MANIFESTO POR UMA FRENTE DE ESQUERDA INDEPENDENTE

Frente de Esquerda: unir UP, PSTU, PCB e demais forças da classe trabalhadora nas lutas e eleições!

Chapa coletiva de Samara, Hertz e Edmilson!

1- Em breve ocorrerão as convenções eleitorais para as eleições de 2026.Um processo eleitoral que ocorre no marco internacional da heroica resistência Palestina contra o genocídio perpetrado por Israel, dos ataques de Trump e ameaça à soberania dos países da América Latina e de lutas importantes como a dos trabalhadores/as bolivianos. É diante desse cenário que é necessário construir uma alternativa de esquerda independente, sem patrões, diferente da frente ampla do governo Lula, que mantém alianças com empresários, agronegócio e multinacionais. Defendemos a unidade das esquerdas socialistas e comunistas, com propostas da classe trabalhadora e combate feroz à extrema direita. Um bloco político e social que articule lutas operárias, feministas, indígenas, negras, LGBTQIA+, ambientais e estudantis com a disputa eleitoral.

2- A frente ampla liderada pelo governo Lula mantém intocados os interesses do capital financeiro e dos imperialismos, administrando o país a serviço do mercado e dos grandes empresários. Sustenta uma governabilidade conservadora, baseada em acordos com inimigos do povo do centrão, setores da cúpula militar e frações do agronegócio, além de pactos com governadores da extrema direita, como Tarcísio de Freitas. Essa política tem efeitos diretos sobre a classe trabalhadora. O salário mínimo segue insuficiente, servidores das universidades federais em greve têm suas reivindicações centrais ignoradas. Avançam propostas de entrega de terras raras, privatização de rios na Amazônia e mineração em territórios como o Xingu, aprofundando a destruição ambiental e a entrega das riquezas ao capital internacional. O “revogaço” das medidas bolsonaristas nunca ocorreu.

4- O escândalo do Banco Master a cada semana apresenta novos personagens vindo da cúpula dos poderes, do sistema financeiro e de diversos partidos que abrange da extrema direita de Flávio Bolsonaro à frente ampla de Lula. Um esquema criminoso que envolve compra de apoio político, favorecimento nos tribunais, enriquecimento, corrupção e ameaças. O esquema do banco Master demonstra como funciona o regime político no capitalismo e como na democracia dos ricos o crime organizado se cria nos palácios, governos, legislativo, judiciário e nos luxuosos prédios da Faria Lima. É corrupção, crime organizado e capitalismo intrinsecamente ligados.

5- No movimento sindical, popular e estudantil, há também um papel de contenção exercido pelas direções lulistas da CUT, CTB, MTST, MST e UNE, que não respondem com firmeza aos ataques dos governos estaduais de extrema direita, especialmente em São Paulo, onde se concentram ofensivas contra os serviços públicos, a cultura, a educação e os direitos democráticos. A frente ampla no movimento operário e popular não é consequente e radical na ação direta contra a extrema direita.

6- Diante desses limites da conciliação com nossos inimigos de classe da frente ampla, o que dá fôlego à extrema direita, reafirmamos a necessidade de uma frente de esquerda independente, enraizada nas lutas da classe trabalhadora. Só a luta muda a vida!

Por uma alternativa independente 

7- A extrema direita segue organizada, apoiada por Trump, disputando corações e mentes e explorando a precarização da vida e a crise social para seu projeto ultrarreacionário. Diante disso, é necessário enfrentá-la nas ruas numa ampla unidade de ação, por meio da ação direta e com os métodos históricos da classe trabalhadora. Para isso, é necessária uma organização política independente, nas ruas e nas urnas. Caso contrário, com as atuais políticas da frente ampla de Lula, a extrema direita ganha fôlego e pode avançar novamente, como vimos em processos recentes na Argentina e no Chile, e também na Colômbia e no Peru. A experiência internacional demonstra que governos de frente ampla com a burguesia não são eficazes para derrotar a extrema direita. Ao pactuarem com os patrões e aplicarem ajustes fiscais, acabam preparando retrocessos e abrindo caminho para novas derrotas políticas e sociais.

8- Em nossa visão, não há saída para o povo trabalhador pela conciliação com banqueiros, empreiteiras, agronegócio e grandes empresários, como expressa a política do governo Lula. A saída deve vir da organização, da mobilização social e da construção de um projeto das esquerdas independente capaz de enfrentar a extrema direita nas ruas e garantir as pautas centrais da classe trabalhadora e dos setores populares expressa nas eleições. Para isso, defendemos a construção de uma Frente de Esquerda independente que unifique UP, PSTU, PCB, PCBR, MRT, SoB e demais forças socialistas e comunistas, nas lutas e nas eleições, sem alianças com patrões, sem acordos com o mercado financeiro e sem conciliação de classes. Uma frente que seja uma ferramenta real de organização, mobilização e luta do povo trabalhador, incorporando pautas feministas, indígenas, estudantis, negras e ambientais. É que estamos propondo em reuniões, manifestos e cartas abertas direcionadas a essas organizações e também as forças da esquerda do PSOL desde dezembro de 2025.

