Fim da 6×1 já! 

O debate sobre o fim da escala 6×1 tomou proporções gigantescas. Essa pauta foi apresentada pelo VAT e desde então atualizou uma antiga reivindicação da classe trabalhadora: a redução da jornada de trabalho. Agora o debate está na boca do povo: nos locais de trabalho, nas conversas de bar, no mercado, na saída da igreja, nas escolas. Há uma comoção da imensa maioria da classe trabalhadora. Não há nenhuma dúvida que devemos acabar com essa escala desumana, que condena milhões à impossibilidade de ter mais tempo com a família, ou ter lazer ou mesmo tempo livre com seus afetos. E os trabalhadores e trabalhadoras sabem disso, por isso mais de 73% da população apoia o fim dessa escala maldita.

Trata-se de uma reivindicação histórica e sua força mostra que a classe trabalhadora pode entrar em cena por suas reivindicações históricas mais essenciais. Se é verdade que estamos em meio há inúmeros ataques e retirada de direitos, também é verdade que podemos reagir: a discussão sobre a redução da jornada, só tinha acontecido com essa força há quase 40 anos, durante a promulgação da Constituição Federal e a jornada diária de 8h, quando os movimentos sindicais e populares se mobilizaram bastante.

É preciso olhar para as lutas históricas que conquistaram ampliação de direitos para traçar um caminho de luta, ação direta nas ruas, ações nos locais de trabalho para combater a política do centrão, da extrema direita dos empresários e dos analistas da burguesia que se dedicam a escrever centenas de páginas mentirosas para dizer que o fim da escala 6×1 pode comprometer os empregos, quebrar pequenas empresas e um monte de fake news com o objetivo de ganhar a opinião pública.

NOSSA CONFIANÇA É NA FORÇA DAS RUAS E NÃO NAS ARTICULAÇÕES NO PARLAMENTO

Estamos há poucos dias de uma das votações no congresso de enorme repercussão. Todos nós sabemos que em qualquer categoria, para conquistar o mínimo, como reajuste digno ou mais direitos, é preciso uma enorme organização, mobilização, paralisações e greves para arrancar um direito. Mas contraditoriamente, a direção das grandes centrais sindicais como a CUT, CTB, Força Sindical e UGT, atuam como se a classe trabalhadora devesse apenas aguardar o desfecho no congresso nacional e não fazer uma luta massificada. Seriamos espectadores, como se estivéssemos vendo uma novela ou série na TV. E isso é errado. Devemos fazer com nossas mãos tudo que a nós nos diz respeito.

Por isso é necessário romper a ilusão de que tudo será conquistado com “boa articulação” no congresso e mensagens pelas redes sociais. Ter iniciativas no parlamento ou muito engajamento nas redes sociais, é parte da batalha, mas não o fim. Cada pequeno passo dado pela nossa classe, é conquistado. Só temos força perante qualquer votação do parlamento ou mesa de negociação se estivermos e mobilizados.

Estaríamos em outro estágio de mobilização, se as centenas de sindicatos dirigidos pelas maiores centrais, tivessem dado centralidade a essa pauta nas campanhas salariais desde o ano passado. Cada categoria que consegue uma vitória nesta pauta, fortalece uma luta pelo fim da escala 6×1. Exigimos da CUT, CTB, Força Sindical, UGT, federações e confederações jornadas de lutas já conjuntamente com o VAT.

Contra a “transição” que mantém a 6×1

O congresso inimigo do povo está manobrando com essa pauta. Por um lado, para não perder votos muitos partidos dizem que apoiam essa luta, mas na prática são patronais e defendem uma “transição”, que em algumas propostas seriam de até 10 anos. O verdadeiro nome disso é enrolação, é “manutenção” da 6×1. Quando a isso não há negociação possível. Queremos o que é nosso: redução da jornada é um direito e não abrimos mão. E queremos agora!

O governo Lula tem responsabilidade nisso. Por um lado, faz discursos corretos criticando a 6×1 e diz que defende o fim dessa escala, mas, ao mesmo tempo, entra em negociações do parlamento com os inimigos do povo que desejam manter essa escala pela via da “transição”. E Lula e a Frente ampla são uma aliança com setores patronais as quais o PT não deseja romper. E isso prejudica os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras. As maiores centrais e sindicatos, dirigidos pelos Lulistas não lutam a fundo para não afastar os empresários da frente ampla e nossa reivindicação fica prejudicada. Nessa saída “negociada” mais uma vez os patrões vão sair ganhando. É por isso que nós da CST não compomos a frente ampla de Lula. A teoria do “ganha, ganha” de que é possível empresários e trabalhadores ganharem ao mesmo tempo é tão falsa quanto uma nota de R$ 3. Assim os trabalhadores não podem avançar, com as mãos atadas pelos patrões e tendo que rebaixar suas reivindicações. É preciso organização e luta e exigir do governo Lula que ele garanta o fim da 6×1 sem transições.

