O 13 DE MAIO E AS LUTAS DE ONTEM E HOJE – QUANDO PENSO NO FUTURO NÃO ESQUEÇO DO PASSADO

Por Rômulo A. Lourenço – Educação em Combate

“Não veio dos céus, nem da mão de Isabel”

A importância do passado para as lutas do presente está em evidência, o cinema brasileiro tem lançado luzes sobre os horrores da ditadura militar de 1964, resgatando memórias necessárias para a sociedade. Nesse sentido, é fundamental aproveitarmos e irmos além no tempo, olhar para lutas que se iniciaram desde a colonização.
Ao longo do século XX, a Princesa Imperial Isabel do Brasil teve seu nome construído como benevolente e responsável, sozinha, pela abolição da escravatura. Ter recebido a alcunha de “redentora”, não é ao acaso, é parte do processo de afirmação da história oficial de que negras e negros escravizados foram passivos na luta pela liberdade. Neste 13 de maio, reafirmamos a memória dos quilombolas, de todos os negros que fizeram este país e que conquistaram a liberdade para nosso povo. Não foi caridade, foi triunfo preto.
É necessário que nomes sejam ditos, que lutas travadas no período da colônia e império sejam valorizadas e sua importância para a liberdade, ensinadas. A formação dos quilombos, por exemplo, foi uma das formas de resistência à escravidão. Palmares é reconhecido como a maior experiênci a quilombola do Brasil, e os nomes Zumbi e Dandara dos Palmares como lideranças negras no século XVI, primeiro século da colonização portuguesa.
Outro nome ecoado na história dos de baixo, é o da também liderança quilombola, Tereza de Benguela. Ex-escravizada, viveu no século XVIII e esteve a frente do Quilombo do Quariterê, comunidade que reunia negros e indígenas. Por anos enfrentou o governo escravagista, até sua morte. Já no período imperial do país, evidencia-se Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Jangadeiro, foi reconhecido como líder na greve abolicionista, que se deu na recusa de transportar pessoas escravizadas do Ceará para o sul do país.
Diversos outros nomes se tornaram célebres graças aos esforços dos explorados em contar suas histórias, apesar da força da chamada história oficial ou dos vencedores. Há muitos outros guerreiros pela liberdade que tombaram anônimos, por eles também seguimos!

RELEMBRAR AS VITÓRIAS DO PASSADO E LUTAR POR JUSTIÇA NO PRESENTE!
A abolição da escravatura não cessou com séculos de um sistema racista. O modelo implementado no Brasil não trouxe projetos que visassem a inserção da população negra à uma vida digna. Ao contrário, estavam em curso práticas eugenistas que planejavam o fim do nosso povo. Desigualdades étnico-raciais que enfrentamos hoje, tiveram origem na escravidão e foram reforçadas por políticas racistas após abolição.
Em outubro de 2025, a violência policial que assola desproporcionalmente o povo negro e pobre se superou. Nos Complexos da Penha e do Alemão foi realizada a maior chacina do país, com 122 pessoas mortas em operação da polícia militar do Rio de Janeiro. Uma obscenidade que até o momento não tem punidos. Contudo, o principal responsável e beneficiado é o, agora, ex-governador Cláudio Castro (PL), que fez dos mais de cem corpos palanque eleitoral. O povo preto e pobre precisa de uma nova política de segurança pública.
Nos últimos anos o Brasil enfrenta a chamada epidemia de feminicídios, recordes de assassinatos de mulheres no âmbito doméstico, tendo seus maridos, namorados ou ex-parceiros como principais algozes. Dentre os inaceitáveis dados de mortes de mulheres, encontramos também as mulheres pretas e pardas como maiores vítimas. Segundo estudo apresentado à Câmara dos Deputados, 68% das vítimas de feminicídios são negras.
O movimento negro para obter vitórias precisa ser independente do governo de frente ampla de Lula-Alckmin, para denunciar ataques e exigir nossas pautas. Nesse sentido, apresentamos as seguintes pautas emergenciais:
– Revogação do arcabouço fiscal, redução dos juros, não ao pagamento da dívida externa e interna. Taxação dos bilionários para intensificar políticas sociais para população negra. Mais verbas para saúde, emprego e educação. Bolsa família de um salário mínimo.

– Pela revogação da reforma trabalhista e da previdência e da privatização da Eletrobrás.
– Pela revogação do Novo Ensino Médio.
– Expropriar as empresas com trabalho escravo. Direitos trabalhistas a trabalhadores/as de aplicativos e punição aos agressores desses/as trabalhadores/as! Por salário igual para trabalho igual!
– Basta de chacinas policiais contra o povo negro! Pelo fim das operações policiais nas favelas e bairros populares! Punição aos policiais e responsáveis civis por todos os assassinatos e chacinas! Pelo desmantelamento do aparelho repressivo! Fim da PM e da PRF! Instalar uma comissão formada pela Coalizão Negra por Direitos, UNEGRO, UNEAFRO, Associações de moradores, OAB, ABI e Centrais Sindicais para apurar de forma independente esses crimes e evitar a impunidade.

– Pela legalização das drogas! Para acabar com a violência, é necessário acabar com os verdadeiros donos do tráfico de armas e de drogas. Pela revogação da lei de drogas do Governo Lula! Chega de encarceramento em massa para o povo negro!
–  Pela criminalização da misoginia.
– Auxílio, emprego e direitos aos imigrantes negros.

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