Medidas urgentes contra a catástrofe socioambiental em São Paulo e Rio de Janeiro!
Os vendavais que atingiram Rio de Janeiro e São Paulo no dia 29/07 deixaram rastros de destruição de casas, apagões e ao menos 5 mortes. Os dados são de mais de 1 milhão de pessoas sem luz só no Rio, e 300 mil ainda seguem sem energia. A ventania, que atingiu mais de 100 km/h, afetou a circulação de trens e metrô, além de fechar portos e aeroportos, como o de Santos/SP e o Santos Dumont/RJ. São novos eventos extremos que se somam às recentes tempestades e alagamentos no Rio Grande do Sul.
O vendaval foi resultado da chegada de uma frente fria, com ar frio e úmido, contrastando com o ar seco e quente das cidades. A verdade é que esses fenômenos eram previstos por especialistas, ainda que não com toda a intensidade, e integram uma combinação de fatores da catástrofe climática e ambiental capitalista. Outro exemplo é a onda de calor nos EUA, com temperaturas que podem chegar a 47°C em algumas regiões. Na Europa, são mais de 10 mil mortes provocadas pela onda de calor, além de deslocamentos de pessoas atingidas pelas queimadas no continente.
Governadores são responsáveis
Evidentemente, os governadores de São Paulo e Rio de Janeiro, Ricardo Couto e Tarcísio de Freitas, bem como os prefeitos das cidades atingidas, são responsáveis: nada fizeram de efetivo para prevenir esses episódios e atuam para acentuar a catástrofe ambiental e climática.
Neste momento, meteorologistas alertam para novos episódios da interação de frentes frias e para o aquecimento das águas do Atlântico entre a costa do Sul e do Sudeste. Alertam para a possibilidade de chuvas intensas, granizo e novos vendavais no Sul e Sudeste do país. Algo mais grave para áreas mais urbanizadas, marcadas pelo concreto e pelo asfalto, descaso com as árvores, fiações elétricas sem planejamento ambiental, além da normalização da catástrofe: governos que deixam tudo em funcionamento em meio aos alertas da Defesa Civil. Exigimos medidas urgentes dos governadores do Sul e Sudeste e dos prefeitos.
O Super El Niño pode a agravar a crise
Os fenômenos extremos que estamos assistindo, com impactos do aquecimento global, podem ser afetados pelo Super El Niño, que tende a se consolidar em breve, já que as águas do Pacífico estão em aquecimento desde o mês de abril. E seus impactos podem ser muito intensos, aumentando a gravidade de todas essas ocorrências.
No Brasil da COP-30 não se avançou no enfrentamento da crise climática
Poderíamos ter preparado o Brasil para enfrentar o agravamento da crise climática e ambiental, mas infelizmente o governo Lula (PT), que sediou em Belém a COP-30, infelizmente não fez isso. A COP30, que deveria debater a situação ambiental, ficou marcado pelas medidas de perfuração de poços de petróleo na foz do Amazonas e pelos decretos de privatização dos rios da Amazônia. Não por acaso houve o intenso enfrentamento dos povos Munduruku, Arapiuns e demais nacionalidades indígenas do Baixo Tapajós contra essas medidas do governo da Frente Ampla, que visava entregar as riquezas brasileiras para o imperialismo, destruindo rios ancestrais, comunidades ribeirinhas etc.
Esse mesmo governo destinou, nos últimos 4 anos, quase 1 trilhão de reais para o Plano Safra, que, na prática, significa repassar dinheiro público para o agronegócio, que desmata e destrói o meio ambiente, aprofundando a catástrofe ambiental, da mesma forma que segue negociando as terras raras com o imperialismo estadunidense, o que visa predar ainda mais a natureza e entregar todas as nossas riquezas. Exigimos do governo Lula a coordenação de medidas para enfrentar os efeitos da crise socioambiental e nos prevenir dos impactos do Super El Niño!
Decretar Emergência Climática para enfrentar a crise!
Precisamos exigir das coalizões do clima, dos movimentos ambientalistas, da APIB, MAB, MST, das centrais sindicais (CUT, CTB, UGT, Força Sindical), bem como da UNE, UBES, MTST, FPSM e FBP, uma jornada de lutas para decretar emergência climática em cada estado e em nível nacional, enfrentando o negacionismo da extrema direita bolsonarista e de governadores como Tarcísio. Para que possamos enfrentar a grave crise e exigir que o governo Lula não dê mais nenhum centavo ao Plano Safra do agronegócio e pare de pagar a dívida pública, usando esse recurso para fortalecer os órgãos ambientais, reconstruir, para transição energética nacional e reconstruir o que foi destruído das cidades e planejá-las com viés ambiental e climático, ouvindo os movimentos sociais, indígenas e especialistas das universidades.
Uma jornada nacional em defesa dos biomas, reflorestamento, planejamento urbano, preservação ambiental, infraestrutura resiliente e ambientalmente viável, sistemas de alerta precoce, políticas públicas de adaptação climática, fortalecimento dos órgãos ambientais e proteção da fauna silvestre e dos animais urbanos afetados. Pela demarcação das terras indígenas! Pela expulsão das multinacionais como Cargill e Bela Sun. Além da proteção da população diante dos eventos extremos, garantindo funcionamento apenas dos serviços essenciais em períodos de vendavais, poluição intensa, tempestades ou ondas de calor e frio; abono dos dias de trabalho sem descontos; suspensão das aulas quando houver risco; transporte público gratuito em situações emergenciais.
31/07/26
CST (Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores), organização socialista e revolucionária independente. Seção no Brasil da UIT-QI (Unidade Internacional de Trabalhadores e Trabalhadoras – Quarta Internacional).
