Todo apoio ao povo munduruku e a luta dos povos indígenas Revogação já do decreto 12600/25! Em defesa dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira!

O Movimento Munduruku Ipereg Ayu ocupou a Zona Azul da COP 30 e cobra uma reunião com Lula. Apoiamos essa ação do histórico povo guerreiro Wuy Jugu. Esse protesto integra as ações dos povos do Baixo Amazonas, que realizaram o 8º Grito Ancestral no Rio Tapajós, quando interceptaram barcaças de soja na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Soma-se a isso a ocupação da Zona Azul no início do evento.

O Movimento exige a revogação do Decreto 12.600/2025, que privatiza rios; o cancelamento da Ferrogrão; questiona os contratos de créditos de carbono e do petróleo. Também cobra a demarcação das terras indígenas. Outras nações, como os Arapiuns, reivindicam as mesmas pautas, mas são impedidas de acessar os espaços da COP 30 por tropas do Exército. Exigimos que os portões sejam abertos e que as tropas se retirem. Fim da GLO! Exigimos que Lula os receba e atenda suas reivindicações.

Revogar o decreto 12600/25

Os projetos de infraestrutura e negócios capitalistas seguem a mesma lógica da ditadura militar: “integrar” o território para entregá-lo aos ricos e às multinacionais, destruindo florestas, rios e solos para sustentar o modelo exportador. Isso perpetua a nakba imposta aos povos ancestrais e aos nossos biomas desde 1500.

Uma das pautas centrais dos Munduruku é a revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado em 28/08 por Lula e pelo ministro Rui Costa. O decreto dispõe sobre a inclusão de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário no Programa Nacional de Desestatização” e, em seu Art. 1º, abrange as hidrovias: a) do Rio Madeira, de Porto Velho até a foz no Amazonas; b) do Rio Tocantins, de Belém até o Estado do Tocantins; e c) do Rio Tapajós, de Itaituba até sua foz em Santarém. São mais de 250 km de rios privatizados, transformando águas ancestrais em corredores de transporte de carga, favorecendo multinacionais, sojeiros, a indústria de adubos, o agro e o hidronegócio.

O Movimento Munduruku Ipereg Ayu, assim como outros movimentos indígenas do Baixo Amazonas e de outros territórios, questiona esse megaempreendimento por implicar novas dragagens, o derrocamento de pedrais sagrados e a expansão acelerada de portos privados. O que ameaça o modo de vida dessas nações. O decreto atinge os povos das bacias do Tapajós e Xingu, contaminando as águas e afetando a circulação das comunidades ribeirinhas. As dragagens no Tapajós já deslocaram sedimentos que afetaram igarapés usados para pesca e navegação, denuncia histórica dos Munduruku.

Barrar os negócios com a floresta e a ferrogrão

Nos somamos aos questionamentos do povo Wuy Jugu, dos povos do Baixo Amazonas contra os créditos de carbono e os mecanismos REDD+, que transformam a COP em um balcão de negócios “verdes” para dólares de multinacionais e governos imperialistas. Esses mecanismos privatizam florestas, garantindo a continuidade das emissões dos países imperialistas, que seguem poluindo, desmatando, garimpando e destruindo rios.
O movimento também exige o cancelamento da Ferrogrão (EF-170), planejada para escoar soja de Sinop (MT) a Miritituba (PA), afetando 16 terras indígenas e 102 assentamentos. A ferrovia ampliará a pressão pela devastação da floresta sob o manto do “novo PAC”. O principal lobby é de multinacionais como Bunge e Cargill, com suas ETCs em Miritituba, já denunciadas pelos Munduruku.

Os Kayapo e Kalina contra a exploração do petróleo na Foz do Rio Amazonas

Em evento recente na COP 30, o lendário cacique Raoni Metuktire, liderança Kayapó e referência mundial na defesa dos povos da floresta, voltou a se posicionar contra a perfuração de poços de petróleo na foz do Amazonas. A exploração na costa do Amapá é denunciada por ambientalistas e sindicatos petroleiros por ameaçar o bioma amazônico, seus manguezais, além de impactar nações indígenas, ribeirinhos e pescadores tradicionais. Um reforço às lutas do povo Kali’na do Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, que questiona essa medida.

Nada disso é novidade para o governo Lula

Nada disso é novidade para o governo Lula. Na visita à aldeia Vista Alegre do Capixauã, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) entregou ao presidente um documento com as reivindicações de 14 povos do Baixo Tapajós, representando 15 territórios e 126 aldeias em Santarém, Belterra e Aveiro. Mas nada fez. Do mesmo modo a Ministra Sonia Guajajara, que sendo liderança da APIB, conhece essas demandas.

Exigimos que APIB, CUT, UNE e MTST apoiem ativamente as pautas do CITA e usem seu peso para que o governo Lula as atenda. Não se pode abandonar as reivindicações históricas dos povos indígenas para blindar o governo Lula.

Marcha Global por emergência climática!

Estaremos nas ruas no dia 15 para combater a catástrofe ambiental capitalista e exigir emergência climática, unificando-nos ao amplo movimento ambiental do país e da América Latina presente na Cúpula dos Povos. Apoiamos a luta dos povos indígenas e as reivindicações do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns. Exigimos:

– Revogação do decreto 12600/25! Em defesa da Amazônia e nossas águas! Contra a privatização dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira!

– Cancelamento da Ferrogrão! Não à extração de petróleo na foz do Amazonas! Fora Sojeiros, Bunge, Cargill e as Petroleiras multinacionais! Contra o agro e o hidronegócio!

– As florestas são nossas! Fim dos negócios capitalistas sobre Créditos de Carbono e Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+)!

– Em defesa dos povos da floresta! Demarcação já das terras indígenas!

– Fim da GLO e punição aos militares golpistas!

Política de Privacidade