Medidas urgentes para combater a catástrofe que ameaça o RS! Plano emergencial para enfrentar a crise climática e socioambiental no Brasil!
Pelo quarto ano consecutivo, o Rio Grande do Sul enfrenta uma grave crise. As chuvas intensas de julho confirmam os alertas feitos por ambientalistas e movimentos sociais desde 2024. Até agora, 206 municípios registraram alagamentos, deslizamentos e interrupções de estradas, com quase 2 mil pessoas obrigadas a deixar suas casas. Exigimos medidas emergenciais para enfrentar a catástrofe no RS e um Plano Nacional de Emergência Climática para o Brasil.
Eduardo Leite e Sebastião Melo são responsáveis
O governo Eduardo Leite demonstrou novamente falta de preparo diante dos eventos extremos. O governador chegou a divulgar um vídeo afirmando que não haveria transbordamento no Vale do Taquari, mas apagou a publicação horas depois. A situação revelou a ausência de avanços nos sistemas de monitoramento, prevenção e alerta climático, especialmente na gestão das bacias hidrográficas.
Em Porto Alegre, a gestão Sebastião Melo segue favorecendo projetos urbanos criticados por pesquisadores e pelo Ministério Público. A expansão imobiliária sobre várzeas e banhados aumenta os riscos de enchentes. A prioridade dada à especulação imobiliária, com mais concreto e impermeabilização do solo, agrava os impactos sobre regiões vulneráveis como Sarandi e as ilhas.
Assim a realidade permanece igual: sistemas de drenagem insuficientes, obras de contenção inacabadas, falta de planos reais de adaptação climática, estruturas de proteção sem manutenção adequada e famílias vivendo em áreas de risco.
A catástrofe de 2024
A enchente de 2024 foi uma das maiores tragédias socioambientais da história do Rio Grande do Sul. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente do estado, cerca de 15 mil km² foram alagados, atingindo 478 municípios e 2 milhões de pessoas. Foram registradas 183 mortes, 806 feridos, milhares de casos de leptospirose, mais de 200 mil desalojados ou desabrigados, além de danos em escolas, rodovias, pontes, hospitais, abastecimento de água e na economia gaúcha.
A tragédia ocorreu em um contexto de agravamento da crise climática. Segundo o Copernicus, 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média do planeta ultrapassou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No Sul do Brasil, a combinação do aquecimento com o El Niño intensificou as chuvas extremas, provocando cheias nos rios Taquari e Jacuí e elevando o Guaíba acima da marca da enchente de 1941.
Os impactos foram ampliados pela exploração ambiental e a falta de políticas de adaptação ambiental. Responsabilizamos os setores econômicos que impulsionam a degradação, como o agronegócio, mineradoras e multinacionais, além dos governos que priorizam interesses privados em detrimento da preservação ambiental, como Melo e Leite. Também criticamos políticas do governo Lula, como o Plano Safra e o Arcabouço Fiscal, que limita recursos para enfrentar a crise ambiental. O governo Lula destinou recursos para a reconstrução do RS, mas ainda não tem uma política nacional permanente de emergência climática.
Os eventos extremos tendem a se repetir. A questão não é mais se ocorrerão novas grandes enchentes, mas quando. Cada obra preventiva adiada, área ambiental destruída e falha no planejamento aumenta os custos ambientais e sociais.
Nada de efetivo foi feito
Após a enchente, governos prometeram uma reconstrução baseada na prevenção climática, mas pouco avançou. Muitas famílias continuam enfrentando problemas de moradia e comunidades atingidas seguem sem respostas adequadas. O MAB denunciou as dificuldades das populações atingidas e defendeu reassentamentos definitivos, e a declaração de emergência climática permanente no estado. Comunidades Mbya Guarani também denunciaram a falta de políticas de reconstrução e reivindicam moradia, água, alimentação e demarcação de terras.
Durante a COP30, a CST denunciou as políticas que aprofundam a crise ambiental, como a expansão da exploração de petróleo, as privatizações e os incentivos ao agronegócio. Também criticou a manutenção da geração de energia a carvão no Rio Grande do Sul, enquanto a transição energética permanece negligenciada.
O aquecimento global, El Nino e as chuvas no Sul
As recentes chuvas intensas no RS ocorrem em um contexto de agravamento da crise climática, que aumenta a frequência e a intensidade dos eventos extremos. Segundo o INPE o El Niño do segundo semestre de 2026 tem possibilidade de persistência até o início de 2027. O fenômeno, associado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, pode intensificar alterações no regime de chuvas e ampliar riscos de enchentes e deslizamentos.
Meteorologistas alertam para novos episódios de chuvas intensas no Sul do Brasil, com possibilidade de volumes superiores a 100 mm em 48 horas em algumas regiões, além de temporais com raios, ventos fortes e granizo. Com rios elevados e solos saturados após eventos anteriores, aumentam os riscos de alagamentos, inundações e deslizamentos. Os fenômenos naturais não se transformam automaticamente em desastres. Seus impactos são agravados por fatores sociais e políticos, como a ocupação de áreas de risco, a falta de planejamento urbano, a precariedade da infraestrutura de drenagem e proteção contra cheias e a desigualdade social. Populações mais pobres, vivendo em áreas vulneráveis, sofrem os maiores impactos e têm mais dificuldades para se recuperar.
