

	{"id":9180,"date":"2022-01-30T15:08:20","date_gmt":"2022-01-30T15:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9180"},"modified":"2023-11-06T13:52:47","modified_gmt":"2023-11-06T16:52:47","slug":"teses-de-leeds-teses-sobre-a-frente-unica-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/01\/30\/teses-de-leeds-teses-sobre-a-frente-unica-revolucionaria\/","title":{"rendered":"Teses de Leeds (Teses sobre a Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria)"},"content":{"rendered":"<p>Documento apresentado ao Congresso do Comit\u00ea Internacional da Quarta Internacional, realizado em Leeds, Gr\u00e3-Bretanha, 1958.<\/p>\n<h2><strong>Teses de Leeds<\/strong><\/h2>\n<h3><strong>(Teses sobre a Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria)<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>O ascenso revolucion\u00e1rio mundial, assim como a intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes e das massas coloniais, foi iniciado por volta de 1943, com a revolu\u00e7\u00e3o europeia e os grandes movimentos de massas na \u00c1sia, e tem seguido um curso geral ascendente. Os triunfos mais importantes da revolu\u00e7\u00e3o mundial foram:<\/p>\n<ul>\n<li>A liquida\u00e7\u00e3o do capitalismo e das reminisc\u00eancias feudais no oriente da Europa;<\/li>\n<li>As grandes revolu\u00e7\u00f5es na China, no Norte da Indochina e Cor\u00e9ia, que varreram os regimes imperialistas, feudais e capitalistas nesses pa\u00edses;<\/li>\n<li>A conquista da independ\u00eancia pol\u00edtica por parte da \u00cdndia e Indon\u00e9sia, Tun\u00edsia, Marrocos e a instaura\u00e7\u00e3o do regime republicano no Egito, liquidando a monarquia de Farouk;<\/li>\n<li>A nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas, o direito de voto para toda a popula\u00e7\u00e3o e a conforma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias operarias, na Bol\u00edvia;<\/li>\n<li>A nacionaliza\u00e7\u00e3o do Canal de Suez e a cria\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A esses triunfos conquistados pela revolu\u00e7\u00e3o mundial em um ascenso ininterrupto, ainda que com altos e baixos, h\u00e1 de se acrescentar:<\/p>\n<ul>\n<li>O r\u00e1pido restabelecimento e desenvolvimento das economias nos pa\u00edses n\u00e3o capitalistas, no caso, a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) e seus sat\u00e9lites, apesar dos saques por parte da burocracia;<\/li>\n<li>O colossal triunfo tecnol\u00f3gico conquistado no campo dos sat\u00e9lites artificiais pela URSS, triunfo que se deve creditar \u00e0s virtudes da nacionaliza\u00e7\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o da economia sovi\u00e9tica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O imperialismo mundial enfrenta esse ascenso revolucion\u00e1rio em meio a uma crise cr\u00f4nica dos imp\u00e9rios europeus, combinada com um boom econ\u00f4mico que amenizou ou escondeu totalmente, dependendo do imp\u00e9rio de que se trate, o car\u00e1ter cr\u00f4nico dessa crise. Nesse sentido, o imperialismo ianque \u00e9 o que melhor suportou e conseguiu minimizar a crise, por meio do colossal boom da sua economia capitalista.<\/p>\n<p>Tanto o ascenso revolucion\u00e1rio no mundo quanto a situa\u00e7\u00e3o do imperialismo come\u00e7aram a mudar de car\u00e1ter, ou j\u00e1 mudaram. O fato mais importante do ascenso revolucion\u00e1rio \u00e9 que ele se estendeu at\u00e9 as zonas de influ\u00eancia da burocracia sovi\u00e9tica, ao iniciar-se o processo revolucion\u00e1rio das massas nessa zona. Hoje em dia, s\u00e3o as massas h\u00fangaras, polacas, checoslovacas, russas, etc., as que, junto \u00e0s argelinas &#8211; a vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe -, est\u00e3o na cabe\u00e7a do processo revolucion\u00e1rio mundial. Esse novo fen\u00f4meno no desenrolar da revolu\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 acompanhado, j\u00e1 faz um ano, pelo come\u00e7o da recess\u00e3o econ\u00f4mica nos grandes pa\u00edses capitalistas, principalmente nos Estados Unidos. O decisivo de tudo isso \u00e9 que, com o come\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o das massas sovi\u00e9ticas, muda qualitativamente o car\u00e1ter do ascenso revolucion\u00e1rio mundial. Podemos dizer que, at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, a