

	{"id":9979,"date":"2022-11-21T22:40:05","date_gmt":"2022-11-21T22:40:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9979"},"modified":"2022-11-21T22:40:05","modified_gmt":"2022-11-21T22:40:05","slug":"uit-qi-realizou-evento-contra-a-invasao-imperialista-no-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/11\/21\/uit-qi-realizou-evento-contra-a-invasao-imperialista-no-haiti\/","title":{"rendered":"UIT-QI realizou evento contra a invas\u00e3o imperialista no Haiti"},"content":{"rendered":"<p>Como parte da campanha impulsionada pela Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI) em solidariedade ao povo haitiano e contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista nesse pa\u00eds, foi realizado, no dia 02 de novembro, o F\u00f3rum intitulado \u201cN\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista no Haiti!\u201d. O evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de dirigentes e ativistas do Haiti, Brasil, Chile, Argentina e Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es foram abertas por Juan Carlos Giordano, militante da Esquerda Socialista (Argentina) e parlamentar eleito pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores \u2013 Unidade (FIT-U). Giordano destacou a import\u00e2ncia da marcha realizada dias antes em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 embaixada estadunidense em Buenos Aires para recha\u00e7ar a interven\u00e7\u00e3o imperialista no Haiti. Na marcha, participaram organiza\u00e7\u00f5es populares e de esquerda argentinas, dirigidas pela hist\u00f3rica lutadora pelos direitos humanos, Nora Corti\u00f1as.<\/p>\n<p>Giordano lembrou que, durante os governos do kirchnerismo, militares argentinos participaram da ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti atrav\u00e9s da MINUSTAH, algo que sempre foi repudiado pela esquerda, que agora segue repudiando a possibilidade de uma nova interven\u00e7\u00e3o. Tra\u00e7ou um paralelo entre o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis imposto pelo FMI no Haiti com os acordos entre o governo argentino e o FMI, que implicam terr\u00edveis ajustes contra o povo trabalhador. Tamb\u00e9m foi mencionada a proposta de resolu\u00e7\u00e3o da bancada parlamentar da FIT-U na C\u00e2mara de Deputados da Argentina, em recha\u00e7o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista no Haiti. Por fim, reiterou que a Esquerda Socialista, como parte da UIT-QI, continua em plena disposi\u00e7\u00e3o de acompanhar todas as iniciativas internacionais de solidariedade com o povo haitiano e sua heroica resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Mario Maisonneuvre, dirigente do Movimento Socialista de Trabalhadores Haitianos \u2013 Rede de Organiza\u00e7\u00f5es Populares da Zona Oeste (MSTH-ROZO), denunciou que, nas duas \u00faltimas semanas, a repress\u00e3o tirou a vida de ao menos 16 pessoas. Entre as v\u00edtimas, est\u00e1 um dirigente pol\u00edtico opositor ao governo <em>de facto<\/em> de Ariel Henry. Tamb\u00e9m ocorreram atentados contra a imprensa. A crise alimentar se agrava, a infla\u00e7\u00e3o aumenta sem controle e o pre\u00e7o dos combust\u00edveis mais do que dobrou. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel e a crise social se soma \u00e0 crise de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que o MSTH-ROZO tenta contribuir para superar, unindo esfor\u00e7os com outras organiza\u00e7\u00f5es populares e de esquerda para construir uma alternativa.<\/p>\n<p>A decomposi\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 muito profunda, pela conflu\u00eancia entre interesses mafiosos e do governo <em>de facto<\/em>, que conta com o apoio do imperialismo estadunidense. O sistema judicial foi destru\u00eddo por esse regime. O governo cobra um imposto alto \u00e0s remessas e n\u00e3o se conhece o destino desses fundos. Como a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insuport\u00e1vel, o regime apela para uma nova interven\u00e7\u00e3o militar internacional para se sustentar. \u201cDe nossa parte, seguiremos na luta, e necessitamos da solidariedade internacional\u201d, destacou Mario.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara Sinedino, dirigente sindical docente e da Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), interviu do Brasil, recordando que a interven\u00e7\u00e3o imperialista anterior, que se deu atrav\u00e9s da MINUSTAH, foi encabe\u00e7ada pelos governos de Lula e Dilma, do PT, durante mais de 13 anos. Assinalou que essa invas\u00e3o n\u00e3o solucionou nenhum dos problemas do povo haitiano e ainda deixou de p\u00e9 mecanismos para a interfer\u00eancia no Haiti, como o <em>Core Group<\/em>, que mant\u00e9m o controle das decis\u00f5es pol\u00edticas mais importantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O gasto militar utilizado pela ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti poderia ter sido utilizado para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, como prevenir e solucionar os problemas causados pelos terremotos. No entanto, milh\u00f5es foram investidos para reprimir e violar os direitos do povo haitiano, sendo a epidemia de c\u00f3lera uma das consequ\u00eancias da ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira. Os soldados brasileiros foram respons\u00e1veis por levar a cabo massacres em bairros populares haitianos, como em Cit\u00e9 Soleil. A interven\u00e7\u00e3o no Haiti tamb\u00e9m foi utilizada como uma forma de treinamento para a militariza\u00e7\u00e3o das favelas e periferias do pr\u00f3prio Brasil, onde a repress\u00e3o recaiu sobre a juventude negra e pobre.