No 78º aniversário da Nakba, convocamos a mobilização para uma nova jornada mundial de apoio ao povo palestino
Por Imprensa da UIT-QI
13/5/2026. Em 15 de maio de 2026, comemoramos o 78º aniversário da Nakba. A “Catástrofe” com a qual o Estado de Israel foi construído sobre a expulsão em massa dos palestinos de suas terras ancestrais, uma limpeza étnica sistemática e a ocupação permanente do território histórico da Palestina.
Neste novo aniversário, as mobilizações em repúdio ao genocídio continuam, enquanto o falso Acordo de Paz de Donald Trump com Netanyahu busca dividir o território histórico entre as potências imperialistas e o genocídio prossegue.
A Flotilha Global Sumud, que partiu de Barcelona em 15 de abril e foi interceptada em águas internacionais próximas à Grécia, continua sua navegação rumo a Gaza, apesar do sequestro de 22 embarcações e 180 participantes. Como resultado da mobilização, Israel foi obrigado a libertar os líderes Thiago Ávila e Saif Abukeshek. Grandes mobilizações percorreram a Itália em 12 de maio e uma nova greve geral está sendo preparada sob o lema “Blocchiammo tutto”, demonstrando que a luta pela Palestina continua sendo central para os povos do mundo.
Da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), convocamos a redobrar a mobilização mundial em apoio à Palestina e exigir a proteção da Flotilha Global Sumud, que leva ajuda humanitária e busca romper o bloqueio.
Reproduzimos o artigo de Miguel Lamas, publicado em 2025, no qual são abordados os elementos centrais do processo histórico, e reafirmamos nosso compromisso com uma Palestina única, laica, democrática e não racista, do rio ao mar, e lutamos para pôr fim ao bloqueio criminoso, conquistar a abertura das fronteiras e a entrada de ajuda humanitária, e exigimos que todos os governos do mundo rompam as relações políticas, econômicas, militares e diplomáticas que garantem ao genocida Israel seu manto de impunidade.
Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI
Os sindicatos palestinos convocam um Dia Mundial de Ação em 15 de maio, data do 77º aniversário da Nakba: eles pedem que se “intensifique a pressão a favor de sanções imediatas, legais e específicas contra Israel, incluindo um embargo militar total”.
Nakba significa “catástrofe” em árabe, e o “dia da Nakba” foi designado pelos palestinos como 15 de maio de 1948, pois foi o dia seguinte à fundação do Estado de Israel, que expulsou os palestinos de suas casas e terras de origem.
Colonização imperialista e sionista
O imperialismo norte-americano e britânico foram determinantes na fundação de Israel, como um instrumento para dominar o Oriente Médio e se apropriar de suas riquezas, especialmente dos hidrocarbonetos, como o petróleo e o gás.
Israel foi fundado com a expulsão dos palestinos, e suas terras foram entregues a migrantes judeus provenientes da Europa, Rússia, Ucrânia, Polônia, Alemanha, bem como da Argentina e de outros países do mundo. O argumento sionista era que aquela era a “terra prometida”, a terra de seus supostos ancestrais judeus de 2 mil anos atrás. Algo absurdamente falso. Quase nenhum dos migrantes judeus que ocuparam a Palestina tem ancestrais reais na região. Havia apenas uma minoria judaica semita, que conviveu pacificamente durante séculos com outros semitas árabes de diferentes religiões, incluindo cristãos. Foi somente a partir do século VII que o Islã surgiu como religião majoritária.
Essa Nakba de 1948 continuou a se agravar nos anos seguintes. A maior parte dos palestinos foi expulsa de suas casas e territórios, e dezenas de milhares foram assassinados.
Israel também atacou, em diferentes momentos, Estados árabes vizinhos, como o Líbano, o Egito e a Jordânia.
Muitos palestinos e palestinas tiveram que se refugiar em outros países. Um número significativo foi para a Cisjordânia e Gaza, que somam 22% do território da Palestina histórica e hoje abrigam cinco milhões de palestinos que lá resistem.
Há trinta anos, foi acordado entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) a criação de um Estado Palestino nessas regiões. Mas isso nunca aconteceu. Israel não permitiu. Assim, invadiu a Cisjordânia e agora Gaza.
Acabar com o genocídio
Nos últimos 19 meses, desde a nova invasão de Israel em Gaza, mais de 61.700 palestinos e palestinas foram assassinados, sendo 70% mulheres e crianças. A resistência heróica impediu, até agora, que Israel conseguisse dominar completamente a Faixa de Gaza e expulsar os 2 milhões de palestinos, como anunciaram e com o apoio aberto de Donald Trump.
Também continuam as mobilizações de solidariedade com a Palestina dos povos do mundo. No dia 2 de maio, mais de um milhão de pessoas marcharam no Iêmen, que possui o único governo árabe solidário com a Palestina e que foi bombardeado várias vezes pelos Estados Unidos. No dia 12 de abril, um milhão de pessoas também marcharam em Bangladesh. E houve grandes marchas recentes no Marrocos, Líbano, França, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Síria, entre outros países.
Da Palestina, de Gaza e da Cisjordânia, os sindicatos convocam a intensificação dessa solidariedade, com manifestações no dia da Nakba, em 15 de maio, e exigem sanções contra Israel e a anulação de toda entrega de armas que hoje é feita pelos Estados Unidos e pela Europa. Organizações solidárias com a Palestina de diversos países se propuseram a apoiar essas manifestações no dia da Nakba e durante essa semana.
Da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-CI), apoiamos este apelo à mobilização mundial em defesa do heróico povo palestino, contra toda entrega de armas a Israel, contra o genocídio e a tentativa do criminoso Netanyahu, com o apoio do ultradireitista Donald Trump, de anexar Gaza, matando e expulsando palestinos.
Os governos e monarquias árabes e do Oriente Médio, com exceção do regime Houti no Iêmen, não fazem nada para apoiar a luta do povo palestino, limitando-se a emitir declarações tímidas, quando deveriam romper todas as relações com Israel e apoiar as organizações de resistência com armas e recursos.
Exigimos um cessar-fogo imediato, a retirada de todas as tropas israelenses e o respeito à integridade de Gaza como parte da Palestina; bem como a liberação imediata de todos os postos de fronteira para garantir a entrada de alimentos, medicamentos, combustíveis e água, e o restabelecimento imediato do fornecimento de energia elétrica. Repudiamos os bombardeios dos Estados Unidos contra o Iêmen e exigimos a retirada imediata das forças israelenses do sul da Síria e do Líbano. Rejeitamos a detenção ilegal e a ameaça de deportação de ativistas que defendem a liberdade da Palestina, como tem ocorrido nos Estados Unidos e na Alemanha.
Pela ruptura das relações políticas, diplomáticas, comerciais, culturais e acadêmicas com Israel!
Por uma Palestina única, laica, democrática e não racista. Palestina livre, do rio ao mar!
