Déficit dos Correios é construção política neoliberal e governo Lula deve respeitar sua função social

Colocamos aqui parte da entrevista do companheiro Adriano Dias ao Correio da Cidadania.

 

Voltou a ga­nhar força o de­bate sobre a pri­va­ti­zação da Em­presa de Cor­reios e Te­lé­grafos, em­presa es­tatal que ga­rante a uni­ver­sa­li­dade dos ser­viços pos­tais. O ar­gu­mento li­beral da vez é o dé­ficit da em­presa em 2024. No en­tanto, como ex­plica Adriano Dias, ser­vidor da ECT que con­cedeu en­tre­vista ao Cor­reio sobre o tema, a ar­gu­men­tação é de­so­nesta, uma vez que ig­nora tanto as obri­ga­ções do Es­tado bra­si­leiro como muda o ar­gu­mento quando se trata de es­ta­tais lu­cra­tivas. Além disso, apaga da aná­lise a fla­grante ine­fi­ci­ência e su­pe­rex­plo­ração do tra­balho nos ser­viços pri­va­ti­zados.

“Esses se­tores de­fendem pri­va­tizar as es­ta­tais como parte do seu pro­grama po­lí­tico, in­de­pen­den­te­mente de dé­ficit, lucro etc. Sim­pli­ficam os de­bates e adotam mé­todos fis­cais e con­tá­beis con­ve­ni­entes para jus­ti­ficar a venda de grandes es­ta­tais como os Cor­reios. Mas esse mé­todo não é uti­li­zado para ques­ti­onar o pa­ga­mento de quase 1 tri­lhão de reais anual de pa­ga­mento de juros e amor­ti­zação da dí­vida pú­blica”, exem­pli­fica.

Além disso, Adriano Dias re­cusa um de­bate ex­clu­si­va­mente econô­mico, uma vez que a fi­na­li­dade da em­presa não é co­mer­cial, cobre as áreas não lu­cra­tivas do país e atua em favor de ou­tras ne­ces­si­dades de es­tado, como ajuda em ca­tás­trofes e trans­porte de ma­te­riais di­dá­ticos. Ele ainda lembra que em caso de pre­juízos na ope­ração, o Es­tado acaba por co­brir os dé­fi­cits, a exemplo do que ocorre na te­le­fonia com a OI.

Quanto ao plano de in­ves­ti­mentos anun­ciado pelo go­verno, Adriano Dias afirma não co­brir as ne­ces­si­dades to­tais e ter­mina por ab­sorver uma ra­ci­o­na­li­dade ne­o­li­beral de gestão. “In­fe­liz­mente, o plano do go­verno Lula é só um re­mendo de corte de des­pesas, pre­ca­ri­zação do tra­balho, fe­cha­mento de 700 agên­cias, plano de de­missão vo­lun­tária com a pre­visão de 10 mil de­mis­sões, venda de pa­trimônio, apli­cação da jor­nada 12×36, re­visão dos be­ne­fí­cios e con­quistas do Acordo Co­le­tivo e até aber­tura de ca­pital para co­locar a ini­ci­a­tiva pri­vada na con­dução dos Cor­reios”.

Outro as­pecto que entra em cena é a con­cor­rência des­leal de ou­tras em­presas que dis­putam o mer­cado com os Cor­reios. Ao contar com a aber­tura de mer­cado no setor e re­a­lizar uma re­forma tra­ba­lhista que re­baixou o custo do tra­balho em em­presas, foram cri­adas con­di­ções es­tru­tu­rantes para um pre­juízo econô­mico da es­tatal.

Por fim, a pri­va­ti­zação tor­naria o setor car­te­li­zado e, a exemplo de toda ex­pe­ri­ência se­me­lhante, au­men­taria o preço dos ser­viços e au­men­taria a su­pe­rex­plo­ração de tra­ba­lha­dores, como se vê no caso de en­tre­ga­dores das con­cor­rentes que cir­culam sem jor­nada de tra­balho li­mi­tada, sub­ju­gados por metas de en­tregas mas­sa­crantes. No fim das contas, o de­bate ex­tra­pola o ser­viço em si e toca na de­fi­nição mais ampla do or­ça­mento pú­blico.

“O que vai re­verter a crise dos Cor­reios e ga­rantir uma em­presa 100% es­tatal e fun­ci­onal sob a ótica da classe tra­ba­lha­dora é a apli­cação de um pro­grama mais global que passa pelo fim do ar­ca­bouço fiscal, não pa­ga­mento da dí­vida, re­vo­gação da Re­forma Tra­ba­lhista e por aportes fi­nan­ceiros nos Cor­reios. E isso não vai ser con­quis­tado sem mo­bi­li­zação”.

*Leia a en­tre­vista com­pleta com Adriano Dias.*

*Leia:* https://correiocidadania.com.br/34-artigos/manchete/16511-deficit-dos-correios-e-construcao-politica-neoliberal-e-governo-lula-deve-respeitar-sua-funcao-social

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