Basta de fome e genocídio em Gaza! Abram as fronteiras! Fora Israel da Palestina!
Com o genocídio televisionado, tem sido difundidas globalmente as imagens mais atrozes dos crimes sionistas na Palestina: crianças desnutridas, enquanto assistimos às suas mortes na televisão e nas redes sociais; mulheres grávidas impossibilitadas de continuar a gestação ou a vida; milhares de pessoas desmembradas e mutiladas. Tudo isso tendo como pano de fundo Gaza, com 95% de sua infraestrutura destruída por bombardeios. Não há mais hospitais, remédios, escolas ou leite para as crianças desnutridas. Essas imagens não são ficção científica: são a realidade viva e a consequência prevista de quase 700 dias de genocídio israelense, da cumplicidade dos imperialismos estadunidense e europeu e da passividade dos governos mundiais. O genocídio em Gaza é mais um exemplo da barbárie do sistema capitalista.
A fome como método de combate foi uma estratégia específica usada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Hoje, o Estado de apartheid de Israel, com hipocrisia criminosa e descarada, utiliza os mesmos métodos para buscar a ocupação total de Gaza e da Cisjordânia, visando construir a “Grande Israel”, objetivo histórico do colonialismo israelense-imperialista que, por conta de décadas de resistência palestina, ainda não foi alcançado.
Os números do genocídio
De acordo com o relatório sobre segurança alimentar da Classificação Integrada de Fases (IPC), divulgado no final de maio, 470.000 pessoas em Gaza enfrentam fome catastrófica (IPC Fase 5), e toda a população sofre de insegurança alimentar aguda. O relatório também projeta que 71.000 crianças e mais de 17.000 mães precisam de tratamento urgente para desnutrição aguda. No início de 2025, as agências estimaram que 60.000 crianças precisam de tratamento. Esses indicadores dramáticos aumentam diariamente.
Até o final de julho, 60.000 pessoas, incluindo mais de 17.000 crianças, foram mortas e mais de 145.000 ficaram gravemente feridas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Dada a gravidade da situação e a duração do genocídio, diversas organizações indicam que o número pode ser muito maior, chegando a 100.000 mortos. Somente desde o final de maio, mais de 1.000 pessoas morreram, sob o fogo de metralhadoras israelenses, enquanto buscavam comida nos centros de distribuição de alimentos da Fundação Humanitária de Gaza (FGH), que, com o apoio dos Estados Unidos e de Trump, se transformaram numa armadilha mortal.
Manter, ampliar e aprofundar a mobilização para abrir as fronteiras e pôr fim ao genocídio
A mobilização global em apoio à resistência em Gaza e em repúdio ao governo criminoso de Netanyahu continua a crescer. Ela se expressa em mobilizações massivas em todos os continentes e também dentro das fronteiras de Israel, em que um setor anti-sionista da comunidade judaica se mobiliza pelo fim da agressão.
As manifestações contra o genocídio foram massivas em Londres, França, Somália, Líbano, Egito e Irã. Nos Estados Unidos, bandeiras palestinas foram hasteadas nas grandes manifestações contra Trump. Os povos dos países árabes se mobilizaram, como aconteceu no Egito, exigindo que seus governos abram as fronteiras. Semanas antes, a “Onda Vermelha” tomou conta da Espanha e se espalhou para vários países europeus. Em meados de junho, a Marcha Mundial por Gaza caminhou pelo deserto até Rafah, na fronteira do Egito com Gaza, exigindo a abertura imediata das fronteiras e a entrada de ajuda humanitária. A ditadura de al-Sisi, que governa o Egito, demonstrou sua natureza repressiva e a cumplicidade com o genocídio, reprimindo as manifestações e prendendo e deportando ativistas de todo o mundo. A Flotilha da Liberdade foi interceptada duas vezes por Israel, algo que aprofundou o repúdio global ao Estado sionista.
Israel foi forçado a permitir a entrada a conta-gotas de alimentos e medicamentos, mas continua com os assassinatos perto dos centros de distribuição, matando dezenas de pessoas todos os dias. Vários governos, como resultado da pressão exercida pelos protestos em seus respectivos países, buscam se realinhar com novas declarações contra Israel e prometendo o reconhecimento do Estado Palestino na ONU — mas sem adotar nenhuma ação substancial, que comprometa suas relações políticas e econômicas com Israel —, como Lula, Petro e Boric na América Latina, ou Starmer, Pedro Sánchez e o imperialista francês Macron na Europa.
A pressão da mobilização mundial forçou aliados de Israel, como o Estado Espanhol, a Alemanha, a França, a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, a lançar alimentos por via aérea nos centros de refugiados de Gaza. Isso é um sinal do crescente isolamento de Netanyahu, mas é desesperadamente insuficiente. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) afirma que são necessários entre 500 e 600 caminhões por dia para evitar que mais de 2,1 milhões de pessoas morram de fome, enquanto Israel só permite a passagem de, no máximo, 50 caminhões por dia.
Nós, da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), apelamos à mobilização global contínua contra o genocídio em Gaza e à expansão e aprofundamento do apoio à resistência palestina. Em todas as cidades do mundo, devemos expressar a nossa indignação e rejeição, e exigir permanentemente que todos os governos rompam urgentemente as relações econômicas, diplomáticas, culturais, acadêmicas e de todo tipo com o genocida Netanyahu e com Israel.
Exigimos que os países árabes abram imediatamente todas as passagens de fronteira, permitindo a entrada em massa de alimentos, água, medicamentos, materiais básicos para a reconstrução e da ajuda maciça de profissionais de saúde e voluntários. Todos esses recursos devem ser administrados por organizações que o povo palestino considere apropriadas, e não pela criminosa e imperialista Fundação Humanitária de Gaza. Basta de fome e genocídio em Gaza! Fora todas as tropas israelenses da Palestina, do Líbano e da Síria! A Palestina triunfará do Rio ao Mar! Por uma Palestina única, laica, democrática e não racista!
Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI)
