

	{"id":9272,"date":"2022-03-21T17:01:20","date_gmt":"2022-03-21T17:01:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9272"},"modified":"2022-03-21T23:33:03","modified_gmt":"2022-03-21T23:33:03","slug":"diante-da-crise-capitalista-e-imprescindivel-a-unidade-na-luta-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/03\/21\/diante-da-crise-capitalista-e-imprescindivel-a-unidade-na-luta-antirracista\/","title":{"rendered":"Diante da crise capitalista, \u00e9 imprescind\u00edvel a unidade na luta antirracista"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9273 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-744x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-744x1024.jpg 744w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-218x300.jpg 218w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-768x1057.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-36x50.jpg 36w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro-600x826.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foro.jpg 1162w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O dia 21 de mar\u00e7o marca a lembran\u00e7a do massacre de Sharpeville, perpetuado em 1960. Nesse dia, o regime do apartheid sul-africano metralhou uma mobiliza\u00e7\u00e3o contra as leis que restringiam a liberdade de locomo\u00e7\u00e3o das pessoas negras. A repress\u00e3o assassinou 69 pessoas e feriu 180. O massacre marcou o in\u00edcio da luta armada contra o apartheid. Como parte da luta internacional contra esse regime, conseguiu-se que, em 1966, a ONU declarasse o dia 21 de mar\u00e7o como Dia Internacional da Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial.<\/p>\n<p>Nas seis d\u00e9cadas ap\u00f3s o massacre de Sharpeville, as lutas dos povos do mundo conquistaram importantes triunfos, como destruir o apartheid na \u00c1frica do Sul; dezenas de na\u00e7\u00f5es africanas, da \u00c1sia e do Caribe conquistaram sua independ\u00eancia; o movimento pelos direitos civis nos EUA conseguiu reverter algumas das formas legais de segrega\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o racial. No entanto, o racismo segue sendo um tra\u00e7o caracter\u00edstico da ordem capitalista. A crise econ\u00f4mica e social, agravada pela pandemia da Covid-19 e pelo marco da invas\u00e3o imperialista russa na Ucr\u00e2nia, demonstra a propens\u00e3o dos capitalistas e seus governos a aumentar a opress\u00e3o racista, a superexplora\u00e7\u00e3o e a expuls\u00e3o dos povos negros, ind\u00edgenas e de etnias racializadas de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica produzida pela depreda\u00e7\u00e3o capitalista do meio ambiente e as emiss\u00f5es acumuladas de gases de efeito estufa, as guerras, as recess\u00f5es e a desigualdade estrutural geram enormes migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas. Milhares de migrantes da Am\u00e9rica Central, Am\u00e9rica do Sul e do Caribe se dirigem em caravanas para os EUA, enfrentando a repress\u00e3o em cada pa\u00eds que atravessam. No M\u00e9xico, o governo de L\u00f3pez Obrador pactuou com o racista Donald Trump reprimir para que menos migrantes cheguem \u00e0 fronteira estadunidense. O governo de Joe Biden continuou com as deporta\u00e7\u00f5es massivas e os campos de concentra\u00e7\u00e3o para migrantes do complexo ICE. Na \u00faltima d\u00e9cada, a guerra de terra arrasada da R\u00fassia e do Ir\u00e3 na S\u00edria expulsou mais de 7 milh\u00f5es de pessoas e o desastre econ\u00f4mico e a viol\u00eancia social expulsaram 6 milh\u00f5es de pessoas da Venezuela. Essas massas de migrantes s\u00e3o discriminadas legalmente, sofrem explora\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de pessoas. Na \u00c1frica do Sul, a comunidade imigrante do Zimb\u00e1bue sofre a persegui\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o das autoridades. Nos EUA, paramilitares patrulham a fronteira e cometem assassinatos. Todas as direitas agitam contra as pessoas migrantes e as convertem em bode expiat\u00f3rio para distrair os problemas sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>O governo dominicano leva adiante, h\u00e1 mais de um ano, uma campanha racista contra a comunidade imigrante haitiana, executando milhares de deporta\u00e7\u00f5es, construindo um muro fronteiri\u00e7o e at\u00e9 detendo arbitrariamente centenas de mulheres gr\u00e1vidas nos hospitais. Em 2013, aplicou-se a desnacionaliza\u00e7\u00e3o racista de cerca de 200 mil pessoas dominicanas de ascend\u00eancia haitiana atrav\u00e9s de uma senten\u00e7a judicial e a maioria segue estando em situa\u00e7\u00e3o de ap\u00e1trida at\u00e9 o dia de hoje.