria alem\u00e3, ou a pol\u00edtica das \u201cfrentes populares\u201d, que, a partir do VII Congresso da IC, em 1935, levou \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o de classes e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de governos em comum com a burguesia em diversos pa\u00edses. O pre\u00e7o dessas trai\u00e7\u00f5es foi pago pela classe trabalhadora mundial, pois a IC passou a atuar como um instrumento da contrarrevolu\u00e7\u00e3o e conduziu \u00e0 derrota diversas revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 1943, levando o \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, Stalin dissolveu a IC, como um gesto de boa vontade \u00e0s burguesias imperialistas. O legado dessa internacional, por\u00e9m, permanece vivo para os revolucion\u00e1rios em todo o mundo, seja no programa defendido em seus primeiros quatro congressos ou na luta de Trotsky, desde a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, contra a sua degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e contrarrevolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"WGytGojM4Q\"><p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/07\/26\/iii-internacional-uma-escola-de-estrategia-revolucionaria\/\">III Internacional: Uma Escola de Estrat\u00e9gia Revolucion\u00e1ria<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;III Internacional: Uma Escola de Estrat\u00e9gia Revolucion\u00e1ria&#8221; &#8212; CST-UIT\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/07\/26\/iii-internacional-uma-escola-de-estrategia-revolucionaria\/embed\/#?secret=wHUrTRhkDo#?secret=WGytGojM4Q\" data-secret=\"WGytGojM4Q\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\"><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h2><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">A IV internacional<\/h2>\n<p><em>Henrique Lignani, Educa\u00e7\u00e3o em Combate<\/em><\/p>\n<p>No \u00faltimo texto, vimos que a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Europa, ocasionando o isolamento da classe trabalhadora da URSS, e da morte de Lenin, a Internacional Comunista iniciou um curso de degenera\u00e7\u00e3o. Esse curso foi conduzido por Stalin e pela burocracia sovi\u00e9tica, impondo ao movimento oper\u00e1rio uma sucess\u00e3o de erros e desvios pol\u00edticos e resultando no abandono do internacionalismo e da pr\u00f3pria perspectiva revolucion\u00e1ria por parte da IC (Internacional Comunista).<\/p>\n<p>Isso, por\u00e9m, n\u00e3o foi feito sem que houvesse resist\u00eancia. A luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da IC, ligada diretamente \u00e0 luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique e da pr\u00f3pria URSS, foi dirigida por Leon Trotsky enquanto ele esteve vivo. Consistindo em resgatar os princ\u00edpios presentes nos quatro primeiros congressos da IC, essa tarefa passou por diferentes momentos e culminou na organiza\u00e7\u00e3o de uma nova Internacional, em 1938: a IV Internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8942 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv.png\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv.png 696w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv-263x300.png 263w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv-44x50.png 44w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iv-600x685.png 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>A organiza\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda<\/h3>\n<p>As primeiras batalhas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o foram realizadas ainda no interior do Partido Comunista da URSS e da IC. Em 1923, foi fundada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, compreendendo, al\u00e9m de Trotsky, antigas lideran\u00e7as do partido bolchevique; j\u00e1 em 1926, organizou-se a \u201cOposi\u00e7\u00e3o Unificada\u201d, conferindo um maior alcance para as atividades dos militantes oposicionistas de esquerda.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, houve dois momentos cruciais no enfrentamento \u00e0 pol\u00edtica stalinista para a IC. Primeiro, na den\u00fancia da alian\u00e7a do PC brit\u00e2nico com os trabalhistas (reformistas), alian\u00e7a que n\u00e3o foi rompida mesmo ap\u00f3s estes \u00faltimos terem tra\u00eddo uma greve geral dos trabalhadores, em 1926; depois, na cr\u00edtica \u00e0 submiss\u00e3o dos comunistas chineses \u00e0 burguesia nacionalista daquele pa\u00eds, fato que impediu o desenvolvimento de organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas por parte dos trabalhadores e levou \u00e0 derrota da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de 1927 (ver livro que acabamos de lan\u00e7ar: <strong>China \u2013 da Revolu\u00e7\u00e3o a Restaura\u00e7\u00e3o<\/strong>).