ESQUERDA INDEPENDENTE: Manifesto das Pré-candidaturas Socialistas e Revolucionárias da CST

1- A pré-campanha eleitoral começou. De dois em dois anos, os mesmos políticos prometem mudanças que nunca chegam. Enquanto isso, o povo enfrenta transportes lotados, salários arrochados, desemprego, precarização, escala 6×1, feminicídios e violência policial. Na propaganda eleitoral, vendem um país de fantasia. Depois de eleitos, viram as costas para nós e governam para os empresários e o agronegócio.

2- Repudiamos essa farsa eleitoral e os partidos que iludem o povo trabalhador. As pré-candidaturas socialistas e revolucionárias da CST combatem tudo isso. Apresentamos as feministas e combativas: Bárbara Sinedino no RJ, Lorena Fernandes em SP, Andressa Rocha em MG e Mariza Santos no PA como deputadas. Queremos construir uma alternativa operária e popular que responda às necessidades de salário, emprego, moradia, educação, saúde e transporte público estatal e gratuito. Para conquistar essas medidas, não podemos governar com patrões e seus representantes. É preciso apostar na ação direta das massas e enfrentar a extrema direita sem vacilações.

3- Nossa pré-campanha defende a independência política dos explorados. Combatemos os partidos comprometidos com o capitalismo. Acreditamos que só a luta muda a vida. Atuamos nos locais de trabalho, estudo e moradia. Organizamos as lutas salariais, feministas, negras, LGBTQIA+, ambientais e estudantis. Queremos construir um programa que seja expressão política dos explorados, na luta por um Brasil da classe trabalhadora.

4- A CST, organização socialista revolucionária independente, batalha para que a CUT, Força Sindical, CTB, MTST e UNE convoquem mobilizações para aprovar a criminalização da misoginia, incluir no currículo nacional a educação sexual com perspectiva de gênero, garantir investimentos reais no combate ao feminicídio; protestos pelo fim da escala 6×1; proibição da entrega das terras raras e da atuação das mineradoras estrangeiras em nosso país. É preciso enfrentar Trump, o nazi-sionismo e a extrema direita internacional.

O governo Lula/Alckmin não é o nosso governo

5- Entendemos por que muitos trabalhadores ainda depositam esperança em Lula diante da ameaça da extrema direita. Mas os acordos com banqueiros, agronegócio e Centrão impedem qualquer mudança profunda. Precisamos de independência política diante dos patrões e seus governos. Defendemos unidade de ação nas ruas contra a extrema direita e o imperialismo, mas sem participar de governos com empresários.

6- O governo Lula/Alckmin governa em aliança com setores empresariais. O Arcabouço Fiscal garante lucros aos banqueiros enquanto limita investimentos sociais. Bilhões são destinados ao agronegócio via Plano Safra, enquanto grevistas e serviços públicos seguem sem atendimento. O governo também mantém alianças conservadoras com figuras do Centrão, militares e governadores da extrema direita, como Tarcísio.

7- O governo Lula não rompeu relações com o Estado de Israel nem deixou de comprar tecnologias militares sionistas. Também não enfrentou com firmeza Trump, as deportações de brasileiros nos EUA ou a entrega de riquezas nacionais, como as terras raras, às multinacionais estrangeiras. Na Amazônia, tentou privatizar rios e mantem projetos que favorecem grandes interesses econômicos, como a Belo Sun.

8- A frente ampla de Lula/Alckmin não governa para a classe trabalhadora. O governo Lula/Alckmin é capitalista. Não podemos apoiar ou semear ilusões nele. O lulismo não tem um programa socialista nem uma política classista. Não há caminho positivo para a esquerda socialista, comunista ou para os lutadores sociais dentro da frente ampla. Por isso, apelamos para que as forças da esquerda do PSOL mudem de posição e não apoiem Lula no primeiro turno, construindo uma campanha alternativa.

