Libertem Saif e Thiago, sequestrados pelo Estado genocida de Israel

Em meio à agressão brutal e ilegal das forças armadas sionistas contra os navios da Flotilha Global Sumud em águas internacionais, os coordenadores internacionais da Flotilha, Saif Abukeshek, catalão-palestino, e Thiago Ávila, brasileiro, foram detidos e levados para uma prisão de segurança máxima em Israel.

A equipe de advogados palestinos, reunida sob o nome de Adalah, que acompanha a Flotilha, realizou uma visita à prisão de Shikma, onde se reuniu com Saif e Thiago pela primeira vez desde seu sequestro na madrugada de quinta-feira, 30 de abril. Seus depoimentos comoventes revelam violência física e o fato de terem sido mantidos por longos períodos em posições de estresse pelas forças militares israelenses durante os dois últimos dias que passaram no mar.

O restante dos 170 ativistas agredidos no ataque à missão humanitária, uma ação de pirataria de Israel a mais de 1.000 quilômetros de distância de Gaza, foi libertado na ilha de Creta, na Grécia, e denunciou torturas, espancamentos e maus-tratos. Entre esses ativistas libertados estão o camarada Gorkem Duru, do Partido da Democracia Operária (IDP), seção da UIT-CI na Turquia, e a camarada Mónica Schlotauer, deputada e dirigente, juntamente com Ezequiel Peresini, da Izquierda Socialista (IS), seção da UIT-CI na Argentina.

A Grécia, a Itália, a União Europeia e Trump são cúmplices do ataque israelense à Flotilha. Somente com a colaboração deles, especialmente do governo grego e da OTAN, foi possível concretizar esse sequestro ilegal de mais de vinte embarcações e suas tripulações. O Mediterrâneo é o mar mais vigiado da Europa para transformá-lo em uma vala comum para os migrantes, uma tecnologia empregada em conluio com Israel contra a solidariedade internacionalista.

Agora, o genocida Netanyahu quer transformar Saif e Thiago, rostos visíveis do movimento, em troféus de guerra para criminalizar e dissuadir a solidariedade internacional com o povo palestino. O Estado sionista pretende acusar falsamente Saif de “terrorista” e de ter relações com o Hamas, assim como Thiago. No sistema de apartheid israelense, isso equivale a uma condenação certa após um processo sem qualquer garantia. O caráter colonial, racista e genocida do Estado sionista voltou a ficar evidente há poucas semanas com a nova lei da pena de morte, que se aplica apenas aos palestinos acusados de assassinar um israelense, mas nunca o contrário.

Essas acusações de terrorismo são falsas. O único terrorista, como se canta nas manifestações, é o Estado sionista de Israel, que há cerca de 80 anos vem massacrando o povo palestino, com sua histórica limpeza étnica. Por outro lado, a acusação é grosseira. A Flotilha Global Sumud é uma flotilha de caráter humanitário em solidariedade à Faixa de Gaza, bombardeada e invadida por tropas do Estado sionista. A flotilha leva ajuda humanitária, alimentos, medicamentos e água, tentando romper o bloqueio criminoso de Israel que mata de fome o povo palestino.

Saif é um sindicalista catalão-palestino que, há vinte anos, tem sido muito ativo na defesa dos direitos do povo palestino e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, além de ser uma referência na solidariedade internacional. Ele integra a Intersindical Alternativa de Catalunya (IAC) e tem sido um dos rostos visíveis da solidariedade com a Palestina na Europa. Ele mora em Barcelona, na Espanha, com sua esposa e seus três filhos pequenos. Thiago é um grande lutador brasileiro em defesa do povo palestino e do meio ambiente.

A vida e a integridade de Saif e Thiago correm perigo a cada minuto que passam nas mãos das forças de ocupação sionistas. Ambos entraram em greve de fome. Por tudo isso, é urgente mobilizar-se em todo o mundo exigindo sua libertação imediata. Essa campanha mundial já está ganhando força. Já ocorreram as primeiras marchas e protestos de rua na Europa e em outros países. O mais marcante foi a mobilização em Tel Aviv, Israel, no dia 4 de maio, convocada pela Aliança pela Paz, que chamaram de “uma manifestação de raiva”, exigindo a libertação imediata de Saif e Thiago Ávila. Na Espanha, as centrais sindicais também se pronunciaram. A Anistia Internacional expressou “sua profunda preocupação com a segurança de Abukeshek e Ávila, sinalizando que eles correm o risco de sofrer violações […] abusos, incluindo tortura e maus-tratos”. Os governos da Espanha e do Brasil viram-se obrigados a exigir a libertação de Saif e Thiago, embora não rompam relações com Israel. É preciso exigir que todos os governos exijam a libertação de ambos e rompam relações com Israel. E que haja garantias de segurança para o restante da frota que retomou a missão a partir de Istambul e de outros portos, para tentar romper o bloqueio a Gaza.

Da UIT-CI, convocamos a mais ampla mobilização em todos os países do mundo pela libertação imediata de Saif e Thiago e pela garantia de sua integridade física. No âmbito da luta que travamos pelo fim do genocídio e do bloqueio criminoso na Faixa de Gaza, pela retirada de todas as tropas de Gaza, com garantias para a entrada maciça de ajuda humanitária. Fora as tropas israelenses de Gaza, da Cisjordânia e também do Líbano. Liberdade para todas e todos os presos palestinos. Apoiamos incondicionalmente a resistência do povo palestino pelo fim do Estado sionista de apartheid. Por uma Palestina Livre, do rio ao mar.

Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional (UIT-CI)

06/05/2026

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