<\/p>\n<p>Por sua vez, a militariza\u00e7\u00e3o das favelas foi uma das pol\u00edticas de Lula e Dilma que acabou fortalecendo a extrema direita, que chegou ao poder na elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, em 2018. Militares que participaram da invas\u00e3o do Haiti e nas opera\u00e7\u00f5es nas favelas do Brasil integraram o governo Bolsonaro nestes \u00faltimos 4 anos. Nas recentes elei\u00e7\u00f5es, a CST chamou a votar criticamente em Lula para derrotar Bolsonaro, mas sem apoiar os pactos de Lula com Biden e o imperialismo, sem apoiar as pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o de classes e exigindo a sa\u00edda do Brasil do <em>Core Group<\/em>. B\u00e1rbara colocou que a CST prop\u00f5e enfrentar nas ruas, com a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, qualquer tentativa golpista e que se manter\u00e3o em solidariedade com a luta do povo haitiano.<\/p>\n<p>A di\u00e1spora haitiana tamb\u00e9m participou, da Rep\u00fablica Dominicana e do Chile. Roudy Joseph, do coletivo HaitianosRD, que compartilhou uma posi\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria tirada por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es sociais haitianas na Rep\u00fablica Dominicana, recha\u00e7ou a possibilidade de uma nova invas\u00e3o militar contra o Haiti. Recordou que a ONU nunca pagou indeniza\u00e7\u00f5es pelos crimes cometidos na \u00faltima interven\u00e7\u00e3o, inicialmente anunciada para seis meses, mas que durou mais de uma d\u00e9cada. Alertou que, atualmente, tamb\u00e9m se fala de uma interven\u00e7\u00e3o \u201ct\u00e1tica\u201d de curta dura\u00e7\u00e3o, mas esse antecedente ilustra que n\u00e3o se pode descartar uma interven\u00e7\u00e3o de longo prazo. Tamb\u00e9m repudiou a viol\u00eancia mafiosa das gangues, cujo auge \u00e9 consequ\u00eancia da ocupa\u00e7\u00e3o entre 2004 e 2017, imposta para apoiar o regime surgido do golpe de Estado contra Aristide. A intromiss\u00e3o pol\u00edtica do <em>Core Group<\/em>, que opera como um organismo colonial, tem sustentado o regime do PHTK, demonstrando que a inger\u00eancia estrangeira \u00e9 parte fundamental do problema, e n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o do Haiti.<\/p>\n<p>Chamou a exigir a n\u00edvel internacional que os governos imperialistas deixem de apoiar o governo <em>de facto<\/em> e que sejam respeitadas as decis\u00f5es do povo haitiano, que sejam pagas indeniza\u00e7\u00f5es pelos crimes que foram perpetrados pelos governos dos EUA e da Fran\u00e7a contra o povo haitiano e que a d\u00edvida externa do Haiti seja anulada, para que esses recursos possam ser utilizados para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jackson Fils, do Movimento Socialista das e dos Trabalhadores (Chile), mencionou alguns antecedentes hist\u00f3ricos da atual crise no Haiti. Em 1843, gerou-se uma crise pelo descontentamento campon\u00eas diante das promessas n\u00e3o cumpridas pelo governo; outras crises similares ocorreram em 1867, 1946-56 e, finalmente, em 1986, com a queda da ditadura duvalierista. S\u00e3o crises sist\u00eamicas, nas quais se questiona um Estado comprometido com a burguesia nacional e imperialista. A resposta da burguesia diante dessas crises tem sido a repress\u00e3o. Na atual crise, pretendem super\u00e1-la esmagando os protestos populares atrav\u00e9s da ocupa\u00e7\u00e3o militar estrangeira. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio continuar com a mobiliza\u00e7\u00e3o para derrotar Ariel Henry. \u201cEste F\u00f3rum me d\u00e1 mais for\u00e7a para seguir acreditando que, apesar das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es existentes no Haiti, as mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o parar, vamos lutar contra a invas\u00e3o estrangeira e contra o atual regime\u201d, expressou Jackson.<\/p>\n<p>Ingrid Luciano, do Movimento Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores da Rep\u00fablica Dominicana, que mediou o evento, tamb\u00e9m enfatizou a import\u00e2ncia de se opor \u00e0 invas\u00e3o do Haiti, especialmente em pa\u00edses com governos direitistas, como o de Luis Abinader, que, permanentemente, utilizam os organismos multilaterais, como a ONU e a OEA, para pedir a ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti. Para encerrar o F\u00f3rum, foi lido um trecho da declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI, apoiando a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo haitiano e a constru\u00e7\u00e3o de um governo dos trabalhadores e do povo para sair da crise. Anunciou-se que a campanha continuar\u00e1 em cada um dos pa\u00edses nos quais a corrente internacional est\u00e1 presente, realizando a\u00e7\u00f5es em solidariedade com o povo do Haiti e contra a interven\u00e7\u00e3o militar imperialista.<\/p>\n<p><strong>O evento pode ser conferido em v\u00eddeo no YouTube: <\/strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/fIhRIw8Tkp8\"><strong>https:\/\/youtu.be\/fIhRIw8Tkp8<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como parte da campanha impulsionada pela Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI) em solidariedade ao povo haitiano e contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista nesse pa\u00eds, foi realizado, no dia 02 de novembro, o F\u00f3rum intitulado \u201cN\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista no Haiti!\u201d. 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