A crise climática e ambiental capitalista amplia esses riscos ao tornar eventos extremos, como chuvas intensas, secas e ondas de calor, mais frequentes e severos. O El Niño também pode provocar efeitos em outras regiões do país, como redução das chuvas e secas no Norte e Nordeste, além de ondas de calor e alterações no regime de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, afetando agricultura, geração de energia, abastecimento de água e as condições de vida da classe trabalhadora e dos setores populares. Novos fenômenos extremos estão por vir no sudeste, no nordeste e na amazônia e é necessário responder desde já.
Exigimos uma Jornada Nacional por Emergência Climática !
As enchentes de 2026 no Rio Grande do Sul, demonstram que não basta agir após os desastres: é necessário construir uma política de prevenção ambiental. A experiência gaúcha revelou que os impactos das enchentes foram agravados pela falta de planejamento urbano, pela ocupação de áreas vulneráveis, pela insuficiência dos sistemas de proteção contra cheias e pela ausência de investimentos estruturais para enfrentar eventos climáticos extremos.
Por isso, defendemos que as coalizões do clima construam uma Jornada Nacional de mobilização em todo o país. Exigimos que CUT, CTB, UNE, UBES e MTST convoquem manifestações unificadas. É necessário exigir os movimentos ambientalistas e sociais propõem: defesa dos biomas, planejamento urbano, preservação ambiental, infraestrutura resiliente e ambientalmente viável, sistemas de alerta precoce e políticas públicas de adaptação climática. Protestamos por um decreto de emergência climática nacional e em cada estado já afetado.
Vamos ocupar as ruas para cobrar medidas urgentes para combater a catástrofe que ameaça o Rio Grande do Sul e Plano emergencial para enfrentar a crise climática no Brasil
É necessário organizar nos sindicatos assembleias e reuniões setoriais para construir uma pauta climática e ambiental. O movimento estudantil deve promover mobilizações nas escolas e universidades. Essa luta precisa dialogar também com o movimento feminista e com as mobilizações indígenas como a das mulheres do Xingu. Recentemente o movimento indigena e ambiental obteve uma importante vitória ao impedir a privatização dos rios da Amazônia e questionar a multinacional Cargill. É preciso seguir esse exemplo de luta.
Protestar e exigir investimentos em:
– reflorestamento, reconstrução de áreas verdes, modificações na drenagem urbana; recuperar banhados, áreas úmidas e matas ciliares; impedir novas ocupações em áreas de inundação; reassentar famílias em locais seguros com garantia de moradia digna e ambientalmente viáveis; modernizar diques, casas de bombas e sistemas de comportas onde tecnicamente forem necessários;
– ampliar o monitoramento hidrológico em tempo real; integrar planejamento urbano, defesa civil e política ambiental; fortalecer universidades e centros públicos de pesquisa; e incorporar projeções climáticas em todos os planos diretores municipais.
– No RS, a reconstrução deve significar uma mudança de modelo: não apenas recuperar o que foi destruído, mas construir cidades mais seguras, com preservação das áreas naturais, habitação adequada, infraestrutura preparada para eventos extremos e sistemas eficientes de prevenção e alerta.
Também é indispensável enfrentar as causas globais da crise climática: reduzindo emissões de gases de efeito estufa, acelerando a transição energética e protegendo os ecossistemas naturais.
Precisamos realizar manifestações unificadas para exigir medidas emergenciais:
– Responsabilização dos grandes responsáveis pela destruição ambiental, com punição de empresários envolvidos em queimadas criminosas, ataques aos povos indígenas e camponeses, além de empresas que utilizam trabalho escravo. Pela demarcação das terras indígenas! pela expulsão das multinacionais como Cargill e Bela Sun.
– Proteção da população diante dos eventos extremos, garantindo funcionamento apenas dos serviços essenciais em períodos de poluição intensa, tempestades ou ondas de calor e frio; abono dos dias de trabalho sem descontos; suspensão das aulas quando houver risco; redução de tarifas de água, luz, gás e internet; transporte público gratuito em situações emergenciais e instalação de pontos de hidratação em espaços públicos durante ondas de calor.
– Recuperação dos rios, biomas e da qualidade do ar, com investimentos municipais, estaduais e federais, fortalecimento do SUS para atender os impactos da poluição e dos eventos extremos, além de políticas de proteção da fauna silvestre e dos animais urbanos afetados por queimadas, secas e enchentes.
– Garantia de direitos básicos para as populações vulneráveis, com moradia, água, alimentação, roupas, escolas e creches para pessoas em situação de rua e atingidos por desastres. Defendemos um plano estatal socioambiental que gere empregos e enfrente a desigualdade.
– Fortalecimento dos órgãos ambientais, com mais investimentos, valorização dos servidores, abertura de concursos públicos, garantia de carreira e melhores condições de trabalho para fiscalização e proteção ambiental.
Defendemos que recursos sejam destinados para essas medidas: Pelo fim do plano safra e do arcabouço fiscal, pelo não pagamento da dívida externa e interna e destinação de recursos para o setor ambiental. Verbas para emergência climática e não para o agronegócio, multinacionais e banqueiros.
Porto Alegre – Rio grande do Sul, 26/07/2026
Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores, secção no Brasil da UIT-QI
