

	{"id":9986,"date":"2022-11-22T18:29:39","date_gmt":"2022-11-22T18:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=9986"},"modified":"2022-11-22T18:29:39","modified_gmt":"2022-11-22T18:29:39","slug":"russia-um-pais-capitalista-imperialista-com-um-regime-repressivo-e-assassino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/11\/22\/russia-um-pais-capitalista-imperialista-com-um-regime-repressivo-e-assassino\/","title":{"rendered":"R\u00fassia: um pa\u00eds capitalista-imperialista com um regime repressivo e assassino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Jos\u00e9 Castillo, dirigente da Esquerda Socialista\/UIT-CI<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia por Putin tornou mais uma vez essencial precisar a caracteriza\u00e7\u00e3o do que a R\u00fassia e seu regime pol\u00edtico s\u00e3o hoje. Nossa defini\u00e7\u00e3o \u00e9 categ\u00f3rica: a R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds capitalista-imperialista com um regime pol\u00edtico bonapartista, exercido de forma autorit\u00e1ria por Vladimir Putin. Um regime repressivo e opressor em rela\u00e7\u00e3o a todo tipo de oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, minorias \u00e9tnicas e dissid\u00eancias de sexo-g\u00eanero. Sanguin\u00e1rio interna e externamente, como j\u00e1 havia sido visto em seu papel no bombardeio da S\u00edria, em apoio ao ditador Al-Assad. N\u00e3o cumpre nenhum papel &#8220;progressivo&#8221; ou &#8220;anti-imperialista&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 setores da esquerda mundial (ex-stalinistas, castristas, chavistas) que enxergam aspectos progressivos na atual R\u00fassia de Putin. Fundamentalmente, tendem a coloc\u00e1-la como um pa\u00eds \u201catacado\u201d pol\u00edtica, econ\u00f4mica e at\u00e9 militarmente pelo imperialismo ianque e, em segundo lugar, pelo imperialismo europeu. Isso tamb\u00e9m se repete, sem d\u00favida com mais nuances, no trotskismo, onde h\u00e1 correntes que at\u00e9 insistem que o processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o foi conclu\u00eddo (como o Partido Obrero da Argentina).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 categ\u00f3rica: a R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds capitalista-imperialista. A restaura\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda no in\u00edcio de 1992, depois da dissolu\u00e7\u00e3o da URSS em dezembro de 1991. Ap\u00f3s um processo complexo e atravessado por crises de todos os tipos, a R\u00fassia acabou se consolidando como pot\u00eancia imperialista no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI (menor, \u00e9 claro, do que os Estados Unidos, as principais pot\u00eancias da Uni\u00e3o Europeia e a China).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No processo de restaura\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1990, surgiram os primeiros grandes capitalistas (conhecidos como \u201cos oligarcas\u201d), que se apropriaram das maiores empresas da ex-URSS. A crise econ\u00f4mica de 1998 marcou o fim dessa primeira etapa, de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d do novo capitalismo russo, com o pa\u00eds deixando de pagar sua d\u00edvida externa. Tamb\u00e9m marcou o fim da era Boris Yeltsin, o primeiro presidente p\u00f3s-restaura\u00e7\u00e3o, que acabou renunciando em 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo momento come\u00e7ou com a ascens\u00e3o de seu sucessor, Vladimir Putin. Houve um forte enquadramento dos antigos oligarcas (v\u00e1rios deles acabaram na pris\u00e3o ou foram obrigados a vender suas empresas, sendo os casos mais paradigm\u00e1ticos os de Mikhail Khodorkovsky e de Boris Berezowsky, ex-propriet\u00e1rios das empresas de energia Yukos e Sibneft, respectivamente). No in\u00edcio do s\u00e9culo 21, alguns conglomerados estatais fortes (o mais importante a Gazprom) foram reconstitu\u00eddos, e os oligarcas sobreviventes se alinharam com o poder pol\u00edtico, sendo obrigados a dividir o poder econ\u00f4mico com os burocratas pol\u00edticos (os chamados \u201csilovarcas\u201d, oriundos da elite militar e dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Putin \u2013 que conseguiu consolidar sua lideran\u00e7a com uma pol\u00edtica fortemente repressiva, cuja express\u00e3o m\u00e1xima foi a segunda guerra da Chech\u00eania \u2013 contou, poucos anos depois de come\u00e7ar seu mandato, com uma importante estabiliza\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Se na d\u00e9cada de 1990 a economia russa havia ca\u00eddo acentuadamente, no s\u00e9culo 21 houve um processo de ascens\u00e3o, baseado no ciclo de alta dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s. E tamb\u00e9m, embora com menor impacto, das commodities alimentares. A partir de 1999, o com\u00e9rcio exterior e a conta-corrente do balan\u00e7o de pagamentos foram confortavelmente superavit\u00e1rios todos os anos, permitindo um ac\u00famulo astron\u00f4mico de reservas nos cofres do Banco Central da R\u00fassia. Segundo o Banco Mundial, as reservas passaram de 12,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 1999 para 479 bilh\u00f5es em 2007. Depois, continuaram a aumentar, embora em ritmo mais lento. Assim, antes da guerra na Ucr\u00e2nia, atingiram o pico de 633 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (quase metade congelada pelos Estados Unidos em retalia\u00e7\u00e3o \u00e0 invas\u00e3o).<\/p>\n<p>Todo esse fortalecimento levou a R\u00fassia a recuperar certo espa\u00e7o nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas internacionais, principalmente ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do bloco BRIC (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China). No entanto, deve-se esclarecer que todas essas conquistas n\u00e3o conseguiram reverter a queda acentuada no padr\u00e3o de vida da classe trabalhadora russa, que ocorreu com a restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na segunda d\u00e9cada deste s\u00e9culo, os resultados econ\u00f4micos n\u00e3o foram mais os mesmos. O crescimento econ\u00f4mico desacelerou e depois parou. Isso teve como consequ\u00eancia o gradual enfraquecimento do governo Putin. Mas n\u00e3o diminui o fato de que a R\u00fassia se reconstruiu ap\u00f3s os primeiros anos da restaura\u00e7\u00e3o e continua sendo um importante pa\u00eds capitalista-imperialista at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O car\u00e1ter de pot\u00eancia regional do capitalismo-imperialista russo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Detalhemos o que entendemos por pa\u00eds imperialista, com base nas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas especificadas por L\u00eanin a esse respeito [1]: a exist\u00eancia de grandes monop\u00f3lios capitalistas; a presen\u00e7a do capital financeiro; o desenvolvimento das transnacionais; a distribui\u00e7\u00e3o desses monop\u00f3lios transnacionais na economia internacional; e a reparti\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ou \u201czonas de influ\u00eancia\u201d pelas pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Claro, a R\u00fassia de hoje est\u00e1 muito longe da \u201csuperpot\u00eancia\u201d que foi a URSS. Trata-se de uma pot\u00eancia imperialista, mas, sem d\u00favida, menor em tamanho e influ\u00eancia do que os Estados Unidos ou as principais pot\u00eancias da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (Alemanha, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a). Tamb\u00e9m \u00e9 visivelmente menor do que a China. Sua economia \u00e9 a 12\u00aa do mundo, sendo, de fato, semelhante em tamanho \u00e0 do Brasil. Para comparar: seu PIB equivale a 7% do dos Estados Unidos. O padr\u00e3o de vida na R\u00fassia \u00e9 muito mais baixo: medido em termos de PIB per capita, ocupa o 69\u00ba lugar entre 196 pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poder da R\u00fassia se baseia em seu tamanho, com 17 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, o que lhe confere enormes margens de a\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e mais de 150 milh\u00f5es de habitantes. Al\u00e9m disso, o fato de a R\u00fassia ter herdado o poderoso Estado sovi\u00e9tico, em quest\u00f5es militares e cient\u00edficas, possibilitou que, ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o, pudesse pular etapas e se tornar em um per\u00edodo de tempo relativamente curto, ap\u00f3s a estabiliza\u00e7\u00e3o do final dos anos 1990 e a crise de 1997, de um estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico e superpot\u00eancia nuclear e militar em uma metr\u00f3pole imperialista. [2]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considerando uma das caracter\u00edsticas propostas por L\u00eanin (uma pot\u00eancia que participa da divis\u00e3o do mundo, pol\u00edtica e economicamente), o poder russo se expressa centralmente em sua \u00e1rea de influ\u00eancia: os pa\u00edses n\u00e3o russos que pertencem politicamente \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Russa, como os estados da ex-URSS na sua fronteira ocidental (Bielorr\u00fassia, Ucr\u00e2nia e Mold\u00e1via), na regi\u00e3o do C\u00e1ucaso (Arm\u00eania, Ge\u00f3rgia e Azerbaij\u00e3o) e na \u00c1sia Central (Cazaquist\u00e3o, Quirguist\u00e3o, Tadjiquist\u00e3o, Turcomenist\u00e3o e Uzbequist\u00e3o). Na Europa, a influ\u00eancia russa \u00e9 particularmente sentida na S\u00e9rvia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em todos esses pa\u00edses, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais russas t\u00eam peso central (outra das caracter\u00edsticas exigidas por L\u00eanin, que detalharemos mais adiante). Mas, al\u00e9m disso, em muitos deles tamb\u00e9m existem bases militares russas, que foram estendidas a outras \u00e1reas geogr\u00e1ficas, como as duas que existem atualmente na S\u00edria (naval em Tartus e a\u00e9rea em Khmeimim).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A R\u00fassia \u00e9 uma pot\u00eancia militar e nuclear. Tem um ex\u00e9rcito de 900.000 soldados e 300.000 reservistas. O or\u00e7amento militar da R\u00fassia \u00e9 o quinto do mundo, no valor de 61 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, superado apenas pelo dos Estados Unidos, da China, da Gr\u00e3-Bretanha e da \u00cdndia. E tem 5.977 ogivas nucleares. A R\u00fassia ocupa o segundo lugar no mundo em exporta\u00e7\u00f5es de armas, com 23% do total (atr\u00e1s dos Estados Unidos, que tem 36%, mas \u00e0 frente da China, que tem 5,2% desse mercado).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A R\u00fassia usou seu poderio militar em opera\u00e7\u00f5es contra a Ge\u00f3rgia em 2008; em 2014, quando ocupou a Crimeia; em opera\u00e7\u00f5es de apoio ao ditador Bashar Al-Assad na S\u00edria, a partir de 2015; e novamente, a partir de fevereiro deste ano, quando lan\u00e7ou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia mostrou, por um lado, o poderio militar da R\u00fassia, mas tamb\u00e9m, por outro lado, suas fraquezas. Durante os meses do conflito ficou comprovado que, embora o pa\u00eds continue a ter um arsenal militar infinitamente superior ao da Ucr\u00e2nia, h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, log\u00edsticas e at\u00e9 crises internas no alto-comando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma estrutura econ\u00f4mica liderada pelo g\u00e1s e pelo petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Economicamente, a R\u00fassia \u00e9, sem d\u00favida, a maior superpot\u00eancia energ\u00e9tica, com grande presen\u00e7a tanto no g\u00e1s quanto no petr\u00f3leo. Os seus gasodutos (NordStream 1 e 2) s\u00e3o essenciais para o abastecimento europeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A R\u00fassia tamb\u00e9m \u00e9 um dos maiores produtores de min\u00e9rios do mundo. \u00c9 o terceiro maior produtor mundial de ouro, segundo em platina, quarto em prata, terceiro em n\u00edquel, segundo em cobalto, quinto em min\u00e9rio de ferro, sexto em ur\u00e2nio e terceiro em enxofre. \u00c9 o principal produtor de diamantes do mundo, com 25% do total. Tamb\u00e9m possui as maiores reservas de recursos florestais e um quarto da \u00e1gua doce descongelada do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a R\u00fassia \u00e9 uma pot\u00eancia na exporta\u00e7\u00e3o de alimentos de clima temperado, destacando-se no trigo. Competia