Tribuna Livre de Debates das esquerdas socialistas e comunistas: Publicamos a seguir a declaração da Emancipação Socialista, integrante do MFSR, “Vote em uma das candidaturas anticapitalistas (PCB, PSTU ou UP)”

Tribuna Livre de Debates das esquerdas socialistas e comunistas:

Publicamos a seguir a declaração da Emancipação Socialista, integrante do MFSR, “Vote em uma das candidaturas anticapitalistas (PCB, PSTU ou UP)”. O texto foi originalmente publicado no Jornal Consciência de Classe, número 40 (ver Vote em uma das candidaturas anticapitalistas (PCB, PSTU ou UP) – Emancipação Socialista).

Os camaradas apresentam sua visão da situação política e da luta de classes, localizam de forma marxista como os revolucionários devem utilizar as eleições, denunciam a extrema direita, explicam que o “Governo do PT é da/para a burguesia” e mostram os erros de forças como o PSOL que apoiam esse projeto capitalista. Em seguida declaram que “indicamos o voto nos partidos da Esquerda Anticapitalista: PSTU, do PCB e da UP. Lamentamos que, por sectarismo das direções desses partidos, não estejam unificados com uma única candidatura quando essa política é possível e urgente. Reconhecemos essas candidaturas (para todos os cargos) como de trabalhadores da cidade, do campo, operários, negros, mulheres e LGBTs, que defendem um programa socialista contra a exploração, todas as formas de opressão e repressão. Reafirmamos a necessidade de que classe trabalhadora governe através de Conselhos Populares. E somente a esquerda anticapitalista e socialista unificada pode fazer a disputa ideológica, derrotar a extrema-direita e o projeto neoliberal do governo da/para a burguesia. 

Portanto, indicamos o voto em candidaturas da esquerda anticapitalista, particularmente, no Rio de Janeiro para Deputada Federal a Professora Bárbara Sinedino (nº 1660 – CST) e no Pará para Deputado Federal o Eduardo Rodrigues (nº 1600 – Movimento Socialista Independente). Ambas com a legenda PSTU”.

Agradecemos a manifestação de voto dos camaradas do Emancipação Socialista e divulgamos aqui o conjunto da nota dos camaradas. O debate democrático entre as organizações socialistas e comunistas segue sendo importante e necessário. Seguimos batalhando por uma unidade de ação das forças classistas e das esquerdas independentes de nosso país.

Veja também “Programa Emancipe a Mente” (no canal www.youtube.com/@emancipacaosocialista1272), onde os camaradas Mauro e Dalmo, direção da Emancipação Socialista, entrevistam a nossa camarada Barbara, da direção da CST e candidata a Deputada Federal no Rio de Janeiro pela legenda cedida democraticamente do PSTU. “Conversamos sobre as lutas da classe trabalhadora, unidade da esquerda, enfrentamento à extrema-direita e as propostas dos socialistas para sair da crise. Assista, curta, comente e se inscreva no canal”. Assista aqui: www.youtube.com/watch?v=IEVnrKNTX-o

 


 

Leia a nota completa da Emancipação Socialista:

 

Vote em uma das candidaturas anticapitalistas (PCB, PSTU ou UP)

26 de agosto de 2026

A luta entre as classes sociais se acirra. As burguesias de extrema-direita têm um projeto que defende abertamente as ditaduras e seus métodos de torturas e chacinas, em algumas nações, contra os povos e para aumentar a exploração.

Esta realidade ocorre por todo o mundo, tem intensas investidas dos governos imperialistas sobre a América Latina e nossas lutas também necessitam ter caráter internacional. A invasão na Venezuela, as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia e no Paraguai são algumas expressões da ofensiva estadunidense para impor o retorno da Doutrina Monroe.

Em contrapartida, em maio, tivemos na Bolívia a maior revolta da última década em que indígenas e a classe trabalhadora de conjunto foram às ruas, fecharam estradas e realizaram a maior greve geral na América Latina. Essa luta foi contra as políticas de extrema-direita do Rodrigo Paz.

No Brasil, os povos indígenas no Pará ocuparam a empresa Cargill e a luta vitoriosa foi também em oposição ao imperialismo estadunidense. As lutas pelo fim da escala 6×1, as greves de profissionais da Educação federal, rodoviários/RJ e ferroviários/SP expressam uma resposta à ofensiva da burguesia que retira direitos conquistados pelos trabalhadores.

