

	{"id":9772,"date":"2022-09-23T21:37:42","date_gmt":"2022-09-23T21:37:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9772"},"modified":"2022-09-23T23:40:17","modified_gmt":"2022-09-23T23:40:17","slug":"texto-1-marx-e-engels-a-independencia-politica-da-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/09\/23\/texto-1-marx-e-engels-a-independencia-politica-da-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"TEXTO 1:\u00a0Marx e Engels: a independ\u00eancia pol\u00edtica da classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Santiago e Felipe Melo<\/strong>, Coordena\u00e7\u00e3o da CST (PA)<\/p>\n<p>A classe trabalhadora \u2013 incluindo-se jovens, mulheres, negras e negros, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ &#8211; tem enfrentado uma condi\u00e7\u00e3o de vida mais dif\u00edcil. Faltam empregos, os pre\u00e7os dos alimentos e dos servi\u00e7os est\u00e3o mais caros, os trabalhos que existem s\u00e3o prec\u00e1rios; quem est\u00e1 empregado j\u00e1 n\u00e3o consegue manter o mesmo n\u00edvel de vida. Por que estamos vivendo essa situa\u00e7\u00e3o enquanto cresceu o n\u00famero de bilion\u00e1rios no Brasil e no mundo?<\/p>\n<p>Isso ocorre porque vivemos em uma sociedade capitalista. Karl Marx e Friedrich Engels estudaram e descobriram que, neste modelo de sociedade, uma minoria de grandes empres\u00e1rios enriquece \u00e0s custas do trabalho da imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o, a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>E por que estamos trazendo essa quest\u00e3o ao debate? Porque \u00e9 devido a esse funcionamento que afirmamos a exist\u00eancia da \u201cluta de classes\u201d. Para conseguir arrancar dos patr\u00f5es melhores sal\u00e1rios, os trabalhadores t\u00eam que lutar, fazer reuni\u00f5es, assembleias, passeatas, piquetes, greves e uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es. O patr\u00e3o s\u00f3 aceita ceder quando \u00e9 obrigado pela luta da nossa classe. Os governos, pol\u00edticos e seus partidos n\u00e3o s\u00e3o neutros: ou acabam defendendo a classe trabalhadora ou a classe dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o Manifesto Comunista (1848), Marx e Engels haviam dito\u00a0<em>que \u201ca hist\u00f3ria de toda sociedade at\u00e9 hoje \u00e9 a hist\u00f3ria da luta de classes\u201d<\/em>\u00a0e que a sociedade burguesa n\u00e3o havia eliminado os antagonismos de classe, apenas os havia simplificado a tal ponto que a sociedade inteira foi se dividindo em duas grandes classes diretamente opostas entre si: a burguesia e o proletariado (1) No mesmo documento Marx e Engels definem que\u00a0<em>\u201c<\/em><em>os prolet\u00e1rios nada t\u00eam de seu a assegurar, sua miss\u00e3o \u00e9 destruir todas as garantias e seguran\u00e7as da propriedade privada at\u00e9 aqui existentes&#8230; O movimento prolet\u00e1rio \u00e9 o movimento aut\u00f3nomo da imensa maioria no interesse da imensa maioria&#8230; Ao tra\u00e7armos as fases mais gerais do desenvolvimento do proletariado, seguimos de perto a guerra civil mais ou menos oculta no seio da sociedade existente at\u00e9 ao ponto em que rebenta numa revolu\u00e7\u00e3o aberta e o proletariado, pela derrubada violenta da burguesia, funda a sua domina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Os ensinamentos das revolu\u00e7\u00f5es de 1848-49, que varreram toda a Europa, principalmente a Fran\u00e7a e a Alemanha, mostraram que as burguesias preferiram se aliar ao poder feudal contra o povo, o que levou essas revolu\u00e7\u00f5es a derrotas. A partir da\u00ed, Marx e Engels previram que o pr\u00f3ximo embate de classe seria contra os democratas pequeno-burgueses na Alemanha e chamaram os oper\u00e1rios a n\u00e3o se deixarem iludir pelo seu canto de sereia. Os oper\u00e1rios deveriam se preparar de maneira independente com o seu pr\u00f3prio partido para que, quando chegasse o momento certo, lutassem para conquistar o poder pol\u00edtico. \u201c<em>Mas a m\u00e1xima contribui\u00e7\u00e3o para a vit\u00f3ria final ser\u00e1 feita pelos pr\u00f3prios oper\u00e1rios alem\u00e3es, tomando consci\u00eancia dos seus interesses de classe, ocupando o quanto antes uma posi\u00e7\u00e3o independente de partido e impedindo que as frases hip\u00f3critas dos democratas pequeno-burgueses os afastem por um instante sequer da tarefa de organizar com toda a independ\u00eancia o partido\u00a0do proletariado<\/em>\u201d.