A saída é pela esquerda!
O que vemos no mundo capitalista de hoje são guerras, fome, destruição ambiental e retirada de direitos. A política imperialista dos EUA, comandado pela extrema direita de Donald Trump, em aliança com o enclave nazista de Israel, realiza ataques contra Venezuela, Cuba, Irã, Líbano e um holocausto contra o povo palestino. Enquanto os EUA disputam territórios e riquezas, ampliando a desordem mundial, quem paga a conta são os trabalhadores e os povos oprimidos.
8 milhões nas ruas contra Trump
É preciso enfrentar a extrema direita com todas as forças, com fortes protestos unificados. No sábado, 28 de março, cerca de 8 milhões de pessoas ocuparam as ruas dos 50 estados dos Estados Unidos contra as políticas de Donald Trump. A mobilização, chamada “No Kings” (Sem Reis), foi a terceira grande jornada nacional impulsionada pelo movimento 50501. Milhões protestaram contra a guerra, o apoio dos EUA às ações em Gaza e as políticas anti-imigrantes, com palavras de ordem como “Não à guerra” e “Trump tem que sair”. Desde sua criação, o movimento 50501 tem impulsionado mobilizações massivas, incluindo enfrentamentos em Minneapolis, mostrando o crescimento da resistência popular contra as guerras, o racismo e a xenofobia.
A Flotilha Global Sumud, que acaba de embarcar em mais uma missão humanitária para Gaza, é a nova expressão concreta da solidariedade internacionalista. Ela necessita de todo apoio.
Só a luta muda a vida!
Nesse cenário, a política de conciliação de classes com os patrões demonstra seus limites, ao subordinar as demandas da classe trabalhadora às exigências do capital e suas corporações. Os partidos que tem essa estratégia, como o PT de Lula, a frente ampla de Boric, o Peronismo de Cristina Kirchner, preparam retrocessos e derrotas. Ataques econômicos e sociais a classe trabalhadora e ausência de combate nas ruas contra a extrema direita. Isso dá folego a projetos ultrarreacionários.
No Brasil a frente ampla de Lula tentou privatizar rios da Amazônia, não atende os grevistas das universidades, não proíbe empreendimentos como a mineradora Bela Sun. Além disso, protagoniza um arcabouço fiscal para Faria Lima, o plano safra para o agronegócio escravocrata e mantem relações com Israel e com Trump. Isso é um caminho perigoso. É preciso tirar lições do Chile: A Frente Ampla de Boric foi eleita depois de uma imensa mobilização popular que questionava a constituição de Pinochet, num vasto movimento pela esquerda. Anos depois, a política da frente ampla desmobilizou e desmoralizou suas bases, abrindo caminho para a vitória eleitoral do pinochetista Kast.
Seguir o exemplo das mulheres do Xingu
Os povos indígenas do Médio Xingu ocuparam a sede da FUNAI, em Altamira (PA), em mais uma ação direta contra o avanço do capital minerador sobre seus territórios. A mobilização, protagonizada por mulheres indígenas, denuncia o projeto da mineradora canadense Bela Sun na região ancestral da Volta Grande do Xingu, empreendimento que ameaça aprofundar a violência contra os povos da Amazônia.
A exploração de ouro, que já deixou um rastro de destruição ambiental e social na região, agora coloca em risco as terras, rios, matas e encantados de 12 Terras Indígenas. Essa luta também se expressou no Acampamento Terra Livre, em Brasília.
Ao mesmo tempo, cresce a mobilização dos trabalhadores técnico-administrativos em educação (TAEs), que enfrentam o arrocho salarial e o desmonte dos serviços públicos.
Nos estados, ocorrem lutas contra os ataques de governadores de extrema direita, como as greves na UERJ e na USP, além de paralisações de professores no RJ e em SP e protestos municipais nas áreas da educação e da cultura, especialmente em São Paulo. O 8M, em SP, convocou um ato para o dia 25/04, exigindo que o presidente da Câmara Hugo Motta coloque o PL que criminaliza a misoginia. Devemos fortalecer essa luta ocupando as ruas em todo país.
Unificar as lutas
Diante desse cenário, o desafio é avançar na organização de uma luta unificada. No dia 15 de abril haverá uma marcha em Brasília contra a escala 6×1 e outras pautas, luta que necessita de uma continuidade, através de um plano lutas nacional. É necessário que CUT, CTB, Força Sindical, MTST, MST, UNE e UBES realizem uma grande jornada nacional que unifique as reivindicações. Propomos uma plenária nacional de organização das lutas populares, com o objetivo de construir fortes atos no 1º de Maio, do conjunto da classe trabalhadora, sem patrões e seus representantes, em torno de pautas como o fim da escala 6×1, reajuste salarial, combate aos feminicídios e à violência policial.
Ao lado da luta unificada, a saída é pela esquerda
Apesar das expectativas criadas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não atende às principais reivindicações da classe trabalhadora. Mantém-se a conciliação com setores empresariais, o centrão, partidos da velha direita ou da cúpula militar golpista, enquanto direitos seguem sendo negados e a precarização avança.
A tarefa colocada é a construção de uma esquerda independente, que não se submeta aos limites da conciliação de classes e que esteja enraizada nas lutas da população trabalhadora.
Propomos uma reunião dos partidos e organizações que não estão na frente ampla para dar passos rumo à unidade nas ruas e também nas eleições. Nesse sentido, a CST defende um programa que responda às necessidades imediatas da classe trabalhadora: aumento geral dos salários, com reposição das perdas inflacionárias; redução da jornada de trabalho, sem redução salarial; defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras, com políticas concretas de combate aos feminicídios, à opressão e à desigualdade; fim das terceirizações e garantia de direitos para todos os trabalhadores; reestatização de setores estratégicos sob controle dos trabalhadores; e o não pagamento da dívida aos agiotas do sistema financeiro.
Somente uma esquerda independente, baseada na mobilização popular, pode abrir caminho para uma verdadeira transformação social e para a construção de um Brasil socialista, governado pela classe trabalhadora e pelos setores populares, sem patrões.