revolu\u00e7\u00e3o mundial se estende e obt\u00e9m triunfos importante, por\u00e9m quantitativos; desde sua extens\u00e3o \u00e0 zona dominada pela burocracia russa, ocorre um importante salto qualitativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>II<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A d\u00e9cada de 1943 a 1953, quando morre Stalin, foi caracterizada por uma combina\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria dos fatores objetivos e subjetivos do movimento oper\u00e1rio e das massas coloniais, ou melhor, por uma curiosa unidade das estruturas e superestruturas do movimento de massas. Essa s\u00edntese foi dada pela unidade, potencialmente muito contradit\u00f3ria, das grandes lutas do movimento oper\u00e1rio e de massas, com os aparatos dirigentes consolidados durante d\u00e9cadas de retrocesso da revolu\u00e7\u00e3o (desde 1923 at\u00e9 1943). A unidade contradit\u00f3ria entre o ascenso revolucion\u00e1rio e os velhos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios stalinistas, socialistas e burgueses j\u00e1 se manteve por uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f4meno que confirma a caracteriza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica feita pelo conjunto dos mestres do marxismo ao se referirem \u00e0s rela\u00e7\u00f5es mais gerais que existem entre as estruturas e superestruturas: o fator mais duradouro, mais reacion\u00e1rio, o que mais responde ao peso da in\u00e9rcia, sempre \u00e9 a superestrutura. O desenvolvimento do ascenso revolucion\u00e1rio mundial na d\u00e9cada de 1943-1953 n\u00e3o foi mais do que a express\u00e3o particular dessa lei geral. O passado sobrevive sempre, em todas as esferas da vida de uma classe &#8211; por mais revolucion\u00e1ria que esta seja &#8211; at\u00e9 n\u00e3o haver esgotado todas as suas possibilidades.<\/p>\n<p>Os aparatos do stalinismo, o socialismo e as burguesias coloniais puderam se manter controlando o movimento de massas como consequ\u00eancia imediata de dois fatores:<\/p>\n<ul>\n<li>Um deles foi que as massas em ascenso encontraram como inimigos imediatos as metr\u00f3poles, nos pa\u00edses coloniais, e as pot\u00eancias ocupantes com seus aliados nativos, nos pa\u00edses europeus;<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, as duas d\u00e9cadas de retrocesso anterior n\u00e3o haviam permitido organizar e formar, em nenhum pa\u00eds atravessado por uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, um partido conscientemente revolucion\u00e1rio, uma sess\u00e3o da Quarta Internacional, com ra\u00edzes na classe oper\u00e1ria e nas massas coloniais. A situa\u00e7\u00e3o objetiva havia impedido a forma\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios, e a n\u00e3o forma\u00e7\u00e3o desses partidos revolucion\u00e1rios permitiu que fossem os partidos tradicionais e contrarrevolucion\u00e1rios aqueles que tomaram, controlaram, frearam e desviaram as massas ao produzir-se o novo ascenso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A respeito disso, n\u00e3o devemos esquecer que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a Terceira Internacional foram o resultado de quarenta anos de ascenso do movimento oper\u00e1rio mundial, que havia permitido a cristaliza\u00e7\u00e3o de fortes tend\u00eancias e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias &#8211; consciente ou inconscientemente &#8211; nos setores mais importantes do movimento oper\u00e1rio mundial. Entre as inconscientemente revolucion\u00e1rias, estavam os sindicalistas revolucion\u00e1rios franceses, a International Workers of the World norte-americana, os anarquistas espanh\u00f3is e latino-americanos. Os revolucion\u00e1rios conscientes foram os espartaquistas alem\u00e3es e, fundamentalmente, os bolcheviques russos.<\/p>\n<p>A unidade ou a s\u00edntese entre o movimento de massas em ascenso e os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios escondia uma revolu\u00e7\u00e3o latente, que agora come\u00e7a a produzir crises e se expressa como uma contradi\u00e7\u00e3o manifesta a partir da morte de Stalin.