Os Estados Unidos seguem com os ataques genocidas contra o Irã, mas agora cada vez mais mergulhados numa crise
Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI
30/07/2026. Os Estados Unidos suspenderam sua violenta e repetida campanha de bombardeios contra o Irã, embora continuem a ameaçar com novos ataques. Enquanto isso, Israel segue bombardeando o Líbano, Gaza e a Cisjordânia.
Desde 8 de julho, os Estados Unidos retomaram os ataques ao Irã, bombardeando e matando centenas de pessoas. Agora, Trump afirmou que novas negociações começaram com o Irã e expressou otimismo de que chegará a um acordo com o regime islâmico, ao mesmo tempo em que minimizou as preocupações com uma possível escassez de munições e bombas estadunidenses devido ao conflito.
O Irã, por sua vez, nega qualquer contato desse tipo. “Os mediadores podem transmitir mensagens da parte dos estadunidenses sobre os últimos acontecimentos na região. Mas, atualmente, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, numa coletiva de imprensa na segunda-feira, 27 de julho.
Mais uma vez, Trump tenta dissimular seus ataques genocidas, tanto por conta da resposta do Irã, que atacou bases estadunidenses na região, quanto por conta da condenação pública global aos ataques estadunidenses e sionistas no Oriente Médio, que tem se expressado, inclusive, nos Estados Unidos. Tais fatores estão levando Trump a um novo fracasso.
Os fracassos imperialistas e sionistas
Nos Estados Unidos, ocorreram marchas massivas, com milhões de pessoas protestando contra Trump, muitas carregando bandeiras palestinas. E aqueles que venceram a eleição em Nova York, liderados por Zohran Mamdani, usaram a solidariedade com a Palestina como parte de sua campanha, entre outras coisas.
O que ocorreu nos últimos meses foi, de modo geral, o fracasso dos ataques estadunidenses. Os erros de Trump são descritos por todos os analistas, enquanto em Israel explodiu uma onda de indignação contra Netanyahu e o próprio Trump. A guerra assimétrica, na qual os Estados Unidos e Israel bombardearam inúmeros alvos militares e civis quase sem retaliação, foi contrariada por mísseis e drones iranianos, visando não apenas Israel, mas também todos os Estados do Golfo em que há bases estadunidenses. O fechamento do Estreito de Ormuz e suas repercussões econômicas globais serviram para equilibrar a balança e jogar o imperialismo num impasse. Nenhum dos objetivos estabelecidos por Trump foi alcançado, assim como os de Netanyahu, nem em Gaza nem no Líbano. Ou seja, embora tenham assassinado muitas pessoas, não conseguiram a rendição dos povos. E, no caso de Gaza, o objetivo sinistro era forçar a população a deixar a região.
Esses são os limites do imperialismo, demonstrando que, apesar de seu enorme poder, ele não é invencível. Isso já aconteceu anos atrás no Vietnã, no Afeganistão e no Iraque. Em tais países, os povos resistiram e o imperialismo não conseguiu se impor, apesar dos milhares de assassinatos.
Agora, outro “cessar-fogo”?
Os Estados Unidos assinaram um “cessar-fogo permanente” com o Irã em 17 de junho, que, supostamente, incluía o Líbano e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados em até 60 dias. Trump também viajou à China em maio para conversar sobre a paz no Irã e a “cooperação” na resolução de conflitos globais.
Na época do acordo com o Irã, o Estreito de Ormuz, por onde passam 22% dos hidrocarbonetos do mundo, foi aberto. Porém, Israel, segundo Trump, “sem a permissão dos Estados Unidos”, continuou bombardeando e matando pessoas no sul do Líbano, região que fazia parte do “cessar-fogo” acordado. Isso levou o Irã a bloquear novamente o Estreito de Ormuz. Essa foi a justificativa usada pelos Estados Unidos para retomar os bombardeios contra o Irã. Assim, o acordo, violado tanto pelos Estados Unidos quanto por Israel, caiu por terra.
Israel já havia ignorado o “cessar-fogo” em Gaza. O Estado sionista matou mais de 70.000 palestinos nos últimos três anos e mais de 1.200 desde o “cessar-fogo”, metade deles mulheres e crianças. Israel continua sua campanha de bombardeios e ocupa metade de Gaza. Como resultado, a maioria da população dessa região permanece impossibilitada de retornar às suas casas destruídas, vivendo em tendas e, em muitos casos, entre os escombros.
A luta internacional continua
Nós, da UIT-QI, convocamos mobilizações unitárias no Oriente Médio e em todo o mundo, exigindo: basta de bombardeios de Trump contra o Irã! E basta da agressão contra Gaza, a Cisjordânia e o Líbano. Como parte dessa campanha, impulsionamos e participamos da Flotilha Global Sumud. É necessário continuar com as mobilizações internacionais unitárias.
Isso é importante para todo o mundo oprimido. Se os Estados Unidos se impuserem no Oriente Médio, poderão atacar qualquer país do mundo que não se submeta ao imperialismo.
É claro que a questão de fundo, a causa da luta histórica palestina, decorre da fundação de Israel em 1948 como um enclave do imperialismo. Para pôr fim definitivamente a esses ataques no Oriente Médio, é preciso acabar com o Estado sionista e genocida, fundado com o apoio direto dos EUA para oprimir os povos do Oriente Médio. Como têm defendido historicamente os palestinos e importantes organizações judaicas antissionistas: a luta fundamental é por uma Palestina livre, do rio ao mar. Para recuperar seu território histórico e acabar com os ataques genocidas no Oriente Médio.
