

	{"id":8977,"date":"2021-12-21T19:53:53","date_gmt":"2021-12-21T19:53:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=8977"},"modified":"2023-11-04T18:31:37","modified_gmt":"2023-11-04T21:31:37","slug":"prologo-da-obra-o-partido-e-a-revolucao-teoria-programa-e-politica-polemica-com-ernest-mandel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/12\/21\/prologo-da-obra-o-partido-e-a-revolucao-teoria-programa-e-politica-polemica-com-ernest-mandel\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3logo da obra O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 Teoria, Programa e Pol\u00edtica: Pol\u00eamica com Ernest Mandel"},"content":{"rendered":"<p>O pr\u00f3logo que disponibilizamos aqui foi escrito pelo dirigente trotskista <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/01\/26\/nahuel-moreno-construtor-do-partido-revolucionario-e-da-internacional\/\">Nahuel Moreno<\/a> para abrir a edi\u00e7\u00e3o de 1985 de sua obra. O livro \u00e9 uma pol\u00eamica contra as concep\u00e7\u00f5es de Ernest Mandel que defendia como orienta\u00e7\u00e3o para Am\u00e9rica Latina a constru\u00e7\u00e3o de guerrilhas rurais \u2013 o abandono da constru\u00e7\u00e3o de fortes se\u00e7\u00f5es da IV internacional no interior do movimento oper\u00e1rio &#8211; levando ao desastre in\u00fameros quadros trotskistas. A partir da capitula\u00e7\u00e3o ao guerrilheirismo e ao ultraesquerdismo, expressa no IX Congresso do SU de 1969 e no X Congresso de 1974, a corrente mandelista revisava in\u00fameros pilares do trotskismo. Uma din\u00e2mica que ao longo dos anos se aprofundou (ver apresenta\u00e7\u00e3o de Mercedes Petit e a obra integral em espanhol <a href=\"http:\/\/www.nahuelmoreno.org\/escritos\/el-partido-y-la-revolucion-1973.pdf\">(El partido y la revoluci\u00f3n)<\/a>.<\/p>\n<p>O Pr\u00f3logo que disponibilizamos faz uma localiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dessa pol\u00eamica e apresenta as v\u00e1rias batalhas da corrente liderada por Nahuel Moreno. A CST reivindica essa trajet\u00f3ria e \u00e9 parte da constru\u00e7\u00e3o da UIT-QI.<\/p>\n<p>Boa leitura<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p><strong>Nahuel Moreno, maio de 1985<\/strong><\/p>\n<p>Esta ser\u00e1 a primeira edi\u00e7\u00e3o completa dispon\u00edvel para todo o p\u00fablico do meu trabalho \u201cUm documento escandaloso\u201d. \u00a0Essa extensa pol\u00eamica com Ernest Mandel e a corrente internacional trotskista que ele encabe\u00e7a foi elaborada em 1973 como um documento interno para ser debatido no Decimo Congresso Mundial do Secretariado Unificado (SU) da Quarta Internacional, no qual na ocasi\u00e3o ambos milit\u00e1vamos. Doze anos se passaram desde aquela data e em seu transcurso se sucederam novos grandes fatos da luta de classes e emergiram novas e mais profundas diferen\u00e7as que culminaram com nossa ruptura com o SU em 1979. Por isso se faz necess\u00e1rio esse extenso Prologo, para demarcar hist\u00f3rica e politicamente este trabalho no desenvolvimento de uma batalha pol\u00edtica e de uma pol\u00eamica ideol\u00f3gica, que vem se desenvolvendo j\u00e1 faz trinta e cinco anos, entre o que hoje segue conhecido como SU e nossa corrente, hoje organizada na Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional.<\/p>\n<p><strong>Nossas origens<\/strong><\/p>\n<p>Nossa corrente existe como tend\u00eancia, com diferentes nomes, aproximadamente desde o ano de 1953. Assim, \u00e9 uma das tend\u00eancias mais velhas do movimento trotskista mundial. Acreditamos n\u00e3o exagerar se dissermos que o SU e a LIT-CI s\u00e3o as correntes mais importantes do trotskismo, movimento mundial dentro do qual tamb\u00e9m h\u00e1 de se considerar outra corrente &#8211; ainda que muito d\u00e9bil &#8211; que \u00e9 o Lambertismo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio deixar claro que n\u00f3s n\u00e3o nascemos como uma tend\u00eancia internacional. Surgimos no ano de 1944, como um pequen\u00edssimo grupo, essencialmente oper\u00e1rio, no marco do trotskismo argentino. O que caracterizou inicialmente o nosso grupo, tanto do ponto de vista program\u00e1tico, como tamb\u00e9m da pr\u00e1tica, foi um obreirismo raivoso, chamemos assim. Durante muitos anos, n\u00e3o se aceitou o ingresso de estudantes, nem se permitiu militar no movimento estudantil. Os estudantes que por casualidade eram captados tinham de ir militar no movimento oper\u00e1rio. Tinham que entrar na f\u00e1brica e realizar trabalho sindical e na base dos organismos oper\u00e1rios. Essa tend\u00eancia obreirista, sect\u00e1ria, ultra, enfrentava e buscava superar o car\u00e1ter bo\u00eamio e intelectual, declass\u00e9, do movimento trotskista argentino no seu conjunto. Car\u00e1ter esse do qual se eximiam s\u00f3 alguns companheiros, cinco ou seis dirigentes sindicais, por outro lado, muito inteligentes e capazes, que vinham de rupturas individuais com o stalinismo.<\/p>\n<p>Nossa organiza\u00e7\u00e3o argentina nasceu, ent\u00e3o, centrando toda sua estrat\u00e9gia em trabalhar sobre o movimento oper\u00e1rio, como a \u00fanica sa\u00edda que tinha o trotskismo argentino para deixar de ser um p\u00e2ntano bo\u00eamio.<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha apenas a virtude-defeito do obreirismo, mas tamb\u00e9m uma grande defici\u00eancia no terreno internacional, j\u00e1 que, durante nossos primeiros anos de vida, entre 1944 e 1948, nos declar\u00e1vamos trotskistas mas n\u00e3o viv\u00edamos atentos \u00e0 luta e a vida da Internacional.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos um desvio nacional-trotskista: o de acreditar que poderia haver solu\u00e7\u00e3o para os problemas do movimento trotskista no pr\u00f3prio pa\u00eds, com uma vis\u00e3o nacional. N\u00e3o compreend\u00edamos que somente a partir de uma vis\u00e3o internacionalista se poderia come\u00e7ar a solucionar os problemas do trotskismo argentino.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de 1948 \u00e9 que come\u00e7amos a intervir na vida da Quarta Internacional, participando do seu Segundo Congresso. Consideramos esse o passo te\u00f3rico pol\u00edtico mais importante dado pela organiza\u00e7\u00e3o argentina.<\/p>\n<p><strong>A Quarta Internacional no p\u00f3s-Segunda Guerra<\/strong><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 a de como era a Internacional naquele momento.