Uma proposta para Jones, Sâmia e Glauber: por uma frente da esquerda radical, independente dos patrões (parte IV)

Uma proposta para Jones, Sâmia e Glauber: por uma frente da esquerda radical, independente dos patrões (parte IV)

(este texto é qurat parte do Um diálogo com a bancada da esquerda radical de Jones Manoel, Sâmia Bomfim e Glauber Braga). Leia a terceira parte: A Bancada Radical não tem uma definição categórica sobre a independência de classe)

  1. Em nosso entendimento, uma esquerda radical deveria recuperar o espírito fundacional do PT, em 1979, e do PSOL, em 2003: o de uma força política independente dos patrões e comprometida com a luta da classe trabalhadora. Isso significa, do ponto de vista da CST, não apoiar o governo capitalista de Lula nem estabelecer alianças eleitorais com partidos da direita ou representantes dos patrões nas eleições de 2026.
  2. Apesar das diferenças que mantemos com as forças que permanecem no PSOL, seguimos à disposição para atuar em comum com esses camaradas. Defenderemos os mandatos de Sâmia Bomfim e Glauber Braga, bem como figuras públicas como Jones Manoel, diante dos ataques da direita e da extrema direita. Também queremos seguir ombro a ombro nas lutas que impulsionam. Propomos construir ações conjuntas com os setores da bancada radical para fortalecer uma esquerda independente da classe trabalhadora, combinando unidade na ação com um debate democrático, fraterno e aberto sobre nossas divergências, sem que essas impeçam iniciativas unitárias.
  3. A CST considera possível desenvolver uma atuação comum a partir da luta de classes. Propomos construir blocos combativos contra as políticas capitalistas do governo Lula-Alckmin e fortalecer as mobilizações contra a extrema direita, apoiando greves como a da FASUBRA, a luta pela criminalização da misoginia, pelo fim da escala 6×1 e em defesa do rio Xingu, entre outras. Também propomos abrir um debate sobre a construção de um espaço unitário à esquerda, capaz de superar a atual fragmentação. Sugerimos a realização de uma reunião entre a bancada radical, os demais setores de esquerda do PSOL (Rebelião, APS, LSR e RS) e organizações que atuam fora do PSOL, como UP, PSTU, PCB, MRT e SoB, interessadas na construção de uma esquerda radical, independente dos patrões e unitária.

Jones, Sâmia e Glauber: liderem uma chapa coletiva radical, sem patrões

  1. Outro tema que propomos para o debate são as eleições de 2026. Entendemos que a defesa da independência política exige não apoiar a chapa de colaboração de classes formada por Lula e Alckmin. Em seu lugar, poderíamos construir um bloco da esquerda independente, sem patrões. Hoje existem pelo menos três pré-candidaturas situadas à esquerda da frente ampla: uma da UP, outra do PSTU e outra do PCB. Consideramos que essa dispersão é um equívoco. É necessário buscar a unidade. Aspectos da legalidade eleitoral não devem impedir essa construção. A própria experiência das candidaturas coletivas demonstra que a esquerda pode encontrar formas de superar limites impostos pela legislação. As chapas coletivas transcendem o nome formal que consta na urna eletrônica e inscrita na justiça burguesa.

22- Os camaradas da bancada radical possuem um enorme peso político. Uma eventual movimentação para fora da frente ampla de Jones, Samia e Glauber, teria muito impacto para o futuro de uma esquerda brasileira. O cenário político nacional sofreria uma alteração qualitativa. Uma reorganização da esquerda poderia entrar em marcha e a própria fragmentação das forças situadas à esquerda do governo Lula seria recolocada. Um movimento da bancada radical nesse sentido ajudaria a construir um espaço unitário político, sem patrões. Defendemos aproximar todas as forças que não integram nem apoiam o governo Lula-Alckmin, reorganizando a esquerda socialista e comunista de forma independente. Uma esquerda radical, sem patrões e alternativa aos partidos de direita, representaria um fato político novo. Algo que poderia fortalecer a construção de uma frente única da esquerda independente, buscando unificar UP, PSTU e PCB em uma candidatura comum nas eleições de 2026.

23- A história da esquerda brasileira e mundial mostra que é preciso enfrentar projetos de colaboração de classes e construir alternativas da classe trabalhadora com independência política. Essa é, na visão da CST, o desafio colocado diante da bancada radical. Ainda há tempo para abrir esse caminho.

24- A CST é uma organização socialista e revolucionária independente. Defendemos estrategicamente a unidade dos revolucionários e das revolucionárias. Lutamos por um governo da classe trabalhadora, sem patrões, por um Brasil socialista e por uma efetiva unidade anti-imperialista latino-americana contra Trump, rumo a uma Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina.

Em um próximo texto dialogaremos com o programa de luta de dez pontos apresentado no manifesto da bancada esquerda radical.

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