com a Ucr\u00e2nia pelo lugar de maior produtor mundial de trigo no in\u00edcio da invas\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, tem uma presen\u00e7a significativa no setor de transporte ferrovi\u00e1rio e na metalurgia em geral. No setor banc\u00e1rio e financeiro, embora n\u00e3o tenha sido transnacionalizado fora de sua \u00e1rea de influ\u00eancia, mant\u00e9m forte autonomia, como veremos ao analisar as consequ\u00eancias das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, a R\u00fassia mant\u00e9m uma presen\u00e7a destacada em ci\u00eancia e tecnologia, principalmente nuclear e aeroespacial, por ter herdado esses ativos da ex-URSS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os monop\u00f3lios transnacionais russos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre suas gigantescas empresas mistas (de maioria estatal, mas associadas \u00e0s principais transnacionais do mundo) est\u00e3o as de energia Gazprom (uma das principais empresas de energia do mundo, l\u00edder em g\u00e1s, mas com presen\u00e7a em todo o neg\u00f3cio de hidrocarbonetos); Rosneft (petr\u00f3leo e g\u00e1s); Novatek (principal produtor independente de g\u00e1s do pa\u00eds, de propriedade de Leonid Mikhelson, a maior fortuna da R\u00fassia, e Gennady Timchenko, a quinta fortuna do pa\u00eds); Lukoil (companhia petrol\u00edfera, propriedade de Vagit Alekperov, terceira fortuna da R\u00fassia) e TNK-BP (explora\u00e7\u00e3o, refino e comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O setor de energia, sem d\u00favida o mais poderoso da economia russa, mostrou for\u00e7a e capacidade de resistir a grande parte das san\u00e7\u00f5es que recebeu ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Fez isso vendendo \u00e0 China e \u00e0 \u00cdndia o petr\u00f3leo e o g\u00e1s que os pa\u00edses ocidentais deixaram de comprar. Conseguiu, inclusive, dobrar sua receita nos \u00faltimos meses, segundo dados da Ag\u00eancia Internacional de Energia. De fato, as importa\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas da \u00cdndia aumentaram mais de 1.700% durante esse per\u00edodo. A R\u00fassia tamb\u00e9m aumentou as exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s para a China, atrav\u00e9s de um gasoduto siberiano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de transportes, destaca-se a Ferrovias Russas (RZhD, uma das mais importantes empresas ferrovi\u00e1rias do mundo); AvtoVaz (produtora dos carros Lada, em parceria com a Renault-Nissan, que det\u00e9m 25% das a\u00e7\u00f5es); Kamaz (produtora de caminh\u00f5es e motores a diesel, em que a alem\u00e3 Daimler det\u00e9m 11% das a\u00e7\u00f5es); e Aeroflot (companhia a\u00e9rea, membro da alian\u00e7a internacional Sky Team).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na minera\u00e7\u00e3o, destaca-se o Nornickel (principalmente o n\u00edquel, propriedade de Vladimir Potanin, a sexta fortuna russa, que tamb\u00e9m controla o Rosbank, um dos principais bancos russos); Alrosa (principal produtor mundial de diamantes); e Polyus (ouro).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, encontramos a Sibur (maior petroqu\u00edmica do pa\u00eds, tamb\u00e9m de propriedade de Gennady Timchenko); Severstal (ind\u00fastria sider\u00fargica, de propriedade de Alexey Mordashov, quarta fortuna no pa\u00eds); NLMK (Novolipetsk, metalurgia, propriedade de Vladimir Lisin, segunda fortuna da R\u00fassia) e Metalloinvest (metalurgia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 2002 e 2013, ano de maior investimento de capitais russos no estrangeiro, este se multiplicou por 20. Depois, o n\u00famero se manteve est\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As transnacionais russas est\u00e3o extremamente concentradas nos pa\u00edses de sua periferia mais pr\u00f3xima. Arm\u00eania, Uzbequist\u00e3o, Bielorr\u00fassia, Mold\u00e1via e Cazaquist\u00e3o comp\u00f5em tr\u00eas quartos disso. Fora dessa \u00e1rea, os investimentos russos foram principalmente para It\u00e1lia, Alemanha, Gr\u00e3-Bretanha, Turquia, Su\u00ed\u00e7a e Iraque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em