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s press\u00e3o do aparato stalinista, ainda em 1927, algumas lideran\u00e7as da Oposi\u00e7\u00e3o Unificada, como Kamenev e Zinoviev, capitularam e \u201creconheceram os erros\u201d de suas cr\u00edticas \u00e0 IC, o que levou ao fim da experi\u00eancia unificada [1]. Apesar da capitula\u00e7\u00e3o de parte dos oposicionistas, Trotsky e seus companheiros n\u00e3o abandonaram a necess\u00e1ria luta dentro da IC. Stalin, ent\u00e3o, aumentou a repress\u00e3o em busca de exterminar a oposi\u00e7\u00e3o, culminando com a expuls\u00e3o e o ex\u00edlio de Trotsky. Nesse per\u00edodo, come\u00e7ou a ser organizada a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional, a partir do exterior, principalmente por militantes exilados. Foram muitas as dificuldades encontradas por esses militantes. Basta lembrar que eles estavam sujeitos a uma dupla repress\u00e3o: tanto por parte dos governos capitalistas dos pa\u00edses em que se encontravam, quanto pelo aparato stalinista [2].<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/90-anos-da-liga-comunista-do-brasil\/\"> 90 anos da Liga Comunista do Brasil<\/a><\/p>\n<h3>O rompimento com a IC e a continua\u00e7\u00e3o da luta contra a burocracia<\/h3>\n<p>A ascens\u00e3o de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, marcou uma mudan\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o de Trotsky e seus companheiros. No in\u00edcio dos anos 1930, Stalin e a IC haviam adotado uma linha ultra-esquerdista (denominada \u201cterceiro per\u00edodo\u201d) e afirmavam que haveria um iminente ascenso revolucion\u00e1rio. Assim, se recusavam a fazer qualquer tipo de acordo com os partidos reformistas. Na Alemanha, mesmo diante da amea\u00e7a real que era o nazismo, os stalinistas concentravam seus esfor\u00e7os em combater a social-democracia, definida como \u201cirm\u00e3 g\u00eamea\u201d do fascismo.<\/p>\n<p>Trotsky combateu essa linha, defendendo que se formasse uma \u201cfrente \u00fanica\u201d com os partidos oper\u00e1rios reformistas. Essa frente n\u00e3o poderia indicar qualquer recuo do programa revolucion\u00e1rio ou o abandono de princ\u00edpios; seria um acordo pontual, visando uma a\u00e7\u00e3o concreta: derrotar os fascistas [3].<\/p>\n<p>Como podemos perceber, a linha stalinista adotada pelo PC alem\u00e3o facilitou o trabalho de Hitler. Diante desse epis\u00f3dio, os militantes da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda avaliaram que a IC estava falida. O objetivo de regenerar aquela Internacional foi abandonado, colocando-se a tarefa de continuar a luta contra a burocracia stalinista por fora dessa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>A funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional<\/h3>\n<p>A necessidade de construir uma nova Internacional n\u00e3o foi um consenso entre os militantes que eram pr\u00f3ximos ao movimento trotskista. Havia setores que apontavam para o contexto hist\u00f3rico vivido naquele momento, no qual se observava um enorme retrocesso do movimento revolucion\u00e1rio, dizendo, assim, que n\u00e3o era poss\u00edvel criar uma Internacional \u201cartificialmente\u201d, sem uma grande vit\u00f3ria do proletariado internacional.<\/p>\n<p>De fato, a etapa hist\u00f3rica iniciada em 1923, a partir da derrota da revolu\u00e7\u00e3o europeia, e que se estendeu at\u00e9 1943 foi marcada por grandes derrotas para a classe trabalhadora. Durante esses 20 anos ocorreram, por exemplo, a consolida\u00e7\u00e3o do stalinismo dentro da URSS e a ascens\u00e3o do fascismo na It\u00e1lia e na Alemanha. Por\u00e9m, essa caracteriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era contradit\u00f3ria com a possibilidade de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional; ao contr\u00e1rio, afirmava a sua necessidade.