<\/p>\n<p>O sectarismo era sua marca predominante. No Segundo Congresso da Internacional, a incompreens\u00e3o da nova realidade e do processo revolucion\u00e1rio mundial, nos levou a n\u00e3o dar import\u00e2ncia nenhuma \u00e0s profundas mudan\u00e7as que estavam se produzindo na Europa do Leste.<\/p>\n<p>Enquanto se realizava o Congresso, estavam em pleno desenvolvimento os fen\u00f4menos da Checoslov\u00e1quia, onde os ministros burgueses se separaram do governo e se iniciou o processo de expropria\u00e7\u00e3o total da burguesia. Tamb\u00e9m estava latente a quest\u00e3o da Iugosl\u00e1via, onde, aproximadamente desde o ano de 1947, existia um processo de nacionaliza\u00e7\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o dos burgueses.<\/p>\n<p>O processo se generalizava em todo o Leste da Europa, ao mesmo tempo em que estava em pleno desenvolvimento a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa. Ou seja, abarcava pa\u00edses cuja soma das popula\u00e7\u00f5es representava um ter\u00e7o da humanidade.<\/p>\n<p>O Segundo Congresso n\u00e3o tocou no tema; passou por cima de tal processo revolucion\u00e1rio. O grande centro da discuss\u00e3o foi o debate que se deu em 1939 e 1940, no Socialist Workers Party (SWP), dos Estados Unidos, quando Trotsky ainda estava vivo, sobre se a URSS seguia sendo ou n\u00e3o um Estado Oper\u00e1rio e se havia ou n\u00e3o que defend\u00ea-la, ainda que em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia. A pol\u00eamica no SWP havia terminado em 1940, com a ruptura dos dirigentes \u201canti-defensistas\u201d, Schachtman e Burnham, mas, no entanto, a Internacional seguia a discuss\u00e3o em 1948.<\/p>\n<p><strong>O debate sobre os novos Estados oper\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 um ano depois do Segundo Congresso, em 1949, \u00e9 que se iniciou a primeira discuss\u00e3o, nova e importante nas fileiras da nossa Internacional. Seguiu-se, ent\u00e3o, uma diferen\u00e7a clara em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s an\u00e1lises e aos problemas originados pela expropria\u00e7\u00e3o ou pela tend\u00eancia \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o da burguesia nos pa\u00edses do Leste Europeu e na China.<\/p>\n<p>Em torno dessa pol\u00eamica, que se deu em um tom fraternal, dando um grande exemplo de centralismo democr\u00e1tico, formaram-se, de fato, duas tend\u00eancias. Ou dois matizes, digamos assim, pela rela\u00e7\u00e3o fraternal e n\u00e3o fracional que existia entre essas duas correntes.<\/p>\n<p>Uma tend\u00eancia, cujo representante mais importante era o companheiro Mandel e tinha o apoio do estadunidense Cannon, sustentava que os pa\u00edses orientais da Europa seguiam sendo pa\u00edses capitalistas. A outra tend\u00eancia, encabe\u00e7ada pelo companheiro Pablo e apoiadada &#8211; ainda que com racioc\u00ednios diferentes &#8211; por Hansen, dos Estados Unidos, e pelo autor desta obra [Nahuel Moreno], sustentava que haviam nascido novos Estados oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em certa medida, fomos n\u00f3s que demos in\u00edcio a essa pol\u00eamica. Fomos os primeiros a definir em um documento escrito que, no Leste da Europa, haviam se produzido acontecimentos hist\u00f3ricos de import\u00e2ncia transcendental, como a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia e o surgimento de Estados oper\u00e1rios deformados ou burocr\u00e1ticos. Gostaria de destacar que temos diferen\u00e7as com o m\u00e9todo utilizado por Pablo para chegar \u00e0 mesma conclus\u00e3o que n\u00f3s. Definimos o m\u00e9todo de Pablo como emp\u00edrico-aprior\u00edstico. Para n\u00f3s, Pablo trabalhava com uma premissa, um <em>a priori<\/em>: que todo pa\u00eds onde se expropria a maior parte da burguesia era um Estado oper\u00e1rio. E, ent\u00e3o, apoiado sobre as estat\u00edsticas, estudava se a maior parte das empresas haviam passado para o dom\u00ednio do Estado. A conclus\u00e3o era que, quando a maior parte das empresas de um pa\u00eds foram estatizadas, se trata de um Estado oper\u00e1rio. Assim, com a comprova\u00e7\u00e3o emp\u00edrica a partir das estat\u00edsticas, Pablo chegava \u00e0s suas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, era necess\u00e1ria uma explica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, de tipo hist\u00f3rico. Isto \u00e9, definir que for\u00e7as sociais e por quais meios e organiza\u00e7\u00f5es elas se enfrentavam para que se desse uma revolu\u00e7\u00e3o social deformada.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se reconhecer que, do ponto de vista metodol\u00f3gico, o companheiro Mandel tinha raz\u00e3o. Ele exigia a Pablo que demonstrasse qual foi o processo que levou \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do leste europeu em Estados oper\u00e1rios. Se me lembro bem &#8211; n\u00e3o tenho minha biblioteca nem meu arquivo em m\u00e3os, devido ao fato de que h\u00e1 pouco tempo me mudei de pa\u00eds -, Mandel refutou Pablo com o exemplo da rep\u00fablica fascista de Mussolini, que, um pouco antes do seu fim, expropriou a burguesia italiana porque esta havia passado para o lado dos aliados. E n\u00e3o \u00e9 por Mussolini ter feito isso que ir\u00edamos chamar de \u201cEstado oper\u00e1rio\u201d a um Estado fascista.<\/p>\n<p>Essa pol\u00eamica foi solucionada em um prazo relativamente curto, j\u00e1 que Cannon e Mandel reconheceram que havia se produzido um verdadeiro processo revolucion\u00e1rio no Leste da Europa e que haviam surgido novos Estados oper\u00e1rios deformados.<\/p>\n<p>Esse \u00eaxito pol\u00edtico deu um enorme prest\u00edgio a Pablo dentro das fileiras da nossa Internacional &#8211; apesar dos seus erros metodol\u00f3gicos \u2013 e, assim, chegou o Terceiro Congresso.<\/p>\n<p><strong>O impressionismo de Mandel<\/strong><\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um breve par\u00eanteses aqui para dizer que, j\u00e1 na \u00e9poca, Mandel dava mostras de um extraordin\u00e1rio impressionismo que o levava a produzir an\u00e1lises e progn\u00f3sticos completamente equivocados.