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>III<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A mais colossal confirma\u00e7\u00e3o indireta da an\u00e1lise de Trotsky e da nossa Internacional sobre o car\u00e1ter da URSS e do governo stalinista se deu com o come\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o das massas russas, que muda qualitativamente o car\u00e1ter do ascenso revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para o trotskismo, a URSS sempre foi uma parte fundamental do movimento oper\u00e1rio mundial e sua casta governante \u00e9 parte, tamb\u00e9m decisiva e fundamental, dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios que controlam o movimento de massas em escala mundial, desde que se impuseram como consequ\u00eancia do desenvolvimento contrarrevolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O stalinismo n\u00e3o s\u00f3 controlava os melhores setores da vanguarda do movimento oper\u00e1rio e colonial do mundo inteiro, mas, com sua pol\u00edtica sinistra, lan\u00e7ava aos bra\u00e7os dos aparatos burgueses, ou socialistas ou de outras burocracias sindicais, os outros setores do movimento oper\u00e1rio e das massas coloniais. Ou seja, direta ou indiretamente, o stalinismo era e \u00e9 o principal fator subjetivo da contrarrevolu\u00e7\u00e3o mundial, assim como, objetivamente, \u00e9 o imperialismo ianque.<\/p>\n<p>Isso significa que, em escala mundial, a solidez dos aparatos que freiam, traem e desviam o movimento revolucion\u00e1rio das massas, sejam eles sociais-democratas, partidos nacionalistas burgueses, burocr\u00e1ticos ou stalinistas, se encontram diretamente relacionados com a solidez do stalinismo, do Kremlin.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7a o processo da revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia e nos <em>glacis<\/em> (os pa\u00edses sat\u00e9lites da Europa do Leste), as massas sovi\u00e9ticas encontram como seu inimigo imediato, direto, n\u00e3o uma classe inimiga ou uma metr\u00f3pole imperialista, mas sim a sua pr\u00f3pria superestrutura, que \u00e9, ao mesmo tempo, a base de sustenta\u00e7\u00e3o de todos os aparatos burocr\u00e1ticos do mundo inteiro. \u00c9 por isso que sua luta desencadeia e inicia a crise de todos os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios do movimento de massas e muda qualitativamente o car\u00e1ter do ascenso revolucion\u00e1rio mundial. Isso n\u00e3o quer dizer que os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios v\u00e3o desaparecer imediatamente, ou que ser\u00e3o varridos pelas massas, mas que se iniciou a sua crise e que ela vai se acelerando. A conclus\u00e3o \u00e9 que entramos em uma nova etapa da revolu\u00e7\u00e3o mundial que durar\u00e1, no m\u00ednimo, mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio pararmos para especificar melhor o fen\u00f4meno que caracteriza a nova etapa: a crise dos aparatos tradicionais. Nossa caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 que a crise \u00e9 revolucion\u00e1ria, n\u00e3o reformista. N\u00f3s n\u00e3o acreditamos que os velhos aparatos se reformar\u00e3o, nem mudar\u00e3o pacificamente seus programas e dirigentes, nem modificar\u00e3o sem sobressaltos seu curso direitista ou contrarrevolucion\u00e1rio, de freio e controle totalit\u00e1rio do movimento de massas.<\/p>\n<p>N\u00f3s entendemos que a crise revolucion\u00e1ria dos aparatos tradicionais \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o em vermelho vivo de todas as contradi\u00e7\u00f5es que existem no movimento oper\u00e1rio e das massas coloniais, controladas de forma totalit\u00e1ria por organiza\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias. Essas contradi\u00e7\u00f5es, levadas \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, implicar\u00e3o lutas terr\u00edveis, com a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos revolucion\u00e1rios para liquidar os aparatos. O processo objetivo da crise aponta para uma ruptura e liquida\u00e7\u00e3o dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios e, logicamente, nossa pol\u00edtica se ajustar\u00e1 a essa interpreta\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa descartar a possibilidade de reformas e concess\u00f5es m\u00fatuas entre os aparatos e as massas em ascenso, at\u00e9 o enfrentamento definitivo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, concreta e imediatamente, acreditamos que a crise dos aparatos