

	{"id":9876,"date":"2022-10-11T22:08:57","date_gmt":"2022-10-11T22:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9876"},"modified":"2022-10-11T22:21:40","modified_gmt":"2022-10-11T22:21:40","slug":"55-anos-do-assassinato-de-che-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/10\/11\/55-anos-do-assassinato-de-che-na-bolivia\/","title":{"rendered":"55 anos do assassinato de Che na Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste ano de 2022 completam-se 55 anos do assassinato do l\u00edder revolucion\u00e1rio latino-americano Ernesto Che Guevara, que foi assassinado no dia 9 de outubro de 1967, na Bol\u00edvia. Reproduzimos esta nota de Mercedes Petit, de 9 de outubro de 2008, quando cumpriram 40 anos do assassinato.<\/p>\n<p><strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o socialista ou caricatura de revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Agora que est\u00e3o em moda todo tipo de pesquisas, seria um orgulho que Che Guevara, que morreu na Bol\u00edvia em 9 de outubro de 1967, ficasse consagrado como o \u201cargentino mais famoso\u201d. Para muitos dos jovens que o usam em suas camisetas, broches e p\u00f4steres ele \u00e9 um exemplo de vida militante, honesta, de entrega a um ideal de mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria e de luta.<\/p>\n<p>Ernesto Guevara \u00e9 tudo isso e muito mais. Nas atuais pol\u00eamicas sobre a luta pelo socialismo no novo s\u00e9culo h\u00e1 muito para aprender e levar em conta de sua experi\u00eancia. Nossa corrente, dirigida por Nahuel Moreno, criticou desde suas origens as concep\u00e7\u00f5es guerrilheiras e foquistas de Guevara. Faz\u00edamos essas cr\u00edticas convencidos de que aqueles focos guerrilheiros eram uma via morta para conseguir novas vit\u00f3rias, no contexto de defesa incondicional da primeira revolu\u00e7\u00e3o socialista da Am\u00e9rica Latina. Critic\u00e1vamos tamb\u00e9m por ele n\u00e3o defender a necessidade da autodetermina\u00e7\u00e3o e da democracia para a classe oper\u00e1ria e a necessidade de construir novos partidos revolucion\u00e1rios. Mas tamb\u00e9m consider\u00e1vamos que a figura de Guevara ia para muito al\u00e9m dessas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>\u201cGuevara: her\u00f3i e m\u00e1rtir da revolu\u00e7\u00e3o permanente\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Com esse t\u00edtulo, h\u00e1 40 anos, Nahuel Moreno publicou sua homenagem ao revolucion\u00e1rio assassinado na Bol\u00edvia. \u201c<em>Guevara, que arriscou sua vida quantas vezes foram necess\u00e1rias, at\u00e9 perd\u00ea-la, pela revolu\u00e7\u00e3o cubana e latino-americana, n\u00e3o teve medo de enfrentar e dar resposta aos problemas mais graves colocados pela revolu\u00e7\u00e3o. Desde a defesa de Cuba at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do socialismo no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, passando pelas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os pa\u00edses socialistas<\/em> [&#8230;] <em>para apontar uma sa\u00edda: a revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/em>\u201d (La Verdad, 23\/10\/1967).<\/p>\n<p>Relembrando seu encontro com Che em uma reuni\u00e3o em Punta del Este, Moreno n\u00e3o duvidou em localiz\u00e1-lo como a \u201cala mais revolucion\u00e1ria\u201d, que se opunha \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da URSS, no processo cubano, ainda que sem deixar de criticar por suas posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3-China. (El Tigre de Pobladora, El Socialista, 2006).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de incans\u00e1vel defensor das expropria\u00e7\u00f5es e da centraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, Guevara defendia \u201ca participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na dire\u00e7\u00e3o da economia nacional planificada\u201d (ver, por exemplo, seu discurso de 08\/08\/1961). E teve uma particular e ligeira preocupa\u00e7\u00e3o em denunciar e combater os privil\u00e9gios que come\u00e7avam a desfrutar os funcion\u00e1rios do governo e do partido. Manteve uma vida pessoal e familiar absolutamente austera e se colocava a cada domingo \u00e0 frente de brigadas de trabalho, para educar com seu