<\/p>\n<p>Por exemplo, depois que terminou a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1948, Mandel escreveu duas caracteriza\u00e7\u00f5es centrais sobre a economia europ\u00e9ia em geral e, em particular, sobre a Alemanha. Em uma resolu\u00e7\u00e3o adotada pela Confer\u00eancia Internacional, de abril de 1946, Mandel afirmou que <em>\u201ca retomada da atividade econ\u00f4mica dos pa\u00edses capitalistas afetados pela guerra, em particular dos pa\u00edses da Europa Continental, estar\u00e1 caracterizada por um ritmo particularmente lento, que os manter\u00e1 durante um longo per\u00edodo de tempo em n\u00edveis pr\u00f3ximos \u00e0 <strong>estagna\u00e7\u00e3o e ao marasmo<\/strong><\/em>\u201d (citado de<em> Quatri\u00e9me Internationale<\/em>, abril-maio de 1946, p. 14-16, sublinhado de N.M.). Dois anos depois, em seu trabalho <em>A ru\u00edna da economia alem\u00e3<\/em>, Mandel afirmou que a pol\u00edtica do imperialismo ianque e seus aliados era \u201c<em>a transforma\u00e7\u00e3o do povo alem\u00e3o em um \u2018povo de pastores\u2019, e a elimina\u00e7\u00e3o definitiva da sua pot\u00eancia industrial\u201d<\/em> (Quartri\u00e9me Internationale, janeiro de 1948, p. 31). Mais adiante, na mesma obra, dizia que \u201c<em>a economia alem\u00e3 n\u00e3o poder\u00e1 se reanimar sensivelmente, apesar das inje\u00e7\u00f5es de oxig\u00eanio que o imperialismo norte-americano lhe d\u00e1<\/em>\u201d (Idem, p. 39)<\/p>\n<p>Vieram vinte anos de boom econ\u00f4mico europeu e o chamado \u201cmilagre alem\u00e3o\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Nos adiantando um pouco na hist\u00f3ria, digamos que uns vinte anos mais tarde, com base no mesmo m\u00e9todo impressionista, Mandel cometeu um erro de an\u00e1lise e caracteriza\u00e7\u00e3o das mesmas dimens\u00f5es, ainda que, curiosamente, com um desvio diretamente oposto ao do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Em 1969, em seu livro <em>A teoria leninista da organiza\u00e7\u00e3o, <\/em>Mandel assegurava que o \u201c<em>neocapitalismo busca uma nova via para prolongar sua vida <strong>ao elevar o n\u00edvel de consumo da classe trabalhadora<\/strong>\u2026<\/em>\u201d (Ed. del Siglo, p. 60, sublinhado de N.M.). E em seu trabalho <em>O debate sobre o controle oper\u00e1rio<\/em>, defendia que \u201c&#8230;<em> o capitalismo n\u00e3o est\u00e1 mais definitivamente caracterizado pelos baixos sal\u00e1rios e tampouco por um grande n\u00famero de trabalhadores desempregados<\/em>\u201d (<em>International Socialist Review<\/em>, maio de 1969, p.5).<\/p>\n<p>Dois ou tr\u00eas anos antes, havia tido in\u00edcio uma crise cr\u00f4nica, que dura at\u00e9 hoje e com perspectivas de agravamento; processo \u201cdefinitivamente caracterizado\u201d por 30 milh\u00f5es de desempregados nada mais que nos pa\u00edses imperialistas, acompanhado de uma forte queda salarial\u2026<\/p>\n<p>Como veremos, esse m\u00e9todo impressionista de Mandel o tem levado a cometer erros do mesmo calibre ao longo de quase quatro d\u00e9cadas e com consequ\u00eancias nefastas.<\/p>\n<p><strong>O \u201cpablismo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No ano de 1951, quando foi convocado o Terceiro Congresso Mundial, estava-se em plena guerra fria e todos os comentaristas mais importantes dos jornais internacionais sustentavam que era inevit\u00e1vel um choque armado entre os Estados Unidos e a URSS. Nesse per\u00edodo, come\u00e7ou a guerra da Cor\u00e9ia, que parecia ser o Saravejo de uma terceira guerra mundial.<\/p>\n<p>Pablo e Mandel, seguindo a m\u00eddia burguesa, tiraram uma conclus\u00e3o que foi funesta para a hist\u00f3ria da Quarta Internacional: na Terceira Guerra Mundial, que era inevit\u00e1vel e n\u00e3o tardaria a come\u00e7ar, os partidos comunistas e as correntes de esquerda dos movimentos nacionalistas burgueses e dos partidos socialdemocratas, iriam partir para a guerrilha, para lutas revolucion\u00e1rias que os levariam a tomar o poder. Em especial, isso deveria acontecer com os Partidos Comunistas, que no seu af\u00e3 de defender a R\u00fassia, iriam \u00e0 guerra de guerrilhas e m\u00e9todos violentos, f\u00edsicos, revolucion\u00e1rios para se opor ao imperialismo.<\/p>\n<p>Tomando como base essa an\u00e1lise, propuseram uma orienta\u00e7\u00e3o que se denominou <em>entrismo sui generis. <\/em>N\u00e3o se tratava da t\u00e1tica preconizada por Trotsky nos anos 30, que consistia em entrar por um curto per\u00edodo nos Partidos Socialistas para ganhar a ala esquerda dessas organiza\u00e7\u00f5es e logo romper. O entrismo sui generis proposto por Pablo e Mandel consistia em ingressar nas organiza\u00e7\u00f5es stalinistas, social-democratas ou pequeno-burguesas nacionalistas e permanecer nelas todo o tempo que fosse necess\u00e1rio, at\u00e9 que tomassem e consolidassem o poder. O entrismo devia ser realizado principalmente nos Partidos Comunistas. E s\u00f3 depois de termos acompanhado-os a fazer a revolu\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos que come\u00e7ar a nos diferenciar deles.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o levou Pablo e Mandel a um enfrentamento com a maioria do trotskismo internacional &#8211; a come\u00e7ar pela maioria da se\u00e7\u00e3o francesa -, que recha\u00e7ou categoricamente o progn\u00f3stico de que o stalinismo, as correntes de esquerda dos movimentos nacionalistas burgueses e dos partidos social-democratas iriam fazer a revolu\u00e7\u00e3o. Tampouco acredit\u00e1vamos que nossa tarefa era a de entrar nesses partidos e movimentos, permanecendo neles at\u00e9 que tomassem o poder e se consolidassem, para, ent\u00e3o, come\u00e7ar a nos diferenciarmos.<\/p>\n<p>De acordo com a an\u00e1lise de Pablo e Mandel, as correntes stalinistas, social-democratas e nacionalistas burguesas deixavam de ser contrarrevolucion\u00e1rias. N\u00f3s, bem como a maioria da Internacional, pens\u00e1vamos que isso era a revis\u00e3o de um dos pontos essenciais do programa trotskista, que parte da defini\u00e7\u00e3o de que a humanidade est\u00e1 em crise por conta da crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento de massas. Ou, dito de outra forma, que o principal obst\u00e1culo para o avan\u00e7o da humanidade em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo \u00e9 que as massas est\u00e3o dirigidas por dire\u00e7\u00f5es que est\u00e3o contra a revolu\u00e7\u00e3o, como o stalinismo, a social-democracia e o nacionalismo burgu\u00eas. E que nossa tarefa \u00e9 construir uma nova dire\u00e7\u00e3o internacional revolucion\u00e1ria para superar esse impasse hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Pablo e Mandel, com essa caracter\u00edstica metodol\u00f3gica que lhes \u00e9 pr\u00f3pria, o impressionismo, faziam eco, de forma um pouco atrasada, ao fato de que a burocracia havia expropriado a burguesia em pa\u00edses do Leste da Europa, obrigada pelas circunst\u00e2ncias. E justificavam esse fen\u00f4meno, sem cr\u00edtica, sem nenhuma perspectiva revolucion\u00e1ria, devido \u00e0 suposta inevitabilidade da guerra mundial, no mundo todo.