

	{"id":9100,"date":"2022-02-03T20:58:44","date_gmt":"2022-02-03T20:58:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9100"},"modified":"2022-02-03T21:00:07","modified_gmt":"2022-02-03T21:00:07","slug":"contra-a-intervencao-da-russia-dos-eua-e-da-otan-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/02\/03\/contra-a-intervencao-da-russia-dos-eua-e-da-otan-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Contra a interven\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, dos EUA e da OTAN na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>por <strong>Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Durante as \u00faltimas semanas, a tens\u00e3o mundial disparou devido \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o massiva de tropas russas para a fronteira com a Ucr\u00e2nia diante de sua poss\u00edvel ades\u00e3o \u00e0 OTAN.<\/p>\n<p>O presidente Biden e a Uni\u00e3o Europeia (UE) denunciaram a possibilidade de um choque militar caso ocorresse uma invas\u00e3o russa. Diante disso, estamos \u00e0 beira de uma nova guerra regional ou mundial? Ou as negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas entre o imperialismo russo e o norte-americano pelo controle da Ucr\u00e2nia e regi\u00e3o est\u00e3o ficando tensas?<\/p>\n<p>A primeira coisa a se destacar \u00e9 que, em meio \u00e0 crise global que vive o sistema capitalista-imperialista n\u00f3s nunca podemos negar a hip\u00f3tese de que finalmente possa ocorrer algum confronto armado. Mas consideramos que o que predomina \u00e9 uma dura e sedenta negocia\u00e7\u00e3o pela influ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica na Ucr\u00e2nia e em toda a regi\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhum lado progressivo nesse enfrentamento.<\/p>\n<p>Consideramos que uma guerra regional \u00e9 pouco prov\u00e1vel, e mundial menos ainda. Ainda que ambas as partes disputem em declara\u00e7\u00f5es amea\u00e7antes, ambas buscam sair, de alguma maneira, do p\u00e2ntano pol\u00edtico em que est\u00e3o. Sem cair no rid\u00edculo, como ocorreu a Biden com a sa\u00edda abrupta do Afeganist\u00e3o, e nem sofrer novos desgastes pol\u00edticos em seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o entre o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, no dia 21 de janeiro, acordando voltar a reunir em curto prazo, mostra que a negocia\u00e7\u00e3o segue aberta.<\/p>\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o central de Putin e da R\u00fassia \u00e9 que a Ucr\u00e2nia, sua ex-aliada, n\u00e3o passe a integrar a OTAN. Mas o contexto da crise precisa ser buscado mais al\u00e9m, por um lado, no colapso da antiga URSS, nos anos 90. A queda da ditadura do Partido Comunista e a restaura\u00e7\u00e3o capitalista levaram ao desmembramento da URSS, debilitando o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico da nova burguesia russa e do regime totalit\u00e1rio encabe\u00e7ado por Putin. A independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia, em 1991, foi um golpe importante, j\u00e1 que este pa\u00eds representava, dentro da URSS, a segunda economia e seu celeiro. A Ucr\u00e2nia \u00e9 um dos grandes produtores de alimentos do mundo. Desde o colapso da URSS, o imperialismo europeu e os EUA lan\u00e7aram uma ofensiva para converter aos pa\u00edses do Leste Europeu (Pol\u00f4nia, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Rep\u00fablica Tcheca, Eslov\u00e1quia e Ucr\u00e2nia) em suas semicol\u00f4nias.<\/p>\n<p>At\u00e9 2014 a R\u00fassia ainda controlava a Ucr\u00e2nia atrav\u00e9s do governo capitalista pr\u00f3-R\u00fassia de Yanukovich. Mas a queda vertiginosa do n\u00edvel de vida do povo trabalhador devido \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista fez com que uma rebeli\u00e3o popular derrubasse o governo aliado de Putin e que tomasse lugar um governo a favor do acordo com o imperialismo europeu.