Sobre a independência do PSOL e os rumos da esquerda socialista
Claudia Gonzalez e Michel Oliveiras, Coordenação da CST
No último dia 7 de março, o diretório nacional do PSOL votou, por ampla maioria, não concretizar uma federação com o PT.
As correntes da esquerda do PSOL compuseram uma resolução com forças do setor majoritário e obtiveram 75% dos votos. A corrente Revolução Solidária e lideranças como os ministros Guilherme Boulos e Sonia Guajajara ficaram em minoria.
Confluímos com a felicidade da militância da esquerda do PSOL
Sem dúvida, uma federação com o PT, com direção e programa comuns, por 4 anos, seria um passo ainda mais profundo na subordinação do PSOL ao PT. Por isso, a votação alegrou ativistas da ala esquerda do PSOL. Nós da CST, que já compusemos a ala radical do PSOL, compreendemos esse sentimento e a alegria na militância da esquerda. Sabemos que vencer uma votação assim é positivo e confluímos com a felicidade do ativismo da esquerda do PSOL.
A esquerda do PSOL comemora o resultado e fala da “independência do PSOL”. Trata-se de um tema importante. Por isso, vale a pena refletir melhor sobre essa questão. Nós da CST, que desde 2023 somos uma organização socialista revolucionária independente, queremos apresentar nossa visão e dialogar com as forças da esquerda do PSOL.
A votação garantiu a independência do PSOL?
Concordamos que a subordinação ao PT aumentaria com uma federação e foi importante derrotar essa proposta. Porém, há limites na resolução do diretório, pois ela reafirma a integração na frente ampla de Lula, a coligação com o PT e a participação na base aliada do governo federal. Notam-se limites importantes, mantendo o PSOL atrelado à estratégia de colaboração de classes do PT, do governo capitalista de Lula/Alckmin. Além disso, há lacunas visíveis na atuação das maiores forças da esquerda do PSOL:
A primeira é que enfatizam a coligação com o PT, o apoio à reeleição de Lula e a política da frente ampla. Isso significa respaldar, com críticas, a coligação com os partidos liderados por Lula e Alckmin, o que inclui lideranças como Tebet, partidos da direita e setores reacionários como Múcio, Fávaro e do centrão.
A segunda é que não defenderam a saída dos ministérios no governo federal, da base aliada no Congresso Nacional e dos cargos estaduais nos governos da frente ampla.
A terceira é que não questionaram nem fizeram uma luta política por uma candidatura própria, como em fóruns anteriores. A última vez foi ao redor de Glauber Braga, ainda durante o governo de Bolsonaro, agrupando 40% do PSOL.
Então, se por um lado o PSOL não deu um passo a mais na subordinação ao PT, o que é correto; por outro lado, o PSOL se mantém nos cargos e no apoio político ao governo Lula. E não terá um perfil próprio nas eleições de 2026. Ou seja, infelizmente não se tratou da independência do PSOL.
Por um bloco, campo ou frente da esquerda independente.
Em nosso entendimento, uma esquerda independente recuperaria o espírito radical da fundação do PSOL, em 2003. O que significa não apoiar o governo capitalista Lula nem alianças com partidos da direita, patronais ou com representantes dos patrões nas eleições de 2026.
Apesar de nossas diferenças em relação às forças que seguem no PSOL, estamos à disposição para atuar em comum com os camaradas que defendem a “independência” do PSOL. Propomos construir ações conjuntas com essas forças do PSOL, visando uma esquerda independente. Trabalhar em conjunto enquanto debatemos, democraticamente e com fraternidade, divergências, sem que esse debate paralise ações unificadas.
A CST avalia que é possível uma atuação conjunta através da luta de classes. Nossa proposta é construir blocos combativos contra as políticas capitalistas do governo Lula/Alckmin e fortalecer a luta nas ruas contra a extrema direita, tal como ocorreu no apoio a luta dos povos indígenas do baixo tapajós.
A CST propõe um debate sobre a construção de um espaço à esquerda que seja unitário, superando a fragmentação atual. Para isso, sugerimos uma reunião entre as direções do MES, Rebelião Ecossocialista, APS e LSR, juntamente com forças que não são do PSOL e querem atuar visando uma esquerda independente unitária.
Cara própria nas eleições de 2026
Outro tema que apresentamos para o debate é sobre as eleições de 2026. Em nosso entendimento, a defesa da independência passa por não apoiar a chapa de colaboração de classes de Lula/Alckmin. Poderíamos construir um bloco da esquerda independente, sem patrões. Sabemos que os camaradas da esquerda do PSOL não têm a linha de romper com o PSOL. Mas uma coisa é não romper com o PSOL e outra é aderir novamente às chapas da frente ampla em 2026. A CST, mesmo quando integrava o PSOL, desacatou a linha majoritária do partido: não apoiamos nem fizemos campanha para a chapa Lula/Alckmin em 2022.
Os camaradas do MES, Rebelião Ecossocialista, APS, LSR, Revolução Socialista, Fortalecer o PSOL e o mandato do deputado Glauber Braga têm uma forte responsabilidade. Uma movimentação pela esquerda ajudaria a construir um espaço unitário na luta de classes e a reorganizar uma esquerda independente.
A tarefa que se impõe é a reorganização independente da classe trabalhadora
Defendemos aproximar as forças que não integram nem apoiam o governo Lula/Alckmin, reorganizando a esquerda socialista e comunista de forma independente. Uma esquerda radical e sem patrões. A CST é uma organização socialista e revolucionária independente. Estrategicamente, defendemos a unidade dos revolucionários e revolucionárias. Lutamos por um governo da classe trabalhadora, sem patrões, e por um Brasil socialista. Por uma efetiva unidade anti-imperialista latino-americana contra Trump, rumo a uma Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina.
