Caos nos trilhos e morte na creche: o resultado das privatizações em São Paulo

Por Lorena Fernandes – Coordenação CST

 

Nas últimas semanas, a cidade de São Paulo assistiu a dois episódios que expõem o resultado da política nefasta de privatização de Tarcísio e Nunes. De um lado, o caos vivido na CPTM (sob gestão da empresa Trivia), com cenas de pânico, passageiros percorrendo os trilhos a pé e com um dos vagões da linha 12 (Safira) pegando fogo. De outro, a morte do menino, filho de imigrantes senegaleses, Abdoulaye Djeng, de apenas um ano e quatro meses, dentro de uma creche conveniada da Prefeitura. À primeira vista, parecem fatos distintos.

Mas ambos revelam a mesma lógica: quando serviços públicos são privatizados, deixam de ser tratados como direitos e passam a ser vistos como mercadoria, objeto de lucro dos empresários e quem paga esse preço é a população trabalhadora.

Essa é a principal marca dos governos Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. Aliados de Jair Bolsonaro e representantes da extrema direita, fazem das privatizações e terceirizações o centro de seu projeto. A receita, todos já conhecem: sucatear, reduzir investimentos, precarizar as condições de trabalho e, depois, entregar o serviço público de bandeja à iniciativa privada.

O resultado é sentido pela população cotidianamente. A privatização da Sabesp foi seguida por um forte aumento nas reclamações dos usuários. A Enel tornou-se símbolo da ineficiência com os constantes “apagões”. As creches conveniadas acumulam denúncias de falta de estrutura, sobrecarga e exaustão das trabalhadoras e condições inadequadas, como é o caso da creche em que o menino Abdoulaye morreu. O transporte ferroviário, sob a gestão das empresas privadas, também coleciona falhas, interrupções e insegurança para milhões de passageiros.

Tarcísio e Nunes são os culpados diretos pelo caos que vivenciam milhões de trabalhadoras e trabalhadores em SP. Mas também é verdade que os sucessivos governos federais não romperam com mecanismos que permitem a entrega da gestão e operação de serviços públicos para a privatização. Leis aprovadas nas últimas décadas, como as PPPs (gov. Lula 2004) e o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (gov. Dilma 2014), são utilizadas pelos governos da extrema direita para acelerar a privatização e a terceirização.

Por isso, enfrentar as privatizações é uma tarefa urgente. É preciso construir uma ampla mobilização em defesa dos serviços públicos, impulsionada pelos sindicatos, centrais sindicais e movimentos populares. Um fórum permanente de luta, capaz de unificar as categorias e organizar um calendário de mobilizações e greves contra as privatizações.

Defendemos serviços públicos 100% estatais, com investimento, valorização dos trabalhadores/as e sob da classe trabalhadora. Porque saúde, educação, transporte, saneamento e assistência não podem ser tratados como negócio. São direitos, e direitos não podem estar subordinados ao lucro.

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