Nas ruas para conquistar uma saída da classe trabalhadora fluminense
O estado do Rio de Janeiro vive mais uma crise política reflexo de décadas de governos que espoliaram o estado, alimentaram o crime organizado, incentivaram as chacinas policiais e arrocharam o salário dos servidores.
O episódio mais recente foi a renúncia do governador da extrema direita, Cláudio Castro (PL), pelo envolvimento em um esquema de corrupção que se utilizou das contratações temporárias no CEPERJ e UERJ para financiar a sua reeleição em 2022.
Castro foi o governador não só dos desvios no CEPERJ e UERJ, mas que comandou mais chacinas, que teve membros do seu governo presos por envolvimento com crime organizado, que atacou fortemente os servidores e teve o presidente do fundo de pensão(Rioprevidência) preso por investir o dinheiro da aposentadoria dos servidores e pensionistas nos títulos podres do Banco Master outro escândalo nacional que tem tentáculos no governo do Rio.
Essa nova/velha crise revela o apodrecimento de um regime político onde o governar com o crime é a regra. Um estado onde a polícia civil e militar e a cúpula do judiciário tem notório envolvimento com o crime organizado, o jogo do bicho e as milícias.
ALERJ nunca foi a casa do povo
Assim como no executivo, a ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) acompanha todas as crises no estado. Já teve milicianos deputados presos, condecoração de matador de aluguel (Adriano da Nóbrega condecorado por Flávio Bolsonaro) ex-presidentes presos, e o anterior Rodrigo Bacelar (União Brasil) perdeu o mandato por corrupção e está preso acusado de ser o braço político do CV.
Agora os deputados elegeram um novo presidente para ALERJ (Deputado Douglas Ruas/PL aliado de Cláudio Castro) para manter tudo como está, pois é o candidato do PL ao governo do Rio. Para não fugir à regra de quem senta na cadeira, já tem denúncias de que a sua mulher foi sócia do empresário Carlos Freitas Neves, que obteve um contrato sem licitação de R$ 732 mil na prefeitura de São Gonçalo, comandada justamente pelo pai do deputado.
Falta uma oposição combativa no Rio de janeiro
Não é de hoje que os mais diversos governos atacam a população e a reação das grandes centrais sindicais e mesmo de partidos que se dizem da oposição, e hoje são parte da Frente Ampla lulista, é quase nenhuma. Por exemplo, PT e PCdoB apoiaram o governo Cabral. O PSOL, que antes era oposição, junto com esses mesmos partidos votou pela eleição de Rodrigo Bacelar à presidência da ALERJ, preso por envolvimento com o Comando Vermelho.
O PSOL perdeu seu caráter independente ao ingressar no governo Lula e por conta de acordos eleitorais e palacianos está de mala e cuia no palanque de Eduardo Paes, um político tradicional do estado que esteve envolvidos em todos os esquemas de poder de Cabral e Pezão e que sempre governou contra a classe trabalhadora. Não por acaso barrou a candidatura do governador Glauber Braga, da esquerda do PSOL, para favorecer a campanha de Eduardo Paes.
Também no âmbito sindical pouco se faz para combater as medidas contra os servidores em particular da educação que padecem há tempos com salários muito baixos e acordos descumpridos. Por exemplo, nesse momento os técnicos e docentes da UERJ estão em greve por justamente falta de recomposição salarial e no orçamento da universidade.
Isso é bastante grave porque não vai se alterar a situação do Rio através da conciliação ou quase nenhuma mobilização contra os nossos inimigos. Essa política vai na contramão da necessidade de se construir uma oposição que combata a velha direita e a extrema direita no estado.
Chega de empresários, políticos e intuições corruptas e mafiosas
Defendemos a punição de todos os políticos, juízes, policiais, empresários, banqueiros e empresas envolvidos nos esquemas de corrupção, com o crime organizado e com as milícias. Cassação de mandatos, exoneração, de todos os envolvidos e confisco de bens. Fim da PM e da Polícia Civil corruptas, assassinas e milicianas. Defendemos a abertura de sigilo bancário, fiscal, telefônico, das redes sociais de todos os investigados e que uma comissão independente formada pela OAB, Centrais Sindicais, movimentos populares apure os fatos e acompanhe as investigações. Pela expropriação das empresas envolvidas, através da estatização sob controle dos trabalhadores. Pela anulação de todas as medidas contra a classe trabalhadora e setores populares aplicadas pelos governos corruptos.
Um programa econômico alternativo
Defendemos também o atendimento das reivindicações dos grevistas da UERJ, dos professores e demais servidores estaduais; por reajuste salarial, fim da 6×1 e redução salarial; reestatização da CEDAE, BANERJ, Trens e Metrô, e demais setores privatizados, colocando-os sob controle da classe trabalhadora; fim das operações policiais nas favelas e punição dos responsáveis civis e militares. Fim dos feminicídios e punição aos feminicidas, protocolos de combate à violência machista em todas as escolas, e órgãos públicos.
Campanha unitária contra o governo interino de Ricardo Couto e as eleições indiretas
O que fica claro em toda essa situação é que continuando a governar os mesmos setores políticos que roubaram o Rio de Janeiro e retiram direitos da classe trabalhadora nada mudará. Rejeitamos o governo interino de Ricardo Couto (atual presidente do corrupto e antipopular Tribunal de Justiça do RJ). Combatemos a interferência antidemocrática do STF, através do Ministro Petista Zanin, que manteve Couto no cargo de governador e a maioria de votos do STF pelas eleições indiretas. Por outro lado, também lutamos contra a proposta de que o novo presidente da ALERJ, Douglas Ruas (PL), assuma o governo. A linha sucessória do Rio de Janeiro está totalmente podre e não tem legitimidade. Do mesmo modo o STF, antipopular e envolvidos até a última toga no escândalo do banco master. As eleições indiretas são a posição do TSE.