tradicionais se manifestar\u00e1 no surgimento de tend\u00eancias que esbo\u00e7am e formulam diferentes linhas pol\u00edticas dentro dos aparatos tradicionais, ou de setores que rompam com eles abertamente. Ou seja, o car\u00e1ter da crise se dar\u00e1 pelo surgimento evidente de distintas tend\u00eancias e setores no interior dos aparatos que controlam o movimento oper\u00e1rio e as massas coloniais. Isso adquirir\u00e1 uma din\u00e2mica centr\u00edfuga, de contradi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou pol\u00edticas cada vez mais agudas, at\u00e9 a sua irrup\u00e7\u00e3o violenta. As tend\u00eancias centr\u00edfugas, em todas as dire\u00e7\u00f5es, e a busca de alternativas expressam a press\u00e3o do ascenso revolucion\u00e1rio, que promove a formula\u00e7\u00e3o das necessidades pol\u00edticas mais urgentes do movimento oper\u00e1rio e de massas. Por outro lado, isso significa tamb\u00e9m o renascimento da democracia e da autodetermina\u00e7\u00e3o do movimento, em oposi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ao controle totalit\u00e1rio sobre o movimento de massas por parte dos aparatos tradicionais.<\/p>\n<p>Se trata de uma crise geral, mundial, que adquire um car\u00e1ter distinto de pa\u00eds para pa\u00eds, segundo a viol\u00eancia do ascenso revolucion\u00e1rio e a for\u00e7a dos aparatos tradicionais. Na medida em que aumente a intensidade do ascenso em um determinado pa\u00eds, a crise tende a adquirir um car\u00e1ter massivo e explosivo. Ao contr\u00e1rio, quanto menor for o ascenso, mais ele tender\u00e1 a adquirir um car\u00e1ter intelectual e a expressar-se apenas entre os elementos de vanguarda. Hungria e Estados Unidos s\u00e3o os melhores exemplos dos dois casos extremos. Na Hungria, a crise do stalinismo adquiriu um car\u00e1ter massivo, total, abarcando todo o movimento oper\u00e1rio e estudantil, fossem ou n\u00e3o stalinistas. Nos Estados Unidos, ao contr\u00e1rio, a crise se manifesta somente entre os elementos de vanguarda da intelectualidade ou da milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>A crise est\u00e1 em um est\u00e1gio qualitativamente superior na URSS, no Leste europeu e no movimento stalinista mundial, por duas raz\u00f5es. Uma raz\u00e3o, objetiva, \u00e9 que o movimento revolucion\u00e1rio est\u00e1 atacando e direciona sua ofensiva contra o basti\u00e3o do aparato stalinista mundial. A outra, subjetiva, \u00e9 que, apesar da sua degenera\u00e7\u00e3o e prostitui\u00e7\u00e3o, o movimento stalinista mundial n\u00e3o deixa de estar vinculado \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do leninismo. Por essa raz\u00e3o, os setores que rompem com o stalinismo se orientam rapidamente a uma interpreta\u00e7\u00e3o leninista do fen\u00f4meno stalinista mundial.<\/p>\n<p>A social-democracia, os aparatos burgueses e pequeno-burgueses no movimento das massas coloniais e as burocracias sindicais, sofrem uma crise indireta que est\u00e1 em um est\u00e1gio inferior a do stalinismo, como consequ\u00eancia, justamente, de que, no momento, n\u00e3o sofrem um embate direto com o movimento oper\u00e1rio e de que o n\u00edvel e a tradi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do movimento que controlam \u00e9 muito mais baixo do que o stalinista. Neste momento, a crise se expressa no interior dos pr\u00f3prios aparatos, com um aumento na milit\u00e2ncia dos ativistas oper\u00e1rios, uma maior tens\u00e3o entre as distintas tend\u00eancias ou o esbo\u00e7o de tend\u00eancias antes inexistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>V<\/strong><\/p>\n<p>A etapa hist\u00f3rica da crise das superestruturas tradicionais do movimento de massas ser\u00e1 acompanhada pela supera\u00e7\u00e3o da crise hist\u00f3rica da dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio. Por sua vez, a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode significar outra coisa que n\u00e3o a transforma\u00e7\u00e3o do trotskismo, das nossas se\u00e7\u00f5es nacionais e de nosso partido mundial, em partidos revolucion\u00e1rios com grande influ\u00eancia no movimento de massas. Concretamente, a etapa que se abriu com a morte de Stalin n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a da crise das superestruturas tradicionais do movimento oper\u00e1rio e de massas, mas tamb\u00e9m a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e de transforma\u00e7\u00e3o do nosso movimento, conformando partidos de massas.