<\/p>\n<p>Viam um processo revolucion\u00e1rio irrevers\u00edvel, encabe\u00e7ado pelas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e pequeno-burguesas do movimento de massas, e n\u00e3o postulavam a constru\u00e7\u00e3o de novas dire\u00e7\u00f5es, que derrotassem as dire\u00e7\u00f5es traidoras no movimento de massas, o que \u00e9 a verdadeira raz\u00e3o de ser da Quarta Internacional.<\/p>\n<p>Esse entrismo sui generis durou praticamente dezoito anos e converteu o trotskismo europeu em pequenos grupelhos cada vez mais d\u00e9beis. S\u00f3 se desenvolveram algumas organiza\u00e7\u00f5es por fora do Secretariado Internacional, isto \u00e9, alguns partidos, que n\u00e3o estiveram sob a dire\u00e7\u00e3o de Pablo e Mandel.<\/p>\n<p><strong>A trai\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 1952<\/strong><\/p>\n<p>A consequ\u00eancia mais nefasta dessa capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias se deu na Bol\u00edvia. Em 1949, houve elei\u00e7\u00f5es, nas quais venceu Victor Paz Estenssoro, do Mvovimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio. Paz Estenssoro governa atualmente [1985] a Bol\u00edvia como agente direto dos Estados Unidos, mas naquele per\u00edodo aparecia frente \u00e0s massas como um l\u00edder antiolig\u00e1rquico e anti-imperialista. Por isso, os militares se negaram a lhe entregar o poder. A resposta das massas se deu em 1952: foi uma insurrei\u00e7\u00e3o popular, encabe\u00e7ada pela classe oper\u00e1ria da cidade de La Paz. O ex\u00e9rcito foi completamente destru\u00eddo pela insurrei\u00e7\u00e3o, todas as armas existentes foram tomadas pelas mil\u00edcias oper\u00e1rias e camponesas e, ainda que Paz Estenssoro tenha assumido a presid\u00eancia, as massas tinham o seu governo em xeque. Era o momento de lutar com toda a for\u00e7a poss\u00edvel para que o poder passasse para as m\u00e3os das mil\u00edcias oper\u00e1rias e camponesas, dirigidas pela Central Oper\u00e1ria Boliviana. O trotskismo boliviano, que havia se convertido em um movimento de massas, podia influir decisivamente nesse sentido. Pablo e Mandel, ao contr\u00e1rio, conclu\u00edram que era preciso apoiar criticamente o governo de Paz Estenssoro.<\/p>\n<p>Fizeram o oposto dos bolcheviques durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. Contra o governo frente populista que enganava as massas, L\u00eanin e Trotsky levantaram a consigna de \u201cpoder para os sovietes\u201d e assinalaram a necessidade de que a classe oper\u00e1ria fizesse uma revolu\u00e7\u00e3o contra esse governo burgu\u00eas disfar\u00e7ado de \u201cpopular\u201d.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, absolutamente todas as armas estavam nas m\u00e3os dos oper\u00e1rios e camponeses; mesmo assim, o Secretariado Internacional e sua sess\u00e3o boliviana jamais disseram para as massas: <strong>precisam virar essas armas contra o governo burgu\u00eas e tomar o poder.<\/strong><\/p>\n<p>Isso foi uma das trai\u00e7\u00f5es mais espetaculares do s\u00e9culo. Resultou tr\u00e1gica para o movimento de massas que, devido \u00e0 falta de uma orienta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, foi paulatinamente desmobilizado e desarmado. E, finalmente, sofreu uma derrota grave.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como consequ\u00eancia da pol\u00edtica de Pablo e Mandel frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 1952, iniciou-se uma deteriora\u00e7\u00e3o do trotskismo boliviano, que se dividiu, transformando-se de uma corrente massiva em um grupo de seitas.<\/p>\n<p><strong>O Comit\u00ea Internacional<\/strong><\/p>\n<p>Repudiando a linha do entrismo sui generis e a trai\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o boliviana, a maioria dos trotskistas ingleses, franceses, o Socialist Workers Party e tamb\u00e9m os trotskistas sul-americanos, rompemos com o Secretariado Internacional e, em 1953, fundamos o que se chamou de Comit\u00ea Internacional (CI).<\/p>\n<p>O trotskismo sul-americano come\u00e7ou a fazer uma an\u00e1lise de classe sobre a divis\u00e3o da Quarta Internacional. Sustentamos que, na Internacional, se passava algo parecido ao que havia acontecido com o movimento trotskista argentino. Ou seja, que estava nas m\u00e3os de uma dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o prolet\u00e1ria. Era uma corrente parecida com a de Schachtman e Burnham, com base social na intelectualidade europeia e com todos os v\u00edcios das correntes pequeno-burguesas. Por isso, Pablo e seu sucessor, Mandel, tinham um m\u00e9todo impressionista e n\u00e3o mantiveram uma linha consequente de constru\u00e7\u00e3o da Internacional no seio da classe oper\u00e1ria, de defesa da independ\u00eancia pol\u00edtica do movimento oper\u00e1rio frente aos aparatos burocr\u00e1ticos e de interven\u00e7\u00e3o, partindo dessas perspectivas, em todas as mobiliza\u00e7\u00f5es progressivas das massas, para impulsionar a luta e construir o partido.<\/p>\n<p>Tiramos tamb\u00e9m a conclus\u00e3o de que era necess\u00e1rio que o Comit\u00ea Internacional se postulasse como uma organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de tipo federativo e de declara\u00e7\u00f5es, mas sim centralizada e atuante. Essa era a \u00fanica maneira de derrotar Pablo e Mandel.<\/p>\n<p>Os outros setores do Comit\u00ea Internacional n\u00e3o estavam de acordo em ressaltar o problema de classe da dire\u00e7\u00e3o de Pablo e Mandel, nem em funcionar centralizadamente. Esses e outros problemas originaram pol\u00eamicas com nossa tend\u00eancia, que, a partir de 1957, se organizou no Secretariado Latino Americano do Trotskismo Ortodoxo (SLATO), ainda que sempre nos marcos do Comit\u00ea Internacional.