Colômbia: Mais uma manifestação do fracasso da centro-esquerda na América Latina
Por Miguel Angel Hernández, dirigente do PSL da Venezuela e da UIT-CI
24/6/2026. No último domingo, 21 de junho, ocorreu o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia. Após a conclusão da chamada pré-contagem, os resultados apontam como vencedor o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, com um total de 12.959.542 (49,66%) votos, contra os 12.708.712 (48,70%) de Iván Cepeda, do Pacto Histórico, o mesmo partido do presidente Gustavo Petro.
Mais uma vez, estaria se concretizando na América Latina a vitória de um candidato da extrema direita. De la Espriella se situa à direita de Álvaro Uribe e de seu partido, o Centro Democrático. Um empresário fanático pelos extremistas de direita Donald Trump, nos Estados Unidos, e Javier Milei, na Argentina. Amigo do genocida Netanyahu. Apologista da violência e ligado ao paramilitarismo.
Esse resultado na Colômbia, assim como outros que ocorreram recentemente na América Latina, é uma expressão do fracasso de um governo do chamado “progressismo” ou centro-esquerda; neste caso, trata-se do governo de Gustavo Petro e do Pacto Histórico, que chegou ao Palácio de Nariño cercado de grandes expectativas e precedido por uma rebelião maciça dos trabalhadores e do povo no ano de 2021.
Nos últimos anos, vários desses movimentos chegaram ao poder como consequência do fracasso de governos liberais e de direita, que impuseram severas medidas de ajuste contra os povos, o que, em alguns casos, gerou grandes rebeliões populares, como aconteceu no Chile contra Piñera, na Colômbia contra Iván Duque, no Peru contra Dina Boluarte e, no caso do Brasil, eleitoralmente contra o governo de extrema direita de Bolsonaro.
Esses processos resultaram em governos de centro-esquerda, como o de Gabriel Boric no Chile; Pedro Castillo no Peru; Gustavo Petro na Colômbia e Xiomara Castro em Honduras. Anteriormente, em 2020, na Bolívia, o MAS de Evo Morales voltou ao governo por meio de Luis Arce.
Todos foram governos de conciliação com a burguesia, o imperialismo e os patrões, que não resolveram nenhum dos graves problemas que afligem os trabalhadores e os setores populares. Governos capitalistas de discurso ambíguo que, enquanto utilizavam frases de “esquerda” ou supostamente “progressistas”, faziam pactos com os empresários e o imperialismo e aplicavam medidas de austeridade para fazer com que os trabalhadores e o povo arcassem com os custos da crise. E que, na maioria dos casos, acabaram mergulhados na corrupção e na repressão para impor essas medidas contra o povo trabalhador de seus respectivos países.
Na América Latina, estamos testemunhando uma guinada eleitoral para a direita, determinada pela incapacidade dos chamados movimentos e líderes de centro-esquerda de dar uma resposta satisfatória aos graves problemas estruturais de pobreza e desigualdade que caracterizam a vida dos trabalhadores e dos setores populares em nossa região.
Infelizmente, diante do fracasso da centro-esquerda e da fraqueza das alternativas políticas socialistas revolucionárias, os povos votam em partidos da direita liberal tradicional ou em partidos de extrema direita, como foi o caso de Milei, um fascista e sionista declarado na Argentina, do pinochetista Kast no Chile, de Nasry Asfura, em Honduras, que foi apoiado publicamente por Donald Trump, e Daniel Noboa, filho do homem mais rico do Equador, Álvaro Noboa. Existe até mesmo o risco de que Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, vença as eleições no Peru. E agora o caso do sinistro Alberto de la Espriella na Colômbia.
No entanto, os povos não deram um cheque em branco a nenhum desses novos governos de centro-direita e extrema-direita, assim como também não o deram aos governos “progressistas”. Um exemplo disso é a grande rebelião operária e popular na Bolívia, contra o governo de Rodrigo Paz, que assumiu há apenas seis meses.
Hoje, a crise do capitalismo imperialista global é muito mais profunda. São governos que chegam ao poder em meio a um cenário de crises políticas e rebeliões em muitos outros países do mundo. Com toda certeza, eles intensificarão as medidas de austeridade contra o povo trabalhador; tentarão avançar em seus ataques contra os direitos das mulheres e das pessoas dissidentes; contra os direitos dos povos indígenas; tentarão recrudecer suas medidas repressivas para poder aplicar as medidas de austeridade sem obstáculos. E, sem dúvida, encontrarão a resistência dos povos.
Já na Colômbia, vimos, após o primeiro turno eleitoral, a ascensão de um grande movimento popular contra a extrema direita, que teve sua expressão mais clara no seio da juventude universitária, que está consciente do perigo que paira com um eventual governo do extremista de direita Espriella.
Nesse sentido, na Colômbia e nos demais países, devemos nos preparar para enfrentar os ajustes e os ataques contra o movimento de massas e a juventude. Devemos nos mobilizar contra as tentativas desses governos de acabar com nossos direitos.
Mas, sem dúvida, é necessário construir alternativas políticas socialistas revolucionárias para não continuarmos com o pêndulo perverso entre governos de direita ou de extrema direita e governos do falso socialismo.
As políticas antiobreiras e antipopulares que esses novos governos de direita tentarão implementar irão exacerbar a luta e a resistência operária e popular; basta ver o caso da Bolívia. A polarização social se intensificará. É possível que ocorram novos confrontos, mobilizações e rebeliões. Da Unidade Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional, afirmamos que, no calor dessas lutas, surgirão novos líderes e ativistas que devemos unir para construir as alternativas revolucionárias de que precisamos.