Unidade nas ruas contra a extrema direita

Há propostas nefastas dos golpistas da extrema direita como a do corrupto Flávio Bolsonaro. Ele critica a 6×1 para propor algo pior: uma tal “liberdade” para que “cada trabalhador escolha sua jornada”. Esse discurso não pode nos confundir. Isso é igual a “liberdade” de Milei na Argentina que tenta acabar com todos os direitos sociais. É o discurso de “liberdade” de Trump enquanto invade e bombardeia países e mantém o holocausto em Gaza. Não podemos esquecer do Bolsonaro e suas medidas contra os direitos trabalhistas em seu governo genocida. O fato é que não seremos livres enquanto estivermos no sistema capitalista e sua escravidão assalariada. A nossa liberdade só será conquistada destruindo o atual sistema e acabando com a exploração patronal, rumo a um governo da classe trabalhadora e um Brasil socialista. Como parte dessa luta, mantemos a batalha pelas reivindicações básicas da classe trabalhadora para nos defender dos ataques dos empresários. Por isso precisamos garantir acordos coletivos nacionais, leis trabalhistas unificadas, porque não temos força e nem “liberdade” como indivíduos. Cada um “fazer a sua jornada” foi a ilusão do empreendedorismo dos Apps: anos depois uma das lutas dessa categoria e por regras e valores unificados, tratando de negociar coletivamente. Nossa força está em nossa união e mobilização coletiva e em direitos sociais amplos nacionalmente.

O que fazer?

Ocupar as ruas pelo fim da escala 6×1! Defender as 36 horas semanais e escala 4×3 proposto pelo VAT e a deputada Erika Hílton (PSOL-SP) através de Emenda Constitucional. Essa proposta, via emenda constitucional, é apoiada por milhares de pessoas através de um abaixo assinado eletrônico e gerou fortes mobilizações nacionais nas ruas. E devemos manter essa proposta. A jornada 4×3, prevista na proposta original do VAT e Erika Hilton, previa quatro dias por semana de trabalho para três dias de folga. Tudo sem redução de salário. Exigimos que o Rick Azevedo, Erika Hílton e a direção do VAT mobilizem por suas propostas originais.

Os funcionários e representantes políticos da burguesia entraram em cena para confundir e tentar impedir uma vitória pelo fim da escala 6×1. Agora, mais do que nunca, é necessário entrar em cena o peso da nossa classe. Também é necessário estar atento às manobras que pretendem derrotar essa luta. A emenda apresentada por partidos do centrão e da extrema direita como diminuição da contribuição do FGTS ou mesmo do INSS patronal é absurda e deve ser denunciada.

Defendemos uma jornada de 36h, com o fim da escala 6×1, e que o dia de trabalho não possa ultrapassar 8h.

O vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) e a direção do VAT corretamente propuseram às centrais sindicais uma “greve geral” pelo fim da 6×1. É uma proposta correta que nós da CST apoiamos. É preciso construir e organizar essa luta desde já apoiando as greves de TAES das federais, das estaduais paulistas e mobilizações indígenas na volta grande do Xingu. Para isso sugerimos:

a)Realizar emergencialmente uma assembleia da classe trabalhadora, como as Centrais fizeram tempos atrás, do conjunto do movimento sindical, em especial das categorias nacionais em greve como TAES nas federais ou estaduais como a UERJ e estaduais paulistas.

b)Convocar com urgência uma nova Plenária de Organização das lutas populares com todos os movimentos sociais, em especial o movimento feminista e indígena que protagonizou fortes lutas.

c) Pautar o tema no próximo CONEG da UNE e nos fóruns dos DCEs da USP, Unicamp e UNESP.

d) Construir um plano de luta, começando com um dia nacional de mobilizações, panfletagens, atrasos de turno, paralisações parciais, e greves nas categorias junto com passeatas unificadas no final do dia nas capitais: com categoriais que estão em greve como os TAEs, os trabalhadores da UERJ e os estudantes das estaduais paulistas.

e)Dar continuidade a esse movimento rumo à greve geral proposta pelo VAT, ainda neste primeiro semestre.

 

 

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