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o da Internacional havia se produzido em meio a um profundo retrocesso do movimento oper\u00e1rio na Europa ocidental. Ao mesmo tempo, havia um grande ascenso na Europa oriental, onde ocorreu o levantamento dos trabalhadores de Berlim, em 1953.<\/p>\n<p>Quando esse movimento explodiu, Pablo e Mandel apoiaram a burocracia contra as massas. Seu argumento era que a mobiliza\u00e7\u00e3o de Berlim Leste atacava uma dire\u00e7\u00e3o que em breve iria cumprir um papel muito progressivo, dirigindo a guerra e a revolu\u00e7\u00e3o mundial contra o imperialismo.<\/p>\n<p><strong>A reunifica\u00e7\u00e3o em 1963<\/strong><\/p>\n<p>Logo viria o movimento h\u00fangaro de 1956 e a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas polacas, no mesmo per\u00edodo. A for\u00e7a que tomou a inssurei\u00e7\u00e3o h\u00fangara comoveu setores importantes do stalinismo mundial e obrigou o Secretariado Internacional a dar um importante giro, aproximando-se das nossas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No fim da d\u00e9cada de 1950, houve uma nova e importante coincid\u00eancia com Mandel, que foi o reconhecimento e o apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, liderada por Fidel Castro.<\/p>\n<p>Essa foi a base para uma reunifica\u00e7\u00e3o, em 1963. Ent\u00e3o, nasceu o Secretariado Unificado, encabe\u00e7ado por Mandel e pelo SWP, ao qual se incorporaram todas as organiza\u00e7\u00f5es e correntes do trotskismo que reconheciam que em Cuba havia surgido um novo Estado oper\u00e1rio. Ficaram de fora os trotskistas ingleses, franceses e de outros pa\u00edses que n\u00e3o reconheciam esse fato.<\/p>\n<p>N\u00f3s demoramos para ingressar no SU porque, apesar do acordo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cuba, mant\u00ednhamos nossas diferen\u00e7as pol\u00edticas e de m\u00e9todo com a dire\u00e7\u00e3o que havia tra\u00eddo a revolu\u00e7\u00e3o boliviana. De todo modo, ingressamos um ano mais tarde, convencidos de que, apesar das diferen\u00e7as, era positiva uma reunifica\u00e7\u00e3o em torno de uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>No momento da reunifica\u00e7\u00e3o, o Secretariado Internacional era dirigido por Mandel. Nessa altura, Pablo havia sido afastado por raz\u00f5es morais e organizativas. Mandel, todavia, seguiu com uma metodologia muito parecida com a de Pablo. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estiveram juntos durante tanto tempo &#8211; mais de uma d\u00e9cada &#8211; e escrevendo documentos em comum.<\/p>\n<p>Diferente de Pablo, Mandel sempre foi de uma grande honestidade; no terreno organizativo e moral, sempre foi um extraordin\u00e1rio companheiro. No entanto, do ponto de vista da pol\u00edtica e da metodologia, seguiu os mesmos erros de sempre, de capitular \u00e0s dire\u00e7\u00f5es stalinistas ou pequeno-burguesas que dirigiam processos revolucion\u00e1rios e organiza\u00e7\u00f5es de massas. E, ainda que seu apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana tenha sido uma atitude muito positiva, logo em seguida, Mandel levou esse apoio at\u00e9 um extremo negativo.<\/p>\n<p><strong>O desvio guerrilheirista de Mandel<\/strong><\/p>\n<p>Assim como havia capitulado ao stalinismo, desde 1951, ao tito\u00edsmo e ao mao\u00edsmo, em per\u00edodos diversos, seguindo essa tradi\u00e7\u00e3o impressionista que o levou a apoiar o MNR, na Bol\u00edvia, Mandel, nesse caso, come\u00e7ou a capitular ao castrismo e, principalmente, ao guevarismo, aceitando toda a concep\u00e7\u00e3o guerrilheirista. Isso culminou no IX Congresso da Internacional, no ano de 1969, originando uma evidente divis\u00e3o em torno do problema do guevarismo e da guerrilha na Am\u00e9rica Latina. Mandel, com uma maioria ampla da Internacional reunificada, colocava que, na Am\u00e9rica Latina, n\u00f3s ter\u00edamos que fazer guerrilhas junto aos guevaristas. E, se fosse necess\u00e1rio, sozinhos. A linha era fazer focos guerrilheiros, ou seja, o mesmo colocado por Che Guevara.<\/p>\n<p>Essa proposta era t\u00e3o capituladora ao guevarismo que se chegou ao extremo de escrever trabalhos te\u00f3ricos sustentando que tamb\u00e9m estava colocada a guerrilha rural, ou uma variante semelhante, na Fran\u00e7a. Isso foi escrito por um dos grandes dirigentes da corrente mandelista, o companheiro Jebrac.<\/p>\n<p>O SWP, o Partido Socialista de los Trabajadores (PST) argentino e alguns companheiros sul americanos, dirigimos uma corrente que se op\u00f4s a essa an\u00e1lise e orienta\u00e7\u00e3o do foco guerrilheiro. Assinalamos que, por princ\u00edpio, n\u00e3o est\u00e1vamos contra a guerrilha, sempre que estivesse apoiada no movimento de massas, mas que a teoria do foco era justamente o oposto. Era uma linha elitista. Insistimos no fato de que o foco guerrilheiro era a linha do movimento estudantil e n\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o do movimento de massas latino americano, que, naquele momento, estava iniciando um grande ascenso urbano. Dissemos que, por ser uma orienta\u00e7\u00e3o divorciada do movimento de massas, levaria ao fracasso de todas as guerrilhas guevaristas e que a Internacional perderia companheiros muito valiosos.<\/p>\n<p>Os fatos nos deram, desgra\u00e7adamente, a raz\u00e3o. Toda uma ala do trotskismo argentino desapareceu, sendo que foi a que mais desenvolveu a linha de Mandel. Essa linha tamb\u00e9m significou uma trag\u00e9dia para outros partidos. Pelo contr\u00e1rio, se hoje em dia o mandelismo mexicano \u00e9 forte, \u00e9 porque, apesar de ter apoiado a orienta\u00e7\u00e3o foquista, na pr\u00e1tica se negou a aplicar a linha que havia votado, ou seja: n\u00e3o deram um s\u00f3 tiro.<\/p>\n<p><strong>A capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 vanguarda de juventude ultraesquerdista<\/strong><\/p>\n<p>Houve tr\u00eas fatores decisivos que obrigaram o SU a finalmente abandonar a orienta\u00e7\u00e3o do IX Congresso, de adapta\u00e7\u00e3o ao guevarismo: o primeiro, e fundamental, foi o grande ascen\u00e7o urbano latinoamericano; o segundo, foi a derrota da guerrilha foquista em toda a Am\u00e9rica e, em particular, a destrui\u00e7\u00e3o dos partidos dirigidos pelo SU ou que seguiram sua orienta\u00e7\u00e3o, como o PRT (El Combatiente) \u2013 ERP, na Argentina; em terceriro lugar, o crescimento do PST argentino, que se transformou no maior partido da Internacional &#8211; o que foi reconhecido por todo o trotskismo mundial &#8211; com base na sua inser\u00e7\u00e3o nas mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, no aproveitamento dos processos eleitorais e das liberdades democr\u00e1ticas, ou seja, seguindo um caminho oposto ao indicado por Mandel.