<\/p>\n<p>No Haiti, ap\u00f3s 14 anos de ocupa\u00e7\u00e3o militar por parte da MINUSTAH, nos quais se cometeram numerosos abusos racistas, com tropas provenientes, em sua maioria, dos governos sul-americanos ditos \u201cprogressistas\u201d, o Core Group segue exercendo uma fun\u00e7\u00e3o de tutela semicolonial. Exigimos respeito ao direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o do povo haitiano sem inger\u00eancia imperialista. Tanto no Haiti como em todos os pa\u00edses ex-coloniais africanos, latino-americanos e caribenhos v\u00edtimas do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de pessoas escravizadas, \u00e9 importante exigir o pagamento de repara\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas por parte do imperialismo europeu e estadunidense.<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de ind\u00edgenas, do Chile at\u00e9 o M\u00e9xico, sofrem discrimina\u00e7\u00e3o racista, expuls\u00e3o de suas terras, que s\u00e3o entregues a capitais megamineradores e \u00e0 grande agroind\u00fastria. As consequ\u00eancias do aquecimento global tamb\u00e9m refletem as desigualdades do sistema capitalista, j\u00e1 que os pa\u00edses africanos, asi\u00e1ticos, polin\u00e9sios e latino-americanos, que s\u00e3o os que menos emiss\u00f5es de g\u00e1s de efeito estufa produzem, em contrapartida s\u00e3o os que mais sofrem com os estragos da crise clim\u00e1tica. A expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas e a expans\u00e3o das grandes granjas industriais de cria\u00e7\u00e3o de animais geram focos de gera\u00e7\u00e3o de pandemias, como a da Covid-19. O capitalismo, que est\u00e1 na origem da atual crise sanit\u00e1ria, tamb\u00e9m gera mecanismos de exclus\u00e3o em resposta \u00e0 pandemia: no m\u00eas de fevereiro de 2022, 2\/3 da popula\u00e7\u00e3o mundial havia recebido ao menos uma dose da vacina, mas, nos pa\u00edses mais pobres, semicoloniais, essa porcentagem era de apenas 10%.<\/p>\n<p>Na Europa, os governos deixam naufragar e negam aux\u00edlio a imigrantes provenientes da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio no Mar Mediterr\u00e2neo e no Canal da Mancha, ou os deixam morrer congelados na fronteira entre a Bielorr\u00fassia e a Pol\u00f4nia. Apoiamos que sejam recebidos e auxiliados os refugiados ucranianos, que s\u00e3o consequ\u00eancia da criminosa agress\u00e3o imperialista de Putin contra a Ucr\u00e2nia, mas recha\u00e7amos a hipocrisia racista da Uni\u00e3o Europeia, que nega e reprime os imigrantes provenientes de outras regi\u00f5es impactadas pelas guerras. Tamb\u00e9m repudiamos a discrimina\u00e7\u00e3o das autoridades ucranianas e polacas contra estudantes e trabalhadores africanos, latino-americanos e asi\u00e1ticos que tentam fugir da invas\u00e3o russa. Da Gr\u00e9cia at\u00e9 a Austr\u00e1lia, milhares de pessoas migrantes se encontram confinadas. O governo de extrema direita da Hungria constr\u00f3i uma cerca eletrificada na fronteira com a S\u00e9rvia. Com o apoio econ\u00f4mico e log\u00edstico do governo imperialista russo, partidos de ultradireita avan\u00e7aram eleitoralmente em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, alimentando a islamofobia e o antissemitismo.<\/p>\n<p>O governo direitista e fundamentalista da \u00cdndia institucionalizou a discrimina\u00e7\u00e3o contra milh\u00f5es de mu\u00e7ulmanos. O mesmo faz a ditadura capitalista chinesa contra o povo uigure. Na Birm\u00e2nia\/Myanmar, 1 milh\u00e3o de pessoas do povo Rohingya foram desnacionalizadas e sofrem persegui\u00e7\u00e3o. Somente o triunfo da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d e a derrota da ditadura militar pode abrir o caminho para o restabelecimento dos direitos dos Rohingya e de todos os povos da Birm\u00e2nia\/Myanmar.