Argentina: Encontro Docentes em Marcha fortalece o sindicalismo combativo!

Por Bárbara Sinedino e Lorena Fernandes – Coordenação Nacional da CST

Nos dias 17 e 18/04, na cidade de Córdoba, aconteceu o Encontro Nacional do “Docentes en Marcha”, agrupamento sindical combativo de professoras/es argentinas. O Encontro reuniu cerca de 200 professores (dentre estes, militantes do partido argentino irmão da CST, a Esquerda Socialista, e ativistas independentes) de diversas regiões do país. O encontro contou com informes de professoras/es de diversos países. Na delegação brasileira, além das representantes da Educação em Combate, tivemos a presença do Babá, dirigente histórico da CST-UIT. Participaram também representantes do Chile, Bolívia, México, Colômbia, Portugal e Estado Espanhol, o que ajudou a fortalecer uma alternativa sindical e política para a nossa classe diante dos ataques dos diversos governos e das traições das direções que abandonaram o caráter de combatividade dos sindicatos nos diferentes países.

O Encontro foi realizado poucos dias após a greve geral contra o plano motosserra do governo de ultradireita de Javier Milei, que aplica os planos do FMI e castiga o povo trabalhador argentino com os baixos salários, demissões no serviço público e deixa milhões de pessoas na miséria.

O Encontro Docentes em Marcha afirmou a necessidade da continuidade de mobilizações, como a última greve geral, em que trabalhadoras/es de diversos setores pararam, como professores/as, ferroviários, metroviários, funcionários públicos, metalúrgicos, entre outras categorias. O combate à extrema direita se dá nas ruas, com os trabalhadores cruzando os braços, e não com conciliação ou paralisia, como tentam impor a Frente Ampla de Lula ou o peronismo na Argentina.

“Vai acabar a burocracia sindical”

O encontro foi marcado por um forte perfil antiburocrático, expressando que o sindicalismo deve estar vinculado às demandas da base. No grupo de discussão sobre “Nosso modelo sindical e a batalha por uma nova direção democrática e de luta” ficou evidente o perfil do sindicalismo da UIT-QI: defendemos o princípio da democracia operária e o mantra “Que a base decida” sobre qualquer circunstância, não admitindo acordos da burocracia sindical com a patronal e que todas as decisões devem ser realizadas pela base da categoria em assembleia.

Independência para derrotar os ataques à Educação!

O debate expressou a situação da educação neste momento de crise do capitalismo: os governos atacam direitos básicos para salvar o lucro dos grandes capitalistas. Milei quer impor uma reforma na educação, seguindo as diretrizes do Banco Mundial e do FMI: enxugar a educação pública, tirar seu caráter crítico e precarizar o trabalho docente; com a introdução de disciplinas como “Educação Emocional e Financeira”, como forma de individualizar os problemas sociais.

A reforma que Milei quer impor é muito similar ao Novo Ensino Médio implementado por Temer e Bolsonaro no Brasil e que o governo da Frente Ampla de Lula/Alckmin segue aplicando.

Derrotar o NEM e a reforma da educação de Milei são tarefas que estão na ordem do dia, pelas quais batalhamos para que os sindicatos, como a CNTE, encampem essa luta. Defendemos uma educação 100% pública, laica, antirracista, antilgbtfóbica, feminista, emancipadora e que valorize todas/os trabalhadores/as da educação.

“Para ganar hay que luchar como ADOSAC”

Um marco importante do encontro foi a experiência apresentada pelas compas de Santa Cruz, estado ao extremo sul da Argentina. Lá tiveram anos de luta incansável. Foi aplicado o método da democracia operária onde a base decide e, acreditando na força da base da categoria, com greve e muita mobilização, piquetes, e trancamento de rodovias (onde afetaram inclusive a indústria petrolífera) tiveram vitórias muito importantes, como reajuste salarial e estabilidade profissional, além da conquista da direção da Associação docente, a ADOSAC, para as mãos da base da categoria com uma política combativa e consequente. A categoria segue animada para a próxima campanha salarial.

Docentes em Marcha Aprova Apoio à Greve Municipal de São Paulo!

O encontro se dedicou também a valorizar a importância das lutas da classe trabalhadora em todo o mundo e aprovou resolução de apoio à greve municipal de de São Paulo (ver págs centrais) bem como a campanha de apoio a esta greve com importantes dirigentes sindicais, como a Secretária Geral da Ademys (Associação Docente de Buenos Aires), Mariana Scayola, em apoio à greve da educação e demais setores do município de São Paulo.

A Luta da Classe Trabalhadora é Internacional!

Os ataques aos nossos direitos são perpetrados por governos e patrões por todo o mundo. Por isso, a CST, além de batalhar pela organização e luta da nossa classe aqui no Brasil, é parte de uma Internacional marxista e revolucionária, a UIT-QI, com seções em diferentes países. A luta da classe trabalhadora não faz distinção de nacionalidade. Somos uma só classe e lutamos pela construção de um mundo socialista, governado pela classe trabalhadora!

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