A frente ampla expressa os interesses de classe dos patrões

9- A CST, organização socialista revolucionária independente, não compõe a frente ampla do PT, PCdoB, PSB, REDE e PSOL. Apesar do passado ligado às lutas populares e do discurso progressista, Lula, o PT, o PCdoB e o PSOL são pilares de sustentação capitalista. A política de governar com os patrões é uma estratégia política e programática. A nomeação de figuras do capital para postos-chave do governo comprova o compromisso do governo com banqueiros e o agronegócio, contra a natureza e os povos indígenas.

10- A frente ampla congrega empresários e trabalhadores, agronegócio e camponeses, banqueiros e povos indígenas. Nesse aglomerado de classes com interesses opostos, prevalecem os interesses capitalistas. Por isso, a frente ampla do PT não pode expressar os reais interesses da classe trabalhadora e dos setores populares. Não aceitamos a subordinação dos interesses políticos e sociais da classe trabalhadora às alianças com empresários ditos progressistas. Não aceitamos que as reivindicações classistas sejam secundarizadas ou esquecidas para que empresas e multinacionais sejam contempladas nas alianças da frente ampla. Isso gera insatisfação social, desmobilização e desmoralização operária e popular e abre caminho para a extrema direita.

Combater a extrema direita nas ruas

11- O combate à extrema direita se faz nas ruas, com ampla unidade de ação. Não pode ser apenas um post nas redes sociais ou um discurso eleitoral. Não podemos confiar no STF e em seus ministros corruptos, que sempre julgam de acordo com suas conveniências e seguindo o humor político burguês. Só a mobilização organizada nas ruas pode enterrar de vez os projetos autoritários. Não podemos ter conchavos federais com governadores ultrarreacionários como Tarcísio nem financiar suas privatizações. É inadmissível que nenhuma medida de Temer e Bolsonaro tenha sido revogada.

12- É preciso seguir o exemplo da mobilização das greves gerais da Argentina contra a extrema direita. Para isso, a frente ampla já mostrou que não é efetiva. Basta ver o papel da Articulação Sindical/PT, corrente de Lula majoritária na CUT, em relação ao governo de SP: negou-se a unificar as lutas contra Nunes e Tarcísio.

Por uma frente da esquerda independente

13- Nós, da CST, queremos dialogar com partidos, organizações, lideranças independentes e lutadores sociais que queiram construir um caminho unitário. Um espaço independente dos patrões e de seus representantes. Não é razoável que existam três pré-candidaturas por fora da frente ampla: uma da UP, outra do PCB e outra do PSTU. É preciso unidade e uma chapa única. Nós, da CST, estamos com Hertz Dias, do PSTU, por termos mais acordos programáticos. Defendemos uma reunião das organizações que não integram o governo Lula: UP, PCBR, PSTU, MRT, SoB e CST. Para dar os primeiros passos nessa difícil tarefa, propomos uma reunião das forças que compuseram o Polo Socialista Revolucionário, além de organizações nacionais, regionais e lideranças que queiram somar. Para verificar ações em comum, com base num debate fraterno das divergências, respeitando os acordos possíveis. Sempre mantendo a independência política, programática e organizativa de todos os envolvidos nessa unidade. E o mesmo nos estados, com governadores, senadores e as lutas.

Construir uma pré-campanha socialista e revolucionária

14- Acreditamos que temos de construir uma alternativa da classe trabalhadora e utilizar as eleições para divulgá-la. Acreditamos que a classe trabalhadora não pode votar nos patrões, seus partidos ou alianças. A CST é uma organização socialista e revolucionária independente, seção no Brasil da UIT-QI. Pelas leis antidemocráticas do país, ainda não possuímos a legalidade para concorrer com nossa própria legenda. Mesmo com essa restrição do atual regime, que bloqueia de todas as formas a participação das forças de esquerda, não vamos ficar parados. Acreditamos que organizações da classe trabalhadora não podem usar a legenda de partidos que compõem o governo capitalista de Lula/Alckmin. Por isso, desde que o PSOL ingressou no governo, rompemos com esse partido e não utilizamos sua legenda. Apenas legendas que não integram o governo podem ser utilizadas, como as da UP, PCB e PSTU, partidos com os quais dialogamos. A CST lançará suas pré-candidaturas pela legenda do PSTU: no RJ (Bárbara Sinedino), SP (Lorena Fernandes), MG (Andressa Rocha) e PA (Mariza Santos).