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou, ent\u00e3o, uma nova pol\u00eamica, sempre em torno do impressionismo da corrente mandelista e de sua adequa\u00e7\u00e3o e capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias da vanguarda ou a dire\u00e7\u00f5es conjunturais do movimento de massas.<\/p>\n<p>Em 1968, havia come\u00e7ado um ascenso europeu, detonado pelo Maio Franc\u00eas e pelas mobiliza\u00e7\u00f5es na Checoslov\u00e1quia. Ent\u00e3o, apareceu uma vanguarda muito numerosa, sob a qual tinha forte influ\u00eancia o mao\u00edsmo e correntes ultraesquerdistas. O mandelismo prop\u00f4s, ent\u00e3o, que <em>\u201cA tarefa central para os marxistas revolucion\u00e1rios na etapa aberta em 1967-1968 consiste em conquistar a hegemonia no seio da nova vanguarda com car\u00e1ter de massas, para construir organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias qualitativamente mais poderosas que as da etapa precedente\u201d<\/em> (\u201cA constru\u00e7\u00e3o dos partidos revolucion\u00e1rios na Europa Capitalista\u201d, E. Mandel, Bolet\u00edn de Discusi\u00f3n Internacional do PST[A], n\u00ba 2, p. 15). A maioria do SU afirmou que o objetivo priorit\u00e1rio era realizar a <em>\u201ctransforma\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es trotskistas de grupos de propaganda em organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 capazes daquelas iniciativas pol\u00edticas em um n\u00edvel da vanguarda de massas que s\u00e3o necess\u00e1rias pela din\u00e2mica da pr\u00f3pria luta de classes\u201d<\/em> (Germain, \u201cEm defesa do leninismo, em defesa da Quarta Internacional\u201d, Bolet\u00edn de Discusi\u00f3n Internacional do PST[A], p. 102).<\/p>\n<p>Isso significava abandonar uma posi\u00e7\u00e3o fundamental do marxismo revolucion\u00e1rio: o programa do partido se elabora com base nas necessidades hist\u00f3ricas das massas, em particular da classe oper\u00e1ria; e da\u00ed se derivam consignas, adequadas ao n\u00edvel de consci\u00eancia das massas e que as levam a se mobilizar, aproximando-se dos objetivos hist\u00f3ricos definidos pelo programa.<\/p>\n<p>Este trabalho pol\u00eamico contra Mandel [O Partido e a revolu\u00e7\u00e3o, ao qual pertence este pr\u00f3logo, de 1985] gira essencialmente em torno do seu desvio guerrilheirista e da sua posterior capitula\u00e7\u00e3o vanguardista ao mao\u00edsmo e \u00e0 ultraesquerda em geral, j\u00e1 que eram os resultados dessas linhas que deveriam ser postos em balan\u00e7o no X Congresso Mundial. Depois do Congresso, no qual se consagrou novamente a posi\u00e7\u00e3o de Mandel, os problemas seguiram se agravando.<\/p>\n<p>A capitula\u00e7\u00e3o de Mandel \u00e0 vanguarda juvenil europeia teve graves consequ\u00eancias na Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa de 1974-75. O ativismo, as tend\u00eancias ultras e os mao\u00edstas apoiaram o Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA), uma corrente pequeno-burguesa pr\u00f3-imperialista, composta por oficiais que haviam derrubado a ditadura de Salazar e se diziam de esquerda. O MFA era, na realidade, o pilar de sustenta\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o oficial do Secretariado Unificado, a Liga Comunista Internacionalista, para ganhar a \u201chegemonia\u201d na \u201cvanguarda\u201d, seguindo os conselhos de Mandel, adotou as posi\u00e7\u00f5es dos mao\u00edstas e ultraesquerdistas, incluindo o apoio ao principal inimigo da revolu\u00e7\u00e3o durante esses momentos, o Movimento das For\u00e7as Armadas, que governava ou co-governava o Imp\u00e9rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Nossa ruptura com o SWP norte-americano<\/strong><\/p>\n<p>Em 1973, o SWP norte-americano, o PST argentino e outros partidos haviam formado a Fra\u00e7\u00e3o Leninista Trotskista (FLT), para enfrentar os desvios mandelistas. A FLT explodiu em 1975 e 1976, dividindo-se em duas correntes, uma liderada pelo SWP e outra pelo PST. A ruptura se deu por diferen\u00e7as em torno da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa e da guerra de Angola.<\/p>\n<p>N\u00f3s opin\u00e1vamos que, em Portugal, havia de se colocar a linha de desenvolver os comit\u00eas de oper\u00e1rios e camponeses, desenvolver as ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas e terras e impulsionar os comit\u00eas de Inquilinos. Que devia-se desenvolver os comit\u00eas de soldados para ganhar o ex\u00e9rcito a favor de uma insurrei\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, que havia de orientar-se para a tomada do poder pelo movimento de massas.<\/p>\n<p>O Socialist Workers Party estava contra e afirmava que s\u00f3 se deviam levantar consignas democr\u00e1ticas. Nada que levasse \u00e0 tomada do poder pelo proletariado, porque as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam maduras. E, al\u00e9m disso, como n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para que nosso partido interviesse com consignas que impulsionam a a\u00e7\u00e3o das massas, a sua grande tarefa deveria ser&#8230; editar as obras de Trotsky.<\/p>\n<p>A ruptura se concretizou por conta das diverg\u00eancias ainda mais graves sobre Angola.<\/p>\n<p>O Movimento para a Liberta\u00e7\u00e3o da Angola (MPLA), um movimento guerrilheiro, acabava de tomar o poder, ap\u00f3s a derrota e retirada das tropas do ex\u00e9rcito imperialista portugu\u00eas. Angola se converteu, assim, de uma col\u00f4nia em um pa\u00eds independente. O imperialismo se apoiou, ent\u00e3o, no ex\u00e9rcito sul-africano e em uma guerrilha paga pela CIA: a UNITA. O ex\u00e9rcito sul-africano e a UNITA invadiram conjuntamente o territ\u00f3rio angolano.