Aos 45 dias da greve da Fasubra

Exigimos que o governo Lula negocie e atenda às reivindicações das(os) técnicas(os)!

Mais de 54 instituições já constroem a greve nacional da categoria técnico-administrativa em educação (TAE) das universidades e institutos federais. O movimento ainda pode crescer.

É uma greve forte e expressa a insatisfação das bases com a política salarial, de carreira e de condições de trabalho promovida pelo governo Lula. O não atendimento das promessas feitas se dá porque o governo privilegia uma política de ajuste fiscal, que retira verbas das políticas sociais. O destino desse dinheiro é o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Em 2025, foram R$ 2 trilhões para esse setor, 40% do orçamento. Além disso, são centenas de bilhões de isenção fiscal para grandes empresas e R$ 500 bilhões ao agronegócio golpista via Plano Safra. Será que não há verba para incluir aposentados e pensionistas no RSC, garantir as 30 horas para todas/os e o conjunto da pauta?

Nesse contexto, a greve se gesta pelo não cumprimento do acordo firmado ao final do movimento paredista de 2024. São vários os itens que impulsionam a luta: Reconhecimento de Saberes e Competências desfigurado e restrito; a não implementação das 30 horas, do plantão 12×60, da aceleração e do reposicionamento dos aposentados; a não racionalização dos cargos, além da possibilidade de terceirização de cargos do PCCTAE, entre outros ataques.

A greve enfrenta a maioria da direção da Fasubra! Mudem de posição e vamos fortalecer a greve!

Essa luta se dá, também, contra a vontade dos coletivos Unir e Ressignificar – CUT; Travessia (PSOL), Taes na Luta, CTB (PCdoB). Foram contra a greve na maioria das assembleias, mas, em alguns locais, tiveram que mudar de posição pela pressão das bases. Ainda há sindicatos importantes dirigidos por esses coletivos que estão fora da greve: Sintufce (4 universidades) e Sintufscar (dirigidos por Travessia e Taes na Luta); SintifesGO (5 instituições e dirigido pela CTB). Fazemos uma exigência às lideranças desses grupos: mudem de posição e vamos fortalecer ainda mais a nossa greve.

Governo Lula não negocia; fortalecer e radicalizar a greve com dias de luta unificados e ações nas redes sociais!

O Comando Nacional de Greve, que é dirigido pelas correntes acima citadas, tem que mudar de atitude. Diante da falta de negociação por parte do governo Lula e da política de ignorar a nossa greve, precisamos dar uma resposta à altura. A greve deve ir para a rua e para as redes. Devemos fazer ações unificadas nacionais, com radicalização, além de buscar construir ações conjuntas com outras categorias em luta nos estados. O dia 23/4, quando a greve completa dois meses, pode marcar um forte dia nacional de luta.

Sem atividades nacionais unificadas e com ações restritas ao muro das universidades, a greve fica escondida da conjuntura. Essa política protege a imagem do governo e é péssima para o movimento.

Decreto do RSC: governo enrola e quer consolidar dificuldades de acesso

O decreto que vai regulamentar o RSC ainda não foi divulgado pelo MEC nem foi enviado oficialmente ao MGI. São mais de 10 dias de atraso, pois já deveria estar em vigor em 1º de abril. O texto deve sofrer várias modificações a partir do trabalho feito pela CNSC em 24 e 25/2, pois o governo quer consolidar, via decreto, o RSC restrito e excludente, inacessível para uma grande parcela da categoria. A greve deve ser fortalecida para que possamos dobrar a intransigência do governo. Nesse processo, a categoria deve ficar atenta aos coletivos que, a todo momento, passam pano para os ataques do governo.

A pauta salarial para 2027 e dos auxílios tem que ser incorporada à greve!

Desde novembro de 2025, a Combate alerta sobre a necessidade de a pauta do reajuste salarial para 2027 e dos auxílios serem incorporadas às pautas da greve. Os coletivos que estavam contra a greve também foram contra incluir esses temas na pauta para cobrar do governo. Mentem quando dizem que as negociações só poderiam iniciar após findar o acordo atual. No entanto, o acordo finalizou em 1º de abril e, durante esses três meses do ano, esses coletivos não trataram desse debate nas bases da Fasubra. Essa atitude tem um interesse: não se enfrentar com o governo em ano eleitoral, mas nos atrasou nessa luta e pode nos levar a ficar sem reajuste salarial para o próximo ano. A pauta com reajuste salarial já foi entregue pelo Fonasefe ainda em janeiro ao governo, portanto não há problema jurídico em trazer essa pauta à greve.

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