<\/p>\n<p>Como disse Trotsky, a nova organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha o seu surgimento marcado por um \u201cgrande acontecimento\u201d que era a ascens\u00e3o de Hitler e a trai\u00e7\u00e3o das velhas dire\u00e7\u00f5es, que haviam permitido esse fato. Portanto, era a maior derrota j\u00e1 sofrida pela classe trabalhadora em toda a hist\u00f3ria que se colocava como base de funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Segundo Nahuel Moreno, esse \u201cfoi o maior acerto de Trotsky e do nosso movimento mundial\u201d, postulando a unifica\u00e7\u00e3o dos militantes revolucion\u00e1rios em torno de um programa pol\u00edtico para enfrentar os ataques contrarrevolucion\u00e1rios e se preparar para o posterior ascenso do movimento de massas [4].<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um partido e de um programa capazes de responder ao ascenso revolucion\u00e1rio que os militantes trotskistas vislumbravam ganhava ainda mais import\u00e2ncia devido ao car\u00e1ter das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do movimento de massas. A pol\u00edtica traidora apresentada pelas velhas dire\u00e7\u00f5es social-democrata e stalinista, que j\u00e1 haviam abandonado a perspectiva da luta de classes, colocava para a IV Internacional a tarefa de disputar a lideran\u00e7a desses movimentos para que pudessem apresentar uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o que se apresentava era o problema da crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado: por um lado, estavam presentes as condi\u00e7\u00f5es objetivas para o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o socialista; por outro, n\u00e3o havia uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria capaz de conduzir essa tarefa. Essa contradi\u00e7\u00e3o foi resumida por Trotsky, no <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>, ao afirmar que \u201ca crise hist\u00f3rica da humanidade se reduz \u00e0 crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d [5].<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"XNMemSjSzl\"><p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/06\/23\/especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario\/\">Especial 80 anos do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Especial 80 anos do Partido Socialista Revolucion\u00e1rio&#8221; &#8212; CST-UIT\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/06\/23\/especial-80-anos-do-partido-socialista-revolucionario\/embed\/#?secret=VY2zeZerI6#?secret=XNMemSjSzl\" data-secret=\"XNMemSjSzl\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\">A IV Internacional depois de Trotsky<\/h3>\n<p>Em 1940, por\u00e9m, Trotsky foi assassinato no M\u00e9xico a mando de Stalin. Isso representou um grande golpe para a IV Internacional, fundada apenas dois anos antes. N\u00e3o bastasse perder o seu principal dirigente, a organiza\u00e7\u00e3o se viu mergulhada em uma conjuntura muito complexa, marcada pela Segunda Guerra Mundial. O conjunto desses fatores fez com que surgissem dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o, praticamente acabando com os v\u00ednculos entre as diferentes se\u00e7\u00f5es da Internacional.<\/p>\n<p>Com o fim da guerra, outros problemas surgiram, ligados mais diretamente ao car\u00e1ter do grupo que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Na Europa, por exemplo, Pierre Frank, Michel Pablo e Ernest Mandel formavam uma dire\u00e7\u00e3o inexperiente e que n\u00e3o tinha uma origem na classe oper\u00e1ria. A partir de 1945, com o fim da guerra, abriu-se uma nova etapa hist\u00f3rica. O mundo vivenciou 30 anos de um enorme avan\u00e7o revolucion\u00e1rio, por exemplo, com a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia no Leste europeu e, mais tarde, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Por sua vez, diante desse contexto, os novos dirigentes da IV Internacional demonstraram uma debilidade pol\u00edtica para dar as respostas que a conjuntura exigia [6].<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que Trotsky imaginava, o ascenso revolucion\u00e1rio que se sucedeu \u00e0 Segunda Guerra n\u00e3o foram conduzidos por uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consciente, formada por partidos semelhantes ao Partido Bolchevique. Ao contr\u00e1rio, tais processos tiveram \u00e0 sua frente dire\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas, reformistas ou stalinistas, que os conduziram n\u00e3o porque desejavam ver uma revolu\u00e7\u00e3o triunfante, mas sim porque n\u00e3o puderam conter a for\u00e7a daquela onda revolucion\u00e1ria p\u00f3s-guerra. Os dirigentes trotskistas, impressionados com esse fato, n\u00e3o conseguiram compreender a din\u00e2mica daqueles fen\u00f4menos, o que resultou em graves erros.