<\/p>\n<p>O SWP sustentou que a UNITA e o MPLA eram duas guerrilhas progressivas, em luta por quest\u00f5es internas do movimento anticolonialista, e que, sendo assim, n\u00e3o havia de se apoiar um contra o outro. Isso era uma clara capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica imperialista na \u00c1frica. N\u00f3s sustentamos, pelo contr\u00e1rio, que deveria-se dar apoio militar ao MPLA, contra a invas\u00e3o pr\u00f3-imperialista da UNITA e do ex\u00e9rcito sul-africano.<\/p>\n<p>Uma maioria das organiza\u00e7\u00f5es e militantes [organizados como Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique] se retirou, por fim, da FLT. Importantes partidos da Col\u00f4mbia, Brasil, Peru, M\u00e9xico, It\u00e1lia e Espanha, entre outros, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o argentina, formaram, ent\u00e3o, uma tend\u00eancia que em poucos anos iria romper com o SU e, somando o aporte de dirigentes e organiza\u00e7\u00f5es provenientes de outras correntes, se converteria, a partir de 1982, na LIT-CI.<\/p>\n<p>Por sua vez, a dire\u00e7\u00e3o do partido estadunidense e seus seguidores dissolveram sua fra\u00e7\u00e3o em 1976, se fundindo mais uma vez com o mandelismo, afirmando que as diferen\u00e7as haviam desaparecido.<\/p>\n<p>Nossa corrente denunciou que a fus\u00e3o do SWP com o mandelismo, sem resolver nem evidenciar as diferen\u00e7as, significava um bloco sem princ\u00edpios. Isso se veria desgra\u00e7adamente confirmado em pouco tempo, quando as diferen\u00e7as entre Mandel e o SWP se agravaram novamente.<\/p>\n<p><strong>Mandel capitula ao Eurocomunismo<\/strong><\/p>\n<p>No final dos anos 70, alguns partidos comunistas europeus, fundamentalmente o italiano e o espanhol \u2013 este \u00faltimo capitaneado por Santiago Carrillo &#8211; come\u00e7aram a se afastar de Moscou. Esse fen\u00f4meno, que se denominou \u201ceurocomunismo\u201d, tamb\u00e9m impressionou a Mandel, que lhe atribuiu um car\u00e1ter ou um poss\u00edvel car\u00e1ter progressivo.<\/p>\n<p>N\u00f3s sustentamos, ao contr\u00e1rio, que a din\u00e2mica que tomavam os partidos eurocomunistas os fazia parecer cada vez mais com os partidos social-democratas. E isso por profundas raz\u00f5es econ\u00f4micas e sociais. \u00c0 medida que os partidos comunistas cresciam, se integravam mais e mais \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa, em n\u00edvel parlamentar e municipal. Dessa forma, chegavam a ter uma depend\u00eancia de todo tipo, inclusive econ\u00f4mica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia de seu pr\u00f3prio pa\u00eds, que debilitava sua tradicional depend\u00eancia absoluta em rela\u00e7\u00e3o a Moscou.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, isso era positivo somente no sentido de que aprofundava ainda mais a putrefa\u00e7\u00e3o do stalinismo como aparato mundial. Mas o determinante era que transformava esses partidos, como dissemos na \u201cDeclara\u00e7\u00e3o da Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique\u201d, \u201cde servi\u00e7ais do Kremlin em servi\u00e7ais da sua burguesia imperialista\u201d. E, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o podia originar nenhuma tend\u00eancia progressiva, muito menos revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o defendemos que, por isso, se deveria apoiar o stalinismo cl\u00e1ssico, de submiss\u00e3o a Moscou, frente ao eurocomunismo. Para n\u00f3s, ambos eram express\u00f5es reacion\u00e1rias de um processo muito progressivo: a crise mundial do stalinismo.<\/p>\n<p>Em seu processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa, o eurocomunismo abandonou a express\u00e3o \u201cditadura do proletariado\u201d (como pol\u00edtica, j\u00e1 n\u00e3o lutava pela ditadura do proletariado h\u00e1 d\u00e9cadas). Mandel saiu em defesa da express\u00e3o \u201cditadura do proletariado\u201d em um documento intitulado \u201cDemocracia socialista e ditadura do proletariado\u201d, que logo foi aprovado pelo SU e, mais tarde, pelo Congresso Mundial do SU. Nesse trabalho, sua capitula\u00e7\u00e3o ao eurocomunismo levava Mandel a adaptar-se \u00e0s piores press\u00f5es democr\u00e1tico burguesas do eurocomunismo e da social-democracia.<\/p>\n<p>Assim, defendia que a ditadura do proletariado seria regida pela \u201cnorma program\u00e1tica e de princ\u00edpio\u201d de dar \u201cliberdade pol\u00edtica ilimitada\u201d a todas as correntes pol\u00edticas, inclusive as contrarrevolucion\u00e1rias. (\u201cDemocracia socialista e ditadura do proletariado\u201d, Bolet\u00edn de Pol\u00e9mica Internacional del Bloque Socialista colombiano, n\u00ba 11, p.7). E se essas correntes se levantarem em armas contra o governo dos trabalhadores, a pol\u00edtica proposta por Mandel era submeter individualmente os culpados a um julgamento, com todas as formalidades e garantias de um c\u00f3digo penal ultraliberal.<\/p>\n<p>N\u00f3s combatemos essa concep\u00e7\u00e3o de Mandel, j\u00e1 que ignorava o fato de que a revolu\u00e7\u00e3o europeia e mundial passaria inevitavelmente por um processo de violent\u00edssimas guerras civis e externas contra o imperialismo, a burguesia e a burocracia contrarrevolucion\u00e1ria. Esse fato impediria a vig\u00eancia dessas normas jur\u00eddicas e dessa democracia praticamente absoluta, para todo mundo, que Mandel preconizava.<\/p>\n<p>Hoje em dia, um dos tantos exemplos que a realidade nos d\u00e1 \u00e9 o do Haiti, onde as massas enraivecidas matam os \u201cTon-ton macoutes\u201d, quer dizer, os assassinos e torturadores contratados de Duvalier, assim que os pegam. Segundo a l\u00f3gica de Mandel, os trotskistas deveriam lutar contra essas execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e exigir que as massas esperem at\u00e9 que seja poss\u00edvel fazer julgamentos com todas as formalidades processuais. N\u00f3s, pelo contr\u00e1rio, defendemos a justi\u00e7a revolucion\u00e1ria do povo haitiano, porque somos, por princ\u00edpio, ardentes partid\u00e1rios de que as massas que se mobilizam, fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o, tomem todas as medidas que elas mesmas, democraticamente, decidam tomar, antes ou depois de instaurada a ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>N\u00f3s sustentamos, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e Trotsky, que o proletariado no poder deve imediatamente implementar liberdades democr\u00e1ticas muito mais amplas que qualquer regime burgu\u00eas. Por\u00e9m, essa pol\u00edtica est\u00e1 objetivamente subordinada \u00e0 lei suprema, que \u00e9 a luta de classes. Por isso, diz\u00edamos que a pol\u00edtica de Mandel, da liberdade mais pura para todos, era para a \u00e9poca em que o proletariado j\u00e1 tenha conquistado a derrota do imperialismo em escala mundial, e n\u00e3o para ser aplicada no dia seguinte aos trabalhadores tomarem o poder em algum pa\u00eds, j\u00e1 que as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas estar\u00e3o marcadas por uma luta feroz entre a revolu\u00e7\u00e3o socialista e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o burguesa imperialista, que tentar\u00e1 aniquilar, por todos os meios, toda ditadura prolet\u00e1ria que se imponha em qualquer pa\u00eds do mundo.