15- Vamos utilizar a campanha eleitoral para desmascarar a falsidade do atual regime político dos patrões; denunciar o comitê de negócios dos empresários que é o Estado capitalista; explicar que as eleições não mudam a nossa realidade, que só a luta muda a vida, apoiando as greves da FASUBRA e outras. Vamos denunciar o papel das direções sindicais majoritárias que ficam atreladas aos governos e não unificam as lutas; afirmar que nossa classe é internacional, apoiando a luta argentina contra Milei e a heroica resistência do povo palestino.

Por um governo da classe trabalhadora e um Brasil socialista

16- Enquanto bancos lucram bilhões, milhões enfrentam fome, precarização, dívidas e jornadas exaustivas. Enquanto a riqueza estiver concentrada nas mãos de banqueiros, multinacionais e grandes empresários, seguiremos vivendo sob exploração e opressão. Defendemos medidas urgentes contra a crise social:

a)reajuste de salários já; fim da 6×1, por 36h semanais; redução de tarifas e preços de alimentos! Duplicação do salário mínimo e Bolsa Família! Reajuste semestral dos salários de acordo com a inflação! Pelo pagamento do piso nacional da educação; arquivamento da reforma administrativa; apoio às reivindicações dos entregadores; contra a pejotização; por concursos públicos; frentes de trabalho para pessoas em situação de rua.

b)Chega de Arcabouço Fiscal e Plano Safra do governo Lula/Alckmin! Taxação dos bilionários e das multinacionais!Não pagamento da dívida! Estatização do sistema financeiro; contra as privatizações e PPPs. Incorporação de todos os temporários e terceirizados! Petrobras 100% estatal; verbas para educação e não para banqueiros! Plano nacional de assistência estudantil, reajuste das bolsas, reformas das moradias e bandejões; revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal e estatização dos transportes. Revogação da reforma da previdência, trabalhista, do NEM e da privatização da Eletrobras!

c)Fim dos feminicídios e criminalização dos red pills! Criminalização da misoginia, inclusão no currículo nacional e no PNE da educação sexual com perspectiva de gênero, garantia de investimentos reais no combate ao feminicídio, pela legalização do aborto via SUS! Em defesa dos direitos LGBTs! Cotas para as pessoas trans!

d)Pela criação da TerraBras, sob controle da classe trabalhadora: as terras raras e todo o minério operados por uma empresa 100% estatal, que leve em conta o respeito socioambiental. Exigir a punição das mineradoras envolvidas em crimes, como a Hydro e a BHP Billiton; reestatizar a Vale; demarcação já! Revogação do marco temporal e do PL da devastação!Em defesa dos rios e das florestas ancestrais! Expropriação e punição das empresas poluidoras como a Cargill e a Belo Sun! Emergência climática já! Reforma agrária sob controle dos sem-terra.

e)Sem anistia! Prisão e confisco de bens dos golpistas do 8J!Expropriar as empresas que financiaram o 8J! Punição da cúpula militar golpista! Fim das operações policiais nas favelas e periferias! Pela punição de todos os responsáveis, militares e civis! Fim das PMs e Polícias Civis assassinas e milicianas; fim da PRF golpista!

17- Para aplicar essas medidas, é necessário construir um governo da classe trabalhadora, sem patrões, que enfrente os capitalistas, rompa com o imperialismo e construa um Brasil socialista. Mas nossa luta não termina nas fronteiras nacionais. A resistência contra o capitalismo e o imperialismo é internacional. Lutamos por uma federação das repúblicas socialistas da América Latina.

 


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