<\/p>\n<p>Um exemplo disso pode ser visto no chamado \u201centrismo sui generis\u201d, t\u00e1tica defendida por Pablo e Mandel no III Congresso da IV Internacional. Realizado em 1951, momento em que as dire\u00e7\u00f5es stalinistas se fortaleciam conjunturalmente na onda do ascenso revolucion\u00e1rio, essa t\u00e1tica partia da previs\u00e3o de que tal ascenso tornaria os conflitos entre a URSS e o imperialismo cada vez mais agudos, culminando em uma nova guerra mundial. Em meio a isso, as dire\u00e7\u00f5es oportunistas se veriam obrigadas a evolu\u00edrem at\u00e9 posi\u00e7\u00f5es objetivamente revolucion\u00e1rias. Dessa forma, para Pablo e Mandel, o papel dos trotskistas seria ingressar nessas organiza\u00e7\u00f5es oportunistas, fossem stalinistas ou pequeno-burguesas, n\u00e3o por um curto per\u00edodo, para ganhar um setor desses partidos, mas por entenderem que tais partidos dirigiriam os pr\u00f3ximos processos revolucion\u00e1rios. Na pr\u00e1tica, essa pol\u00edtica votada pela maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional abria m\u00e3o da tarefa de construir partidos trotskistas e revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Um ano depois, explodiu uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Bol\u00edvia, onde a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional tinha influ\u00eancia de massas. Em 1951, houve uma vit\u00f3ria eleitoral do Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR), um movimento nacionalista burgu\u00eas, e uma tentativa de golpe militar para impedir a sua posse. Uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foi organizada para impedir esse golpe, com a forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas e de uma Central Oper\u00e1ria Boliviana, uma verdadeira situa\u00e7\u00e3o de duplo poder. Em vez de impulsionar as mobiliza\u00e7\u00f5es e a tomada do poder, o POR (se\u00e7\u00e3o trotskista), influenciado pela pol\u00edtica de Pablo e Mandel, defendeu a forma\u00e7\u00e3o de um governo em comum com os nacionalistas burgueses, entregando, na pr\u00e1tica, o poder ao MNR.<\/p>\n<p>Neste contexto ocorreu a divis\u00e3o da Internacional trotskista e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Internacional, composto, entre outros, pelas se\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos (o SWP), Inglaterra e pelo partido argentino ligado a Nahuel Moreno. Em 1963, houve a reunifica\u00e7\u00e3o da maioria dos grupos trotskistas em torno do apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, de 1959, formando-se o Secretariado Unificado (SU). Apesar de considerar que a reunifica\u00e7\u00e3o tinha aspectos positivos, Moreno alertava para os perigos da capitula\u00e7\u00e3o ao castrismo.<\/p>\n<p>Tais riscos se concretizaram, em primeiro lugar, quando Mandel e o SU adotaram a t\u00e1tica da guerrilha, m\u00e9todo que havia triunfado em Cuba, como uma estrat\u00e9gia a ser aplicada de forma generalizada (algo que foi questionado, dentre outros, por dirigentes do SWP e do PRT Argentino). Depois, em 1979, na ocasi\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua, os partidos ligados a Moreno organizaram a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar e enviaram combatentes para aquele pa\u00eds. Ap\u00f3s o triunfo dos sandinistas, os combatentes da Brigada seguiram defendendo a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, sendo perseguidos pelo novo governo. Mandel e o SU se mantiveram ao lado desse setor nacionalista burgu\u00eas, apoiando a expuls\u00e3o dos militantes trotskistas e sua entrega \u00e0 pol\u00edcia do Panam\u00e1. Uma quebra de princ\u00edpios revolucion\u00e1rios que levou a um novo rompimento da IV Internacional.