Chapa coletiva da classe trabalhadora

9– Propomos a construção de uma chapa coletiva, reunindo as forças à esquerda da frente ampla e que lançaram pré-candidaturas para as eleições de 2026: camaradas como Samara (UP), Hertz (PSTU) e Edmilson (PCB), e outras lideranças da esquerda comunista e socialista. Uma chapa que expresse propostas da classe trabalhadora, enraizada nas lutas do povo. A classe trabalhadora precisa de uma referência própria, independente dos patrões, do mercado financeiro, do agronegócio e do imperialismo, e que seja consequente e radical contra a extrema direita e seus governadores.

Plataforma de luta

10– Defendemos uma reunião entre esses partidos e lideranças para traçar a possibilidade dessa unificação e uma plataforma mínima de reivindicações, respeitando os programas de cada organização. Há muitos pontos em comum:

– Apoio às greves e lutas, como da FASUBRA e contra a mineradora Bela Sun no Xingu. Aumento imediato do salário mínimo e sua duplicação. Redução da jornada para 36 horas semanais e implementação da escala 4×3.

– Taxação dos bilionários e das multinacionais. Não pagamento da dívida externa e interna. Estatizar o sistema financeiro e as empresas privatizadas sob controle operário.

– Contra a privatização dos rios, transporte, escolas, empresas estatais e etc

– Fim dos feminicídios e criminalização dos red pills! Combate a misoginia! Por educação sexual com perspectiva de gênero nas escolas! pela legalização do aborto via SUS! Em defesa dos direitos LGBTs! Cotas para as pessoas trans!

– Expulsão de grandes corporações do agronegócio e do capital internacional da Amazônia, Cerrado e demais biomas. Reforma agrária radical, sob controle dos trabalhadores do campo! Pela revogação do marco temporal e demarcação das terras indígenas!

– Contra o genocídio do povo negro! Fim da violência policial nas periferias e das operações de extermínio nas favelas

– Soberania nacional sobre recursos estratégicos, incluindo terras raras, rios, florestas e energia! Fora as multinacionais! Por um plano nacional de combate à catástrofe climática e ambiental.

–  Prisão e confisco de bens de Vorcaro, sua quadrilha e todos os beneficiados pelo esquema do Banco Master. Cassação do mandato de todos os parlamentares e políticos envolvidos no esquema.

É possível e necessário fazer uma frente

9- Entendemos que essa frente não exige que cada organização abandone sua história, suas formulações teóricas ou sua identidade programática. A unidade de ação e os blocos entre socialistas, comunistas e lutadores sociais podem ser construídos com respeito, preservando o debate franco e as diferenças. Por isso, propomos abrir um diálogo entre as direções da UP, PSTU, PCB e demais partidos e organizações, setores independentes da esquerda e movimentos populares combativos para discutir essa hipótese. Até aqui essas forças se negam a fazer essa unidade, produzindo uma pulverização eleitoral com três pequenas candidaturas à esquerda da frente ampla, tal como foi o cenário das últimas eleições. Algo que não é razoável. Aqui fazemos um último apelo antes das convenções eleitorais. Ainda há tempo. É necessário refletir e mudar de posição. A CST está à disposição para ajudar na concretização dessa proposta unitária.

Construir uma pré-campanha socialista e revolucionária

10- Acreditamos que temos de construir uma alternativa da classe trabalhadora e utilizar as eleições para divulgá-la. A classe trabalhadora não pode votar nos patrões, seus partidos ou alianças. A CST é uma organização socialista e revolucionária independente, seção no Brasil da UIT-QI. Pelas leis antidemocráticas do país, ainda não possuímos legalidade para concorrer com nossa própria legenda. Mesmo com essa restrição do atual regime, que bloqueia de todas as formas a participação das forças de esquerda, não vamos ficar parados. As organizações da classe trabalhadora não podem usar a legenda de partidos que compõem o governo capitalista Lula/Alckmin. Por isso, desde que o PSOL ingressou no governo, rompemos com esse partido e não utilizamos sua legenda. Apenas legendas que não integram o governo podem ser utilizadas, como as da UP, PCB e PSTU, partidos com os quais dialogamos. A CST lançará suas pré-candidaturas pela legenda do PSTU e estamos construindo a pré-campanha de Hertz Dias, com a qual temos mais acordos programáticos.

11- A construção de uma frente de esquerda independente é uma necessidade diante do avanço da extrema direita internacional, da ação do imperialismo e da urgência de construir um projeto combativo para a revolução brasileira. A CST defende estrategicamente a unidade de revolucionárias e revolucionários, para lutar por um governo da classe trabalhadora, sem patrões, e um Brasil Socialista. Uma batalha rumo a Federação das Repúblicas Socialistas Latino Americanas.

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