

	{"id":95,"date":"2011-12-13T11:59:00","date_gmt":"2011-12-13T11:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2011\/12\/13\/arquivoid-9130\/"},"modified":"2011-12-13T11:59:00","modified_gmt":"2011-12-13T11:59:00","slug":"arquivoid-9130","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2011\/12\/13\/arquivoid-9130\/","title":{"rendered":"Ch\u00e1vez contra os estudantes, ao lado de Pi\u00f1era e Santos"},"content":{"rendered":"<p>A decad\u00eancia do falso \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d | Michel Oliveira*<\/p>\n<p>Enquanto a juventude latino-americana segue sua luta pela gratuidade do ensino p\u00fablico, enfrentando brutal repress\u00e3o, os governos da Venezuela, Bol\u00edvia e Equador est\u00e3o na trincheira oposta, ao lado de nossos algozes. Hugo Chaves \u00e9 o maior representante da linha de estabelecer acordos estrat\u00e9gicos com os governos mais reacion\u00e1rios do continente: Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era no Chile e Manuel Santos na Col\u00f4mbia. Desse modo, aliando-se a eles, Chaves se converteu em inimigo da juventude latino-americana.<\/p>\n<p>A juventude Chilena segue sua luta nas ruas de Santiago, nas ocupa\u00e7\u00f5es de Col\u00e9gios, ao lado dos mapuches, dos mineiros, trabalhadores da sa\u00fade e do povo com seus panela\u00e7os. Precisa de apoio e solidariedade internacional para enfrentar o neoliberalismo e as balas de Pi\u00f1era. Por\u00e9m, foi apunhalada pelas costas pelo governo Venezuelano. Na recente c\u00fapula de funda\u00e7\u00e3o da comunidade de estados latino-americanos e caribenhos (CELAC), realizada em Caracas, Chaves entregou a presid\u00eancia do organismo ao presidente do Chile. Trata-se do que Simon Rodrigues Porras, da juventude da USI-PSL da Venezuela, qualificou corretamente de \u201cinsulto aos estudantes Chilenos\u201d. (http:\/\/vamosalutanacional.blogspot.com\/2011\/12\/eleicao-de-pinera-presidencia-da-celac.html)<\/p>\n<p>A juventude colombiana, inspirada pelos Chilenos, tomou as ruas de Bogot\u00e1, contra a nova lei de Educa\u00e7\u00e3o Superior do governo Manuel Santos. As imensas manifesta\u00e7\u00f5es visavam barrar a privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Os protestos foram brutalmente reprimidos e lideran\u00e7as foram presas, num pa\u00eds cujo presidente acaba de assassinar outro l\u00edder das FARC. A\u00ed tamb\u00e9m Hugo Chaves estava no campo oposto ao da luta estudantil, tudo por conta de acordos econ\u00f4micos e diplom\u00e1ticos com a Col\u00f4mbia. N\u00e3o esquecemos que Chaves presenteou Santos com o ativista P\u00e9rez Becerra (de suposta liga\u00e7\u00e3o com a guerrilha), provando sua subservi\u00eancia \u00e0 linha anti-insurg\u00eancia da Casa Branca.<\/p>\n<p>Os fatos s\u00e3o maiores que a cordilheira dos Andes ou o rio Amazonas, demonstrando a todos que estiverem dispostos a enxergar que o per\u00edodo de confrontos parciais entre Chaves e o imperialismo ficou no passado. Todos os ativistas de esquerda de nosso continente, sobretudo os ainda vinculados ao bolivarianismo, devem refletir sobre esse giro \u00e0 direita do governo venezuelano, porque Bol\u00edvia e Equador seguem a mesma trilha. <\/p>\n<p>Esse giro \u00e0 direita, normalizando as rela\u00e7\u00f5es com o imperialismo, \u00e9 realizado no contexto da crise econ\u00f4mica mundial, das revolu\u00e7\u00f5es no norte da \u00c1frica e da intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes na Venezuela, Bol\u00edvia e Equador. E a pol\u00edtica de Chaves, Evo e Correa \u00e9 aplicar ajustes contra o povo trabalhador, reprimir os protestos sociais e defender ditaduras sanguin\u00e1rias no mundo \u00e1rabe. <\/p>\n<p>Diante da decad\u00eancia dos chamados \u201cgovernos de esquerda\u201d de nosso continente \u00e9 necess\u00e1rio penetrar fundo na quest\u00e3o avaliando seus programas e estrat\u00e9gias. O &quot;socialismo do s\u00e9culo XXI&quot;, assim como o &quot;Socialismo Andino&quot; e a \u201crevolu\u00e7\u00e3o cidad\u00e3\u201d, foi aplicado \u00e0 risca na Venezuela, Bol\u00edvia e Equador demostrando as limita\u00e7\u00f5es dos projetos nacionalistas burgueses. Esses programas faliram, encerrando o recente ciclo de apogeu do chamado &quot;nacionalismo latino americano&quot; que, como todo nacionalismo burgu\u00eas, termina entregando-se ao imperialismo e confrontando o movimento oper\u00e1rio, ind\u00edgena e popular. Apesar de atritos com o imperialismo ou algumas conquistas sociais em seu in\u00edcio, fruto das press\u00f5es sociais, hoje eles est\u00e3o em evidente retrocesso. Essa estrat\u00e9gia nada tinha de novidade, tratava-se de governar com empres\u00e1rios, com economia mista (privada e estatal), elementos keinesianos, pactos com os golpistas (constitui\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia e anistia na Venezuela) e extensa burocracia estatal. \u00c9 semelhante ao modelo sandinista, aos ditadores capitalistas Chineses e demais burocratas do leste Europeu ou as experi\u00eancias da social-democracia na Europa e no Chile. N\u00e3o difere muito da linha \u201cdemocr\u00e1tica e popular\u201d do PT, que desarmou o partido e o levou as trai\u00e7\u00f5es dos governos Lula e Dilma. A crise dessa estrat\u00e9gia tamb\u00e9m acompanha o desastre social que caracteriza a ditadura do partido \u00fanico na ilha de Cuba, em meio \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, sob reinado dos Irm\u00e3os Castro. <\/p>\n<p>Partidos como o PSUV (Partido Socialista Unificado Venezuelano), com empres\u00e1rios bolivarianos, ou o MAS (Movimento ao Socialismo) com golpistas de Santa Cruz em seu interior, n\u00e3o podem ser classificados como revolucion\u00e1rios. De socialistas s\u00f3 tem o nome. Nesse sentido, as pol\u00edticas emanadas do pal\u00e1cio Miraflores (Caracas) ou do Pal\u00e1cio Quemado (La Paz) nada tem em comum com a esquerda socialista latino-americana.<\/p>\n<p>Chegamos ao fim de um ciclo em fun\u00e7\u00e3o do esgotamento das lideran\u00e7as que representaram as aspira\u00e7\u00f5es do Caracazo venezuelano, da Guerra da \u00c1gua boliviana ou da revolu\u00e7\u00e3o ind\u00edgena que derrubou Mauhad no Equador. Eles chegaram \u00e0 presid\u00eancia e n\u00e3o aplicaram os programas que garantiram suas vit\u00f3rias. O g\u00e1s boliviano ou o petr\u00f3leo venezuelano, continua nas m\u00e3os das multinacionais, por exemplo.  Ao mesmo tempo, ind\u00edgenas, estudantes, sindicalistas, militares, o povo pobre que luta \u00e9 preso, reprimido e tem suas entidades sob interven\u00e7\u00e3o federal ou \u00e9 acusado cinicamente de \u201cagente de los yankees\u201d. No entanto, n\u00e3o chegam ao fim as lutas e as contradi\u00e7\u00f5es que deram origem a esses movimentos, cujas bases seguem mobilizadas por suas antigas demandas. N\u00e3o h\u00e1 derrota na luta de classes na Venezuela, Bol\u00edvia ou Equador. Por isso a esquerda classista, aquela que n\u00e3o capitula a velha direita nem ao suposto nacionalismo governante, se desenvolve nesses pa\u00edses e est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es para crescer. <\/p>\n<p>Estamos, portanto, diante da agonia de uma esquerda reformista, pr\u00f3-capitalista, que capitulou ao imperialismo e trai as lutas de massas que est\u00e3o se dando na Am\u00e9rica Latina e no mundo. Trata-se da crise das correntes castro-chavistas, que