Aos quatro meses da greve técnico-administrativa em educação: Seguir a greve para dobrar a intransigência do governo Lula!

Por COMBATE SPFs

Escrevemos essas notas a exatos 122 dias da greve da categoria técnico-administrativa em educação das universidades e institutos federais. O governo Lula segue tratando de forma intransigente o movimento paredista das (os) técnicas (os). As reuniões até aqui ocorridas com o governo (MGI e MEC) foram arrancadas após muita pressão e atos pelo país, mas em nenhuma delas houve avanços significativos no atendimento da pauta da greve: o cumprimento integral do acordo de greve firmado em 2024.

Com essa ação intransigente, o governo pretende passar um recado aos Tae e também ao conjunto do funcionalismo público: só negocia quando quer, porque em primeiro lugar está o compromisso de preservação do ajuste fiscal permanente previsto no Arcabouço Fiscal, compromisso esse firmado com os banqueiros e grandes empresários donos de títulos da dívida pública. Somente este ano esses ricaços vão ganhar mais de R$2 trilhões em pagamento de juros e amortizações.

Enquanto garante trilhões ao sistema financeiro, o governo Lula tenta economizar descumprindo o acordo de greve: por isso não quer dar o reposicionamento dos aposentados, as 30 horas e excluiu grande parte da categoria do RSC. A cada mês de não implantação do RSC o governo deixa de repassar cerca de 100 milhões aos Tae. Para onde esse dinheiro está indo? É claro que é para o sistema da dívida pública!

As poucas conquistas até aqui foram arrancadas pela luta! É preciso seguir com firmeza pelas nossas pautas!

Mesmo que não esteja firmando acordo em mesa de negociação, o MGI e o MEC reforçaram entendimento de que os aposentados e pensionistas terão direito à aceleração das progressões por capacitação, desde que sejam do regime da paridade e integralidade e tenham feito cursos de capacitação ainda na ativa. Não sabe-se ainda quantos servidores serão atingidos, mas é um ganho importante porque pode garantir reajustes de 4% a 12% aos beneficiados (as). Saiu também a regulamentação do plantão 12×60, mas restrito aos trabalhadores dos HUs, sendo excluídos os companheiros da vigilância. Além desses dois temas, o governo, via MEC, propôs reabrir a alguns Grupos de Trabalho (GT) para seguir debatendo itens do acordo de greve de 2024.

Nesse sentido, o MEC publicou já portaria instalando o GT que vai debater a democratização das universidades. Não achamos que os GTs se encaixam em conquistas se não forem para implementar as propostas. GTs para estudar viabilidade já tivemos e o governo usou-os para nos enrolar e não garantir nossas pautas. Essas questões só saíram por causa da greve que ainda atinge 53 instituições, mas não são suficientes para que ela termine. Não concordamos com a posição dos coletivos da maioria da Direção da Fasubra que querem terminar a greve somente com promessas vazias. É preciso manter a greve para forçar o governo a ceder mais. Para isso, a maioria dos coletivos da Direção da Fasubra tem que mudar de posição e propor ao Sinasefe atos unificados, além de ações unificadas com o Fonasefe em defesa do reajuste salarial e dos auxílios em 2027.

Maioria da Direção da Fasubra faz greve com freio de mão puxado para proteger o governo. É preciso uma nova direção já!

Os coletivos Unir e Ressiginificar (CUT), Travessia, Taes na Luta e CTB foram contra a greve no seu início. Depois de serem derrotados nas assembleias de base, tiveram que aderir. No entanto, entraram no movimento para dirigi-lo e para impedir que ele tivesse maior radicalidade no enfrentamento ao governo. Esses coletivos citados chegaram ao cúmulo de votar contra uma resolução apresentada pela Combate e Unidade pra Lutar que propunha construir atos em Brasília e nos Estados em conjunto com o Sinasefe para pressionar o governo pela publicação do decreto do RSC.

Esses coletivos têm restringido a greve aos muros das universidades ou a atos sem ações mais contundentes. Tudo em nome de preservar a imagem do governo, de não fazer a greve voltar à grande mídia e ganhar força. Eles mantêm bases importantes fora da greve, como as universidades de Goiás (CTB), do Ceará e São Carlos-SP (Travessia e Taes na Luta). A CUT, Travessia e Taes na Luta e CTB têm peso na direção do Sinasefe (sindicato dos Taes dos IFs) e mesmo sem a publicação do decreto do RSC esses setores cogitam entrar na greve ou fazer ao menos dias de paralisação e atos. O mesmo acontece com o Fonasefe onde CUT, CTB e Travessia têm peso e em nenhum momento propuseram ações de luta unificadas. Exigimos que esses coletivos mudem de posição.

A intransigência do governo e a cumplicidade da maioria das direções sindicais são responsáveis pelo atual estágio da greve.

Venha com a combate sindical

Por isso nós da Combate Sindical, que construímos o campo da oposição na Fasubra, a unidade pra Lutar, junto a vários coletivos e ativistas independentes convidamos você a ser parte do nosso coletivo e batalhar conosco de forma totalmente independente do governo e das reitorias. Ajude o nosso coletivo nessa tarefa de ter sindicatos independentes dos patrões, de luta, democráticos e solidários com as mobilizações construindo com a gente a Combate Sindical.

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