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas fen\u00f4menos acabar\u00e3o por se unir quando as velhas superestruturas forem liquidadas definitivamente e o trotskismo se transformar na \u00fanica dire\u00e7\u00e3o real do movimento de massas, e ocorrem estreitamente ligados entre si, mas isso n\u00e3o significa que sejam o mesmo. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o fen\u00f4menos distintos que ocorrer\u00e3o conjuntamente e em um processo de desenvolvimento desigual e combinado.<\/p>\n<p>A crise dos aparatos tradicionais condiciona e possibilita a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio. Por sua vez, os passos objetivos que se forem dando no sentido da supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria aceleram a crise dos aparatos tradicionais. Mas de qualquer forma, a crise libertar\u00e1 for\u00e7as em todas as dire\u00e7\u00f5es, for\u00e7as que n\u00e3o ser\u00e3o totalmente assimil\u00e1veis desde o come\u00e7o, ao se encarar a etapa de supera\u00e7\u00e3o de crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio. Dizendo de outra forma, a crise ter\u00e1, em um primeiro momento, uma din\u00e2mica mais r\u00e1pida que a supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria revolucion\u00e1ria. Por outro lado, \u00e0 medida que se come\u00e7a a superar a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, a rapidez desse processo ir\u00e1 sendo acelerado at\u00e9 se igualar \u00e0 din\u00e2mica, inicialmente maior, da crise dos aparatos tradicionais. Podemos dizer que a crise dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios ter\u00e1 uma velocidade m\u00e9dia mais elevada que o in\u00edcio da supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria revolucion\u00e1ria, mas que a velocidade deste \u00faltimo processo vai aumentando em cada nova etapa do processo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m haver\u00e1 um processo de desenvolvimento desigual e combinado entre o come\u00e7o da supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do nosso partido mundial e suas se\u00e7\u00f5es. A crise dos aparatos libera tend\u00eancias revolucion\u00e1rias inconscientes, centristas de esquerda ou ultraesquerdistas, e, com todas suas limita\u00e7\u00f5es e erros, levar\u00e3o o movimento de massas a posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, respondendo principalmente \u00e0s quest\u00f5es mais urgentes, concretas e determinantes. Chamamos essas tend\u00eancias de \u201cinconscientemente revolucion\u00e1rias\u201d porque n\u00e3o se elevaram \u00e0 compreens\u00e3o da necessidade do nosso programa e organiza\u00e7\u00e3o mundial, mas seu surgimento tem um profundo significado objetivo: \u00e9 o come\u00e7o de uma nova dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do movimento de massas, porque mostram os primeiros passos objetivos da vanguarda oper\u00e1ria ou do movimento de esquerda orientados a dar uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para si mesmos e para as massas. Nosso movimento trotskista \u00e9 o fator conscientemente revolucion\u00e1rio, que tem que compreender esses passos e, em vez de se assustar frente a eles, deve desenvolv\u00ea-los e aceler\u00e1-los.<\/p>\n<p>Nosso pr\u00f3prio desenvolvimento, a princ\u00edpio, ser\u00e1 mais lento do que o dessas tend\u00eancias de esquerda, quando aparecerem. Pensemos no fabuloso desenvolvimento da juventude comunista h\u00fangara e polaca, com suas posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e suas consignas ou esbo\u00e7o de uma pol\u00edtica endere\u00e7ada para que os trabalhadores tomem o poder. Podemos comparar esse desenvolvimento multitudin\u00e1rio com a nossa possibilidade de crescer de 50 a 500 durante o processo revolucion\u00e1rio? Pensemos nas possibilidades enormes que seriam abertas pelo desenvolvimento de uma poderosa e ampla esquerda anti-imperialista e anticapitalista dentro do Partido Trabalhista brit\u00e2nico, ou as de um futuro partido Trabalhista norte-americano. Comparemos essa possibilidade com aquela colocada pela realidade, com a capacidade de nossas se\u00e7\u00f5es