Construir um 1 de maio unificado sem governos e patrões
A histórica data do primeiro de maio se aproxima, no Brasil ela acontece em um momento de fortes greves, como as das universidades e institutos federais que já abarca 55 unidades, na recente greve da USP e no importante movimento paredista de técnicos e docentes da UERJ. Além de lutas feministas desde dezembro do ano passado e vitórias do movimento indígena contra a privatização dos rios através de ocupações no Tapajós e a presente luta das mulheres do médio Xingu contra a Bela Sun.
Além desse contexto de greves e lutas, os atos do 1º de maio ocorrem mais uma vez em volta ao debate do fim da escala 6×1 e a necessidade da redução da jornada de trabalho. Uma pauta urgente que tem os patrões, a mídia, parlamentares da extrema direita e velha direita se colocando contrários a redução de jornada.
No bojo da situação nacional o governo Lula/Alckmin chega ao último ano do seu terceiro mandato com as contrarreformas mantidas, salário mínimo sem dobrar o valor, tentativa de privatização dos rios e uma política de reestruturação dos correios que joga os custos nas costas dos trabalhadores.Mesmo na pauta do fim da escala 6×1 não passou de palavras.
No ponto de vista internacional não rompeu relação com o Estado nazisionista de Israel e nem aplicou a lei de reciprocidade contra Trump diante dos tarifaços mantendo uma relação com o Imperialismo Americano como nada estivesse acontecido e comemorando a declaração de Trump afirmando que existia uma química entre eles.
Ocorrem também muitos ataques dos governadores e prefeitos da extrema direita, privatizando setores estratégicos como transportes e saneamento em SP, ataques à educação, aos servidores municipais; chacinas brutais como as do RJ; violência policial contra os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. Governadores e prefeitos apoiadores de Trump e do Holocausto em Gaza.
Qual é o critério para participar dos atos?
Há um debate em torno da construção dos atos de primeiro de maio, em nossa opinião a ida aos atos se dá por alguns aspectos, o primeiro deles é o fato de nessas manifestações não terem patrões, não haver representantes das patronais, não serem atos-festas e obviamente nos guiando pelos eixos que norteiam o ato.Defendemos que seja uma mobilização unitária na defesa das pautas da classe trabalhadora.
Em Belo Horizonte, por exemplo, o eixo do ato unificado com a CSP Conlutas, CUT, CTB, VAT, vários outros partidos, movimentos e etc é sem patrões e seus representantes e com pautas históricas e atuais da classe trabalhadora. E por isso a COMBATE Sindical (CST e independentes) convoca e participa dessa manifestação.
Em SP há também um debate sobre a unificação dos atos com as demais centrais, o que provavelmente não ocorrerá. Mas vemos que é totalmente possível construir um ato unificado da CSP-CONLUTAS com o tradicional ato da Pastoral Operária, desde que se tenha paciência e habilidade para se chegar em alguns eixos comuns. E buscar a unidade com o VAT.
No RJ haverá um ato convocado pelo VAT e demais centrais sindicais com eixo do fim da escala 6×1. Nesse ato pela redução da jornada de trabalho, não há patrões e nem representantes dos patrões. Então nós podemos participar. Defendemos um bloco das organizações classistas e combativas para atuar unificadas dentro dessa manifestação, como nossa central a CSP-CONLUTAS, Sindicatos Combativos como Petroleiros e SINTUFF, oposições do SEPE, movimento negro e demais setores da esquerda.
Esse critério de unidade na luta do conjunto da classe trabalhadora, sem patrões e seus representantes, é básico para o movimento operário. Infelizmente esse não tem sido o debate dos companheiros do MRT, organização revolucionária que impulsiona o coletivo combativo Nossa Classe, com o qual fazemos muitas batalhas conjuntas. Em MG eles abandonaram a construção unitária justificando sua saída pela participação da CTB. Na concepção deles não se pode participar do ato se a CTB estiver. É um critério equivocado. Nós concordamos com o MRT quando apontam que as principais centrais (CUT/CTB) deveriam romper a paralisia e construir nas ruas a luta pelo fim da escala 6×1 e não deixar essa pauta à mercê do parlamento. No entanto, acreditamos ser um equívoco não ir aos atos pelo fato destas centrais estarem na convocatória da atividade. Nós avaliamos que é importante que esta data seja a mais unitária possível e que reflita as pautas de nossa classe. Se as centrais estão no ato o que devemos fazer é exigir que se tenha continuidade após o primeiro de maio e levantar também nosso programa e pautas. Nada melhor do que dentro desses atos exigir que eles construam essas jornadas de lutas nas ruas.
Por isso também, avaliamos que é fundamental tentar construir atos conjuntos com o VAT pelo fim da escala 6×1 já que esse movimento aparentemente vai convocar atos em algumas ou várias capitais. Todas as diferenças políticas e de método que possam existir com a direção majoritária do VAT não podem impedir tentativa de unificação da luta pelo fim da 6×1.
Pela unificação dos atos
Por isso, em nossa opinião é importante que se unifiquem os atos no dia 01 de maio e se fortaleça a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, como é o caso de BH. Nos atos como o do RJ defendemos um bloco das organizações classistas e combativas para atuar unificadas dentro dessas manifestações. Onde não for possível a unidade com as centrais majoritárias que os setores da esquerda sindical ou atos alternativos busquem se unir, atuando em bloco para construir em conjunto com o VAT. É o caso de SP, onde defendemos a unidade da nossa central a CSP- CONLUTAS e com a Pastoral num único ato, buscando unidade com o VAT. Pontos como o fim da 6×1, defesa das terras raras contra os EUA, apoio aos grevistas das universidades e luta indígena contra Bela Sun, fim dos feminicídios, apoio ao povo palestino, seguramente podem garantir essa unidade.
Nós da Combate Sindical estaremos nos atos levantando a bandeira do internacionalismo e da luta antimperialista contra Trump e em apoio ao povo Palestino e Iraniano exigindo que o governo Lula rompa as relações com o estado genocida de Israel. Seguir a solidariedade a Flotilha Global Sumud que navega em direção a Gaza levando ajuda humanitária. Pelo fim da escala 6×1, pela revogação das contrarreformas trabalhista e da previdência, fim do arcabouço fiscal e o atendimento das demais pautas da classe trabalhadora. Pela criminalização da misoginia e pelo fim dos feminicídios. Todo apoio à greve das universidades federais.