nos \u00faltimos anos consolidaram-se como um gigantesco obst\u00e1culo impedindo o avan\u00e7o dos revolucion\u00e1rios em nosso continente. N\u00e3o significa que esses aparatos v\u00e3o desaparecer rapidamente. Podem disputar elei\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo triunfar em reelei\u00e7\u00f5es, sobretudo na Venezuela. Por\u00e9m, em meio ao decl\u00ednio atual, perderam o magnetismo \u201cesquerdista\u201d que seduziu milhares de honestos lutadores na d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>As novas lutas, como o gasolina\u00e7o, a marcha de Tipnis, os protestos da FADESS, e a fenomenal luta chilena est\u00e3o gestando novas lideran\u00e7as. A tarefa do momento \u00e9 a batalha incessante para se vincular a vanguarda que surge ou rompe com as velhas dire\u00e7\u00f5es para forjar a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de massas que tanto se necessita na Venezuela, Bol\u00edvia e Equador. Ao mesmo tempo \u00e9 importante perceber que estamos em meio a um processo continental que, em maior ou menor grau, cruza todos os pa\u00edses. A derrota do PC e de Camila Vallejos na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o da FECH \u00e9 um exemplo do avan\u00e7o da luta anti-burocr\u00e1tica que est\u00e1 em curso nas escolas e universidades chilenas. Este fato evidencia os desafios e possibilidades abertas para os revolucion\u00e1rios frente uma vanguarda juvenil que se reivindica anti-capitalista e repudia a concilia\u00e7\u00e3o de classes ao estilo dos governos da \u201cconcertaci\u00f3n\u201d. <\/p>\n<p>Ao conseguir nossa vincula\u00e7\u00e3o a esses processos, aprendendo com as novas experi\u00eancias, poderemos contribuir para que os lutadores percebam a liga\u00e7\u00e3o entre suas reinvindica\u00e7\u00f5es e a necessidade de derrotar o regime social como um todo. Para isso partimos das propostas e programas que os conflitos j\u00e1 gestaram ou est\u00e3o gestando em sua batalha contra as trai\u00e7\u00f5es dos governos e dos aparelhos hegem\u00f4nicos na esquerda. Esse \u00e9 o caldo de cultura para construir uma esquerda classista, que se distingue claramente do espontaneismo horizontalista e da esterilidade dos ultra-esquerdistas. Uma esquerda que construa o partido ou a \u201cferramenta pol\u00edtica\u201d &#8211; conforme a resolu\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios bolivianos &#8211; que batalhe por governos oper\u00e1rios, ind\u00edgenas e populares, para expropriar os capitalistas, garantir educa\u00e7\u00e3o 100% estatal, controlar nosso subsolo, cuidar de nossa biodiversidade e garantir socialismo e liberdade na terra da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Estamos com os estudantes Chilenos para forjar essa verdadeira esquerda latino-americana no momento em que a indigna\u00e7\u00e3o contra o sistema capitalista marca o sentido da nossa hist\u00f3ria. O socialismo do nosso tempo, assim como no passado, \u00e9 sempre sem patr\u00f5es e privil\u00e9gios. Ele se tempera na luta encarni\u00e7ada do agora, contra os burocratas e os agentes da contra-revolu\u00e7\u00e3o, contra todos aqueles que n\u00e3o nos representam.<\/p>\n<p>* Diret\u00f3rio Nacional do PSOL, Coordena\u00e7\u00e3o da CST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decad\u00eancia do falso \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d | Michel Oliveira* Enquanto a juventude latino-americana segue sua luta pela gratuidade do ensino p\u00fablico, enfrentando brutal repress\u00e3o, os governos da Venezuela, Bol\u00edvia e Equador est\u00e3o na trincheira oposta, ao lado de nossos algozes. 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