Lutas na Juventude
VAMOS À LUTA NO CONEG
Por Hunter Barros e Jeane Carla, juventude Vamos à Luta
Entre os dias 17 e 18 de abril ocorreu o 71º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG). No evento, foi aprovado a realização do Congresso da UNE nos dias 16 a 20 de julho em Goiânia.
A juventude revolucionária Vamos à Luta esteve presente nos dois dias. Fizemos uma banquinha, vendemos jornais e matérias e realizamos uma roda de conversa “Por uma UNE independente e combativa”.
O CONEG expressou que os estudantes querem lutar
Estamos no 3º ano do governo Lula/Alckmin e as universidades seguem sucateadas. Infelizmente o governo federal corta o orçamento das universidades para entregar de mão beijada nosso dinheiro para o Arcabouço Fiscal dos banqueiros e para o Plano Safra do agronegócio. Enquanto isso, as universidades estão sem luz e água, os prédios estão alagando, e as bolsas não dão para se manter na universidade. Somente a luta organizada dos estudantes pode mudar esse cenário e exigir do governo Lula orçamento digno para a educação pública.
A majoritária da UNE e seus aliados não organizam a luta dos estudantes
Mais uma vez a majoritária da UNE (UJS – PCdoB, LPJ – Consulta Popular e juventudes do PT), juntamente com seus aliados da Juventude Sem Medo (majoritária do PSOL), não tira um calendário concreto de lutas para se enfrentar com a política de ataques à educação do governo Lula. Em todos os espaços, esses setores mentem que as universidades estão às mil maravilhas e que o único problema seria combater o fascismo. Claro, a juventude tem uma tarefa fundamental: derrotar a extrema direita nas ruas. Mas isso só ocorrerá com a nossa organização e atos de rua exigindo do governo Lula a prisão dos golpistas. Também temos que denunciar e organizar a luta contra os ajustes do governo Lula, a falta de orçamento das universidades, que, inclusive, abre espaço para a extrema direita.
Por isso, exigimos que a majoritária da UNE construa o dia 11 de agosto, dia do estudante, com assembleias e construção de atos pelo fim do Arcabouço Fiscal e do Plano Safra, para que se tenha orçamento para as universidades.
O CONEG refletiu dois campos políticos
De um lado está a majoritária, junto com seus aliados, Juventude Sem medo, sem expressar os principais problemas das universidades e defendendo o governo Lula a todo custo. De outro, estava a oposição de esquerda querendo lutar para mudar essa realidade.
Para nós, foi muito importante a unificação da oposição de esquerda (UJR/Correnteza, Juntos, UJC e Vamos à Luta) no CONEG. As resoluções de conjuntura, movimento estudantil e educação foram defendidas em conjunto por todos esses setores. Todas elas apontavam para o caminho da mobilização dos estudantes para conquistar o fim do Arcabouço Fiscal, do Plano Safra e o não pagamento da dívida pública, para investir esse dinheiro nas universidades. Exigiam também do governo Lula o rompimento imediato das relações com Israel e o apoio à greve dos servidores municipais de SP.
Infelizmente, os camaradas do Rebeldia (PSTU) e Faísca Revolucionária (MRT) não compuseram a oposição de esquerda no CONEG. Chamamos fraternalmente os camaradas a refletirem sobre essa decisão, visto que nesse CONEG se refletiram dois campos políticos muito nítidos e que a participação deles na oposição de esquerda seria fundamental para derrotar a majoritária da UNE, os ataques do governo Lula e combater a extrema direita.
Os companheiros do Rebeldia chegaram a defender a unidade da posição de esquerda nas suas resoluções, porém não compreendemos a contradição de saírem sozinhos nas resoluções. Por isso, chamamos o Rebeldia e o Faísca para se juntarem à oposição de esquerda no Congresso da UNE, na velha bandeira de fazer o que a majoritária não faz!
LUTAR CONTRA A TRANSFOBIA JÁ!
Por Duda – estudante não binarie de direito na UFMG e Andressa Rocha – CST BH
Na semana do dia 24 de abril, ocorreram protestos em 23 diferentes cidades brasileiras demandando a revogação da resolução do Conselho Federal de Medicina. Essa medida transfóbica foi baseada em uma similar adotada no Reino Unido. Ela aumenta a idade mínima para o início da terapia hormonal, de 16 para 18 anos, e para realizar cirurgias com potencial esterilizador, de 18 para 21, além de proibir o bloqueio puberal no caso de crianças trans, permitido a partir dos 12 anos. A resolução também prevê sanções para médicos que realizarem algum desses procedimentos.
Enquanto o processo institucional não surte resultado, a população foi às ruas demonstrar indignação, e a CST não ficou de fora. Em Belo Horizonte, o ato aconteceu no dia 23 de abril, em frente ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Durante o protesto, manifestantes levantaram cartazes e fizeram discursos demandando a revogação da resolução.
É importante ressaltar que a população trans é um dos bodes expiatórios da extrema direita, encabeçada por Trump. Diversas medidas de ataque aos direitos dessa população estão sendo tomadas mundo afora. A direita brasileira segue essa linha, como fez em 2023 com a onda de Projetos de Lei anti-trans, com mais de 300 medidas.
Nesse cenário, é essencial mobilizar nas ruas em defesa da população trans e LGBTQI+ e especialmente das crianças e adolescentes, os mais vulneráveis. Exigir um calendário das direções do movimento estudantil UBES e UNE, para derrubar a medida transfóbica e avançar na conquista de direitos, por atendimento nos pontos de saúde especializado, cotas trans na universidade e condições dignas de trabalho.