<\/p>\n<p><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Nicaraguense divide o SU<\/strong><\/p>\n<p>As diferen\u00e7as com o SU adquiriram um car\u00e1ter pol\u00edtico-moral de enorme gravidade frente \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Nicaraguense. N\u00f3s hav\u00edamos chamado a construir uma brigada internacionalista para combater na Nicar\u00e1gua, ao lado da Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Algo parecido com o que foi feito na Espanha, quando da guerra civil nos anos 1930.<\/p>\n<p>A Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar se cobriu de gl\u00f3ria, em julho de 1979, ao libertar Bluefields, o porto mais importante da Nicar\u00e1gua no Atl\u00e2ntico. Ela foi reconhecida pela pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o sandinista e os brigadistas, em sua maioria, seguiram vivendo na Nicar\u00e1gua. J\u00e1 com a FSLN [Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional] no poder, a Brigada impulsionou e participou da funda\u00e7\u00e3o de dezenas de sindicatos. Por\u00e9m, esse processo amea\u00e7ou gerar uma mobiliza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria por fora do controle sandinista. Devido a isso, a dire\u00e7\u00e3o da FSLN deteve os brigadistas e os expulsou do pa\u00eds. Nossos companheiros foram entregues \u00e0 pol\u00edcia panamenha, que os torturou antes de deix\u00e1-los ir.<\/p>\n<p>Pedimos, ent\u00e3o, \u00e0 Internacional que fizesse uma campanha em defesa dos brigadistas. N\u00e3o somente o SU se negou a fazer essa campanha, como tamb\u00e9m a expuls\u00e3o foi apoiada por reconhecidos dirigentes da corrente mandelista e do SWP.<\/p>\n<p>Isso nos levou a romper com o SU, considerando que estavam envolvidas quest\u00f5es de princ\u00edpios, morais, como a negativa\u00a0 em repudiar a tortura burguesa e a pol\u00edtica de um governo que expulsa os revolucion\u00e1rios do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>A capitula\u00e7\u00e3o do SU ao sandinismo adquiriu, ultimamente, caracter\u00edsticas escandalosas. Em uma viagem ao Brasil, Mandel chegou a dizer que os sandinistas s\u00e3o nossos irm\u00e3os e que temos que aprender com eles.<\/p>\n<p>N\u00f3s nos deparamos com um grave problema para seguir esse conselho na Argentina: a FSLN deu seu apoio ao governo de Alfons\u00edn. Em 1984, houve um plebiscito sobre um acordo de fronteiras com o Chile. O sandinismo enviou um representante ao principal ato pol\u00edtico do partido do governo, a Uni\u00e3o C\u00edvica Radical, que \u00e9 muito parecido com o partido de Thatcher ou com o de Reagan. O ato, feito para defender a pol\u00edtica governamental de pactuar com Pinochet, legitimando-o, se fez em um est\u00e1dio de futebol. E nesse palco, ocupando um lugar de honra, estava Ernesto Cardenal, ministro da cultura do governo sandinista. Se segu\u00edssemos o conselho de Mandel, n\u00f3s ter\u00edamos que estar junto com a FSLN no palco do Partido Radical, sustentando a pol\u00edtica de fome do governo argentino.<\/p>\n<p>*****<\/p>\n<p>Para terminar, me permito assinalar que o documento de Mandel e do SU sobre a \u201cdemocracia socialista\u201d fracassou em menos de um ano frente \u00e0 prova de fogo da Revolu\u00e7\u00e3o Nicaraguense. Ali, vemos que n\u00f3s defend\u00edamos o direito dos companheiros da Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar de permanecer na Nicar\u00e1gua, est\u00e1vamos contra eles serem detidos e expulsos sem julgamento pr\u00e9vio e, mais ainda, que fossem torturados. Em troca, o SU, esses paladinos da democracia, que haviam votado um documento assegurando as maiores garantias de liberdade e justi\u00e7a aos contrarrevolucion\u00e1rios, diante da \u00e1rdua realidade de ter que se posicionar contra as torturas e o c\u00e1rcere sofridos por companheiros trotskistas nas m\u00e3os de governos burgueses, acabaram apoiando os autores de semelhantes brutalidades.<\/p>\n<p>No curt\u00edssimo prazo de alguns meses, depois de escrever e aprovar seus documentos, o pr\u00f3prio SU atirava no lixo, de forma vergonhosa, qualquer aspecto positivo que pudessem ter suas teses. Foi um recorde do mendelismo: duas capitula\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias entre si. Uma em rela\u00e7\u00e3o ao eurocomunismo, dando liberdades absolutas aos contrarrevolucion\u00e1rios; outra, ao sandinismo, negando os mais elementares direitos aos trotskistas na Nicar\u00e1gua. E tudo isso para capitular, uma vez mais, a uma dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o prolet\u00e1ria (neste caso, pequeno-burguesa) do movimento de massas: o sandinismo nicaraguense.<\/p>\n<p>Nahuel Moreno<\/p>\n<p>Buenos Aires, maio de 1985.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>Veja v\u00eddeo sobre a Brigada Sim\u00f3n Bolivar<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lan\u00e7amento do Livro &quot;A Brigada Sim\u00f3n Bolivar&quot; com Miguel Sorans | Eventos\" width=\"940\" height=\"529\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P1RNXTDGMxg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr\u00f3logo que disponibilizamos aqui foi escrito pelo dirigente trotskista Nahuel Moreno para abrir a edi\u00e7\u00e3o de 1985 de sua obra. O livro \u00e9 uma pol\u00eamica contra as concep\u00e7\u00f5es de Ernest Mandel que defendia como orienta\u00e7\u00e3o para Am\u00e9rica Latina a constru\u00e7\u00e3o de guerrilhas rurais \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-8977","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8977\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}