contrapartida, a presen\u00e7a de capital estrangeiro na pr\u00f3pria R\u00fassia n\u00e3o \u00e9 preponderante. Nos \u00faltimos anos manteve-se est\u00e1vel em valores de 6,3%, 7,3% e 6,4%. E mesmo uma parte desses valores vem de para\u00edsos fiscais como Chipre, Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas, Bahamas e Bermudas, o que sugere que grande parcela \u00e9 de pr\u00f3prio capital russo, que faz uso da extraterritorialidade para minimizar o pagamento de impostos, mais do que de aut\u00eantico capital estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalmente, o poder econ\u00f4mico russo tamb\u00e9m se expressa em fortunas pessoais. Segundo o \u00edndice publicado pela revista Forbes, em 2001 havia 8 bilion\u00e1rios, que acumulavam 12.400 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em 2021, o n\u00famero j\u00e1 havia crescido para 101 pessoas, com um valor total de US$ 432,7 bilh\u00f5es em ativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O capital financeiro e comercial<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos nos referir agora \u00e0 presen\u00e7a do capital financeiro (outra das caracter\u00edsticas levantadas por Lenin). O poder relativo dos bancos russos foi demonstrado pelas pr\u00f3prias san\u00e7\u00f5es contra o pa\u00eds este ano, ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da presen\u00e7a de bancos e de outras entidades financeiras russas na economia mundial ser muito menor em compara\u00e7\u00e3o com a do complexo energ\u00e9tico, v\u00e1rias entidades russas t\u00eam peso nos pa\u00edses da sua \u00e1rea de influ\u00eancia. Algumas chegaram a participar, at\u00e9 a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, mesmo que sem um peso decisivo, no sistema banc\u00e1rio da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Importantes empresas russas, com algum grau de transnacionaliza\u00e7\u00e3o, participam do sistema financeiro, de servi\u00e7os e de novas tecnologias, como \u00e9 o caso do Sberbank (o primeiro banco da R\u00fassia, o terceiro maior banco da Europa e 33\u00ba do mundo antes da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia); VTB (segundo maior banco da R\u00fassia); Gazprombank (terceiro em tamanho, controlado pela Gazprom); Alfa Bank (controlado pelo Alfa Group, de propriedade de Mikhail Fridman, s\u00e9tima fortuna russa); a empresa de mensagens eletr\u00f4nicas Telegram; e a empresa de investimentos Milhouse (de Abraham Abramovich, com participa\u00e7\u00e3o na minera\u00e7\u00e3o e at\u00e9 recentemente dono do clube de futebol ingl\u00eas Chelsea).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, a presen\u00e7a de capital financeiro internacional na R\u00fassia antes da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, embora existisse, era claramente menor do que em outros pa\u00edses e n\u00e3o hegem\u00f4nica no pr\u00f3prio sistema banc\u00e1rio do pa\u00eds. Em outubro de 2018, 150 bancos estrangeiros foram autorizados a operar na R\u00fassia, n\u00famero que vem caindo desde 2014 de 23% para 13,4% do capital banc\u00e1rio total. Vale ainda esclarecer que 11% dos bancos listados como estrangeiros s\u00e3o controlados por cidad\u00e3os russos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalmente, e como j\u00e1 salient\u00e1mos anteriormente, as reservas da R\u00fassia no seu Banco Central ascendiam, antes da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, a 633 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. E sua d\u00edvida externa era substancialmente baixa, de apenas 18% do PIB no final de 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paradoxalmente, verificou-se a solidez do sistema financeiro e comercial russo quando este foi capaz de resistir \u00e0s san\u00e7\u00f5es impostas a partir de mar\u00e7o deste ano, que n\u00e3o conseguiram paralisar as transa\u00e7\u00f5es. A R\u00fassia foi exclu\u00edda do sistema Swift (compensa\u00e7\u00e3o internacional de transa\u00e7\u00f5es financeiras) e as empresas internacionais de cart\u00e3o de cr\u00e9dito Visa e Mastercard deixaram de operar no pa\u00eds. Mas o