É absurdo que políticos da ALERJ, ministros do STF, o TSE, imponham quem governa o RJ interinamente e tentem impor uma eleição indireta, onde só deputados da ALERJ votam e decidem quem seria o novo governador. É colocar a raposa para tomar conta do galinheiro.
Rechaçamos totalmente a eleição indireta, onde o governador vai ser eleito pela corrupta ALERJ, e defendemos uma saída vindo das mobilizações e das ruas. Por isso batalhamos para que o SEPE, o comando de greve da UERJ, a CUT, DCEs como o da UFRJ, entidades democráticas como OAB e ABI, movimentos negros, realizem uma forte manifestação contra o governo interino ilegítimo e a manobra da ALERJ e STF das eleições indiretas.
As eleições diretas do PSD de Eduardo Paes não são é uma boa solução democrática
O atual prefeito do Rio de Janeiro, tenta surfar na crise, com uma ação ao STF pedindo eleições diretas para o mandato tampão de governador do RJ. Logicamente uma eleição direta é mais democrático que a indireta, porém a atual proposta de Eduardo Paes não é uma boa solução para a classe trabalhadora.
Primeiro porque semeia ilusões no STF e não modifica o atual esquema da ALERJ, Judiciário e das polícias. Segundo que será um mandato curto de 8 meses, que somente beneficia quem for eleito pois irá disputar a próxima eleição de outubro com chave do cofre e terá mais condições de se reeleger para um mandato de 4 anos. Terceiro, os partidos da ALERJ, em sua ampla maioria, estão com rabo preso com essa crise. Uma eleição agora, sem eleger todos, do governador aos deputados, será enxugar gelo e manter a crise que já dura mais de uma década.
Uma eleição direta só seria verdadeiramente democrática se permitisse o lançamento de candidaturas independentes, por fora dos atuais conchavos da ALERJ. Isso essa democracia dos ricos não prevê e vai sempre barrar.
O único intuito de Eduardo Paes é favorecer e trocar de cargo, e do Palácio Laranjeiras seguir os ataques contra a classe trabalhadora.
Por uma assembleia constituinte livre e soberana no RJ
Em nossa luta contra os políticos e instituições corruptas defendemos a mobilização dos trabalhadores e do povo para impor uma saída verdadeiramente democrática: a eleição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para debater a ordem política, jurídica e econômica do RJ e reorganizar o estado a serviço dos trabalhadores e do povo.
Nessa Assembleia Constituinte devemos permitir o lançamento de candidatos independentes, sem necessidade de filiação aos atuais partidos, com tempo de TV e Rádio e acesso aos debates de forma igual para todos, bem como financiamento de campanha igualitário garantindo recursos para impulsionar propaganda nas redes e impressão de materiais em igualdade de condições. Defendemos a legalidade de todas as organizações políticas democráticas, socialistas, comunistas e da classe trabalhadora para que possam lançar suas candidaturas com plenos direitos.
Nela defenderemos um programa econômico alternativo combinado com as propostas emergenciais das greves e lutas populares. Para desmantelar o aparelho repressivo das policiais, pondo fim a PM e a Polícia Civil, impor a eleição de toda cúpula do judiciário, dentre outras medidas.
Desta forma, aplicamos uma proposta verdadeiramente democrática para lutar contra essa falsa democracia dos banqueiros, empreiteiros e lutar por medidas em favor dos trabalhadores, desempregados, da classe média, dos camponeses e da juventude.
Nas ruas para conquistar uma saída da classe trabalhadora
A CST defende uma saída operária e popular, nas ruas, apostando na auto-organização da classe trabalhadora e movimentos sociais.
Exigimos que a CUT, CTB, Sindicatos como SEPE, MTST, MST, o comando de greve da UERJ, DCEs como o da UFRJ, entre outras, convoquem urgentemente uma Assembleia Geral da classe trabalhadora fluminense para decidir o que fazer frente à crise e ver como aplicar as propostas alternativas.
A convocação dessa assembleia seria fundamental para debater ações diante de mais uma crise no estado do Rio de Janeiro e para impulsionar a mobilização pela prisão de Cláudio Castro e todos os envolvidos nos escândalos do CEPERJ e nos esquemas perpetrados pelo crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
Por um governo da classe trabalhadora e dos setores populares no RJ
Hoje temos um governo interino ilegítimo, que ninguém elegeu. Muito mais democrático seria através da auto-organização popular impor um governo nosso, dos que nunca governaram. Dos que ganham a vida honestamente pagando suas contas com o suor de seu trabalho. Um governo provisório dos grevistas da UERJ, dos professores do SEPE, SINDJUSTIÇA, SINTSAMA, de trabalhadores e setores populares eleitos em suas assembleias. Pela construção de um governo dos trabalhadores sem milícias, banqueiros e corruptos.
De nossa parte, não há saída para a crise que não seja sob um governo dos trabalhadores, capaz de colocar os recursos estaduais a serviço da população, investindo em saúde, educação, segurança, cultura, transporte estatal, concursos públicos, casas populares e obras de infraestrutura, gerando emprego e renda para o povo.
