Nossa visão sobre os imperialismos e a China (Parte II)
Nossa visão sobre os imperialismos e a China (Parte II)
(este texto é a segunda parte do Um diálogo com a bancada da esquerda radical de Jones Manoel, Sâmia Bomfim e Glauber Braga). Leia a primeira parte: Uma visão geral sobre o manifesto da Bancada da Esquerda Radical)
5- O texto dos camaradas Jones Manoel, Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Renato Freitas afirma que: “A base interna desse arranjo é a aliança subordinada entre a burguesia brasileira e o capital imperialista. A extrema direita quer o poder para aprofundar ainda mais, e por métodos autoritários, este modelo, entregando por completo nossa soberania nacional, a ponto de tornar o Brasil uma semicolônia do imperialismo americano”. Temos acordos com essa caracterização, sobretudo quanto combater o projeto da extrema direita de aprofundar a exploração do Brasil por parte do imperialismo estadunidense. Outro acordo é quando o manifesto define que a burguesia brasileira mantém uma aliança com o capital imperialista. No entanto, podemos aprofundar esse tema, pois ele exige uma definição mais precisa. Na visão da CST, a burguesia brasileira não pode estabelecer outra relação com o imperialismo que não seja subordinada. Não existe a possibilidade de uma aliança “altiva”, pois a burguesia brasileira é uma sócia menor dos capitais imperialistas. Essa definição é fundamental para armar uma esquerda radical contra as armadilhas dos projetos majoritários do PT e do PSOL, que defendem uma suposta “inserção soberana” no sistema mundial de Estados ou alimentam ilusões sobre o papel do Mercosul na “globalização”, como defenderam, em diferentes momentos, Aloizio Mercadante, José Genoíno e a corrente Articulação do PT, bem como o setor majoritário do PSOL.
6- O que mais nos preocupa é que, no texto de Jones, Sâmia, Glauber e Renato, o único imperialismo nomeado seja o estadunidense. Em todo o longo manifesto da Bancada Radical não há qualquer referência ao imperialismo chinês. Estamos juntos no combate ao imperialismo estadunidense, à política genocida da Casa Branca e ao projeto contrarrevolucionário de Donald Trump e da extrema direita. Mas nem por isso podemos passar pano para o imperialismo chinês. Os Estados Unidos continuam sendo a principal potência imperialista que explora o Brasil, mas isso não significa que sejam a única. O projeto da cúpula do PT, PCdoB e do PSOL, ao contrário, aprofunda a aliança com o imperialismo chinês e com a ditadura capitalista dirigida pelo Partido Comunista Chinês.
7- Há evidências imensas de uma crescente dependência comercial e do aumento dos investimentos chineses no Brasil. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo cerca de um terço das exportações brasileiras. Isso tem impactos sobre o caráter exportador de commodities da economia brasileira, já que a maior parte das exportações para a China é composta por soja e minério de ferro. Algo que aprofunda a reprimarização da pauta exportadora e produz impactos sobre os biomas nacionais e os problemas socioambientais que atingem trabalhadores, camponeses e povos indígenas. Ao mesmo tempo, o capital chinês amplia sua presença no Brasil em setores estratégicos, como energia elétrica, mineração, infraestrutura e tecnologia. Trata-se de mecanismos clássicos de exploração e dominação imperialista que são usados pela China para aumentar a dependência do Brasil e da américa latina. O fato de a China ser um imperialismo novo, não hegemônico no mundo, e que possui disputas e atritos com os Estados Unidos e com Donald Trump não a transforma em uma potência progressista, nem faz dos BRICS um bloco anti-imperialista. É necessário combater a reprimarização da pauta exportadora, que o próprio manifesto denuncia, em todas as suas dimensões, sendo a crescente dependência do imperialismo Chinês uma de suas principais expressões atualmente no Brasil. Tal lacuna é um erro no manifesto da bancada radical.
Leia: A Bancada Radical não tem uma definição categórica sobre a independência de classe (Parte III)