sistema banc\u00e1rio russo respondeu com seu pr\u00f3prio sistema de processamento de transa\u00e7\u00f5es e com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito local Mir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mesma coisa aconteceu no lado comercial. Das mais de 1.000 transnacionais que se retiraram da R\u00fassia com as san\u00e7\u00f5es, a maioria foi substitu\u00edda. Os exemplos mais paradigm\u00e1ticos foram o McDonalds, cujas instala\u00e7\u00f5es reabriram e passaram a chamar-se \u201cVkusno i tochka\u201d (\u201cSaboroso, e pronto\u201d), e os caf\u00e9s Starbucks, que continuaram a operar sob a marca \u201cStars Coffee\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O rublo sofreu uma desvaloriza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar no in\u00edcio da invas\u00e3o, quando cerca de 50% das reservas russas no exterior foram congeladas. Mas depois se recuperou e hoje est\u00e1 no patamar dos valores de 2018. A infla\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m cresceu nos primeiros meses e atingiu 18% ao ano, est\u00e1 desacelerando e convergindo para um valor entre 12% e 15%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 claro que todos esses dados, que mostram simplesmente a capacidade de resist\u00eancia de uma economia imperialista como a da R\u00fassia, n\u00e3o descartam a possibilidade de uma crise profunda do capitalismo russo em um futuro pr\u00f3ximo, seja como resultado da continua\u00e7\u00e3o da guerra, seja como produto de outros fatores relacionados \u00e0 sua pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com o capitalismo-imperialista global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um regime pol\u00edtico e um governo autorit\u00e1rios, que n\u00e3o desempenham nenhum papel \u201cprogressivo\u201d ou anti-imperialista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vladimir Putin governa de forma autorit\u00e1ria h\u00e1 quase um quarto de s\u00e9culo. Foi nomeado primeiro-ministro por Boris Yeltsin em 1999 e depois eleito presidente por tr\u00eas mandatos (1999-2004, 2004-2008 e 2012-2018), tendo sido primeiro-ministro (e governante de fato) no intervalo 2008-2012, durante a presid\u00eancia de Dmitry Medvedev.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Putin lidera um governo burgu\u00eas autorit\u00e1rio e repressivo, com m\u00e9todos herdados do stalinismo (como o assassinato sistem\u00e1tico de opositores, ou sua pris\u00e3o), apoiado por um grupo de capitalistas mafiosos (os chamados \u201coligarcas\u201d, em alian\u00e7a com os \u201csilovarcas\u201d que j\u00e1 mencionamos), fundamentalmente ligado aos neg\u00f3cios de g\u00e1s e petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Suas a\u00e7\u00f5es se baseiam na repress\u00e3o pol\u00edtica, com proibi\u00e7\u00f5es permanentes de atos e mobiliza\u00e7\u00f5es e a persegui\u00e7\u00e3o de seus opositores internos, levando em muitos casos a situa\u00e7\u00f5es conhecidas de assassinato e em outros a longas penas de pris\u00e3o. A censura se estende a todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o restando atualmente nenhum que n\u00e3o esteja diretamente ligado ao governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o legal, ou \u201ctolerada\u201d, que tem assentos minorit\u00e1rios no Parlamento (composta pelo Partido Comunista da R\u00fassia e os nacionalistas de direita de Zhirinovsky), \u00e9 absolutamente funcional para as pol\u00edticas de Putin em quest\u00f5es decisivas, como p\u00f4de ser observado no total apoio desses setores \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo de Putin tamb\u00e9m tem se mostrado violentamente homof\u00f3bico e contr\u00e1rio a qualquer demanda pelos direitos das mulheres. Para isso, tem se apoiado na ultra-reacion\u00e1ria Igreja Ortodoxa Russa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pol\u00edtica imperialista russa sob o governo de Putin n\u00e3o se limitou a atacar e ocupar militarmente apenas os pa\u00edses de fora de sua zona de influ\u00eancia, como na j\u00e1 mencionada participa\u00e7\u00e3o na S\u00edria em favor do ditador Bashar Al-Assad. Ele tamb\u00e9m o fez na pr\u00f3pria Federa\u00e7\u00e3o Russa, com a feroz repress\u00e3o ao movimento de independ\u00eancia da Chech\u00eania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale ressaltar que as aspira\u00e7\u00f5es de Putin de \u201cfortalecer a R\u00fassia\u201d n\u00e3o apontam para a restaura\u00e7\u00e3o da URSS, muito menos para qualquer tipo de projeto \u201csocialista\u201d. Seu objetivo, em todo caso, \u00e9 restaurar o antigo imp\u00e9rio czarista, que existiu at\u00e9 1917.