Argentina: massiva marcha unitária contra Milei

Por Mercedes Trimarchi, dirigente de Isadora Mujeres en Lucha e deputada em CABA da Izquierda Socialista/ FIT Unidad, seção da UIT-QI na Argentina.

 

Nessa quarta-feira, 4 de junho, no décimo aniversário do movimento “Ni Una Menos”, realizamos uma grande manifestação unificada em frente ao Congresso Nacional para repudiar as medidas ultra-direitistas de Milei e do FMI. Vários setores em luta se uniram, incluindo os/as trabalhadores/as de Garrahan. Defendemos a coordenação contínua das reivindicações. A CGT deve abandonar seu pacto com o governo, convocar uma nova greve de 36 horas e adotar um plano de luta nacional.

Foi um grande acerto comemorar o décimo aniversário daquele grito coletivo com a unidade de todos os setores em luta. Isso foi definido nas assembleias feministas preparatórias. Estabelecemos uma meta: que o movimento feminista acolhesse as/os aposentadas/os, que se mobilizam todas as quartas-feiras, e isso ocorreu. Também decidimos unificar todas as lutas.

Mobilizamos mulheres e dissidências sexuais de diferentes idades, especialmente as mais jovens. Não é de se admirar. Ainda há um feminicídio a cada 31 horas, um número que Milei nega, pretendendo remover a categoria de feminicídio até do Código Penal, enquanto desmantela programas de combate à violência de gênero. Juntou-se à manifestação um setor que está liderando uma luta árdua, recebendo enorme solidariedade nacional. Estamos nos referindo aos médicos/as, residentes, enfermeiros/as, técnicos/as e funcionários/as administrativos/as do Hospital Garrahan, que carregaram vários cartazes com os dizeres “Somos essenciais, não descartáveis”. Amanhã, médicos e outros trabalhadores do hospital estarão em greve, marchando até a Plaza de Mayo. Também participaram familiares e profissionais, que permaneceram em frente ao Congresso desde o meio-dia para protestar contra os cortes na assistência aos deficientes. Professores, funcionários técnico-administrativos e estudantes universitários somaram-se ao protesto, exigindo um aumento orçamentário. Além disso, estiveram presentes trabalhadores demitidos de diversos setores, organizações de desempregados e entidades sociais e políticas, com forte presença da Frente de Izquierda Unidad.

O documento unitário lido por Liliana Daunes foi contundente. Em um trecho, declarou: “Não estamos interessados ​​em comemorar um aniversário. Somos chamados a confrontar o plano de fome e empobrecimento de Javier Milei e do FMI, e o esquema de pilhagem e especulação que o sustenta. São aqueles que lutam na base que hoje sentem a urgência de uma convocatória conjunta, que unifique todos os setores em luta contra o ajuste e a crueldade.” E apresentou 10 pontos com destaque, incluindo o repúdio ao FMI e o não pagamento da dívida. Também denunciou o genocídio em Gaza, que ceifa a vida de uma mulher a cada hora e de uma criança a cada dez minutos.

Redes ligadas ao governo rotularam as/os manifestantes como “golpistas e antidemocráticos”, algo ridículo considerando que Milei governa para o FMI, ataca os jornalistas, implementa decretos ditatoriais, veta leis que não lhe convêm e reprime aposentados/as toda quarta-feira. Com isso, ele está conseguindo mobilizar mais setores para a luta. Está provado que, quando as marchas são massivas e unitárias, Patricia Bullrich é obrigada a se conter, sem aplicar o protocolo anti-piquetes, como aconteceu na marcha de hoje.

Hoje demonstramos como enfrentar o governo de extrema-direita de Milei e do FMI. Apelamos à continuidade do apoio às lutas em curso, especialmente à de Garrahan, com unidade e coordenação. Nesse sentido, é importante que a CGT abandone seu pacto com o governo, tendo em vista que, após a importante greve geral de 10 de abril, ela não convocou novas iniciativas de luta. O documento lido diante do Congresso afirmou corretamente: “É urgente convocar uma nova greve nacional, que unifique todas as lutas até que o plano de Javier Milei seja derrotado!” Uma greve que devemos seguir exigindo em todas as assembleias, órgãos de delegados e mobilizações.

Nós, da Izquierda Socialista e da FIT Unidad, continuaremos batalhando nessa direção, buscando a mais ampla unidade para derrotar a sinistra motosserra de Milei, dos governadores e do FMI. E para assegurar que o dinheiro vá para os salários, as aposentadorias, o Garrahan, as universidades, a cultura e o Conicet; para garantir todo o suporte aos deficientes e aos demais setores necessitados, não para o pagamento da usurária dívida externa. Colocamos todos/as os/as nossos/as militantes e mandatos parlamentares a serviço dessa luta.

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