

	{"id":9775,"date":"2022-09-23T21:43:09","date_gmt":"2022-09-23T21:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9775"},"modified":"2022-09-23T21:43:09","modified_gmt":"2022-09-23T21:43:09","slug":"texto-2-os-debates-na-ii-internacional-o-socialista-millerand-entra-em-um-governo-burgues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/09\/23\/texto-2-os-debates-na-ii-internacional-o-socialista-millerand-entra-em-um-governo-burgues\/","title":{"rendered":"TEXTO 2: Os debates na II Internacional &#8211;\u00a0O socialista Millerand entra em um governo Burgu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Jo\u00e3o Santiago<\/em><\/strong><em>, Coordenador do Sintsep\/PA<\/em><\/p>\n<p>A II Internacional fora fundada em Paris, em julho de 1889. Depois, vieram os Congressos de Bruxelas (1891), Zurique (1893) e Londres (1896). Entre a maioria das organiza\u00e7\u00f5es que participavam, havia certa unidade em torno\u00a0do programa, da luta contra as guerras imperialistas e da luta contra pol\u00edtica contra a\u00a0burguesia.<\/p>\n<p>Entretanto, em 24 de junho de 1899, o deputado socialista franc\u00eas, Alexandre Millerand, foi nomeado Ministro do Com\u00e9rcio, da Ind\u00fastria e dos Correios e Tel\u00e9grafos no governo burgu\u00eas de Waldeck-Rousseau. Junto com ele, foi nomeado Ministro da Guerra o general Galliffet, o \u201ca\u00e7ougueiro\u201d da Comuna de Paris (1871), como o chamou um dos dirigentes do Partido Socialista franc\u00eas, Vaillant, contr\u00e1rio \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no governo. Esse fato in\u00e9dito,\u00a0embora localizado em um pa\u00eds,\u00a0marca o in\u00edcio da participa\u00e7\u00e3o dos reformistas em governos burgueses.<\/p>\n<p><strong>5\u00ba Congresso da II Internacional: \u00a0Kaustky defende a entrada de Millerand no governo<\/strong><\/p>\n<p>O 5\u00ba Congresso, realizado em Paris, em setembro de 1900, \u00e9 chamado para debater esse tema. Segundo Edgar Carone, o Congresso se dividiu em duas alas: os radicais, contr\u00e1rios \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no governo, tendo \u00e0 frente Jules Guesde, do Partido Oper\u00e1rio Franc\u00eas, apoiado por Enrico Ferri; e os reformistas, encabe\u00e7ados por Jean Jaures, da ala dos socialistas independentes, apoiado por Bauer e outros da Social-Democracia alem\u00e3.\u00a0O argumento central da ala direita, representada por Jean Jaures, Millerand, Briand e Viviani, para justificar a entrada no governo burgu\u00eas de Waldeck-Rousseau se resumia no seguinte: \u201c\u00e9 preciso salvar a Rep\u00fablica!\u201d. A mesma III Rep\u00fablica que foi pavimentada com o sangue de 30 mil combatentes da Comuna de Paris, em maio de 1871, fuzilados pelo mesmo\u00a0general Galliffet, que tamb\u00e9m compunha o governo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a resolu\u00e7\u00e3o propondo a entrada em governos burgueses sob certas circunst\u00e2ncias, em casos \u201cexcepcionais\u201d, foi redigida e defendida por Karl Kaustsky. Segundo Kautsky,\u00a0<em>\u201cA entrada de um socialista isolado em um governo burgu\u00eas n\u00e3o pode ser considerada como o come\u00e7o normal da conquista do poder pol\u00edtico, mas sim como um expediente for\u00e7ado, transit\u00f3rio e excepcional. Se, num caso particular, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necessita esta experi\u00eancia perigosa,\u00a0isto \u00e9 uma quest\u00e3o de t\u00e1tica\u00a0e n\u00e3o de princ\u00edpio<\/em>\u201d. Os socialistas radicais (Enrico Ferri, Jules Guesde e Edouard Vaillant), que eram minoria no Congresso,\u00a0argumentavam que \u201ca mo\u00e7\u00e3o Kautsky \u2014 a vencedora\u00a0\u2014\u00a0afirma que tudo \u00e9 proibido em princ\u00edpio, mas que tudo \u00e9 permitido na pr\u00e1tica\u201d. E enfatizavam a quest\u00e3o da luta de classes:\u00a0<em>\u201cmesmo em pa\u00edses em que o socialismo cresce de forma inquietante para a burguesia, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a na divis\u00e3o fundamental, a da classe dominante e das dominadas\u201d<\/em>. No final, a proposta conciliat\u00f3ria de Kautsky foi aprovada por 29 votos contra 9 votos para a proposta de Guesde-Ferri.