(2)<\/p>\n<p><strong>\u00a0Marx, Engels e a I Internacional<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (I Internacional), Marx foi encarregado de redigir os primeiros documentos pol\u00edticos. Na\u00a0<em>Mensagem Inaugural<\/em>, ao fazer uma an\u00e1lise da luta de classes na Europa e na Inglaterra, em particular, Marx chega \u00e0 conclus\u00e3o de que\u00a0<em>\u201cos senhores da terra e os senhores do capital sempre usar\u00e3o seus privil\u00e9gios para a defesa e a perpetua\u00e7\u00e3o de seus monop\u00f3lios econ\u00f4mico<\/em>s\u201d e que \u201c<em>conquistar o poder pol\u00edtico tornou-se, portanto, o grande dever das classes trabalhadoras<\/em>\u201d. O meio para isso j\u00e1 estava demonstrado pelos oper\u00e1rios da Inglaterra, da Alemanha, da It\u00e1lia e da Fran\u00e7a: a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do partido oper\u00e1rio (3). Igualmente, nos\u00a0<em>Estatutos Provis\u00f3rios<\/em>\u00a0da Internacional, Marx deixou bem n\u00edtido que a classe trabalhadora s\u00f3 poderia confiar nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as: \u201c[&#8230;] A emancipa\u00e7\u00e3o das classes trabalhadoras tem de ser conquistada pelas pr\u00f3prias classes trabalhadoras.\u201d(4).<\/p>\n<p>No artigo 7 dos\u00a0<em>Estatutos Provis\u00f3rios<\/em>\u00a0da Internacional, realizados na Confer\u00eancia de Londres, em setembro de 1871, e aprovado pelo Congresso de Haia (1872), Marx diz:\u00a0<em>\u201cEm sua luta contra o poder reunido das classes possuidoras (grandes empres\u00e1rios, banqueiros), o proletariado s\u00f3 pode se apresentar como classe quando constitui a si mesmo num partido pol\u00edtico particular, o qual se confronta com todos os partidos precedentes formados pelas classes possuidoras. Essa unifica\u00e7\u00e3o do proletariado em partido pol\u00edtico \u00e9 indispens\u00e1vel para assegurar o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o social e de seu fim \u00faltimo \u2013 a aboli\u00e7\u00e3o das classes<\/em>\u201d(5). Essa defini\u00e7\u00e3o ocorreu em fun\u00e7\u00e3o da necessidade da luta de classes e ap\u00f3s a Comuna de Paris, onde a falta de um partido revolucion\u00e1rio fez com que a contrarrevolu\u00e7\u00e3o triunfasse e massacrasse os comunards, al\u00e9m da luta contra Bakunin e os anarquistas, que negavam categoricamente a necessidade de um partido oper\u00e1rio e pregavam a absten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No documento \u201cCr\u00edtica ao Programa de Gotha\u201d, de 1875, Marx afirma que\u00a0<em>\u201c&#8230;Entre a sociedade capitalista e a comunista fica o per\u00edodo da transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de uma na outra. Ao qual corresponde tamb\u00e9m um per\u00edodo pol\u00edtico de transi\u00e7\u00e3o cujo Estado n\u00e3o pode ser sen\u00e3o\u00a0a ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Como pudemos ver, nossos l\u00edderes hist\u00f3ricos, Marx e Engels, combateram a ideia de que governos de concilia\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e patr\u00f5es pudessem ajudar os trabalhadores a superar o capitalismo.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo iremos debater como a II Internacional aplicou essa linha pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para saber mais:<\/p>\n<p><strong>Especial &#8211; As Internacionais oper\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/12\/13\/8936\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/12\/13\/8936\/<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Especial \u2013 150 anos da Comuna de Paris (1871 \u2013 2021)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/05\/16\/especial-150-anos-da-comuna-de-paris-1871-2021\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1). Karl Marx e Friedrich Engels.\u00a0<em>Manifesto do Partido Comunista<\/em>. 7\u00aa ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1997; p\u00e1gs. 66-67.<\/p>\n<p>(2). Karl Marx e Friedrich Engels. Mensagem do Comit\u00ea Central \u00e0 Liga dos Comunistas (mar\u00e7o de 1850).In: Karl Marx e Friedrich Engels.\u00a0<em>Obras Escolhidas<\/em>, 1. S\u00e3o Paulo: Editora Alfa-Omega; p\u00e1g. 92.<\/p>\n<p>(3). Marcelo Musto.\u00a0<em>Trabalhadores, uni-vos! Antologia Pol\u00edtica da I Internacional<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014, pp.98-99.<\/p>\n<p>(4). Idem, p\u00e1g.291.<\/p>\n<p>(5). Idem, pp. 293-294.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Santiago e Felipe Melo, Coordena\u00e7\u00e3o da CST (PA) A classe trabalhadora \u2013 incluindo-se jovens, mulheres, negras e negros, a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ &#8211; tem enfrentado uma condi\u00e7\u00e3o de vida mais dif\u00edcil. 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