<\/p>\n<p>Diante dessa derrota, a rea\u00e7\u00e3o de Putin foi invadir a Crimeia, territ\u00f3rio ucraniano, e ficar com a hist\u00f3rica base naval de Sebastopol, no estrat\u00e9gico acesso ao Mar Negro. Ainda em 2014, impulsionou-se levantes separatistas na regi\u00e3o de Donbass, no leste do pa\u00eds. Setores que seguem controlando essa regi\u00e3o com apoio financeiro e militar da R\u00fassia. Desde ent\u00e3o, o conflito segue latente.<\/p>\n<p>Porque Putin saiu com essa contraofensiva agora? Porque a crise econ\u00f4mica capitalista mundial tamb\u00e9m afeita a R\u00fassia pol\u00edtica e economicamente. O imperialismo russo se debilitou, assombrado por diferentes conflitos. Em primeiro lugar, na R\u00fassia, devido a suas pol\u00edticas de ajustes, combinadas com as consequ\u00eancias da pandemia da Covid-19 e a repress\u00e3o, causaram um desgaste no governo e isso se refletiu em um retrocesso nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Em segundo lugar, teve que sustentar governos pr\u00f3-R\u00fassia, intervindo, direta ou indiretamente, com tropas, como nas rebeli\u00f5es populares da Bielorr\u00fassia\/Belarus e, mais recentemente, do Cazaquist\u00e3o. Por isso, buscam retomar a crise na Ucr\u00e2nia, aproveitando sua poss\u00edvel ades\u00e3o \u00e0 OTAN para recuperar pontos ati\u00e7ando os sentimentos nacionalistas russos em amplos setores populares de sua base social. Por outro lado, Putin quer negociar em melhores condi\u00e7\u00f5es os pre\u00e7os do g\u00e1s russo que vai para a Europa e a constru\u00e7\u00e3o de novos oleodutos.<\/p>\n<p>O imperialismo ianque e europeu t\u00eam utilizado a ofensiva de Putin como argumento para que a Ucr\u00e2nia seja parte da OTAN (Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte), que \u00e9 a alian\u00e7a militar imperialista mais importante. Biden e a UE buscam, dessa forma, consolidar o controle e o dom\u00ednio sobre a Ucr\u00e2nia e todo o Leste Europeu. Pol\u00edtica que \u00e9 assumida pelo atual governo capitalista da Ucr\u00e2nia, que, por sua vez, segue explorando o povo trabalhador aliado \u00e0s multinacionais.<\/p>\n<p>Nesse choque entre a R\u00fassia, a UE e Biden n\u00e3o h\u00e1 nada de progressivo. \u00c9 uma disputa interburguesa para amortecer a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica sofrida por cada uma dessas pot\u00eancias imperialistas. China e Ir\u00e3 deram um t\u00edmido respaldo \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o de Putin. E, por sua vez, Putin, entre suas bravatas, amea\u00e7ou enviar for\u00e7as militares para Cuba e Venezuela.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00f3s, da UIT-QI, consideremos que o menos prov\u00e1vel \u00e9 que essa crise culmine em um choque armado importante e que o foco de Biden e Putin \u00e9 chegar em um acordo negociado, n\u00e3o podemos descartar um conflito armado. Ainda mais quando ambos n\u00e3o deixam de acumular tropas e armamentos.<\/p>\n<p>Diante dessa possibilidade, n\u00f3s, da UIT-QI, chamamos a repudiar toda tentativa ou amea\u00e7a da R\u00fassia e de Putin de invadir a Ucr\u00e2nia e a reivindicar o fim de toda inger\u00eancia tanto do imperialismo russo como do imperialismo europeu e norte-americano no pa\u00eds. Fora a OTAN da Ucr\u00e2nia; pela retirada imediata de todo armamento e m\u00edsseis nucleares da R\u00fassia e da OTAN; pela autodetermina\u00e7\u00e3o do povo ucraniano.<\/p>\n<p>A sa\u00edda de fundo para essa crise passa pela classe trabalhadora da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia, que devem enfrentar seus governos e lutar por governos das e dos trabalhadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; por Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI) \u00a0 Durante as \u00faltimas semanas, a tens\u00e3o mundial disparou devido \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o massiva de tropas russas para a fronteira com a Ucr\u00e2nia diante de sua poss\u00edvel ades\u00e3o \u00e0 OTAN. 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