para capitalizar, em sua maior parte, processos desse tipo, e veremos que isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, justamente porque n\u00e3o s\u00e3o nem podem ser fen\u00f4menos id\u00eanticos. A amplitude das tend\u00eancias de esquerda revolucion\u00e1rias inconscientes no come\u00e7o da crise e nas primeiras etapas \u00e9 muito maior que a nossa, e adquire ou tem a possibilidade de atuar objetivamente sobre as massas como uma dire\u00e7\u00e3o ou um poderoso movimento. Um avan\u00e7o qualitativo do nosso movimento trotskista nos permitir\u00e1 inverter essa desigualdade entre o crescimento e a for\u00e7a relativa das tend\u00eancias de esquerda e o crescimento e o fortalecimento relativo dos nossos partidos nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>VI<\/strong><\/p>\n<p>Sem esquecer nem por um momento que todo esse processo se d\u00e1 &#8211; e s\u00f3 pode dar-se &#8211; no marco de poderosas lutas do movimento oper\u00e1rio para chegar \u00e0 tomada do poder e autodeterminar-se por meio de um processo revolucion\u00e1rio em perman\u00eancia, o Partido Mundial da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista deve perseguir dois objetivos fundamentais frente \u00e0 crise dos aparatos tradicionais: aceler\u00e1-la o quanto for poss\u00edvel e, para isso, acelerar o ascenso revolucion\u00e1rio do movimento de massas. Para tanto, vemos como uma necessidade objetiva a organiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em comum das tend\u00eancias inconscientemente revolucion\u00e1rias, que abrem a crise dos aparatos tradicionais, conosco. Est\u00e1 claro que essas a\u00e7\u00f5es em comum n\u00e3o podem ter outro destinat\u00e1rio que n\u00e3o o movimento revolucion\u00e1rio de massas.<\/p>\n<p>O que queremos dizer \u00e9 que devemos organizar a\u00e7\u00f5es em comum com todas as tend\u00eancias revolucion\u00e1rias inconscientes que surjam no processo de crise dos aparatos tradicionais, para desenvolver e aprofundar a crise por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da classe trabalhadora e das massas coloniais. Essas a\u00e7\u00f5es comuns significam come\u00e7ar a disputar a dire\u00e7\u00e3o do movimento de massas com os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios por meio da unidade de a\u00e7\u00e3o imediata, revolucion\u00e1ria ou potencialmente revolucion\u00e1ria. N\u00e3o se trata de encorajar que as tend\u00eancias revolucion\u00e1rias inconscientes, ao romper com os aparatos, se afastem das massas, mas exatamente o contr\u00e1rio. Devemos nos esfor\u00e7ar para que se voltem ao movimento de massas, para que n\u00e3o se desapeguem dele, para dar-lhe ou batalhar para dar-lhe uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 uma utopia a pretens\u00e3o de que as tend\u00eancias inconscientes que existem e seguir\u00e3o existindo no movimento oper\u00e1rio e das massas coloniais do mundo inteiro se incorporem imediata e automaticamente \u00e0 Quarta Internacional, devido \u00e0 debilidade que herdamos do passado. Por outro lado, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel conseguir a\u00e7\u00f5es em comum que respondam \u00e0s necessidades revolucion\u00e1rias mais urgentes do pa\u00eds, regi\u00e3o, sindicato, universidade ou grupo intelectual onde atuamos. Por isso, nossa tarefa, em cada pa\u00eds, deve ser precisar o car\u00e1ter da crise das superestruturas do movimento oper\u00e1rio e sua vanguarda, para lan\u00e7ar consignas revolucion\u00e1rias que nos permitam impulsionar uma a\u00e7\u00e3o conjunta das tend\u00eancias revolucion\u00e1rias inconscientes no movimento de massas, para elevar a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dessas.