<\/p>\n<p><strong>Rosa Luxemburgo e a cr\u00edtica aos ministerialistas<\/strong><\/p>\n<p>No seio da II Internacional, Rosa Luxemburgo polemizou com os reformistas franceses \u2013 assim como j\u00e1 vinha fazendo com o revisionismo de Bernstein no interior da Social-Democracia alem\u00e3. No texto \u201c<em>O Caso Drayfus e o caso Millerand \u2013 Resposta a uma consulta Internacional\u201d<\/em>\u00a0(nov\/1899), j\u00e1 manifestava uma posi\u00e7\u00e3o inicial contr\u00e1ria ao caso franc\u00eas,\u00a0e nos\u00a0artigos para o jornal\u00a0<em>Neue Zeit (<\/em>Novo Tempo), da Social-Democracia alem\u00e3, intitulados\u00a0<em>\u201cA crise socialista na Fran\u00e7a<\/em>\u201d, Rosa Luxemburgo expressou\u00a0firmemente sua contrariedade\u00a0\u00e0\u00a0entrada de Millerand num governo da burguesia. O fato que divide a pol\u00edtica socialista da pol\u00edtica burguesa, segundo Rosa, \u00e9 que os socialistas\u00a0se op\u00f5em a toda a ordem existente e devem atuar, no parlamento e fora dele, na qualidade de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem burguesa. Quando Millerand entrou no Minist\u00e9rio, a ala de Jaur\u00e9s abandonou a oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ao Partido da Ordem.<\/p>\n<p>Isso se refletiu no pr\u00f3prio jornal da ala direita dos socialistas, \u201cPetit Republique\u201d, editado por Jean Jaur\u00e9s, onde, desde que Milllerand assumiu o Minist\u00e9rio, deixou-se de fazer cr\u00edticas ao governo Waldeck-Rousseau. Essa \u00e9, para Rosa Luxemburgo, a primeira consequ\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o de um socialista em um gabinete de coaliz\u00e3o com a burguesia: \u00e9 o fim das mais importantes atividades socialistas, quais sejam,\u00a0<em>a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e conscientiza\u00e7\u00e3o das massas<\/em>. E, mesmo que fa\u00e7am algumas cr\u00edticas s\u00e3o obrigados a optar pelo \u201cmal menor\u201d, s\u00e3o obrigados a defender o governo com seus votos no parlamento. A segunda consequ\u00eancia \u00e9 que o cargo de ministro de Millerand transforma a cr\u00edtica de seus amigos socialistas na C\u00e2mara \u201cem discursos para os dias de festa\u201d, carentes de toda pol\u00edtica pr\u00e1tica contra o governo. Por fim, diz Rosa, a t\u00e1tica de pressionar\u00a0os partidos burgueses para que avancem, se mostra, em \u00faltima inst\u00e2ncia, um sonho sem conte\u00fado.\u00a0Desse modo,\u00a0a Social-Democracia dentro de um governo burgu\u00eas \u00e9 chamada a \u201c<em>limpar periodicamente a sujeira pol\u00edtica acumulada pela grande burguesia para que a rea\u00e7\u00e3o burguesa possa continuar uma exist\u00eancia normal em sua forma republicana\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio gerou uma desmoraliza\u00e7\u00e3o do movimento socialista na Fran\u00e7a por anos, a tal ponto que o pr\u00f3prio Jean Jaur\u00e9s teve que pedir a expuls\u00e3o de Millerand do Partido Socialista, tr\u00eas anos depois, por desfigurar completamente a imagem do partido no pa\u00eds. A burguesia havia alcan\u00e7ado o seu objetivo, que era a desmoraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos socialistas, ao coloc\u00e1-los em um minist\u00e9rio. Essa hist\u00f3ria termina com Millerand ocupando cargos em todos os governos seguintes e sendo eleito presidente da Fran\u00e7a no per\u00edodo de setembro de 1920 a junho de 1924.\u00a0Uma experi\u00eancia tr\u00e1gica, que deve nos alertar para combater qualquer alian\u00e7a com a burguesia e lutar contra os governos de frente popular, que servem aos nossos inimigos de classe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>Rosa Luxembrugo, bandeira da revolu\u00e7\u00e3o socialista<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/19\/rosa-luxemburgo-bandeira-da-revolucao-socialista\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/19\/rosa-luxemburgo-bandeira-da-revolucao-socialista\/<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>100 anos da revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/03\/100-anos-da-revolucao-alema\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2019\/08\/03\/100-anos-da-revolucao-alema\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Santiago, Coordenador do Sintsep\/PA A II Internacional fora fundada em Paris, em julho de 1889. 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