<\/p>\n<h3>A atualidade da constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional<\/h3>\n<p>Os exemplos citados acima, das revolu\u00e7\u00f5es inseridas no ascenso mundial do movimento de massas ap\u00f3s a Segunda Guerra, assim como as lutas que se desenvolvem nos dias de hoje nos mostram que a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o, tarefa a qual a IV Internacional se prop\u00f4s em sua funda\u00e7\u00e3o, ainda segue de p\u00e9. Os processos revolucion\u00e1rios que aconteceram desde 1945, seja na China ou em Cuba, por exemplo, mostraram os limites das dire\u00e7\u00f5es reformistas e oportunistas: ao n\u00e3o avan\u00e7arem na mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e na defesa do car\u00e1ter internacional das revolu\u00e7\u00f5es, confinaram esses processos nos limites dos seus pa\u00edses, o que levou ao seu retrocesso. Infelizmente, o movimento trotskista, dirigido principalmente por Pablo e Mandel, n\u00e3o buscaram a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n<p>Ainda hoje, quando a classe trabalhadora mostra a sua disposi\u00e7\u00e3o para lutar em diversos lugares do mundo, vemos que esses levantes esbarram no limite das suas dire\u00e7\u00f5es. Setores reformistas e oportunistas que aplicam a pol\u00edtica da concilia\u00e7\u00e3o de classes atuam para frear a luta dos trabalhadores. Isso deixa n\u00edtido o peso da falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e como \u00e9 urgente a tarefa da sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, segue atual a batalha travada por aqueles e aquelas que constru\u00edram cada uma das Internacionais oper\u00e1rias, a tarefa de construir partidos revolucion\u00e1rios que lutem por governos dos trabalhadores em cada pa\u00eds e em todo o mundo. \u00c9 nesse sentido que, hoje, fazemos o chamado pela unidade dos revolucion\u00e1rios e pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o Unificada Internacional de 1923 a 1928. <em>Hist\u00f3ria da Internacional Comunista, 1919-1943<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2007.<br \/>\n[2] Pierre Brou\u00e9. A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda Internacional de 1928 a 1933. <em>Idem<\/em>.<br \/>\n[3] Atualmente, chamamos esse tipo de acordo pontual para a\u00e7\u00f5es concretas de \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n[4] Nahuel Moreno. <em>Teses para atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: CS Editora, 1992.<br \/>\n[5] Leon Trotsky. <em>Programa de Transi\u00e7\u00e3o <\/em>[1938]. <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap01.htm#1\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1938\/programa\/cap01.htm#1<\/a><br \/>\n[6] Sobre os erros da pol\u00edtica da maioria da dire\u00e7\u00e3o da IV Internacional ap\u00f3s a Segunda Guerra, mencionados nos par\u00e1grafos seguintes, ver: Nahuel Moreno. <em>O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Sundermann, 2008; e Mercedes Petit. Interven\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit no Evento &#8220;Trotsky em Perman\u00eancia&#8221;. <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/08\/17\/intervencao-de-mercedes-petit-no-evento-trotski-em-permanencia\/<\/a><\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4sBrB1TnDu\"><p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/05\/22\/o-debate-sobre-a-revolucao-permanente-e-nahuel-moreno\/\">O debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Permanente e Nahuel Moreno<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Permanente e Nahuel Moreno&#8221; &#8212; CST-UIT\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2019\/05\/22\/o-debate-sobre-a-revolucao-permanente-e-nahuel-moreno\/embed\/#?secret=hHq8L4PuNN#?secret=4sBrB1TnDu\" data-secret=\"4sBrB1TnDu\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Ka08AfK4Dm\"><p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/08\/28\/a-quarta-internacional-e-o-movimento-trotskista-sem-trotsky\/\">A Quarta Internacional e o movimento trotskista sem Trotsky<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A Quarta Internacional e o movimento trotskista sem Trotsky&#8221; &#8212; CST-UIT\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2020\/08\/28\/a-quarta-internacional-e-o-movimento-trotskista-sem-trotsky\/embed\/#?secret=IJAhWhgWdN#?secret=Ka08AfK4Dm\" data-secret=\"Ka08AfK4Dm\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especial As Internacionais oper\u00e1rias O jornal Combate Socialista publicou esse especial entre os meses de setembro e novembro (CS 134-135, 138-39 e CS 143) para analisar as Internacionais Oper\u00e1rias e mostrar o quanto a exist\u00eancia delas foi importante para unificar as lutas da classe trabalhadora<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13048,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-8936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8936\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}