<\/p>\n<p>A essa tarefa denominamos Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria, para nos mantermos na tradi\u00e7\u00e3o do marxismo da nossa \u00e9poca, que denominou de Frente \u00danica as outras duas estrat\u00e9gias mais gerais do movimento comunista internacional: a [Frente \u00danica] Oper\u00e1ria e a Anti-imperialista. De qualquer forma, o menos importante \u00e9 o nome. O importante \u00e9 compreender que a Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria significa toda uma nova estrat\u00e9gia geral que se sintetiza na necessidade de que nossas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas nacionais assumam a tarefa obrigat\u00f3ria de organizar a a\u00e7\u00e3o comum das tend\u00eancias revolucion\u00e1rias que surgem da crise dos aparatos no movimento de massas, para postular com for\u00e7as redobradas o direito e a necessidade de que se tenha uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do movimento de massas, e para ajudar essas tend\u00eancias a realmente se elevarem e atuarem como uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>VII<\/strong><\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia abre enormes perspectivas para o nosso desenvolvimento, mas como toda nova etapa, tamb\u00e9m nos colocar\u00e1 grandes perigos. O principal deles \u00e9 a tend\u00eancia a nos diluirmos ou abandonar nossos princ\u00edpios, a desaparecer, a capitular frente \u00e0s defici\u00eancias, lacunas ou erros dos l\u00edderes ou tend\u00eancias revolucion\u00e1rias inconscientes. Por isso, devemos alertar que a \u00fanica possibilidade de que a estrat\u00e9gia sirva plenamente ao movimento de massas, eleve as novas tend\u00eancias revolucion\u00e1rias a serem uma verdadeira dire\u00e7\u00e3o consciente do movimento de massas e ajude a fortalecer o movimento trotskista, \u00e9 que a Quarta Internacional e sua dire\u00e7\u00e3o tenham uma exist\u00eancia mais vigorosa que nunca, para contrapor-se aos inevit\u00e1veis desvios oportunistas ou seguidistas das nossas se\u00e7\u00f5es ao aplicar a Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria. Em escala nacional, devemos dizer o mesmo das se\u00e7\u00f5es da Quarta Internacional como organismo bolchevique: qualquer \u201cafrouxamento\u201d da nossa organiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fatal para a frente e para o movimento de massas, pois eliminar\u00e1 o \u00fanico foco consciente de todo o processo e a \u00fanica possibilidade de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consciente.<\/p>\n<p>Os motivos fundamentais do movimento trotskista ao criar a estrat\u00e9gia da Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria s\u00e3o, por um lado, ter um palanque muito mais potente para chegar ao movimento de massas, lhe propondo nossas consignas para a a\u00e7\u00e3o, e, por outro lado, tornar mais fortes o nosso movimento mundial e suas se\u00e7\u00f5es. O \u00faltimo objetivo \u00e9 t\u00e3o importante quanto o primeiro e n\u00e3o pode ser deixado de lado mesmo quando suas rela\u00e7\u00f5es possam ser contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Finalmente, todos os alertas que temos feito sobre a necessidade de manter nossos partidos nacionais mais ferrenhamente organizados do que nunca, n\u00e3o significa atar as m\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas organizativas ou t\u00e1ticas a serem adotadas para desenvolver as t\u00e1ticas de Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria em cada pa\u00eds. Essas t\u00e1ticas podem ser qualquer uma daquelas tradicionais, desde o acordo com tend\u00eancias de esquerda para a\u00e7\u00f5es limitad\u00edssimas e urgentes, at\u00e9 o entrismo em uma ampla tend\u00eancia de esquerda que surja ou em um partido centrista de esquerda j\u00e1 existente. Qualquer dessas variantes pode ser leg\u00edtima, se for fruto de um estudo cuidadoso da realidade nacional, que nos leve \u00e0 conclus\u00e3o de que a t\u00e1tica pol\u00edtico-organizativa adotada \u00e9 a melhor para come\u00e7ar a dar uma nova e vigorosa dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ao movimento oper\u00e1rio e de massas e, ao mesmo tempo, para fortalecer a \u00fanica dire\u00e7\u00e3o conscientemente revolucion\u00e1ria existente no pa\u00eds e no mundo: a Quarta Internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento apresentado ao Congresso do Comit\u00ea Internacional da Quarta Internacional, realizado em Leeds, Gr\u00e3-Bretanha, 1958. Teses de Leeds (Teses sobre a Frente \u00danica Revolucion\u00e1ria) I O ascenso revolucion\u00e1rio mundial, assim como a intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes e das massas coloniais, foi iniciado por volta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-9180","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9180\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}