Construir uma frente da esquerda independente | Combate Socialista Nº 213

Lula e o PT se aproximam do final do quinto mandato. São quase quatro anos de governo da Frente Ampla. Nesse período, as principais medidas do governo demonstraram os limites desse projeto de colaboração de classes com os patrões. Não houve revogaço do entulho bolsonarista nem combate efetivo à extrema direita. Criminosos como Flávio Bolsonaro seguem livres e crescem nas pesquisas. A manutenção da política da Frente Ampla gera insatisfação social e eleitoral e pode levar a retrocessos políticos, como no Chile e na Argentina. A CST defende construir uma esquerda independente com calendário de lutas nas ruas e uma frente eleitoral sem partidos patronais nas eleições de 2026.

E aí, Luiz Inácio?

As diretrizes centrais do governo da Frente Ampla não são voltadas à classe trabalhadora. O arcabouço fiscal se tornou o eixo da política econômica, controlando os gastos sociais e priorizando o pagamento da dívida pública. Isso significa menos recursos para saúde, educação, moradia e políticas sociais, enquanto bancos e o sistema financeiro continuam recebendo bilhões. Bancos e instituições privadas que sempre se envolvem em crimes e maracutaias, como o Banco Master (ver pág. 3).

Ao mesmo tempo, o governo mantém políticas que favorecem grandes setores do capital. O Plano Safra destina enormes recursos ao agronegócio, setor que concentra terra, destrói o meio ambiente e exerce grande poder político. A tentativa de privatização dos rios para hidrovias voltadas ao escoamento da produção do agro mostra como o governo Lula acomoda esses interesses em sua estratégia econômica.

Também não houve reversão das reformas impostas contra a classe trabalhadora. A reforma trabalhista e a da Previdência de Temer e Bolsonaro seguem intactas, enquanto avança a precarização do trabalho, especialmente entre jovens inseridos em aplicativos ou empregos sem direitos. A luta pelo fim da escala 6×1 expressa essa insatisfação crescente.

Esse cenário gera frustração social e abre espaço para que a extrema direita reorganize sua base eleitoral. Figuras como Flávio Bolsonaro e Ratinho Junior buscam se apresentar como alternativas eleitorais reacionárias de oposição, representando projetos autoritários e antipopulares. São nossos inimigos e temos de combate-los desde já nas ruas.

EUA e Israel são inimigos!

No campo internacional, o governo Lula não adota medidas efetivas contra a extrema direita. Apesar de declarações críticas, mantém relações com os Estados Unidos e com o Israel. A política externa tenta equilibrar interesses irreconciliáveis, sem enfrentar o imperialismo liderado por Donald Trump. Após dizer que “rolou uma química” com Trump e parabenizá-lo pela ação na Ucrânia, Lula busca uma reunião na Casa Branca, justamente quando os EUA usam o discurso de combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) para justificar agressões à soberania nacional brasileira.

Os Governadores estaduais da extrema direita brasileira são aliados de Trump e atacam a classe trabalhadora, as mulheres, a juventude, LGBTQIA+, negras e negros. É necessário manter o combate à extrema direita, sobretudo contra Tarcísio de Freitas. Eleitos na onda bolsonarista, esses governos aplicam privatizações, como em Minas Gerais, ou promovem chacinas, como o genocídio conduzido por Cláudio Castro no Rio de Janeiro.

Esquerda radical nas ruas e nas eleições

Diante dessa realidade, torna-se evidente a necessidade de construir uma esquerda independente. Uma esquerda que não esteja subordinada à lógica da Frente Ampla nem comprometida com alianças com partidos da burguesia ou com setores do grande capital, e que combata a extrema direita de forma implacável.

É necessário reunir todas as forças da esquerda que não participam do governo Lula e que não estão na Frente Ampla. Essa unidade deve se basear na mobilização social, na luta nas ruas e na defesa de um programa que enfrente de fato os interesses do capital, dos empresários e das multinacionais, a extrema direita, apoiando-se na experiência de luta vitoriosa dos povos indígenas do Baixo Tapajós.

Uma alternativa independente precisa defender medidas como o fim do arcabouço fiscal, a ampliação radical dos investimentos sociais, a estatização do sistema financeiro sob controle público, a revogação das reformas que retiraram direitos da classe trabalhadora e a ruptura com a lógica das privatizações. A defesa dos rios e florestas e a expulsão das multinacionais de nossos territórios.

Ao mesmo tempo, é fundamental fortalecer as lutas sociais: a luta das mulheres contra o feminicídio e a violência de gênero, a luta da juventude por educação pública de qualidade, a luta dos povos indígenas pela demarcação de suas terras e a luta da classe trabalhadora por salários dignos e direitos. Apoiar greves como a dos técnicos das universidades.

A tarefa colocada é reorganizar uma esquerda radical e enraizá-la na classe trabalhadora. Somente uma esquerda independente, baseada na mobilização popular, poderá abrir caminho para uma verdadeira transformação social e para a construção de um governo da classe trabalhadora e um Brasil socialista.

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