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um governo que come\u00e7ou a se enfraquecer e a guerra como sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o governo de Putin come\u00e7ou a se enfraquecer pol\u00edtica, econ\u00f4mica e socialmente. A economia russa estagnou: em 2018, cresceu apenas 2,5%; em 2019, 1,3%; e em 2020 (com a pandemia), caiu-3,6%. Segundo dados oficiais, 13,2% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desgaste do governo come\u00e7ou em 2017, quando ocorreram enormes protestos, fortemente reprimidos, desencadeados pelas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra o ent\u00e3o primeiro-ministro Dmitry Medvedev. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, Putin foi reeleito com 74% dos votos, mas com uma participa\u00e7\u00e3o de eleitores que n\u00e3o ultrapassou os 60%, numa disputa marcada por irregularidades. A mais importante foi a exclus\u00e3o de opositores proeminentes do processo, como o \u201cliberal\u201d Alexei Navalny (Partido R\u00fassia do Futuro). Nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2019, Putin teve que recorrer diretamente \u00e0 fraude para manter a maioria parlamentar. Novamente baniu os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o. Desta vez, a participa\u00e7\u00e3o caiu para apenas 21% dos eleitores. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2021, sofreu um novo rev\u00e9s, que se verificou no aumento de votos para partidos de oposi\u00e7\u00e3o \u201cpermitidos\u201d, como o Partido Comunista, que passou de 13% para 20%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A soma da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da perda de prest\u00edgio pol\u00edtico foi, sem d\u00favida, uma das causas que levaram Putin a embarcar na aventura de invadir a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que programa para a R\u00fassia de Putin?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em suma, Putin lidera um regime burgu\u00eas imperialista, reacion\u00e1rio, repressivo e explorador do povo trabalhador. Assassino de povos oprimidos, como mostrado na Chech\u00eania, na S\u00edria e agora na Ucr\u00e2nia \u2013 uma guerra em que luta por interesses e neg\u00f3cios imperialistas e por \u00e1reas de influ\u00eancia. Enquanto isso, internamente, descarrega a crise nas costas de seu pr\u00f3prio povo trabalhador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, para os socialistas revolucion\u00e1rios, a primeira palavra de ordem \u00e9 \u201cPutin fora da Ucr\u00e2nia!\u201d, dando total apoio \u00e0 resist\u00eancia daquele pa\u00eds. Ao mesmo tempo, dizemos que os pr\u00f3prios trabalhadores russos devem se livrar desse governo autorit\u00e1rio, impondo um governo dos\/as trabalhadores\/as, expropriando os grandes capitalistas e voltando a trilhar o caminho que Lenin e Trotsky iniciaram h\u00e1 mais de um s\u00e9culo: a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Lenin, Vladimir. Imperialismo, fase superior del capitalismo. Editorial Anteo, Buenos Aires, 1974.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[2] Ver a este respeito o excelente dossi\u00ea de Silvia Santos e Miguel Lamas em Correspondencia Internacional n\u00b044, mar\u00e7o-junho de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Castillo, dirigente da Esquerda Socialista\/UIT-CI &nbsp; A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia por Putin tornou mais uma vez essencial precisar a caracteriza\u00e7\u00e3o do que a R\u00fassia e seu regime pol\u00edtico s\u00e3o hoje. 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