exemplo. Sua vis\u00e3o internacionalista o levou a entender a defesa de Cuba como parte da extens\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista ao resto da Am\u00e9rica Latina e a se chocar cada vez mais com as posi\u00e7\u00f5es da burocracia sovi\u00e9tica. Criticou duramente os termos de interc\u00e2mbio econ\u00f4mico da URSS com os demais pa\u00edses do chamado \u201ccampo socialista\u201d. Em fevereiro de 1965, pronunciou um c\u00e9lebre discurso em Argel. Convocou a unir as lutas contra o imperialismo at\u00e9 acabar definitivamente com ele em todo o mundo, a fortalecer o internacionalismo prolet\u00e1rio e a luta mundial pelo socialismo. Condenou a pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica entre a dire\u00e7\u00e3o da URSS e o imperialismo, exigiu o apoio incondicional, com armas gratuitas, aos vietnamitas, denunciou o jugo das d\u00edvidas externas e as bases militares ianques. Essas posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1ria foram perdendo apoio dentro de Cuba, e pouco depois Che se foi para n\u00e3o mais voltar.<\/p>\n<p>Antes de fechar o primeiro ano de seu assassinato, a dire\u00e7\u00e3o de Fidel e do PC cubano apoiaram, em agosto de 1968, o massacre da revolu\u00e7\u00e3o tchecoslovaca pelas m\u00e3os do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico. E quando assumiu Allende no Chile, apoiou calorosamente a \u201cvia pac\u00edfica ao socialismo\u201d, que, com sua utopia de concilia\u00e7\u00e3o de classes, abriu o caminho para o triunfo de Pinochet.<\/p>\n<p><strong>O \u201cSocialismo do S\u00e9culo XXI\u201d e Guevara<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Atualmente, os governos da Venezuela e de Cuba, e o PC cubano, proclamam um chamado \u201cSocialismo do S\u00e9culo XXI\u201d. Defendem a economia mista capitalista, a conviv\u00eancia entre distintas formas de propriedade (incluindo os neg\u00f3cios das grandes multinacionais) e os mecanismos do mercado. Os fracassos do Chile nos anos setenta e da Nicar\u00e1gua nos anos oitenta j\u00e1 foram provas contundentes de em que dire\u00e7\u00e3o conduz esse neorreformismo, onde tomaram caminhos opostos ao de Cuba, mantendo o capitalismo. Naquela \u00e9poca, Che j\u00e1 n\u00e3o estava, mas nos legou sua concep\u00e7\u00e3o socialista, revolucion\u00e1ria e internacionalista.<\/p>\n<p>Para Guevara, era uma totalidade a necessidade da revolu\u00e7\u00e3o, das expropria\u00e7\u00f5es, da planifica\u00e7\u00e3o e da participa\u00e7\u00e3o consciente dos trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o da economia de transi\u00e7\u00e3o, da extens\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o e da solidariedade m\u00fatua entre os pa\u00edses que se chamavam do \u201ccampo socialista\u201d. Na sua concep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia meias medidas. Se o que prima \u00e9 o mercado, e n\u00e3o a planifica\u00e7\u00e3o e a centraliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 capitalismo, n\u00e3o socialismo. Por isso, j\u00e1 em 1963, recha\u00e7ava as posi\u00e7\u00f5es que defendiam um funcionamento mercantil para a economia cubana e criticava o governo da URSS que o incentivava.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias das \u201creformas de mercado\u201d dos burocratas chineses e sovi\u00e9ticos, que deram lugar para a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nesses pa\u00edses, e as novas tentativas de fazer \u201csocialismo\u201d mantendo o capitalismo, renovam a vig\u00eancia daquela frase pelo qual Guevara deu sua vida: \u201crevolu\u00e7\u00e3o socialista ou caricatura de revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Che acreditava que Trotsky era um \u201cinimigo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Sempre surge a pergunta sobre inclina\u00e7\u00f5es de Che para Trotsky, o velho revolucion\u00e1rio bolchevique. Recordemos somente um exemplo. H\u00e1 30 anos de seu assassinato, o \u201cComandante Benigno\u201d (o cubano Daniel Alarc\u00f3n Ram\u00edrez, que o acompanhou na Bol\u00edvia), declarou que, depois de seu discurso em Argel, \u201c<em>para a URSS o Che se converteu em um antissovi\u00e9tico. Alguns o taxavam de trotskista ou algo parecido. Isso n\u00e3o era de conhecimento do povo cubano, somente de alguns dirigentes<\/em>.