Eleições burguesas e classe trabalhadora

Sabemos que nenhuma eleição burguesa muda a estrutura da sociedade e somente com a luta da classe trabalhadora organizada podemos melhorar as condições de vida, sob o capitalismo, da população explorada e oprimida.

Não tem como “bem administrar” o capitalismo, como afirma a maioria dos candidatos, pois para esse sistema continuar precisa de mais fome, miséria, guerras e genocídios.

Nesse sentido, nós da Emancipação Socialista, lutamos pelo fim desse sistema e pela construção do socialismo. Aproveitando o processo eleitoral burguês para denunciar e reafirmar com todas as letras que não temos saídas para os graves problemas, no Brasil e no mundo, que não seja pela destruição do capitalismo.

Governos da extrema-direita impõem mais retrocessos

Os governos imperialistas e seus representantes (como o bolsonarismo no Brasil) têm investido nas eleições com o objetivo de influenciar nos resultados. Um exemplo é o tarifaço aplicado no Brasil, com a articulação entre a família Bolsonaro e Trump, onde os Estados Unidos não poupam esforços para intervir no destino do país. Zema, Caiado e Renan Santos tentam ser hipóteses novas, mas de inovadoras não têm nada.

Na vizinha Argentina o presidente Milei, da extrema-direita e capacho do imperialismo, segue o caminho ditado por Trump como explicitou no discurso ao lado de Flávio Bolsonaro (final de julho).

Essa realidade tem aspectos que unificam parcelas da classe dominante: o projeto de subordinação do país ao imperialismo ianque para aprofundar as condições primário-exportadoras da economia; a tomada do controle sobre as nossas riquezas e infraestruturas estratégicas por um punhado de grandes empresários privados e corporações internacionais, não pelo setor público.

Governo do PT é da/para a burguesia

Parte de uma dita “esquerda” parlamentar analisa que PT, PSOL e o PCdoB se apresentam como contraponto ao entreguismo explícito da extrema-direita. No entanto, são cúmplices na aplicação da política neoliberal pelo Governo Federal. E trazem, mais uma vez, o velho Programa que busca conciliar as classes sociais, ou seja, riqueza para poucos e pobreza para muitos.

Após anos de governos do PT, confirmamos que a política de colocar lado a lado os interesses dos trabalhadores com os dos grandes empresários e banqueiros resulta: a) no aumento da riqueza da burguesia e da pobreza de parcelas da classe trabalhadora; b) na intensificação do desemprego, da precarização, dos cortes de direitos, dos cortes de verbas públicas, etc. para não reduzir os altos lucros dos bancos, grandes corporações e do agronegócio; c) em uma política econômica que privilegia o pagamento da dívida pública (82% do PIB) em detrimento dos serviços públicos com intensos cortes de verbas da Saúde e da Educação.

Entendemos que essa política não resolve os problemas estruturais; não enfrenta a extrema-direita; também não enfrenta os interesses da “burguesia de direita” e do chamado “Centrão”, seus representantes no Congresso Nacional. Um exemplo é a enrolação para votar o fim da criminosa escala 6×1. O governo acordou com o senador Davi Alcolumbre que o PL será encaminhado para as comissões, mas não há nada concreto de quando – e se- vão votar no Plenário do Senado e virar lei.

Por sua vez, o PSOL que parecia mais à esquerda para muitos ativistas está coligado com o PT e com um projeto semelhante de alianças com partidos da burguesia.

Ao não lutar por uma ruptura com esse sistema, prioriza no dia-a-dia a disputa meramente eleitoral. E entra para a história como mais uma tentativa de administrar o capitalismo com pequenas Reformas. Isso foi uma “utopia reacionária”, mas diante de tantas contradições se tornou uma fraude política, pois, sem um projeto de ruptura com o sistema capitalista, o caminho do PSOL é reproduzir as tentativas de conciliar interesses opostos e como tem feito o governo do PT para a burguesia.