<\/p>\n<p>O apartheid israelense, denunciado h\u00e1 d\u00e9cadas pelo povo palestino e recentemente reconhecido por organiza\u00e7\u00f5es internacionais de direitos humanos, \u00e9 uma das express\u00f5es mais graves de racismo, colonialismo e fascismo contempor\u00e2neos. Com o apoio incondicional dos EUA, a entidade colonial sionista leva a cabo uma campanha de limpeza \u00e9tnica desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1948. O sistema de kafala, de \u201capadrinhamento\u201d patronal, fere os direitos mais elementares de trabalhadores imigrantes, especialmente mulheres africanas e asi\u00e1ticas, em pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, com o L\u00edbano, Qatar e Ar\u00e1bia Saudita, e \u00e9 considerado uma forma contempor\u00e2nea de semiescravid\u00e3o.<\/p>\n<p>O massivo movimento do Black Lives Matter, que mobilizou milh\u00f5es de pessoas contra os assassinatos policiais racistas nos EUA em 2020, teve um impacto mundial e surgiram consignas parecidas contra a brutalidade e os assassinatos por parte de policiais e militares racistas em pa\u00edses como o Brasil, sob governo do ultradireitista Bolsonaro, cuja repress\u00e3o ataca principalmente as pessoas negras. H\u00e1 quatro anos do assassinato da dirigente de esquerda, feminista e antirracista brasileira, Marielle Franco, o crime segue impune, pois n\u00e3o foram acusados os seus mandantes. Ainda assim, cresce a viol\u00eancia xen\u00f3foba, como demonstra o assassinato do jovem congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe em um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Repudiamos a criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos no mundo, como as recentes condena\u00e7\u00f5es \u00e0 longa pris\u00e3o da juventude cubana por protestar contra a fome e por direitos democr\u00e1ticos no dia 11 de julho do ano passado. Grande parte das pessoas condenadas por protestar pacificamente s\u00e3o pessoas negras dos bairros mais humildes de Cuba.<\/p>\n<p>A luta contra o racismo \u00e9 parte fundamental do esfor\u00e7o para unir a classe trabalhadora, superando qualquer divis\u00e3o nacional ou racial, para lutar contra um sistema que nos condena \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Chamamos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o contra o racismo, organizando uma resposta aut\u00f4noma e mobilizadora \u00e0s pol\u00edticas discriminat\u00f3rias e opressoras dos governos que perpetuam essa aberrante heran\u00e7a ideol\u00f3gica e estrutural do colonialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pela elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas institucionalizadas de racismo!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liberdade para todas as pessoas migrantes encarceradas no mundo! Fronteiras abertas para todas as pessoas v\u00edtimas de migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e que buscam ref\u00fagio!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elimina\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas externas dos pa\u00edses semicoloniais e pagamento de repara\u00e7\u00f5es pelo tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de pessoas escravizadas!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo o apartheid sionista na Palestina!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo os regimes coloniais! Direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional para todos os povos! Fora o Core Group do Haiti!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Respeito ao autogoverno e aos territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas!<\/strong><\/p>\n<p>Veja as assinaturas em: https:\/\/mst-rd.org\/2022\/03\/21\/manifiesto-ante-la-crisis-capitalista-es-imprescindible-la-unidad-en-la-lucha-contra-el-racismo\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0 \u00a0 O dia 21 de mar\u00e7o marca a lembran\u00e7a do massacre de Sharpeville, perpetuado em 1960. Nesse dia, o regime do apartheid sul-africano metralhou uma mobiliza\u00e7\u00e3o contra as leis que restringiam a liberdade de locomo\u00e7\u00e3o das pessoas negras. 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