\u201d (La Prensa, 29\/06;1997).<\/p>\n<p>Essa falta de \u201cconhecimento do povo cubano\u201d, e a inexist\u00eancia de debates democr\u00e1ticos e abertos sobre os grandes problemas da revolu\u00e7\u00e3o, tanto nos anos sessenta como agora, n\u00e3o permitem ter uma resposta documentada sobre muitas posi\u00e7\u00f5es de Che, dando peso \u00e0s \u201crecorda\u00e7\u00f5es\u201d individuais para difundir supostas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, de Orlando Borrego D\u00edaz, que combateu sob lideran\u00e7a de Che durante a luta contra o ditador Batista e se converteu em estreito colaborador e amigo. Em uma entrevista h\u00e1 poucos anos, ele disse que Guevara era um \u00e1vido leitor e muito estudioso, que \u201cleu tudo\u201d de Trotsky. E agrega, de sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria: \u201c[&#8230;] <em>o Che evolu\u00eda e ia entendendo tudo de Trotsky. Ele pensava que Trotsky foi se \u2018apagando\u2019 no final da vida, porque chega um momento que seu \u00f3dio por Stalin \u2013 que tem suas raz\u00f5es, n\u00e9? \u2013 em parte foram o transformando em um inimigo da URSS. N\u00e3o de Stalin, mas da URSS. At\u00e9 que no final de sua vida<\/em> [&#8230;] <em>parecia \u2018louco\u2019<\/em>\u201d.*<\/p>\n<p>Borrego atribui a Che, sem nenhuma prova, a velha cal\u00fania, alimentada mil vezes pelo stalinismo, contra Trotsky. A partir da cr\u00edtica a Stalin, desqualifica Trotsky, definindo-o como \u201cinimigo da URSS\u201d. Esse foi o argumento oficial de Stalin para \u201cjustificar\u201d sua persegui\u00e7\u00e3o contra Trotsky e seu assassinato em 1940.<\/p>\n<p>No entanto, se Che \u201cleu tudo de Trotsky\u201d, sabia perfeitamente que os \u00faltimos textos de Trotsky no \u201cfinal de sua vida\u201d eram uma pol\u00eamica apaixonada em defesa da URSS, contra setores pequeno burgueses que romperam com a IV Internacional horrorizados com os crimes de Stalin. A \u201cvers\u00e3o Borrego\u201d se junta \u00e0 infinita montanha de lixo contra o velho revolucion\u00e1rio. E ficam os fatos.<\/p>\n<p>Guevara, em muitas de suas cr\u00edticas \u00e0 burocracia e em sua defesa da revolu\u00e7\u00e3o socialista, coincidiu com as posi\u00e7\u00f5es de Trotsky, ainda que sem nome\u00e1-lo. E quando estava na selva boliviana, Che, entre seus poucos pertences, levava um livro de Trotsky&#8230;<\/p>\n<p>Borrego \u00e9 especialista em difundir supostas posi\u00e7\u00f5es de Che, manipulando \u201clembran\u00e7as\u201d e cita\u00e7\u00f5es fora de contexto. Para defender os burocratas venezuelanos, com Ch\u00e1vez na cabe\u00e7a, que impedem que se desenvolva o controle oper\u00e1rio nas empresas estatais, Borrego lhes escreveu uma carta, em 2005, afirmando que Che defendia uma gest\u00e3o vertical e autorit\u00e1ria em m\u00e3os de burocratas governamentais, sem participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores&#8230;** Nesse caso, tanto a atividade como os textos de Guevara o desmentem, nitidamente.<\/p>\n<p>* Publicado em O Capital, hist\u00f3ria e m\u00e9todo, por N\u00e9stor Kohan, Universidade Popular M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio, 2003. Esse dirigente do Partido Comunista \u00e9 ex-ministro e atual assessor do governo cubano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>** Ver \u201cA luta pela cogest\u00e3o e o controle oper\u00e1rio\u201d, em A Revolu\u00e7\u00e3o Venezuelana. El Socialista, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2022\/09\/02\/agosto-de-1940-leon-trotsky-era-assassinado-por-um-agente-stalinista\/\">Agosto de 1940, Le\u00f3n Trotsky era assassinado por um agente stalinista<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/12\/21\/o-que-e-trotskismo\/\">O que \u00e9 trotskismo?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2021\/09\/06\/8588\/\">Encontro Trotsky em Perman\u00eancia 2021<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Neste ano de 2022 completam-se 55 anos do assassinato do l\u00edder revolucion\u00e1rio latino-americano Ernesto Che Guevara, que foi assassinado no dia 9 de outubro de 1967, na Bol\u00edvia. 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