A luta no Tapajós contra a hidrovia da soja: governo Lula quer privatizar o rio!

Desde a última quinta-feira, dia 22 de janeiro, a entrada da plataforma principal da empresa Cargill em Santarém-Pa, transformou-se em um palco de luta e resistência. Em ocupação, povos indígenas do Baixo Tapajós ecoam suas vozes e apontam suas flechas em direção aos enormes tanques da empresa que armazenam milhares de toneladas de grãos de soja, símbolos do desmatamento e avanço das queimadas na região. Nossos parentes mais uma vez se colocam à frente da luta no início do ano – tal como protagonizaram ano passado ocupando a sede da SEDUC em Belém -, em um ato corajoso contra o modelo de “desenvolvimento” que ameaça aniquilar o rio Tapajós.

A ocupação que chega ao seu quinto dia, é parte da luta em defesa de seus territórios e de um ecossistema vital, pela preservação da sociobiodiversidade, agora postos em xeque pelo Decreto Federal nº 12.600/2025, que inclui os rios Tapajós, Madeira e Tocantins na rota das hidrovias projetadas para escoar a soja e demais produtos do agronegócio, destinados majoritariamente à exportação. Isto é, o governo Lula (PT/PSB) quer escavar, dragar e leiloar rios por meio de seu programa de concessões, atuando para garantir e ampliar os lucros bilionários dos empresários do agronegócio, principal setor social e cultural que financia a extrema-direita bolsonarista no Brasil. O nome disso é privatização!

Esta aguerrida mobilização dos povos indígenas, denuncia a farsa da política ambiental dos governos que se dizem progressistas, mas que, na prática, insistem em reeditar a velha cartilha predatória e desenvolvimentista que arrasou a Amazônia, sobretudo, na era Vargas (1930-1945) e governos da ditadura militar (1964-1985). A luta no Baixo Tapajós escancara a profunda contradição entre o discurso de “tolerância zero ao desmatamento” e as ações concretas que pavimentam o caminho para a destruição do bioma amazônico e a desterritorialização de comunidades tradicionais, como são as políticas de construção da Ferrogrão, o derrocamento do Pedral do Lourenço, a exploração de petróleo na margem equatorial do rio Amazonas, o mercado de carbono, ambas medidas defendidas pelos governos Lula e pela oligarquia dos Barbalhos, liderada pelo governador Helder (MDB) e seu pai e irmão, o senador Jader (MDB) e o ministro Jader Filho (MDB). Essas medidas foram denunciadas pelos povos indígenas, quilombolas e tradicionais em luta, como ações realizadas sem Consulta Prévia, Livre e Informada nos territórios, como prevê a convenção 169 da OIT, dentre outros abusos.

Apoiemos a luta dos povos indígenas no Baixo Tapajós!

O Decreto 12.600, que viabiliza a construção destas hidrovias, é o mais recente símbolo de um projeto que sistematicamente ignora o valor intrínseco e a função ecológica dos rios e das florestas. Transformar o Rio Tapajós em um canal industrial, dragando seu leito, alterando sua dinâmica hídrica e da fauna presente, e expondo as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas à poluição e ao risco de acidentes, não é aceitável. Como afirmou a jovem liderança Olisil Oliveira ( @pivide_kumaru ), do povo Kumaru, em sua rede social: “Não é só sobre água, é sobre vidas, é sobre respeito com o território. O decreto 12.600/2025 viola direitos, ignora a consulta, livre prévia e informada e ameaça quem vive e protege o Rio Tapajós a séculos. Nossa luta é pela vida, e somos contra qualquer projeto de morte. O território não se negocia e o nosso Rio não está à venda.”

A CST-UIT se soma ao chamado realizado pelas lideranças Auricélia Arapiun, Alessandra Munduruku, pelo Conselho Indigenista do Baixo Tapajós ( @citabt ) e por mídias independentes, que estão nos assegurando firmeza nas informações, e movimentos em luta. É preciso cercar de solidariedade esse movimento de maneira ativa, organizando atos em todo o país contra o decreto 12.600 e o projeto privatista de Lula e seu governo. Nas redes sociais citadas no texto é possível encontrar outras formas de apoiar o movimento, como chaves PIX para doações.

Apoiar a luta dos povos indígenas do Baixo Tapajós significa apoiar aquelas e aqueles que estão realmente preocupados com a manutenção da vida humana na Terra.

Por Eduardo Protázio

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