Esquerda anticapitalista unificada, alternativa possível para construir a revolução

A queda ou o aumento da taxa de lucros é usada pelos governos da burguesia, grandes empresários e banqueiros para intensificar a exploração. Mas, para nós da classe trabalhadora, a principal e mais urgente tarefa é acabar com a exploração de uma classe sobre a outra e fortalecer o projeto socialista de sociedade.

Não podemos ficar à mercê da armadilha de polarização entre a extrema-direita e o neoliberalismo petista. Os governos da/para burguesia apresentam diferenças no regime democrático burguês e nos níveis de retrocessos, mas defendem o mesmo sistema de exploração.

Uma alternativa a tudo isso é a unidade da esquerda anticapitalista com a classe trabalhadora de conjunto em cada local de trabalho, estudo e moradia para construirmos mobilizações para além das eleições, enfim, para processos de lutas que alcancem a consciência de classe rumo a movimentos de massas de trabalhadores e juventude.

Nesse sentido, indicamos o voto nos partidos da Esquerda Anticapitalista: PSTU, do PCB e da UP. Lamentamos que, por sectarismo das direções desses partidos, não estejam unificados com uma única candidatura quando essa política é possível e urgente.

Reconhecemos essas candidaturas (para todos os cargos) como de trabalhadores da cidade, do campo, operários, negros, mulheres e LGBTs, que defendem um programa socialista contra a exploração, todas as formas de opressão e repressão. Reafirmamos a necessidade de que classe trabalhadora governe através de Conselhos Populares. E somente a esquerda anticapitalista e socialista unificada pode fazer a disputa ideológica, derrotar a extrema-direita e o projeto neoliberal do governo da/para a burguesia.

Portanto, indicamos o voto em candidaturas da esquerda anticapitalista, particularmente, no Rio de Janeiro para Deputada Federal a Professora Bárbara Sinedino (nº 1660 – CST) e no Pará para Deputado Federal o Eduardo Rodrigues (nº 1600 – Movimento Socialista Independente). Ambas com a legenda PSTU.

É urgente derrotar o bolsonarismo lambe-botas de Trump, mas isso exige um Programa de Governo que vá à raiz dos problemas econômicos, sociais e políticos do país. O governo Lula apenas administra o capitalismo no Brasil sem resolver os problemas estruturais, como a desindustrialização, a espoliação das riquezas naturais por grandes corporações e o colapso ambiental.

Precisamos enfrentar o desafio histórico de superar a burguesia com um Programa único do conjunto da classe trabalhadora que enfrente diretamente o imperialismo, a extrema-direita bolsonarista (e “genérica)”, a Frente Ampla chefiada pelo PT e o capital.

Diante disso tudo, um dos objetivos da Emancipação Socialista é se valer desse processo para fortalecer a unidade da esquerda anticapitalista na construção das lutas contra os ataques da burguesia, que estão ocorrendo e os que virão.

Programa que defendemos:

  • Fim da jornada 6×1 com redução da jornada para 36 horas, sem redução salarial para todos os trabalhadores!
  • Salário mínimo de acordo com o DIEEESE!
  • Anulação das reformas trabalhista e previdenciária!
  • Taxação das grandes fortunas e dos bens de luxo (iate, aeronave, etc.)!
  • Não pagamento da dívida pública!
  • Reforma urbana, nenhum imóvel desocupado, nenhuma família sem um lar!
  • Fim do latifúndio e do agronegócio: Reforma agrária sob controle dos trabalhadores;
  • O capitalismo é a causa do colapso ambiental: punição a todas empresas poluidoras; fim do desmatamento e garimpo ilegal;
  • Contra o marco temporal, demarcação de todos os territórios indígenas e reconhecimento das terras quilombolas e nenhuma indenização aos invasores!
  • Fim das emendas PIX e secreta (servem para a corrupção) e que a população trabalhadora controle o orçamento público.
  • Fim do latifúndio e do agronegócio! Reforma agrária sob controle dos trabalhadores! Pelo fim dos suicídios e feminicídios políticos às mulheres indígenas;
  • Contra todas as formas de violências às mulheres, negras, indígenas, LGBTs;
  • Contra o feminicídio, a misoginia e a pedofilia!
  • Pelo descriminalização e legalização do Aborto Legal!
  • Pela prisão imediata dos assassinos e estupradores pelos crimes hediondos e de todos os apoiadores!

 

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